quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O marinheiro punk da barca Rio-Niterói

Encontrei um conhecido que é saudosista mas não é chato. Raridade. No momento ele anda com muita saudade da barca Rio-Niterói de antigamente, segundo ele mais romântica, varrida por uma brisa marinha, alguns boêmios, a presença do profeta Gentileza, blá blá blá blá. Eu estava num camelô contemplando relógios falsificados, impressionado com o alto nível das “réplicas” atuais.
Não comentei com ele para não prolongar a conversa, mas não tenho saudade de quase nada, inclusive da barca Rio-Niterói dos anos 1970 (quando atravessava a Baía de Guanabara diariamente) que era suja, quente, lenta. A travessia levava quase meia hora e elas pareciam bonitinhas e “vintage” só para os turistas ou por quem não era obrigado a usar.
No entanto, duas vantagens inegáveis que os atuais catamarãs (que atravessam rápido), limpos e sem profetas (Gentileza era chato pra cacete) não tem: belas e gostosas mulheres em profusão e uma varandinha que ficava na popa onde namorávamos ao longo daquela meia hora, usando a bandeira do Brasil que tremulava num pequeno mastro como toalha para higiene íntima. Parei de andar nos catamarãs quando soube, tempos atrás, que Adriana Ancelmo, miss máfia, era advogada mor ($$$$$) da agência que fiscaliza as embarcações na Baía de Guanabara. Nunca mais andei.
Em algum lugar do passado, lanchões duas mil pessoas, havia um marinheiro (a barca era do governo federal e o governo federal funcionava bem) na madrugada que era grosso, estúpido, amargo, mal humorado, boçal, mas eficiente. A partir de meia noite quando o sono engolia muitos passageiros (sem falar dos bêbados), o marinheiro punk batia com o jornal nos encostos das cadeiras de madeira e gritava “a barca chegou, cambada! Quem não levantar volta para o Rio”.
Um amigo garante que o marinheiro punk foi transferido para a madrugada depois que, num dia de semana, por volta das três da tarde, os passageiros sentiram que algo errado acontecia. Foi quando o nosso personagem foi para a frente das fileiras de cadeiras do segundo andar e gritou “o leme da barca quebrou, por isso ela está rodando”. Muita gente passou mal e os passageiros tiveram que ser transferidos para outra embarcação em pleno mar.
Alguém denunciou o marinheiro como “fomentador de pânico” e ele foi para a madrugada, barca de passageiros, digamos, profissionais. Ali, o marinheiro podia gritar até que estava afundando e ninguém se importaria.
Um conhecido que adorava andar a pé pelo Rio (por isso ganhou o apelido de Gandhi) voltava de um forró no Méier as 2 e meia da madrugada, de sexta para sábado. Eu retornava da semifinal do concurso Miss Shortinho, no Cassino Bangu. As barcas funcionavam 24 horas. Hoje param de circular as 23h30m, obrigando todo mundo a pegar um ônibus.
Na estação da Praça 15, aguardando a barca das 3 horas, Gandhi falou comigo, eu respondi “rapá, há quanto tempo, e tal”, mas ambos, ele e eu estávamos baleados de sono. Suspeito que Gandhi estava levemente biritado, mas não pude confirmar. As barcas de 3, 3 e meia e 4 da manhã eram chamadas de “balsa dos desesperados”, o que fazia sentido. Propus a Gandhi que sentássemos perto um do outro. Chumbado de sono pedi que ele me acordasse quando chegasse a estação de Niterói. Ele foi franco e me disse, voz levemente pastosa que “também estou morto de sono e assim que sentar na barca vou apagar”. Combinamos, então, que cada um dormiria 15 minutos, começando por mim. Ele topou.
Quando a barca deu o terceiro apito, anunciando a partida, encostei as pernas na cadeira da frente, cruzei os braços, olhei em volta (muitos bêbados), me aninhei e apaguei. Tudo muito rápido. Só que Gandhi também dormiu e o marinheiro punk, aquele que acordava todo mundo batendo com o jornal, não estava trabalhando e todos os outros marinheiros sumiram, como era de praxe.
Acordei com a embarcação encostando na estação, dando uns trancos que eram tradicionais. Olhei para o lado, Gandhi roncava e babava. Acordei o meu conhecido e saímos da barca e notamos logo que...tínhamos voltado para o Rio.
O marinheiro punk bem que poderia ter trabalhado naquela madrugada, pensei enquanto saía na Praça 15 em direção a uma carrocinha de milho verde que iria estraçalhar antes de embarcar de novo tentando voltar para Niterói.
- Parece “O Anjo Exterminador”, de Buñuel, comentei com Gandhi que sequer respondeu.
Provavelmente não sabia do que se tratava, mas quer saber, ele tinha razão nhamos que voltar para Niterói, uma obsessão que tomou conta também dos personagens do filme de Buñuel, umas pessoas que se veem presas numa das salas de uma mansão após um jantar formal. Não há nada físico que os impeça de sair, porém algo os faz refém de portas e grades imaginárias.
Para evitar problemas, duas decisões: a) subi para o segundo andar da barca e fui para a varandinha da proa, de cara para o vento da baía. Impossível dormir em pé com o vento na cara; b) me distanciei de Gandhi porque cismei ele estava mesmo bebum e que o seu estado emocional contaminava.
Cheguei em casa já amanhecendo, tomei um banho, bebi um café e fui para a cama. Liguei o rádio baixinho, sintonizado na Eldo Pop FM de Big Boy e tocava a banda alemã Nektar tocando “A Tab in the Ocean”. Com certeza não conseguiria dormir. Quem gosta de música boa e de cama, não dorme com uma dessas. Ou então é blefe. Não gosta nem de música, nem de cama, mas isso é outro assunto, para outra hora. Foi o que pensei, desligando o rádio.

Off.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Ora que melhora

No passado as mensagens, digamos, automotivas eram vistas (e lidas) nos para choques de caminhões. Mensagens bem humoradas, outras mais reflexivas, mas quase todas de bem com a vida. Com o passar do tempo, essas mensagens acabaram chegando ao automóvel, via adesivos. Linguagem direta, objetiva.

Tempos atrás, debaixo de garoa em São Paulo, vi as ruas cheias de gente com aparência de cansaço, uma imagem meio em câmera lenta. Resolvi me distrair lendo os dizeres dos adesivos dos carros que tentavam se deslocar naquele trânsito preguiçoso dos dias chuvosos.

A primeira que li no vidro de um carro foi: "Ora que melhora!". Gostei da mensagem, da ideia, da intenção. Afinal, se existe um conceito universal que une todas as religiões, crenças e correntes filosóficas, mas acima de todo a fé, é o poder da oração. Poder esse que a ciência já reconhece há bastante tempo.

Mais à frente, na tampa do porta-malas de um carro bem usado, um adesivo anunciava: "É velho, mas é meu". Também gostei. Afinal, que história é essa de que todos têm que ter carros novos, sapatos novos, roupas novas? A mensagem exibia o orgulho do dono daquele carro, o cheiro de vitória, mais uma etapa de sua vida, do seu trabalho.

No período eleitoral, cio da esperteza, surgem nomes e apelidos em vidros de todos os tipos de veículos anunciando que alguém vai se candidatar a alguma coisa. E esse alguém, com toda a razão, confia no poder dos adesivos. O que faz uma pessoa comprar e colocar, muitas vezes em letras garrafais, a frase "Vivo arranhado, mas não largo a minha gata" no vidro traseiro do carro? Há ainda o já tradicional e cínico "Eu amo minha família", que surgiu depois do "Eu amo minha esposa" além das logomarcas de times de futebol. Já vi um desses colocado na traseira de uma Mercedes, em cima do para choque. Deu pena do carro. Enfim, acho que não há explicação, a não ser o desejo dessas pessoas em dividir suas histórias, ou brincar com nossos humores.

Mensagens em adesivos colados em veículos estão longe de ser uma exclusividade brasileira. Os norte-americanos adoram adesivar seus carros, motos, caminhões, ônibus, com mensagens que muitas vezes não fazem o menor sentido. Uma delas é "Não me siga, estou perdido também", que pode ter mil conotações. Desde o perdido no trânsito banal até o perdido na vida, nas perspectivas, no emaranhado de dúvidas e angústias.

No caso do "Ora que melhora!", que vi no preguiçoso trânsito paulistano, chamou minha intenção porque no táxi ao lado uma senhora de idade fechou os olhos e juntou as mãos assim que leu a mensagem. Só ela sabe porque orou, para quem ou o que orou, mas o fato é que a mensagem atingiu seu objetivo.

Muito já se escreveu e falou sobre as frases de para choques de caminhões. Há, inclusive, um livro a respeito que li anos atrás. O autor colecionou as frases ao longo de anos viajando pelas estradas brasileiras e reuniu um esplêndido coquetel de reflexões, algumas de extrema sensibilidade, outras de ótimo humor, mas nenhuma negativa, difamadora, rancorosa.

Quando migraram para os carros, o objetivo foi o mesmo. Humor, boas sacadas, fé e muito pouca baixaria. Gosto disso.



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Ecos de "On The Road"

                                            Studebacker
Ford Taurus
Viajava muito com o meu pai, especialmente para Teresópolis. Ele contava que nos anos 1960, a bordo de carros importados com motores refrigerados a água, era forçado a parar duas ou três vezes nos acostamentos, depois batizados oficialmente de "refúgios". Era para baixar a temperatura da água do radiador. Subir a longa serra naqueles tempos, naqueles carros, exigia paciência e, sobretudo, tenacidade. O bravo Fusca acabou com esse problema.

Quando o presente nos espreme com suas garras não virtuais é natural que busquemos os acostamentos e refúgios do passado; esperar por lá até os coquetéis molotov sossegarem.

Foi numa virtual escapada dessas que lembrei de meu avô paterno, que ao contrário das descrições românticas e lúdicas que em geral são feitas, era um cara marrento, sisudo, anti-social. Mas eu adorava ele porque ele adorava os netos. A maneira dele.

Passei a infância em Angra dos Reis e era para lá que meu avô ia descansar de vez em quando. Cada vez que chegava trazia um carro novo. Era apaixonado por automóveis. Eu tinha uns sete ou oito anos quando ele apareceu com um (pasmem!) Studebaker 1955 cinza-chumbo, carro de design tão ousado e atrevido para a época que não colou. Eu me apaixonei por aquele carro e ficava horas olhando, olhando, olhando até ouvir a frase mágica do meu avô: "vamos até o centro para comprar umas coisas". E passeávamos no Studebaker sob o olhar assombrado das pessoas.

Numa dessas incursões, fumando seus indefectíveis charutos ao volante, meu avô virou para mim e disse "você vai ser um apaixonado por automóveis." Na mosca. Para terem ideia, durante muito tempo estou para comprar um Ford Taurus (de 1997 até o início dos anos 2000) porque na minha cabeça ele reviveu a saga do Studebaker. Design atrevido, ultra moderno, que também teria assustado os consumidores nos Estados Unidos. O Taurus foi uma das estrelas do genial filme "O Show de Truman" (1998) de Peter Wir, estrelado por Jim Carrey que mereceu, sim, o Oscar. Mereceu, não levou e ficou indignado. Com razão.

Essa conexão meu pai-meu avô-carros-o show de Truman-coluna sobre carros faz sentido e me atira do clássico romance "On The Road", de Jack Kerouac, cujos ecos me inspiram, apesar de minha nula ligação com o estilo de vida dos beatniks - https://pt.wikipedia.org/wiki/Beatnik . Como o maraviloso coice chamado "O Uivo", de Allen Ginsberg, poema que atirou a América boçal e macartista contra o paredão da sua própria alienação, caretice e ignorância, em 1956. Os beats parece querer dizer em sua aflição, asfixia e angústia que as causas nem sempre geram efeitos. Causas podem não causar nada. Ou não? Logo, quando vamos ao passado, há uma causa. Ou efeito?

O Stubebaker é a cara do movimento beat, como dá para perceber logo nas primeiras leituras de "O Uivo", lançado em San Francisco, Califórnia.  Ginsberg foi preso por "atentado violento ao pudor" e julgado. Absolvido (se fosse no Texas ia arder na cadeira elétrica) disse a imprensa: "Uivo é uma unidade de respiração única. A minha respiração é longa — isto é a medida, uma inspiração física e mental do pensamento contido no estiramento de uma respiração."

Na época, pouca gente entendeu. Só uns poucos tinham a coragem de ler (e, principalmente) ouvir "O Uivo" de ponta a ponta porque a constatação de que outra América, menos boçal, precisava ser descoberta urgentemente incomodava. A mesma do Studebacker e do Taurus. Como Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs eram incômodos sociais, estorvos políticos e levou tempo para as suas propostas entre aspas para um mundo não velho fossem reconhecidas.

Todo mundo tem o seu Uivo. O meu é abafado mas existe, contrariando um outro herói de cabeceira, Marshall McLuhan, eventualmente não acho que o meio seja a mensagem. Simplificando, discordo que a mídia gere notícias. Até segunda desordem, a mídia é eco e não som, mas como Allen Ginsberg chegou a dizer que o seu Uivo podia ser chamado de tudo "até de mídia pífia e vagabunda"; no caso o meio era a mensagem, sim. Como esse texto aparentemente sem pé, mas totalmente sem cabeça.

Antes da partida, rumo ao presente, dei um beijo no eu avô.

E no meu pai.


domingo, 27 de agosto de 2017

Ummagumma

Se daqui a milhares de anos – ou depois de amanhã para Trump e Kim Jong-un - prováveis mais evoluídas gerações decidirem se interessar pelos parcos, pobres e decadentes tempos atuais, vão correr atrás de alguns rastros. Rastros de inteligência e sensibilidade.

As futuras gerações vão se chocar com fatos como a explosão
 de lama em Mariana, o fim anunciado da Amazônia, a formatação humana via politicamente correto e todas as imperfeições reinantes. Mas, haverá muitos sinais positivos. Muitos. Um deles, com certeza é o álbum duplo Ummagumma que o Pink Floyd gravou e lançou em 1969.

Os segmentos acústicos do álbum, recheados de efeitos especiais livres, são de tamanha profundidade que até hoje, 48 anos depois, ainda encontramos rastros inconscientes de cabeças consistentes que decidirem jogar todas as fichas no inusitado. Ummagumma é, sobretudo, um louvor a liberdade.

Quando Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason começaram a gravar o álbum, no Estúdio 2 do Abbey Road Studios (Londres) tinham, sim, ideia do que iam fazer. Mais: tinham certeza de que pretendiam rachar o concreto da lógica do mercado, no apogeu da era hippie. Decidiram que os momentos gravados ao vivo em fusão com as experiências em estúdio não seriam digeridos imediadamente por ninguém. Aqui, acrescento: até hoje.

Quando Ummagumma saiu no Brasil, lembro de alguém chamar de "coisa de doidões". Não é. É muito mais do que isso. Muito mais. A começar pelo nome, na verdade uma invenção de um roadie do Pink Floyd, Iain "Emo" Moore, que costumava dizer "eu vou até em casa ver se acho um pouco de ummagumma". Ele diz que significava "paz de espírito, relaxamento, não fazer nada", mas não desmente que Ummagumma pode significar sexo.

Escrevo ouvindo o álbum. Que maravilha. A mais pura, densa e tensa peça de arte contemporânea. Tão desafiadora que em 2015 cientistas britânicos batizaram de Ummagumma uma nova espécie de libélula que descobriram.

Não sei que horas vou parar de ouvir. Mas não pretendo desligar tão cedo.


sábado, 26 de agosto de 2017

A nova censura aos meios de comunicação se chama Regulação da Mídia

                                                                           
Dia sim, outro também, Lula tem defendido a tal “regulação da mídia” que nada mais é do que uma versão gourmetizada da censura aos meios de comunicação. Natural. Com a imprensa censurada, não haveria Lava Jato, nem Mensalão, nem a suruba do PT e com o podrão PMDB, seu parceiro de duas eleições presidenciais. Censura a imprensa significa Estado totalitário. Estado totalitário rouba e mata quem denuncia. Sempre foi assim no mundo todo. Na Itália de Mussolini, Chile de Pinochet, Alemanha de Hitler, União Soviética de Stalin e essa republiqueta imaginada, sonhada, profundamente desejada pelo PT. Republiqueta sem lei chamada Brasil que já sofreu nas garras do Estado Novo de Getúlio e na ditadura militar de 1964 a 1985.

A presidente do PT, ex-obscura senadora que habitava o baixo clero da politicagem nacional, madame Gleisi Hoffmann, enrolada até o talo na Lava Jato, como o maridão e também enlameado ex- ministro Paulo Bernardo, defende arduamente a ditadura de Nicolás Maduro, aquele Stalinzinho da Venezuela. 

Em seu discurso recente na Nicarágua (assista ao vídeo acima), ela defende o famigerado regime bolivariano que já baniu, via miséria, mais de 40 mil venezuelanos famintos para o Brasil. Tomaram conta de Boa Vista, capital de Roraima, e também de outras cidades. Moram embaixo de marquises, passam fome, estão doentes e a dona Gleisi sequer se pronunciou a respeito. Como fugiram dos verdugos de Maduro, ela deve achar que esses miseráveis são traidores do regime, e, certamente pensa mas não fala, deveriam ser fuzilados. Com certeza também deve sentir inconfessáveis ondas de calor quando vê na TV o ditador da Coreia do Norte, misto de genocida e débil mental Kim Jong-un soltando seus mísseis nucleares, miando para a humanidade como um Leão da Metro asiático.

Tudo o que Lula quer é acabar com a liberdade de imprensa. Ele, Dilma, José Dirceu, todo o chamado alto (?) comissariado do PT, que beija a boca do PC do B num dia e beija a mão de Paulo Maluf no outro. Por enquanto, Lula pode ganhar a eleição no ano que vem e, a seu modo, descer a guilhotina nas chamadas liberdades democráticas. Pelo menos ate hoje, não há um candidato a sua altura (?).

Bolsonaro é uma ema perdida no cerrado, que nem genocida conseguiu ser porque em 1968, ano do AI-5, tinha apenas 13 anos. Estava se preparando para a vida militar medíocre que levou, certamente dedurando colegas no colégio e provavelmente praticando escotismo, atividade praticada por um monte de garotos vestidos de imbecis, comandados por um imbecil vestido de garoto, como bem definiu o menestrel Juca Chaves.

Os militares da ativa tem vergonha de Bolsonaro, os da reserva o acham alpinista da Academia, burro, iletrado, incapaz de diferenciar o Afeganistão de Magé. Aos peidos chegou a capitão, quando pediu baixa e tentou se aproximar do nazi-fascista e genocida profissional (e também burro como seu pupilo), o famigerado coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que quando esteve à frente do DOI (braço sanguinário do Exército) de São Paulo (1970), ficou conhecido pelo codinome de Major Tibiriçá e, segundo levantamento do projeto “Brasil: Nunca Mais”, foi responsável por 502 casos de tortura e de mais de duas mil prisões políticas, além de dezenas de assassinatos. 

Esse animal é a referência de Bolsonaro, que o homenageou, em rede nacional de TV, no dia da votação do impeachment de Dilma na Câmara. Foi nesse dia que o fracasso subiu a cabeça do capitão sem farda que é desejado por desesperados que acham que só um gorila ensandecido, com um colete de bombas amarrado ao corpo, pode salvar o Brasil das trevas.

João Dória? Salta pocinhas, guloso, aético, ganancioso, não tem projeto algum, a não ser para ele mesmo. Típico do sujeito que só ouve conselhos do espelho, uma versão sulista daquele também milionário que prometeu caçar marajás mas preferiu assaltar os cofres públicos e acabou na privada da história, de onde retornou e se meteu na lama de novo. Eleitor brasileiro não gosta de traidores e Dória enterrou o arpão nas costas de seu inventor político, Geraldo Alckmin. Mentiroso, foi ao rádio e a TV anunciar com aqueles ares de bentevi empalhado, que tinha acabado com a cracolândia em São Paulo. Fez o anúncio de manhã, à tarde a cracolândia voltava a funcionar a 100 metros em outro local, onde funciona até hoje.

Enfim, até a eleição de 2018 vem outros nomes. Há quem diga que Lula só mente, mas no caso da censura a imprensa e o previsto esbanjamento de verbas para a mídia que lhe é simpática, está falando a verdade porque, o que ele chama de regulação da mídia pode solucionar o seu único sonho no momento: se auto anistiar de todas as acusações. Ele e o seu bonde de amigos, colegas, coligados e afins. Nem que para isso incendeie o Brasil.

O tempo dirá o que virá.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O Filme da Minha Vida

                                                                               
                                                                             


Fui assistir pela segunda vez a obra prima de Selton Mello, com minha sobrinha Catherine Beranger, atriz profissional que se prepara para fazer faculdade de Cinema, sua grande paixão desde a infância. “O Filme de Minha Vida” é um diamante, uma preciosidade banhada de amor profundo, afeto em estado bruto, encontros, desencontros, uma aula de roteiro de cinema (o próprio Selton assina com Marcelo Vindicatto) o banho de fotografia de Walter Carvalho, trilha sonora inesperada e bela e, claro, a magistral atuação do elenco.

Raramente chamo alguém de gênio para não vulgarizar a expressão, mas o Selton é um deles. “O Filme da Minha Vida” nos joga numa trama suave, lírica, com traços e simbolismos ancorados pelo trem que, a meu ver, nos conecta ao nosso curso existencial. Com início, com meio e...ninguém sabe ou pode responder sobre o fim.

Bons filmes são terapeuticos, mas esse vai muito além. Percebi que todo mundo sai do cinema flutuando como se realmente a mensagem se transforma em possibilidades de melhorarmos nossa existência. Por que não? Os relógios, que sempre marcam meia noite (ou meio dia) e pouco são um enigma delicioso, assim como a conexão inconsciente (?) com o clássico hollywoodiano “Rio Vermelho” (1948), de Howard Hawks, estrelado por John Wayne, Joanne Dru, Montgomery Clift e outros grandes nomes.

Outra ótima lembrança de “O Filme de Minha Vida” é mostrar que aquele Brasil retratado na história existe, e vai muito bem obrigado. E quando ganhou de presente o argumento do filme do escritor chileno Antonio Skármeta, autor também do clássico “O Carteiro e o Poeta” (ele faz uma participação especial como Esteban) Selton se enche de paixão pela história. E destemidamente atira toda essa paixão na telona.

O que senti a bordo do filme foi uma inundação de emoções positivas, como as que me banharam quando assisti (também duas vezes) o mágico “Chuvas de Verão” (1977),de Cacá Diegues e “1900” (1976) de Bernardo Bertolucci. “O Filma da Minha Vida” faz muito bem a saúde e nos enche de orgulho do cinema brasileiro.

Direção – Selton Mello
Produção -Carlos Diegues, Vânia Catani, Leonardo Eddeo, Laise Nascimento
Direção de fotografia e Cinematografia – Walter Carvalho

Elenco:

Johnny Massaro como Tony Terranova

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Otimismo, pessimismo

As redes socais, cada vez mais anti sociais, estão muito mal humoradas e pessimistas. Claro que os tempos estão instáveis, mas se todo mundo, em todos os tempos, fosse pessimista 24 horas por dia ninguém teria nascido. A começar por nós. O pessimismo crônico, assim como o mau humor, em geral são sintomas clássicos (eu diria óbvios) de depressão e ansiedade aguda que, de cara, levam diretamente a inapetência existencial.

Não é normal ser pessimista o tempo todo. Não é normal ser otimista o tempo todo. A leve e harmônica oscilação de humor rege a saúde do nosso sistema nervoso, ensina a boa medicina. Os negativistas, vulgo urubus, tem no pessimismo o início, o fim e o meio. O lema deles é o famigerado “nada será como antes” (cusp! saudosismo) e reclamar de tudo é a base. Reclamam do calor, do frio, da chuva, da falta de chuva, do trabalho, da falta de trabalho, do amor, do desamor, do céu, do inferno sem perceber sua palpável infelicidade. Sem que ninguém diga claramente “meu chapa, vá se tratar!”, porque ninguém está a fim de se aporrinhar. E recomendar um médico para um sujeito nesse estado pode parecer ofensa.

O otimismo comedido é um exercício, dizem os sábios. Viver com esperança (favor não confundir com a agoniante expectativa) é saudável. Enxergar a luz no fim do túnel como porta de saída (e não de entrada) é uma ginástica mental/emocional fundamental. Mesmo que ao nosso lado esteja um Hardy Har Har (personagem do desenho animado lá no alto) dizendo que a luz pode ser de um trem vindo ao contrário.

Aí ferrou.


sábado, 19 de agosto de 2017

A esquerda que vivenciei

Minha adolescência foi apolítica e selvagem, no bom sentido. Mesmo quando comecei a escrever em jornais locais, com 15 anos, política era um tema distante, velho e que, com o tempo (o meu tempo) tornou-se proibido. A ditadura estava no auge (anos 70) e ninguém explicava o que estava acontecendo para nos resgatar do estranho planeta da alienação ideológica. Na verdade, meus amigos e eu estávamos com o radar em outra posição: meninas, mulheres, música, passarinhos, pipas, balões, sítios, cavalos, praia, espinhas no rosto, punheta.

Os professores de História do Brasil iam, no máximo, até Getúlio Vargas, descrito como um escroto pelos mestres (mais tarde comprovei) como se o Brasil tivesse sido parido em 1500 e abduzido em 1954. Havia alguma curiosidade nossa com relação a aquele mormaço provocado pelo silêncio imposto pela ditadura, mas ainda assim, não quis me informar mais, apesar de saber o que significava a pichação “fora comunas” ou “morte aos padres filhos da puta” em alguns muros da cidade.

Quando comecei a trabalhar na grande mídia aos 16 anos, mantive os primeiros contatos com pessoas ligadas à esquerda. Foi quando soube, abismado, que a carnifica no país seguia seu curso macabro e aprendi que minha cautela era máxima, apesar de nunca ter militado em nada, nem escotismo. Só que para a minha surpresa me encantei com o ideário da esquerda, principalmente a chamada esquerda radical, que pegou em armas, assaltou bancos, sequestrou poderosos em nome de uma sociedade justa, igual, comunista.

O ideário esquerdista dizia que “os fins justificam os meios”, e, sinceramente, quando comecei a escrever no Pasquim e Opinião (dois jornais ultra esquerdistas) aderi a defesa da necessidade urgente de uma revolução popular para instaurar a ditadura do proletariado. Assim como todos os movimentos de esquerda, em especial os radicais, a palavra democracia não era citada. O modelo era, basicamente, o cubano, com fartas doses de maoismo, stalinismo, trotskismo. Gente de direita era tratada como déspota, democratas como viadinhos de butique.

Acreditei que assaltos a bancos eram necessárias “expropriações revolucionárias”, que os sequestros eram uma forma de “capitalizar e socializar o movimento”. Contraditoriamente, apreciava o radicalismo de esquerda e a proposta hippie em sua receita de paz e amor, tratada como alienante. Pela esquerda.

Com o avanço do tempo, além de defender a ditadura do proletariado acreditei que só Estado poderia resolver as mazelas do mundo. Defendi em artigos, discussões, bate bocas, a estatização de tudo. Bancos, supermercados, empresas de ônibus, escolas, clínicas, hospitais. O Estado estatizante seria soberano e o ideário esquerdista era claro ao afirmar que aqueles que roubassem dinheiro público seriam devidamente “justiçados”, ou seja, eliminados, fuzilados, mortos.

Com o passar do tempo, a esquerda foi se deformando. Coincidentemente (?) tornei-me democrata ferrenho e não engoli quando o ideário purista e limpo começou a dar lugar ao “pragmatismo” inventado pelos oportunistas e larápios em geral. Comecei a romper com o esquerdismo quando o novo (?) trabalhismo surgiu à bordo do recriado PTB e do PT. O primeiro nascia fisiológico e até a medula, apesar de alguns bons quadros filiados a ele e o PT, quase imediatamente após a sua criação, foi tomado por parasitas do movimento sindical. O MDB se esfacelou. Tancredo Neves, hoje santinho de cabeceira dos novos esquerdistas, criou em 1980 o famigerado Partido Popular (com anuência do general Figueiredo), um ajuntamento de escroques do naipe de Chagas Freitas, ex-governador do Rio.

Veio a redemocratização, com Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma. Alguns grandes nomes da esquerda que conheci foram presos por corrupção. Sorte minha que larguei o balaio lá por 1978 quando o jornalismo me levou a ter contato com as mais variadas matizes da escrotidão política. Corria o risco de: 1 – padecer de tanta decepção e desilusão; 2 – tentar explicar a corrupção, ato inexplicável por si só.

Democrata, hoje não sou esquerda, muito menos direita. Leio, vejo, constato gente imbecil e pobre de espírito chamando os outros de “alienados” em nomes de devaneios oportunistas e espúrios que justificam o assalto ao Estado como necessidade. Muita gente acha que o assalto monumental e histórico do PT e seus blue caps (PMDB, PP...) foi ideológico!

Meu dilema. A esquerda que conheci já era uma caixa de gordura totalitária e ladra nos anos 70, disfarçada de reino moralista, ou a falência ética veio depois?


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O planeta da ficção

A nova edição de meu primeiro romance vai muito bem, obrigado. Chama-se “5 e 15 – Rock Romance” e está sendo bem recebido desde o que lancei. O que é? Depois de uma longa, profunda e (por que não?) sofrida pesquisa, comecei a escrever "5 e 15 - Rock Romance". O livro é uma ficção, mas desde que comecei a pensar nele acreditei em Crimson, psiquiatra e cientista obcecado em descobrir uma substância capaz de livrar os seres humanos da dependência química de drogas pesadas. Em especial cocaína e heroína.

Em minha pesquisa, entrevistei grandes psiquiatras, visitei clínicas e muitos fatos narrados no livro aconteceram. O caso do homem que transformou o corte de suas unhas sua linha do tempo, um outro que se achava um pássaro. Algumas situações afetivas também, como o caso uma das mulheres-chave do livro.

Por que o carro, com marca e modelo? Porque tive um e foi nele que viajei para alguns lugares para caçar subsídios para o livro. Livro que é uma homenagem aos amigos, conhecidos e vários ídolos que as drogas pesadas mataram a partir de 1980. Por isso, 1980 é o marco zero de "5 e 15", quando, diz a gíria, começou a "nevar" no Brasil, ou seja, a cocaína imperou.

Liliana de La Torre e André Valle foram as primeiras pessoas a acreditar no livro. Liliana tem a minha eterna gratidão. Através da sua Tech & Mídia ela editou a primeira versão (impressa) em 2006. A nova edição, que foi lançada em versão digital na Amazon (conheça clicando aqui: http://j.mp/lam_5_15  está muito, muito diferente e conta com o suporte de Philippe Mello, sobrinho e afilhado, craque em gestão e ideias atípicas.

Continuo acreditando no sonho de Crimson, na potência da ciência associada ao amor e na honestidade de muitas pessoas. Caso contrário, não investiria 12 anos de vida neste trabalho.


P.S. - Doctor Jimmy existiu. Foi um amigo e saudoso terapeuta que revolucionou todos os conceitos da psicologia, mas não deixou registro de seu método revolucionário.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

De saco cheio

                                       
De saco cheio de pagar pra sofrer
De saco cheio de ter que achar bonitinho bicicletas na calçada
De saco cheio de Trump, Dilma, Temer, Lula, Maduro, Kim Jong-un 
De saco cheio de viver no pior estado do sul/sudeste
De saco cheio de ceder a vez
De saco cheio de fingir que está tudo bem
De saco cheio de poluição, esgoto, miséria
De saco cheio de forças tarefas de qualquer espécie
De saco cheio de dar boa tarde e não ouvir nada
De saco cheio de não ter jipe
De saco cheio de não sumir
De saco cheio de ser gentil
De saco cheio de ouvir reclamações
De saco cheio de direita, esquerda, centro
De saco cheio de vitimologistas
De saco cheio de pilantropia
De saco cheio de “fazeção de média”
De saco cheio de “fazeção de mídia”
De saco cheio de ser povo bonzinho
De saco cheio de “desculpe, o sistema está lento”
De saco cheio de anotar número de protocolo
De saco cheio de dormir mal
De saco cheio de ansiedade
De saco cheio de ter que me explicar
De saco cheio de conceder
De saco cheio de “fazendo um favor”
De saco cheio de estar acima do peso
De saco cheio de estar abaixo do peso
De saco cheio de dar satisfações
De saco cheio de oportunismo étnico e político
De saco cheio de esperteza social
De saco cheio de ser coerente
De saco cheio de não mandar a merda
De saco cheio de pedir desculpas
De saco cheio de ser babaca
De saco cheio de “perdão, atrasei porque o trânsito...”
De saco cheio de deixar de ser livre
De saco cheio de jaulas
De saco cheio de bola e corrente
De saco cheio de Neymar
De saco cheio de futebol, meninas de vólei, olimpíadas de cocô
De saco cheio de mim
De saco cheio da lucidez
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio
De saco cheio



Had Enough
The Who

I've had enough of bein' nice
I've had enough of right and wrong
I've had enough of tryin' to love my brother
I've had enough of bein' good
And doin' everything like i'm told I should
If you need a lover, you'd better find another
Life is for the living
Takers never giving
Suspicion takes the place of trust
My love is turning into lust
If you get on the wrong side of me you better run for cover
I've had enough of bein' trodden on
My passive days are gonna be long gone
If you slap one cheek, well, I ain't gonna turn the other
Life is for the living
Takers never giving
Fooling no one but ourselves
Good is dying
Here comes the end
Here comes the end of the world
I'm gettin' sick of this universe
Ain't gonna get better; it's gonna get worse
And the world's gonna sink with the weight of the human race
Hate and fear in every face
I'm gettin' ready and I've packed my case
If you find somewhere better, can you save my place?
Fooling no one but ourselves
Love is dying
Here comes the end
Here comes the end
Here comes the end of the world



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Negócios da China

A História conta que dos séculos 16 a 18 um navio ia da Índia para a China em um ano e meio (ida e volta). Como era uma viagem muito perigosa, se num grupo de três naus duas afundassem, ainda assim o negócio dava lucro. Mas, os portugueses da Índia descobriram que podiam fazer viagens muito mais curtas e com lucros muitíssimo maiores. Daí a expressão “Negócios da China”.

Atualmente afirmo com muita tranquilidade que qualquer negócio da China, ou com a China, é a maior roubada para qualquer pessoa ou país em qualquer ponto do planeta. A China pratica um regime escravocrata de trabalho, utilizando mão de obra e material totalmente desqualificados, tecnologia pirateada e retrógrada, enfim, é um esgoto a céu aberto de aberrações éticas.

O problema é que, sempre pensando em se dar bem, muitos brasileiros compram produtos chineses que, por serem extremamente vagabundos, custam muito menos. Eu mesmo já fui vítima dessa lambança. Fui comprar num site de São Paulo um relógio baratíssimo que só chegou mais de dois meses depois. Pior: no site não tem “fale conosco”, nem telefone, nem e-mail. Foi quando descobri, através de leitores no Facebook, que a tal empresa é chinesa.

Você compra produtos chineses? Não falo de artigos que são fabricados na China e nem sabemos disso, mas daqueles que trazem atrás, ou embaixo, o famigerado Made in China. Antro da escravidão, aquela terra de gente que padece consegue colocar aqui dentro produtos até 87% mais baratos porque sua mão de obra é treinada pela chibata, movida pela tortura e a tecnologia utilizada por 100% das empresas é deliberadamente pirata.

Claro que se eu soubesse que a tal empresa onde comprei meu relógio era chinesa não faria o negócio. Por que? Porque comprar da China é contribuir para o escárnio, para a lambança, para tudo o que existe de pior nas relações humanas.

Humanas?