sábado, 16 de setembro de 2017

Poderia ter sido diferente?

Até os livrotes vagabundos tricotam freneticamente sobre o renascimento de nações que foram dizimadas por guerras. Inglaterra, Alemanha, Itália, China, Japão. A Coreia do Sul, depois de ser destruída nos anos 50/60, passou todo mundo e hoje é o país-modelo em educação.

Se o Brasil tivesse encarado guerras teria sido? Sabem a antiga teoria psicanalítica de que o ser humano só cresce com dor, sob tensa e intensa crise? Ela se aplica a nações? O Vietnã viveu em guerra de 1910 a 1975. Japão invadiu, França invadiu, Estados Unidos invadiram. Só na guerra contra os Estados Unidos morreram 1 milhão e 500 mil vietnamitas que, em nenhum momento, largaram o osso. Foram até o fim e botaram os americanos pra fora com memoráveis chutes na bunda. Hoje o Vietnã já é quase um “tigre asiático”.
                                                
Parto de um princípio de que a culpa não é de quem faz, mas de quem deixa fazer. Exemplo: se puserem um caixa eletrônico em cima da Pedra do Arpoador a culpa será do banco ou da prefeitura?  A passividade popular homologa os desvios. As eleições sacramentam. Em outras palavras, qualquer pau de enchente que esteja no poder num regime democrático, o aval (culpa) é nosso.

Não vou citar exemplos de outros países que venceram o arbítrio/corrupção/canalhice porque todos (sem exceção) usaram a truculência. Mussolini foi pendurado de cabeça para baixo num poste, americanos jogaram coquetéis molotov em postos de gasolina que aumentaram preços no crash de 1929, enfim, não encontro um exemplo de vitória popular que não passe pela luta.

Não estou defendendo ninguém e muito menos atacando. O que a História nos conta é que por não coincidência os povos regidos por fanatismos religiosos são os mais manipulados. Os povos da Índia e África, em sua maioria, são hordas de mortos-vivos dopados por crenças fanáticas que não deixam enxergar que os seus governos roubam, matam, achacam, em nome desse mesmo fanatismo. E Deus não tem nada a ver com isso.

Não tenho lastro teológico suficiente para afirmar que Deus discorda do fanatismo religioso, mas tenho o direito de supor que Ele não concorda. Fanatismo paralisa, enlouquece, dopa. Fanatismo quando decreta que orelhão é sagrado os seguidores batem palmas quando o Estado não instala orelhão nenhum.

Fanatismo quando determina que peixe é sagrado seus seguidores autorizam o Estado a não investir nada em indústria pesqueira. Mao Tse Tung radicalizou quando sentenciou que “a religião é o ópio do povo”. Em alguns casos, a religião manipulada, mais do que o ópio, é pior do que heroína.

Por que nós, brasileiros, somos tão submissos e cordatos? Faltou guerra? Faltou o olhar do invasor dentro da nossa casa citando Renato Russo : “eu sou a sua morte/ vim de fazer companhia”? De vez em quando vejo carros com adesivos “Basta isso”, “Basta aquilo”. Bastar como? Como se “basta” a lambança? Como se basta o arbítrio, a corrupção, tráfico de vidas?  

Fato é que a gemedeira e a vitimologia continuam por aí. Continuamos pagando a tal taxa de “assinatura” dos telefones, engolindo o “matematicalogismo” que aumenta planos de saúde, mais casa, comida, roupa lavada e corrupção de parlamentares. Qual é o critério? A submissão? Qual é a saída? 

Quem é o inimigo? Quem é você?