domingo, 30 de abril de 2017

Belchior – 26/10/1946 – 30/04/2017

                                                        
As palavras sumiram, mas vou tentar escrever.

Belchior foi o compositor brasileiro que mais ouvi nos anos 1970, quando já não havia galos, noites e quintais como ele bem anunciara. Assisti a vários show, fiz pelo menos cinco entrevistas importantes com esse cearense que chegou ao centro do palco brasileiro ao lado de Fagner, Ednardo e outros.

Há alguns anos optou pelo sumiço. Radical. Desapareceu até ser localizado por um programa de TV que, covarde, o chamou de ladrão em rede nacional. Belchior teve que sair do auto exílio (um direito de todos nós) para defender a sua honra. Voltou a submergir por razões que só ele sabia (e daí?). No palco que ele ajudou a brilhar, subiram as piranhas, sertanejos, funkeiros e barangas como Karol com K, Anitta, Ludmila, Wesley Safadão e outros parasitas do famigerado show business, vulgo mar de merda.

Com tantos escrotos na planície, o raio foi levar belchior. Morto por causa do rimpimento da artéria aorta. Viveu apoiado apenas pelos fãs que viram nele um artista que soube transformar em diamantes musicais as nossas angústias e dores cotidianas.

Difícil acreditar, mas Belchior morreu. Ele mesmo, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Provavelmente será “homenageado” pelo mesmo bando de abutres que o chamou de ladrão e o atirou no limbo. Hipocrisia, mau caratismo, cinismo dão audiência, especialmente num domingo quando os escrotos e larápios nacionais que assaltaram os cofres do país começam a fazer as malas para se mandar. O STF vai soltar todo mundo, mas o raio caiu sobre Belchior.

Hoje, mais do que nunca, não haverá galos, noites e nem quintais.