quinta-feira, 29 de junho de 2017

Coices ao léu

Quando a tal presidenta era presidente (p minúsculo) do brasil (o com B maiúsculo não é esse que está aí) ficou conhecida por xingar, humilhar, denegrir, espinafrar subalternos. Em Brasília é famosa a história de um general de quatro estrelas que deixou o gabinete dela chorando. Ela dava coices, ofendia, escrachava, mas não comandava. O país estava atirado as cadelas porque a presidente achava que xingar era comandar, quando na verdade chefiar é liderar.

Autoritarismo é uma patologia sem cura. Nem os mais notórios psiquiatras, neurologistas e veterinários conseguem tratar os infelizes que se acham no céu e Deus na Terra, se dizem início-fim-meio, se sentem o epicentro de tudo. Os asseclas da presidente quando a diziam, por exemplo “eu estou com um problema na área X”, ela interrompia e descarregava “pois EU nesse caso faço isso, isso, isso. Faça o que EU faço.” O assecla fazia e dava tudo errado. Deu no que deu.

O autoritário tem certeza que resolve todos os problemas da humanidade a partir de si mesmo. Onipotente, ególatra, irritadiço, briga o dia todo. Acha que dá ordens, diz que é o sol, que todos giram em torno dele, arrota caviar comendo baiacú, mas não revolve nada, absolutamente nada. E como não enxerga seus defeitos é capaz de naufragar arrastando um país junto, como foi o caso da ex presidente do brasil.

Sem amigos (no máximo alguns aduladores que não querem perder o emprego-boca-seja lá o que for), pensa que determina como as pessoas devem agir, comer, respirar, viver, trepar, dormir. Diz o que um piloto de Fórmula 1 deve fazer quando está no cockpit de uma Ferrari, o que um padre tem que rezar numa missa, as cambalhotas que um palhaço tem que dar no circo. Palhaço...o autoritário adora achar que faz os outros de palhaço, mas não percebe (a egolatria não permite) que, no fim das contas, o palhaço é ele.

Boçal, segue a vida brigando, berrando, espinafrando e sozinho. Angústia? Nenhuma. Angústia, depressão, ansiedade são moléstias que acometem seres inferiores. O autoritário não sofre porque nem a dor ele consegue ver. Por mais forte que seja. E cada vez mais louco, cavalga vida a fora até o dia do solitário asilo, ante-sala do juízo final.