sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Imbecilato

Desde a infância sou viciado em notícias, artigos, entrevistas. Atualmente, alguns jornais que pago para ler estão tomados de imbecis. Imbecis que, dizem as boas línguas, escrevem de graça e (em alguns casos) pagam para publicar o que cometem já que vale tudo para se exibir. Não são jornalistas, nem literatos, nem intelectuais, são apenas bípedes desinibidos que se dizem artistas aqui e ali, se dizem cantores acolá, se dizem “descolados”, mas na verdade não passam de chulos arrivistas.

Eu ia escrever “tudo bem”, mas tudo bem é o cacete. Meu dinheiro está no meio disso, já que pago por cada edição dos jornais que consumo. Jornais que já publicaram Clarice Lispector, Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Otto Lara Resende, Nelson Rodrigues, João Saldanha e dezenas e dezenas de “notáveis”, hoje abrem as páginas (e pernas) para um vazio cultural tétrico.

O imbecilato ocupa espaços nobres nos jornais que assino (em breve terei que pular fora), onde o óbvio uivante é a norma. Um dia desses uma arrivista das tortas letras, cometendo uma coluna, disse que faz terapia há muito tempo mas não sabe se o terapeuta é freudiano. Como assim? Não sabe? Ela pratica auto flagelação pública e vomita sua pequena burguesia na cara de quem paga uma grana por ano para ter em casa o jornal onde ela evacua seus complexos. Chegou a chamar o presidente da república de coronel oligarca só porque batizou o filho com o seu nome (?????).

Um outro imbecil ocupou o mesmo espaço, num outro dia, para explicar ao leitor o que é um babaca. Seria mais fácil se, em vez de tentar explicar, o estafeta estampasse as duas prováveis linhas de seu currículo porque, em se tratando de babaca, poucas vezes vi um de tamanho porte.

E tem cantantes que reclamam que alguém acusou disso e daquilo, quando, na verdade, lugar de cantante não é numa página de jornal, vociferando asneiras e saindo na mão usando o espelho da penteadeira como inspiração.

Chove desinibidos, desinibidas, arrivistas, teletubes travestidos de literatos de baixos teores para. Um chamando o outro de genial, imbecilizando toscamente a já combalida mídia impressa e digital.


Com o nosso dinheiro é fácil.