segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A vingança do bastardo

                                                 Capa da primeira edição
Saudade de livro é sempre boa. Por isso tenho procurado, inutilmente, em minha estante (onde tudo é uma enorme desordem alfabética) uma edição relativamente recente do melhor, absurdo, esculachado, politicamente incorreto e saudável livro dos anos 80. O clássico “A Vingança do Bastardo”, escrito pelo espírito de uma tal Eleonora V. Vorsky que baixou sobre o Alexandre Machado, escritor, roteirista e, na época, louco.

Na apresentação do livro, uma auto referência debochando da crítica:  "terrível, escatológico, nojento, nauseabundo, emocionante, divertidíssimo, acachapante, lírico, poético, medonho, esporrante de rir, abominável, cáustico, polêmico, essencial, virulento, dramático, meio mais ou menos, magnífico, detestável, erótico, perturbador, ingênuo, niilista, grandiloqüente, bacaninha, porreta, desavergonhado, pai d'égua, supercalifragilisticespialidoso!"

Texto de contracapa:

Ingredientes:

Os personagens da aventura:

- Levi: Herói ou covarde? Homem ou mulherzinha? Casado, solteiro ou tico-tico no fubá?

- Prima Roshana: Sua sede de sexo só era comparável à sua vontade de dar.

- Bel, a sereia: A beleza de seu corpo deixava os seres do fundo do mar todos molhadinhos.

- A jeba de Kowalsky: Para alguns, um monstruoso erro da natureza; para outros, uma dádiva dos céus.

As resenhas mais comportadinhas descrevem:

Publicada originalmente entre 1984 1987 no tablóide mensal “O Planeta Diário”, a obra foi editada em livro duas vezes. A “Vingança do Bastardo” conta as desventuras de Levy, o narrador, que é envolvido involuntariamente numa tempestuosa sequencia de eventos ao redor do mundo na companhia de sua prima Roshana, ninfomaníaca, zoófila, pedófila e espiã sedenta de sexo com qualquer mamífero disponível. O casal ainda teria a companhia de Bel, a Sereia e de Kowalsky, que se tornam personagens regulares na metade final da história, quando prima Roshana confessa que é escrava sexual do bastardo Levy. E gosta.

Além desses, entram e (geralmente de forma trágica) saem personalidades reais e fictícios como Simon Wiesenthal, Mike Nelson, Aarão Steinbruch, Henry Kissinger, Thomas Green Morton, Tutty Vasques, National Kid e os Detetives-Mirins, Anuar Kadhafi (grafado desta forma) e Kurt Waldheim.

Impiedosa parodia dos clichês da pulp fiction, com "açãoespionagemromancesexoficção-científicacatástrofehisteriapânico, correria, pisoteamento, massacre", o folhetim se tornou uma das maiores atrações do jornal e alçou Vorsky e sua personagem Prima Roshana a uma espécie de status de cult.

A revista Bula o elegeu um dos 10 livros mais engraçados da literatura brasileira. Leia: A cela era de um escuro úmido e umbroso. O nome do escuro era Waltencir”. Assim começa a saga de vingança de Levy, sacaneado por todo mundo, mas especialmente por sua prima Roshana, que dá pra todo mundo, menos pra ele. Nada faz sentido na noveleta, mas você gargalha feito uma besta. “A Vingança do Bastardo” foi publicado originalmente em forma de folhetim no jornal “O Planeta Diário”. Eleonora V. Vorsky também atende por Alexandre Machado, que junto com a mulher, Fernanda Young, criou a série de TV “Os Normais”.

Li e reli várias vezes e como prima Roshana não quero parar, já que nos tempos de hoje que fedem a pijama e naftalina é impossível encontrar uma obra tão espetacular assim. Há vários exemplares a venda em www.estantevirtual.com.br, lançamento de 2007 (já esgotado) da Editora Desiderata. Se não achar o meu no meio nesse ninho de lontra que é a minha estante, vou comprar, reler e perder de novo.