terça-feira, 24 de outubro de 2017

Sobra de tecnologia, falta de consideração

Jamais a civilização teve tantos meios de comunicação disponíveis. Até “ontem” (1990) quem quisesse enviar uma mensagem confidencial escrita tinha que pegar papel, caneta, escrever, por no envelope, ir até a agência do correio, postar e esperar dias até que o destinatário recebesse. Uma carta do Rio para a Europa demorava de 10 dias a 15 para chegar. Em 1990 já havia fax, o pager (vulgo teletrim) que, em sua época, foram muito importantes. Em 1983, nos Estados Unidos, quem pagasse 20 mil dólares conseguia um telefone celular.

Hoje reina a fartura tecnológica. No mundo há 6 bilhões de linhas de celular, outros bilhões de usuários da internet. Os preços desabaram, o acesso continua cada vez mais fácil e a quantidade de aplicativos e programas impressiona. E-mail, SMS, Whatsapp, Skype, etc. etc. etc. muitos de graça.

Ótimo. E a contrapartida? Se a civilização nunca viu tanta fatura tecnológica em prol da sua comunicação, por outro lado a falta de consideração/educação parece imperar. Muita gente não responde e-mails, nem whatsapp, muito menos celular. Tenho um amigo que mandou uma mensagem profissional por e-mail e SMS para um sujeito (mensagem de interesse do sujeito, diga-se de passagem) há 20 dias e até agora está sem resposta.

Se no âmbito profissional a coisa está a bangu, no pessoal não fica muito longe. Mensagens do tipo “quando chegar em casa me avisa, estou preocupado” podem ser respondidas no dia seguinte ou simplesmente ignoradas. A falta de consideração está comprovada até pela própria tecnologia. Uso um programa de envio de e-mails chamado Mail Chimp que depois da remessa informa quem abriu, quando, quem leu, quem não abriu e não leu, etc. Em média, apenas 10% abrem e lê a mensagem. Não recomento para quem sobre de rejeição crônica. 

O que não consigo entender é como gente que não se comunica acabe se envolvendo com programas de comunicação, que, lógico, não são obrigatórios. Tem quem quer. É mera falta desconsideração/educação? Ou é mera boçalidade mesmo?