terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Cabeça para baixo

O VALOR DO SILÊNCIO

"Tantos querem a projeção. Sem saber como esta limita a vida. Minha pequena projeção fere o meu pudor. Inclusive o que eu queria dizer já não posso mais. O anonimato é suave como um sonho. Eu estou precisando desse sonho. Aliás eu não queria mais escrever. Escrevo agora porque estou precisando de dinheiro. 

Eu queria ficar calada. Há coisas que nunca escrevi, e morrerei sem tê-las escrito. Essas por dinheiro nenhum. Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio." 

Clarice Lispector, Crônicas no 'Jornal do Brasil (1968)' 

Aqui nesta psicodélica cabana de minha crônica insignificância ouso compartilhar alguns draminhas pequenos burgueses com minha meia dúzia de quatro ou cinco leitores. Draminhas (ideal seria dramecos) que não interessam a ninguém.

Escrevo esta coluna sob o manto da mais severa, dura, moleca e (posso falar?) escrota das censuras: a auto censura. Um vulcão de cabeça para baixo que ocupa o meu âmago e entra em erupção de fora para dentro, fritando a alma imoral.

Trabalhei sob dura censura no regime militar, mas nunca fui preso, interrogado, molestado, perseguido político. Escrevi no Pasquim, no Opinião (ambos sob censura prévia) e vi os burocratas da polícia com canetas pilot riscando com azul e vermelho. Azul para matérias liberadas, vermelho para censuradas.

O Opinião pertencia ao empresário Fernando Gasparian e funcionava no Jardim Botânico. Uma vez ele foi reclamar que 90% de uma edição tinha sido censurada, inclusive a minha matéria sobre indígenas tratados como entulho na Casa do Índio, entidade assistencialista que funcionava (ou ainda funciona?) na Ilha do Governador. Em resposta ouviu um "f...da-se!".

Volta e meia o Opinião era apreendido. Com o Pasquim, a mesma coisa. Mas a minha insignificância era mais corajosa e eu ousava cuspir no olho dos meganhas tentando ir mais além. Não dava. A caneta vermelha era imperativa, degolava e fim de papo.


Eu era fichinha, estafeta das letras miúdas, "hippie de Vaz Lobo" como me chamava o grande e saudoso J.A. Xavier. Em compensação, quando liberado, escrevia sobre tudo, opinava livremente, enchia a bola, baixava o cacete.

Aqui nesta Coluna do LAM, não. Sou auto censurado do princípio ao fim. Acho que 1/1000000 do que realmente penso, acho, procuro, vejo, presumo, não publico porque posso ofender alguém, posso estar politicamente incorreto, posso não estar sendo de bom tom, posso....posso... não  posso nada.

Nem escrever sobre o nada consegui porque o nada é um conceito subjetivo tão amplo que, muitas vezes, atende a porradas e beijos com língua simultaneamente. Algo como...como...

Um peixe com cabeça de mulher.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Feliz Natal para todos!

Você não vai encontrar nas frases abaixo nenhuma sacada genial, mas o que alguns escritores, filósofos e pessoas anônimas sentiram e escreveram sobre o Natal. Uma data tão poderosa que só o silêncio da contemplação sabe explicar.

"O Natal é um tempo de benevolência, perdão, generosidade e alegria. A única época que conheço, no calendário do ano, em que homens e mulheres parecem, de comum acordo, abrir livremente seus corações."(Charles Dickens)

"Natal é tempo de encontros e reencontros, procure ser e fazer feliz. É tudo o que importa! (L. Bonotto)

"Será que diante de tantas evidências de felicidade seria utópico conseguirmos fazer do Natal uma data que se repetisse, trezentas e sessenta e cinco vezes por ano?" (Ivan Teorilang).

"Lembre-se, se o Natal não é achado em seu coração você não o encontrará debaixo da árvore" (Charlotte Carpenter).

"Ainda que se percam outras coisas ao longo dos anos, mantenhamos o Natal como algo brilhante. Regressemos à nossa fé infantil." (Grace Noll Crowel).

"A única pessoa realmente cega na época de Natal é aquela que não têm o Natal em seu coração." (Helen Keller).

"Há mais, muito mais, para o Natal do que luz de vela e alegria; o espírito de doce amizade que brilha todo o ano. É consideração e bondade, é a esperança renascida novamente, para a paz, para entendimento, e para benevolência dos homens." (Autor Desconhecido).

"Paz e generosidade e ter graça é compreender o verdadeiro significado de Natal." (Calvin Coolidge).

"Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor." (Hamilton Wright Mabi).

"É tempo de reflexão, vejamos o que construímos de bom para a humanidade e, em todo Natal, façamos esta reflexão para que possamos construir um mundo melhor." (Bruno Calil Fonseca).


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Caro Verão,

Caro Verão,

Depus as armas. Isso mesmo, estação do meu suplício, pedi arrego e decidi tentar conviver melhor contigo, numa boa, na paz.
Verão, de fato você não tem culpa se os caras estão desmatando, poluindo, arrombando a camada de ozônio. Lembro de meus pais e avós falando de “brisa de verão” mas, meu chapa, até essa brisa roubaram. Não conheci. Sabe aquele convite “vamos tomar um refresco num fim de tarde de verão?”, não rola rapaz. 

Não rola porque é humanamente impossível até raciocinar quando os caras que vendem as matas, rios, baías, oceanos acendem o maçarico.
Sabe, Verão, um dia desses liguei para um restaurante novo para ver se estava cheio e depois da ligação me surpreendi com minhas perguntas: 1) Boa noite, o ar condicionado está gelando?; 2) Mesmo quando a casa está cheia?; 3) Quantos B.T.Us?

Além de isentá-lo decidi sentir menos calor, apesar de estar calor. Como? Montei uma bateria de ventiladores de seis pás que transformam minha casa na costa das Bahamas Califórnia em dias de pré temporal. Um vendaval delicioso.

Aí você pergunta “por que não liga o ar condicionado? e eu te respondo, caro Verão: com a cumplicidade do governo, há uns anos os caras que nos vendem eletricidade inventaram bandeiras para cobrar mais. Justificam dizendo que por causa da falta de chuvas os reservatórios estão vazios e eles, tadinhos, tem que gastar dinheiro (nosso ) ligando usinas termoelétricas.

Por mais que chova, por mais que o país inunde, o nível dos reservatórios continua baixo e as bandeiras de preço lá em cima. Para mim, ligar minimamente o ar condicionado é uma forma de protesto.

Fiquei indignado com aquela mulher que destruiu o país, um dia apareceu na TV anunciando uma queda de 18% no preço da energia elétrica. A imbecil contrariou todos os técnicos, até os mais medíocres. Deu no que deu.

Em 2015, o governo percebeu que não tinha dinheiro para manter os subsídios à tarifa, que a mulher anunciou. Então, veio o tarifaço, com um aumento de mais de 50% na conta de luz.

De acordo com a decisão da Aneel, nós teremos oito anos para pagar essa indenização as empresas distribuidoras de energia. A primeira parcela deve ser de R$ 10,8 bilhões.

É por essa e por outras que inocentei você, caro Verão, que é tão vítima desses porcos quanto nós.

Sigamos em frente.

Na paz.





quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Carro pra que?

Encontrei o querido amigo Helinho em frente ao banco. Ele vinha pela calçada, me viu, abriu os braços, trocamos um longo abraço. Disse a ele que estava indo pagar o IPVA do carro porque o banco na internet tinha dado pau. Ele respondeu: “há mais de um ano que não sei que problema é esse.”

Economista bem sucedido, especializado em finanças pessoas e também terapeuta holístico, desde novo Helinho investe em qualidade de vida. Contou que há um ano e meio vendeu seu Honda Civic 2012 por R$ 50 mil e investiu muito bem o dinheiro (ele conhece esse caminho).

Nos dias úteis só usa os baratos Uber Select e nos finais de semana fez um excelente negócio com uma locadora de automóveis. Um motorista deixa um Toyota Etios Hach completo, automático ("me sinto um burguês velho dirigindo” rsrsrs), na garagem dele na sexta a tarde e busca na segunda. Num pacote especial de uso continuo a diária não chega a 100 reais.

Helinho conta, rindo, que “me tornei um minimalista e adoro esse carro, o Etios, que dirigi por uma semana na Turquia, quando havia Turquia. Adorei. Meu filho acha feio mas eu digo que “pra você é feio, mas pra mim é lindo e é Toyota”. Rápido, confortável econômico, espaço interno nota mil, não chama atenção dos bandidos como o Civic chamava, faz 11 km/litro de gasolina na cidade, pra que mais?”.

Num rápido levantamento de custos, ele constatou que o seu Honda Civic (“excelente carro”, ele comenta) mamava:

IPVA – R$ 2.600,00 – no Estado do Rio é mais caro.
Seguro – R$ 2.300,00 – no Estado do Rio é mais caro.
Combustível – R$ 700,00 por mês (média) – no Estado do rio é mais caro.
Pneus – R$ 1.200,00 a cada 60 mil quilômetros.
Revisões, óleo, pastilhas de freio, manutenção do ar condicionado, limpeza, imprevistos como retrovisor lateral quebrado por moto etc – R$ 3.000,00 ano (média).

Helinho não incluiu a desvalorização do carro, o estresse de dirigir nos constantes engarrafamentos, numa região tomada pela criminalidade, flanelinhas etc. o que ele chama de “prejuízo emocional”.

Total (média ) – R$ 15.500,00/ ano.

Em suas equações, Helinho percebeu que dá menos aporrinhação morar num imóvel alugado do que comprar. “Peguei a grana que pagaria num novo há 20 anos atrás, investi legal e acho que me dei bem. Hoje moro perto do mar, num amplo três quartos com varanda suítes e muito conforto. Todos os reparos ou qualquer serviço é pago pelo proprietário. Até recentemente alugava até os aparelhos de TV, mas deixou de valer a pena com a queda dos preços dos novos”.

As prioridades do Helinho são outras: viajar pelo mundo gastando sem culpa, um ótimo plano de saúde para a família, papo com os amigos em bons restaurantes, teatro, shows, cinema (paga meia porque tem mais de 60 anos), ginástica, boa alimentação, muita praia, papo para o ar e trabalho bom e pesado de segunda a quinta. “Como sou autônomo, abri mão da sexta, mas em alguns dias chego a ficar mais de 13 horas no escritório.  Crise econômica desafia a criatividade dos economistas”.

Em 2016, ele e a mulher voaram para São Francisco, Califórnia, alugaram um Mustang conversível vermelho (baratíssimo) e desceram até Los Angeles. “Meu amigo, foram quase três semanas de liberdade. Parávamos onde queríamos, usávamos motéis de estrada confortáveis e baratos, mas em Carmel, claro, ficamos quatro dias rodando pelos verdadeiros presépios que existem naquela região”.

Em Los Angeles devolveram o Mustang na filial da locadora e pegaram um voo para Nova Iorque onde ficaram mais 10 dias antes de retornarem ao Brasil. “Um prazer desses não tem preço. Estimula a gente chegar aqui e trabalhar mais, correr mais atrás brigar mais, e valorizar mais o ser do que o ter. Não tenho imóvel, não tenho carro, não tenho um monte de coisas porque não quero, e isso é muito bom”.

Nos despedimos. Antes de seguir, Helinho perguntou: “carro pra que?”. E a pergunta dele ecoa até agora.

Entrei no banco para levar a facada do IPVA.


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O analfabeto político - Berthold Brecht (1898-1956 - eternamente atual)

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.


Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O sadio crespusculo da adolescência

No fim da tarde de ontem, segunda-feira, fui a formatura de minha sobrinha Catherine Beranger de Farias Mello no colégio La Place, em Piratininga, Niterói. Fomos meu irmão Fernando, a cunhada Milena e sua mãe Aida. Ela recebeu o diploma do ensino médio para começar o curso superior de cinema agora em 2018.

Foi tudo muito simples, bonito, afetuoso. O carinho com que o La Place trata seus alunos, como já me disseram na cidade muitas vezes, é real. A plateia de mães, pais e afins sentiu verdade, respeito, consideração por parte de professores coordenadores etc.

Cada um daqueles garotos e garotas tinha consciência que estava se despedindo da adolescência, uma fase de transição marcada pela dúvida, um certo desalento, uma quase miopia existencial e eventualmente muita ansiedade. Mas a contagiante alegria delas e deles acabou passando para nós, os chamados adultos que acham que sabem de tudo mas o fundo, sei lá.

Em determinado momento quando o orador da turma falou de sonhos e objetivos apesar do Brasil estar “vivendo essa corrupção toda”, disse que elas e eles não vão perder a esperança.

Foi nessa hora que, com um nó na garganta, lembrei do final de meu ensino médio, conhecido na época como científico. Saí para encarar o vestibular de medicina, levei bomba, fiz para comunicação (minha vocação maior) e passei em oitavo lugar graças ao excelente ensino médio que meus pais proporcionaram no Instituto Abel.

Eu vi aquelas meninas e meninos emanando o melhor de si, felizes por uma etapa cumprida e prestes, com seus 16, 17, 18, 19 anos, a embarcar na idade adulta, faculdade (ou não), emprego, estabilidade, voos mais altos.

Fundamental que elas e eles saibam (tenho certeza que essa turma sabe) que as piores ondas gigantes eles já surfaram. Todos os grandes autores escreveram que a adolescência e sua profusão de hormônios, mudanças físicas e psíquicas é a maior onda que o ser humano pode surfar. Capitu e Bentinho, do grande Machado, que o digam.

As meninas e meninos do La Place que conheci nessa segunda feira, estão prontos para partir para a vida. Certeza absoluta! Eu vi, eu senti.

Quanta energia, quanta alegria, que início de noite tive hoje. A todos, colégio, alunos, professores, coordenadores, muito obrigado. Muito obrigado por acreditar e ensinar que a vida pode ser sempre muito melhor.


Sempre.

Tolerância a intolerância é intolerável

A tolerância a intolerância é intolerável, mas está presente até para quem não pode ou não quer ver. Nas ansiosas filas dos bancos, nos ônibus, aviões, na caminhada solitária das pessoas rumo ao trabalho, na escola, na consulta médica. Rumo ao nada, muitas vezes.

Exercitar a tolerância é mais do que fundamental, ensinam a filosofia (parceira invisível e milenar de todos nós), a psicologia, o bom senso. Um exercício difícil, espécie de musculação existencial, vital, para que as pessoas possam conviver minimamente bem com elas mesmas e a partir daí com a sociedade.

A intolerância está presente nas ruas, no ambiente de trabalho, no supermercado, nas redes sociais na internet, na política partidária. Hoje, o radicalismo parece se impor ao bom senso e assistimos a um banho de sangue entre aspas entre pessoas que atiram até amizades de décadas no lixo em nome de convicções políticas dos outros, dos políticos profissionais.

A sensação de “vão-se os dedos, ficam os anéis” em redes sociais como o Facebook e Twitter, onde todo mundo bate em todo mundo defendendo políticos, políticas, governos, desgovernos, incha mais os bolsos deles, dos políticos, e esvazia a esperança de uma nação mais equilibrada, mais generosa e até mais engraçada. Afinal, sem humor nada é possível.

Dizem que essa onda de tolerância a intolerância é passageira. Até concordo, mas não nego que ela me preocupa e até ocupa meus pensamentos em plena hora da vadiagem, dos devaneios. Afinal, se brigar por nós exige limites, brigar por quem não parece ridículo.


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O castigo de Sísifo

Não tenho vocação para Sísifo e seu castigo, apesar de já ter dito aqui que o trabalho é a minha razão de viver. Sem exagero. Filei essa afirmação do jornalista Samuel Wainer, pai de meu saudoso amigo Samuca, cuja autobiografia se chama “Minha Razão de Viver” e continua a venda nas boas livrarias.

Estou pegando fôlego, alugando coragem para reler “O Mito de Sísifo”, de Albert Camus, que foi um herói de minha pós-adolescência, se é que isso existe. Mas coragem não é uma casaca que você entra numa loja e aluga para usar num batizado, casamento, funeral. Coragem anda por aí.

Um dia desses saí de manhã para ajustar os óculos, que estavam escorregando pelo nariz. Fui a rua Gavião Peixoto, em Icaraí, onde em frente ao número 113 (funcionava uma loja da Ortobom), perto da Pereira da Silva, numa calçada muito estreita um “morador de rua” (definição dos politicamente corretos) e seus quatro cachorros raivosos e imundos decidiram se fixar, obrigando os pedestres a andarem pela rua. No auge de uma crise indefinida, pensando no castigo de Sísifo, provavelmente de cabeça baixa, não reparei que já estava chegando bem perto do homem e seus cães. Já ia desviar e andar pela rua quando o sujeito vociferou “vai pela rua!”. Não prestou.

Em questão de segundos reações subiram a mente como larva vulcânica: “vou chutar os cornos desse sujeito”; “que porra é essa de me mandar andar na rua?”; “pago IPTU e Guarda Municipal não existe”; “transformar cachorro em mendigo é sacanagem, vou soltar todos”. E por aí foi até uma senhora se aproximar do sujeito com um embrulho de comida e farta quantidade de ração para os cães. Ou seja, a culpa não é do cara mas dessa hipocrisia pequeno burguesa, etc etc etc.

Fui em frente lembrando que no horário da manhã meu humor fica indecifrável. Antes do meio dia, vejo uma cena dessas como “um malandro se aproveitando de cachorros para achacar a multidão”. Já por volta das 2 ou 3 horas da tarde, pode ser que eu veja a mesma cena como “cachorros sendo cuidados por um morador de rua, vítima dessa sociedade desumana e ególatra”.

Enquanto isso, no Maracanã...


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Eleição não tem Procon

A diferença é que o Brasil foi descoberto e não conquistado. Há quem diga que foi por acaso e que Cristóvão Colombo já havia avistado nosso litoral antes, mas passou batido. Ninguém sabe por que (?).

Conquista é uma coisa, descoberta é outra. Em 1808, movida pelo cagaço amplo, geral e irrestrito, a Corte portuguesa fez as malas e, se borrando toda, veio parar no Rio de Janeiro fugindo de Napoleão Bonaparte.
Dom João VI, imperador, preferiu o calor inclemente do Rio e a fedentina da cidade onde cães, bosta e degradação se misturavam, a ter que enfrentar os franceses.

A História conta que um dos primeiros atos de D. João foi criar o Banco do Brasil, seis meses após a sua chegada, para uso pessoal. O Banco nasceu como cofre particular de onde arrancava milhões e milhões todos os meses. A bordo das naus que partiram de Lisboa, escoltadas por navios ingleses (ingleses que, como pagamento, levaram toneladas - literalmente - de ouro das Minas Gerais), a fina flor da escrotália da elite portuguesa veio desaguar no Brasil, criado como lupanar. Jamais como nação.

Um país descoberto por acaso, um imperador encagaçado que veio parar aqui nas coxas, uma rainha que se chamava de "Louca", enfim, o Brasil deu no que deu, ou não deu no que deveria ter dado, tem o DNA da lambança.

Em suma, em 2014, 514 anos após a chegada de Cabral e 206 após o desembarque do cagão D. João VI e sua Corte larápia, o povo brasileiro foi as urnas e reelegeu (re!) o governo que aí está. Se alguém conseguir achar, por exemplo, uma ambulância do Samu verá nela a cara da saúde pública: faróis quebrados, sem sirene, maçanetas amarradas com barbante. Vi uma assim e o funcionário no banco do carona batia com a mão na porta para abrir caminho porque a sirene estava pifada. A buzina também.

A honestidade, a educação, o transporte, a segurança, o emprego, a esperança, o sonho, foi tudo ralo abaixo. Só que eleição não tem Procon. A maioria elegeu todos os bandidos e, democraticamente, teremos que aturar até 2018, quando, infelizmente, os mesmos serão reeleitos porque compram votos em todas as camadas sociais. Há muito eleitor corrupto nesse país.

Ainda sobre 2018,  vai dar..................................... presidente (preencha você mesmo).

Na cabeça.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Submergir

As batalhas navais ensinam que diante do bombardeio os submarinos submergem. Submergir é proteção. Para submarinos e para todos nós.

“Sai, sai do sereno menino”, diz a canção que alerta que “sereno pode fazer mal”. Uma tradução urbana do ato de submergir. Se bem que não sinto o sereno há muitos anos. Nem ele, nem a garoa, nem a neve de Itatiaia.

Itatiaia foi onde passei um dos melhores fins de semana de minha vida e a pior Semana Santa. “A vida é assim”, dizia Zora Yonara, astróloga do rádio e sua voz enigmática com eco alertando: “pisciano, você tem pela frente uma sequência de vitórias esplendorosas. Insista, pisciano!”.

A submersão é vital para a sobrevida. Basta ter ar suficiente e muita humildade. Castrar os ventos tortos da arrogância, deixar nossa nau existencial largada no fundo do mar, ao lado dos polvos e dos peixes abissais.

Os tímidos vivem nos bancos de areia, cercados de corais. Parados, prestando atenção nos praticantes de evasão de privacidade (essa é do Tutty Vasquez) que exibem sua anêmica minúscula burguesia nas redes sociais do gênero “estou tão feliz nessa foto, tão feliz que se me assoprar eu caio no chão e choro”. 
Ahhhh, o blefe das redes sociais. Ahhhh, o blefe das redes. Ahhhh, o blefe das sociedades. Ahhh, o blefe crônico da humanidade.

Submergir faz bem a saúde. Mesmo quando o oponente lança bombas de profundidade que fazem nosso casco mugir como o touro do Apocalipse.

Quem sabe submergir se esconde embaixo das montanhas de pedra submarinas. Pouca luz, nenhum som, motores desligados. Esperar a tormenta passar. Um, 12, 30, 600 dias. Submarinos atômicos, longa autonomia. Falo de nós, longa autonomia. Falo da sociedade, aguda dependência.

As batalhas navais ensinam que diante do bombardeio os submarinos submergem e que as galinhas morrem por cacarejarem depois do ovo. Não é o caso do bicho-preguiça mergulhado em seu mutismo, espatifado até por skate. 
Não fala, mas não corre.

Correr ou falar?

Qual a melhor opção?

Sem dúvida a terceira.

Submergir.


Ou: em dia de temporal de faca não se bota a bunda na janela.


domingo, 10 de dezembro de 2017

Luiz Carlos Maciel (1938-2017)

Luiz Carlos Maciel morreu sábado, aos 79 anos. Falência múltipla dos órgãos. Guru da chamada contracultura, Maciel foi um dos mais importantes intelectuais brasileiros e deixa uma marca profunda, uma presença rebelde no obtuso Brasil de hoje. Sua história é impressionante: Foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, em 1969. Em 1970, juntamente com a maior parte da equipe do Pasquim, foi preso pelos militares e passou dois meses na Vila Militar, no Rio. Editou também o semanário contra cultural Flor do Mal, e foi diretor de redação da revista Rolling Stone a partir de 1972, quando a publicação era revolucionária. Maciel trabalhou durante vinte anos na Rede Globo como roteirista, redator, membro de grupos de criação de programas e de analista e orientador de roteiros. Em 1979 colaborou no semanário Enfim e, no ano seguinte, na revista Careta, ambos editados por Tarso de Castro. Em 1984 dirigiu o espetáculo musical Baby Gal, com a cantora Gal Costa, e a peça Flávia, cabeça, tronco e membros, de autoria de Millôr Fernandes. Em 1987 voltou a lecionar, principalmente cursos de roteiro. Em 1991 dirigiu as peças Boca molhada de paixão calada, de Leilah Assumpção, e Brida, de Paulo Coelho e até recentemente continuava trabalhando em inúmeros projetos. Ao Maciel, desejo o merecido descanso.
...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

37 anos sem John Lennon

                          A empresa norte-americana Phojoe em parceria com a Sachs Media Grooup usou designers e computadores de ponta para especular como Lennon estaria hoje.

Hoje é o 37º. Aniversário da morte de John Lennon, que estaria com 77 anos. Voltando a 8 de dezembro de 1980, lembro que no dia seguinte ouvia em meu Fiat 147 as notícias transmitidas pela rádio onde trabalhava, a Jornal do Brasil AM, o melhor Radiojornalismo do país, até hoje.

Trabalhava, também, como editor de jornalismo da Rádio Cidade (que pertencia ao Grupo JB) para onde rumei. Eram 9 e meia da manhã quando entrei na ponte Rio-Niterói a caminho do prédio do Sistema JB, aquele belo navio ancorado na avenida Brasil 500, hoje sede do Into.

Como boa parte do planeta, eu estava transtornado, confuso, triste, angustiado. Jornalista profissional desde os 16 anos, aprendi nas redações que o melhor remédio para amenizar esse tipo de dor é meter a cara nas notícias, escrever, apurar, enfim, mergulhar de cabeça no fato, enfrentar o monstro de frente. Foi o que fiz.

Meu horário de trabalho era de meio dia e meia as 19h30m, mas fiz questão de assumir o jornalismo da Rádio Cidade as 10 e meia da manhã. Eu e uma equipe de jornalistas, formada somente por mim. Isso mesmo. Eu era o único jornalista naquela adorável e muito saudosa emissora, onde fiz amigos como Fernando Mansur, Romilson Luiz, Eládio Sandoval, etc. 

Evidentemente o dia foi dedicado a Lennon. As 2 da tarde, convidaram um sujeito que o destino colocaria em meu caminho como peça-chave em outras situações. Seu nome: Sérgio Vasconcellos. Foi convidado, naquele macabro dia, a dividir o microfone com Eládio Sandoval falando de John Lennon, Beatles, e tocando raridades.

Apesar do luto, Sérgio deu um show ao longo de toda a tarde, contando histórias de bastidores da banda e de Lennon em particular. Eu me dedicava as chamadas “hard news”, ligando para Nova Iorque, falando com correspondentes do JB.

De 15 em 15 minutos descia para o sexto andar do Jotabezão (as rádios ficavam no sétimo) e ia a sala dos telexes, máquinas que vomitavam notícias 24 horas por dia. Lá também funcionavam as transmissões de radiofoto e telefoto da Agência JB e das norte-americanas UPI e Associated Press, sediadas também no prédio do JB. Abro um parêntese: só muita incompetência e burrice para levar aquele império a falência. Fecho o parêntese.

Numa dessas descidas e subidas, o operador de radiofoto me chamou com uma foto na mão. Nela, John Lennon aparecia morto no necrotério de Nova Iorque. Era um close de seu perfil, nariz curvado, sem óculos, expressão serena. Lógico, não vou publicar a foto aqui.

No dia em que John Lennon morreu, exatos 37 anos atrás, trabalhei muito. Sergio Vasconcellos também. Lizzie Bravo, brasileira que gravou com os Beatles o vocal de “Across The Universe”, estava pelas ruas do Rio, organizando vigílias, enfim, cada um vivenciou o luto à sua maneira. Por volta das oito da noite, fiz a última descida (foram dezenas) a sala dos telexes e as máquinas, que não paravam nunca, histéricas. Peguei o último boletim, acho que da Reuters, com algumas palavras que Paul McCartney conseguiu dizer.

No fim de jornada, abracei Sandoval, Serginho (e peguei o telefone dele), meus amigos do Departamento de Radiojornalismo da JB e fui para o Leme. Sentei sozinho na Fiorentina, que me pareceu deserta, mas na verdade quem estava deserto naquele estranho dia éramos todos nós.

Meses depois, liguei para Sérgio Vasconcellos. O primeiro convidado para participar de uma nova revolução. Em setembro de 1981, começávamos a montar a Rádio Fluminense FM, a Maldita, que entrou no ar em 1 de março de 1982, tendo o Serginho, que se tornou meu amigo, como seu produtor de ponta. 

O resto, todo mundo sabe.

Eu acho.
            

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Devedor de Promessas

Os meses tem características próprias muito marcantes e dezembro talvez seja o de traçado mais gritante. Logo nos primeiros, o maior tumulto.

O trânsito, as calçadas, as lojas, as pessoas, os meios de comunicação. Vão dizer que é por causa do Natal, associado a injeção do 13º. salário, mas não creio que seja somente isso. Mesmo porque, com o desemprego causado pela Dra. Dilma que inventou Temer e seu bando e, de sobremesa, nos serviu uma recessão histórica (sem falar de outros problemas do submundo), não há 13º, nem 8º, nem 1º., nem 5º. salario para mais de 12 milhões de brasileiros.

Penso que a logomarca de dezembro é a ansiedade. Vários fatores se encontram no mesmo cruzamento como, por exemplo, a descabelante perspectiva de um fim de ano com a velha ladainha dos famigerados comentaristas econômicos e suas pregações catastróficas, regadas a mesmice. Além disso há débitos existenciais e afetivos que precisam ser quitados até meia noite de 31 para 1 de janeiro.

Como o roteiro de uma peça de teatro, tudo tem que entrar em cena na hora certa, com o astral certo, com as pessoas certas. Os rituais do Natal, do Ano Novo, as cores das roupas e, mais uma vez, as promessas. Somos escravos de nossas próprias promessas, especialmente em dezembro, quando nos tornamos devedores de promessas.

Dizem que é assim em boa parte do mundo, pelo menos onde o Ano Novo é parecido com o nosso. Em dezembro, não sei com que grana, não só as lojas ficam cheias mas também os consultórios médicos (check ups de fim de ano), dentistas, psicólogos, enfim, nós nos preparamos para uma gigantesca batalha invisível que nós mesmos inventamos que é ter que estar bem, muito bem, na hora “da virada”. Como se fôssemos dormir canários belgas no dia 31 para acordarmos forninhos de microondas no dia primeiro de janeiro.

Entre os responsáveis pela alta ansiedade de dezembro está o implacável bombardeio da propaganda em todos os sites da internet, mais canais de TV, emissoras de rádio, jornais, revistas, panfletos, enfim, todos os meios e formas de comunicação.

O que mais vemos e ouvimos é “corra, porque neste Natal você não vai encontrar nada igual”, ou “há quantos Natais você promete uma casa nova para morar?” e assim vai. Afinal é a data de maior consumo no ocidente.

Como se livrar disso? Acho que não existe uma receita coletiva para escaparmos desse desvairado consumismo somado a promessas que desabam nos ombros já previamente cansados do Ano Novo.

Procurar um bom (ou boa) psiquiatra é um caminho lúcido para dar um tiro mortal na ansiedade, mas ainda rola um papo mofado de que psiquiatra é médico de loucos, blablábláblá. Tem gente que prefere encher a cara de birita do que procurar um especialista “que vai me entupir de remédios”. Mais tarde, alcoólatra, vai ter que procurar o cara que entope de remédios, talvez tarde demais.

A convicção de que não vale à pena sofrer com tanta ansiedade já é um bom caminho e que Saúde e Paz, isso sim, é um lema válido de dezembro a dezembro. E quanto ao espírito de Natal é tão mais profundo e puro que não ouso descrever.

Entendeu?




domingo, 3 de dezembro de 2017

Novas Patrulhas

Começo invocando a Wikipédia:  

Patrulha ideológica ou patrulhamento ideológico é uma expressão cunhada pelo cineasta Cacá Diegues, em 1978. Designa uma organização informal de pessoas unidas por laços ideológicos ou religiosos que tem por objetivo de impor seus ideais a outro grupo de pessoas, munindo-se de discursosprotestos e reivindicações. Essa atividade se caracteriza por uma vigilância constante do público alvo.

Em agosto de 1978, o filme Chuvas de Verão, de Cacá Diegues, foi recebido com frieza pela crítica, que já tinha desancado Xica da Silva, o filme anterior do diretor. Na sequência, Diegues concedeu uma longa entrevista à jornalista Póla Vartuck, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, sob o título "Cacá Diegues: por um cinema popular, sem ideologias", na qual denunciou as "patrulhas ideológicas".

Elas seriam integradas por jornalistas ligados ao Partido Comunista Brasileiro - então clandestino - que teriam a "missão" de denegrir produtos culturais não alinhados a um certo padrão considerado politicamente correto por esses grupos formadores de opinião.

A polêmica que se seguiu mobilizou os meios intelectuais brasileiros da época e rendeu o livro Patrulhas Ideológicas, de Carlos Alberto M. Pereira e Heloísa Buarque de Hollanda (Brasiliense, 1980). No livro, há uma nova entrevista de Diegues, na qual ele define melhor o modus operandi das patrulhas: "O que existe é um sistema de pressão, abstrato, um sistema de cobrança. É uma tentativa de codificar toda manifestação cultural brasileira. Tudo o que escapa a esta codificação será necessariamente patrulhado".

Com a impressionante evolução da tecnologia da Comunicação, que tornou possível, por exemplo, que um indivíduo com um celular no banheiro de sua casa no Rio, converse com alguém em Moscou, de  1978 para cá as patrulhas se expandiram radicalmente. Além da ideológica, existem patrulhas existenciais, politicamente corretas, sexuais, étnicas, gastronômicas, etecetera .

No pântano da política o pau sempre comeu entre esquerda e direita. PTB versus UDN, Arena versus MDB, mas agora, turbinadas pelas redes sociais as pessoas se agridem, se “matam”, de ofendem, se cospem. E a culpa não é das redes, que são apenas o meio, a mídia. Se elas existissem nos anos 1950 também se tornariam poços de ódio.

No entanto há um dado novo, que já incomodava muito o Cacá Diegues lá em 1978, conforme revela a Wikipédia. Hoje temos que conviver com a ditadura do politicamente correto, que o filósofo Luiz Felipe Pondé, que em seu livro Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, afirma que era a base do nazismo.

A patrulha ideológica é um dos braços do politicamente correto, praga que cada vez mais acinzenta a paisagem, fulmina o bom humor coletivo, pune quem tem opiniões contrárias a seus mandamentos e em alguns casos defende a corrupção política partidária.

Até quando?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A noite de autógrafos do mestre Carlos Ruas*

                                                          O mestre
                                   A bela família presente na noite de autógrafos
                                              Carlos Ruas: talento e afeto
Foi ontem no Plaza Shopping a noite de autógrafos do livro de fotos do mestre do jornalismo e amigo muito querido, Carlos Ruas, que comemora com mais uma bela obra os seus 90 anos de idade. Amigos, leitores, colegas, estava todo mundo lá.

O livro se chama “Niterói de Outros Tempos”, foi editado pela também jornalista e amiga Cristina Ruas (filha do autor) e foi viabilizado pela Prefeitura de Niterói, através da Secretaria de Cultura e Fundação de Arte de Niterói.

Ao longo de maravilhosas 142 páginas, Ruas exibe a Niterói de outros tempos, desde os anos 1950, quando começou a fotografar profissionalmente. As fotos mostram uma cidade vaidosa, orgulhosa de suas curvas, praias, ruas mas, sobretudo, de sua gente.

Dono de uma rara sensibilidade, Carlos Ruas captou a alma de Niterói, cidade que sempre amou e ama incondicionalmente. Ele fotografava, apurava, entrevistava e escreve brilhantemente. Foi o mais importante colunista social do antigo Estado do Rio, mas também um grande repórter. Suas reveladoras matérias sobre o assassinato de Luz Del Fuego estavam a frente das investigações policiais e por isso se tornaram lendárias.

Com certeza é uma das pessoas mais queridas que conheço. Colega extraordinário, mestre paciente, gentil, amigo, generoso, por onde passa é abraçado, abraça, dá boas risadas, mas os abusados sabem que, ao mesmo tempo, Ruas é um leão que jamais levou desaforos para casa, especialmente de chefes, que falavam fino com ele.

Lendo o sumário de “Niterói de Outros Tempos”, alguns capítulos: Praia de Icaraí; Hotel Cassino Icaraí; Restaurante Samanguaiá; Aterrado São Lourenço e o Centro; Praias oceânicas; Louco por motocicleta; banho de mar a fantasia; O cura ressaca; O café na “porrinha”; Efeitos da fusão; Logomarcas raras; Os bancos de Niterói; Cinemas; etc etc etc.

Grande Carlos Ruas! Niterói agradece por mais esta obra erguida pelo seu afeto genuíno e, claro, com o apoio incondicional de sua bela família.

*Dedicado a saudosíssima e muito amada Dona Lisaura Ruas.