domingo, 13 de agosto de 2017

"Quadrophenia", a melhor ópera rock da história

      O álbum
                                                     O filme
                                      O filme
Quadrophenia, escrito por Pete Townshend, gravado pelo The Who e lançado em 1973 em álbum duplo, é a melhor ópera rock da história. Na década de 1960, Pete Townshend e The Who definiram o conceito de "ópera rock" com Tommy (de 1969), dando um passo à frente com Quadrophenia. Concebida e escrita por Townshend, Quadrophenia acabou se tornando um emblema.

Townshend tornou públicos os seus traumas em Tommy (1969) e Quadrophenia (1973), para mim o melhor disco da história do Who. Acho que para o criador da banda, guitarrista, cantor, compositor, poeta, romancista, teatrólogo, cineasta Peter Dennis Blanford Townshend, londrino de 70 anos, é a obra-prima do Who. Ele faz declarações de amor escancaradas em sua autobiografia.

Álbum duplo conceitual, Quadrophenia foi lançado no mesmo ano de The Dark Side of The Moon, do Pink Floyd. Mas, o que Townhend escreveu fez com que vários críticos, biógrafos e fãs começassem a chamar o disco de “álbum da minha vida” porque, de ponta a ponta, ele aborda todos os tipos, formas e consequências do hediondo e deformador sentimento de rejeição (e baixa estima), tão ou mais grave e dilacerador quanto a culpa,a inveja, o ciúme.

Em 1979 o diretor Franc Roddam lançou o filme que, evidentemente, contou com a consultoria de Pete Townshend que entregou a direção musical a John Entwistle, baixista do Who (1944-2002). Vacilou. Até a famigerada flauta doce o saudoso baixista (morto de cocaína com vinho em 2002) meteu na trilha sonora que, comprei, ouvi uma única vez e derreti em seguida, transformando o vinil em cinzeiro, como já havia feito com uma série de outros discos, para mim, execráveis.

Não é um filme fácil. Alternativo, tem uma levada intrispectiva, cheiade sub texto, usa uma certa textura mod/punk e, claro, mostra a influência da Nouvelle Vague na direção de Franc Roddam. Em outras palavras, não é um filme comercial.

Felizmente o filme Quadrophenia saiu há 15 dias no Brasil, em DVD, legendado, áudio 5.1. Comprei no site da Americanas (www.americanas.com.br), paguei 20 reais e mais 2 reais de frete. Numa versão mambembe, assisti ao filme Quadrophenia em 1981, mas sem legenda. Até os ingleses tem dificuldade de entender o dialeto mod (grupo de pós-adolescentes que formavam quadrilhas de scooters em Londres no início dos anos 60) mas um dia, para a minha surpresa, o filme passou no Corujão da Rede Globo, tipo três horas da madrugada de uma quinta para sexta-feira, dublado. Há coisas nesse mundo que desisti de entender, como, por exemplo, Quadrophenia exibido na Rede Globo. A dublagem era cômica.

O filme é ambientado em 1963 e conta a história de um garoto chamado Jimmy Cooper (vivido pelo ator Phil Daniels) que, com a sua scooter, vive rodando com os outros colegas mods (expressão de que vem de moderns), filhos de operários, que são molestados e perseguidos pelos rockers, de classe média, montados em potentes motocicletas.

Jimmy briga em casa e é expulso com tapas na cara, chamado de vagabundo. Vai trabalhar, se defende de uma injustiça, manda o chefe tomar no rabo e é demitido. Se apaixona por uma garota, mas durante uma viagem do bando a Brighton, litoral onde rolou de fato uma batalha campal com os rockers, dezenas de presos e feridos, ele flagra a namorada com um cara dando amassos num beco.

E as rejeições vão se acumulando, Jimmy ingerindo cada vez mais doses cavalares de anfetaminas, até perceber que o único sentido de sua vida é o bando, a ideologia mod. Bando este que tinha um líder, rebelde radical que no filme é Ace Face, vivido por Sting, admirado, cultuado por Jimmy Cooper. A lambreta do personagem de Sting é cromada, cheia de espelhos, enfim, “cavalo” de um verdadeiro líder.

Até que um dia, atravessando mais uma crise de angústia, Jimmy vê a lambreta do líder encostada em frente a um hotel. Pior: flagra o próprio líder anarquista trabalhando como carregador de malas (“Bell Boy”), dizendo “sim, senhor”, “sim, senhora”, recebendo gorjetas, enfim, um capacho social. Indignado, Jimmy espera Sting entrar e rouba a lambreta dele. Sem família, sem mulher, sem trabalho, sem grupo de amigos, decide se atirar de uma escarpa britânica. Com a lambreta do personagem de Sting. Mas, há sempre um mas, Townshend deixa em aberto se Jimmy Cooper morreu pois a lambreta cai no abismo vazia.

Os danos das rejeições são profundamente tratados nesse filme que a crítica mundial classificou como “drama”. Aos que perguntam se é uma autobiografia de Townshend, a resposta é não. Aos que perguntam se retrata a adolescência de mais de 80% dos fãs do Who, com certeza a resposta é sim.

Trilha sonora:

The Who - 

     Overture - I Am the Sea - The Who
  1. The Who - The Real Me
  2. The Who - I'm One
  3. The Who - 5:15
  4. The Who - Love Reign O'Er Me
  5. The Who - Bell Boy
  6. The Who - I've Had Enough
  7. The Who - Helpless Dancer
  8. The Who - Doctor Jimmy
  9. High Numbers - Zoot Suit
  10. Cross Section - Hi Heel Sneakers
  11. The Who - Get Out and Stay Out
  12. The Who - Four Faces
  13. The Who - Joker James
  14. The Who - The Punk and the Godfather
  15. James Brown - Night Train
  16. Kingsmen - Louie Louie
  17. Booker T. & the MG's - Green Onions
  18. The Cascades - Rhythm of the Rain
  19. The Chiffons - He's So Fine
  20. The Ronettes - Be My Baby
  21. The Crystals - Da Doo Ron Ron
  22. High Numbers - I'm The Face