domingo, 23 de abril de 2017

Hóspede

Quase no final da estreita estrada, a subida contornada de cerca viva. Piso de pedras. No final da subida um pátio, não muito grande, com antigas, muito antigas, marcas de pneus. Bem em frente, uma confortável suíte para o hóspede, em madeira e telha colonial.

Depois da suíte, uma escadaria rústica bem à frente. Canil, horta, um pequeno curral, pinheiros muito altos sentindo a canção do vento. A escadaria terminava próximo ao pico do morro.

Na descida, mais árvores, o vento, o curral, a horta, o canil, o pátio, o som do silêncio. A esquerda, a casa. Grande, gentil, hospitaleira. A porta, a copa, a cozinha. Vazias. Nas paredes manchas de armários que há tempos eram abertos e fechados frenética e alegremente. Depois da cozinha um pequeno banheiro e a sala de estar. Vazios.

Ecos do leve falatório. Colada a sala de estar o salão de jantar. Também vazio. Ecos. Vozes, risos, planos, angústias, camaradagem, afeto.

Janelões. Vista da mata, cheiro de eucalipto, de chuva em terra molhada, alguma neblina, estrelas radiantes, luar.

Andar de cima. Mais quartos. Vazios. O sossego parecia o canto da cigarra no fim de tarde. Brisa fria, fome, sono, sonhos.


Descendo os degraus, as duas salas desertas, a copa, a cozinha, o pátio, as antigas marcas de pneus. A subida se fazia descida, contornada de cerca viva, que levava ao quase final da estreita estrada.