terça-feira, 27 de junho de 2017

Simon Bolivar. Cusp! Cusp! Cusp!

Ouvindo “No Quarter” na safada lentidão do trânsito de manhã cedo, penso numa releitura que fiz recentemente. Uma biografia que atira em seu devido lugar o heroizinho do golpista e coronel Hugo Chaves e de seu ovo direito Nicolás Maduro. Pouca gente leu a biografia “Simon Bolívar por Karl Marx” (sim, ele mesmo) que tira pela cabeça a cuequinha de “herói dos pobres” que Chaves e Maduro vestiram em Bolívar.

Os historiadores contemporâneos e democratas nunca esconderam que o general Simon Bolívar foi um patife, tanto que é ídolo de outros patifes, da Venezuela e fora dela. Até no Brasil existem bolivarianos, como sabemos, gente vadia que clama de joelhos por um golpe de estado para botar o saco na lagoa, o boi na sombra e a grana na Suíça. Outros preferem uma picanha na calada da noite e, bem feito, acabam levando um pontapé na bunda.

Origem desse “herói” coxinha, absolutamente coxinha, segundo o olhar firme e implacável de Karl Marx. Nascido na Venezuela, Simon Bolívar “era filho de uma das famílias mantuanas que, no período da supremacia espanhola, constituíam a nobreza crioula da Venezuela. Em consonância com o costume dos americanos ricos da época, ele foi mandado para a Europa aos 14 anos de idade. Da Espanha, seguiu para a França e residiu em Paris por alguns anos.

De pé sobre um carro triunfal, puxado por doze jovens vestidas de branco e enfeitadas com as cores nacionais, todas escolhidas entre as melhores famílias de Caracas, Bolívar, com a cabeça descoberta e uniforme de gala, agitando um pequeno bastão, foi conduzido por cerca de meia hora, desde a entrada da cidade até sua residência. Proclamando-se ‘Ditador e libertador das Províncias Ocidentais da Venezuela’, formou uma tropa de elite que denominou de sua guarda pessoal e se cercou de pompa própria de uma corte.

Entretanto, como a maioria de seus compatriotas, ele era avesso a qualquer esforço prolongado e sua ditadura não tardou a degenerar numa anarquia militar, na qual os assuntos mais importantes eram deixados nas mãos de favoritos, que arruinavam as finanças públicas e depois recorriam a meios odiosos para reorganizá-las.” 

Basicamente, isso é Bolívar, herói latino-americano dos oportunistas que se dizem, inclusive, socialistas. Só rindo. Voltemos ao livro:

O que Bolívar realmente almejava era erigir toda a América do Sul como uma única república federativa, tendo nele próprio seu ditador. Enquanto, dessa maneira, dava plena vazão a seus sonhos de ligar meio mundo a seu nome, o poder efetivo lhe escapou rapidamente das mãos.”

 “Em 1817, Bolívar com um tesouro de uns 2 milhões de dólares, obtidos dos habitantes de Nova Granada mediante contribuições forçadas e dispondo de uma tropa de aproximadamente nove mil homens, um terço dos quais compunha-se de ingleses, irlandeses e outros estrangeiros bem disciplinados, coube-lhe então enfrentar um inimigo despojado de todos os recursos e reduzido a uma força nominal de 4.500 homens, dois terços dos quais eram nativos e, por conseguinte, não podiam inspirar confiança nos espanhóis.

[...] Se Bolívar tivesse avançado com arrojo, suas simples tropas europeias teriam esmagado os espanhóis, porém ele preferiu prolongar a guerra por mais cinco anos.”

Cusp! Cusp! Cusp!