segunda-feira, 22 de maio de 2017

Cascata

Tive o trabalho de fazer um levantamento de notícias publicadas na página que uso no Facebook nos últimos seis meses. Mais de 70% eram mentiras, boatos, terrorismo emocional e afins.

Os jornais estão fazendo uma enorme campanha alertando que a imprensa é o meio mais confiável para se obter notícias verdadeiras. Em tese, sim. Apesar de, na quinta-feira, um jornalista renomado ter dado uma das maiores barrigas (notícia falsa) do ano ao anunciar no site de seu jornal gigante que Temer iria renunciar naquela tarde. Deu detalhes, disse que Temer já havia conversado com ministros, etc. Quebrou a cara. A cara dele e a dos leitores.

Em tese, a imprensa tem mais credibilidade. Em tese, a imprensa contrata profissionais treinados para apurar incansavelmente as notícias antes de publicá-las. Só que de tempos para cá, muitas empresas optaram por mão de obra barata. Os estagiários e trainees, que deveriam estar nas redações para aprender o ofício, atualmente trabalham como gente grande, apurando mal, escrevendo mal, falando mal no rádio porque, afinal, estagiários e trainees vieram ao mundo para errar e aprender. Internamente, sob forte supervisão. E não para saírem publicando a torno e a direito.

Ontem a noite ouvi no rádio um âncora mirim dizer que uma atleta havia morrido em consequência de um acidente com uma van que transportava o seu time. Acho que de vôlei, não tenho certeza. Vários feridos. No final da notícia, o âncora mirim informou (?) que o nome da atleta morta e também dos feridos não tinham sido divulgados.

Pecado capital.

Até uma ameba sabe que num caso como esses, até se ter os nomes, não se pode divulgar uma notícia. Motivo: pânico. Quantas milhares de pessoas tem parentes, amigos e conhecidos andando de vans naquele momento? Quando não se divulga o nome de quem morreu e também dos feridos, gera-se uma paranoia coletiva.

Lembro bem. Nos meus tempos de estagiário, um repórter profissional foi suspenso porque pôs no ar a seguinte notícia: “um Fusca branco bateu no viaduto dos Marinheiros. O motorista morreu e o trânsito está complicado no local”. Não deu nomes, nem placa. O chefe o suspendeu imediatamente alegando que milhares e milhares de pessoas, naquela época, tinha Fuscas brancos e muitos deles estavam naquela região.

Em tempos de internet cascateira e terrorista, podemos, sim, pedir abrigo a imprensa formal. Mas, com muita moderação e checando (não é papel do leitor, mas fazer o que?) a notícia em pelo menos três grandes sites para sair espalhando por aí.


Não é?