segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Esperança & Expectativa

Um abismo profundo separa o significado prático e filosófico de esperança e expectativa. Esperança é o possível, expectativa é o ideal, que não existe.

A expectativa é parente próxima da ansiedade, da correria, da falta de ar, faz nossos pés molharem em Manaus quando ainda está chovendo em Porto Alegre. Já a esperança é centrada, amena, racional. A esperança faz projetos, a expectativa cisma.

A receita perece envolver não correr, não fugir, partir para cima com todas as forças disponíveis e depois aguardar a hora da colheita, deixar o destino trabalhar em paz. Pilhar o tempo todo, insistir, forçar a barra, chutar portas, em geral levam ao desespero sob o manto da expectativa.

Há milhares de anos, os asiáticos costumam escrever que o silêncio é uma forma de comunicação. Pode até ser, mas não sou asiático, sou latino. Logo, não comunicou nada disse. Quando os sinais não veem (ou vão e não voltam), nada aconteceu. A esperança ensina que se não há declaração de amor ou declaração de guerra, não existe uma coisa nem outra. Cínica, a expectativa insiste que nem sempre os sentimentos emitem sinais. Como mente essa senhora, que eventualmente se traveste de tola.

Gerar expectativas leva a culpa. Falar de esperança, não. A expectativa é volátil, enganadora e induz suas vítimas a impregnar a humanidade de promessas enquanto prepara uma desculpa para se livrar da situação. A esperança resolve, a expectativa tenta se livrar. Esperança leva a reflexão, a expectativa traz a insônia. Esperança não teme o início, o fim, o meio.

sábado, 29 de dezembro de 2018

"Cagaçópolis"




                                            Grande Otelo em "Macunaíma, filme de Joaquim Pedro de Andrade.

O hímen cronicamente complacente do brasileiro e seu bundamolismo deitado eternamente em berço esplêndido não carece apenas de educação.
O medo e a covardia são os traços muito visíveis no chamado “tecido social” de terra brasilis, que o mestre Elio Gaspari chama de Pindorama.

Gagaçópolis seria outro nome apropriado para que esse camping provisório (essa é de Rubem Braga), que movido pelo medo e alguma forma mais venal de “jeitinho” empoderou (expressão inventada por vadios um pouco mais letrados) todo esse esquadrão de sicários que assaltou e faliu o Brasil. Todos eles foram eleitos pelo povo de Cagaçópolis. Todos.

Se o brasileiro tivesse a coragem de aos 18 anos trepar num caça Spitfire e partir para cima dos quase invencíveis aviões nazistas, como fizeram os ingleses (morreram milhões), valeria a pena falar de desobediência civil. Me pergunto como, se um traficantezinho bota as forças armadas para correr, diariamente os ladrões de carga cospem na cara da força nacional de segurança, uma bosta criada não sei para que.

Desobediência civil é um conceito formulado originalmente por Henry David Thoreau e aplicado com sucesso por Mahatma Gandhi no processo de independência da Índia e do Paquistão e por Martin Luther King na luta pelos direitos civis e o fim da segregação racial nos Estados Unidos.
Na eventualidade de um governo vigente não satisfazer as exigências de sua população, esta tem o direito de desobedecê-lo.

Desobediência civil é ninguém pagar nada que vá para os boldos dos serviços públicos quando muito caros, mal feitos. Ou seja, no caso da conta de luz só um das dezenas de exemplos) lembro bem do dia em que, assistindo TV, sem mais nem menos Dilma apareceu. Do alto de sua arrogância, prepotência e boçalidade anunciou um desconto de 16% na conta de luz. Temer, seu vice duas vezes, sabia de tudo. A manobra populista da tapada provocou um prejuízo de R$ 35 bilhões que nós, brasileiros, devidamente bovinizados pagamos sem reclamar.

Se houvesse coragem os brasileiros se organizariam e praticariam a desobediência civil não pagando a conta de luz, uma sabotagem que, com certeza, faria efeito. Mas é nessa hora que baixa o espírito de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, que Mário de Andrade pariu em 1928 E aí imperam a covardia, o cagaço, a servidão.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Machado, Capitu, Bentinho, Escobar: se existissem as redes sociais?

Não adianta negar, a traição ainda é um dos maiores dramas afetivos da humanidade. Fico imaginado se, em 1899, existissem redes sociais e a suposta traição de Capitu, protagonista de “Dom Casmurro”, giga clássico de Machado de Assis, tivesse seus indícios e suspeitas de adultério vazados no Facebook, por exemplo. Ia ser um escândalo. Mas seria fake new?

Afinal, por mais que elementos óbvios levassem o leitor a pensar que houve realmente uma corneada histórica naquele romance, a narração do livro é toda feita por Bentinho, a suposta “vítima”. Uma série de fatores subjetivos, mas esquisitos pra cacete, levaram Bentinho não só a pensar mas afirmar que seu amigo Escobar estivesse realmente se escalavrando com a bela Capitu, nas caladas.

Machado a construiu dissimulada, olhar de ressaca, com o lado B da vida totalmente desconhecido, caráter idem. “Não é possível afirmar, por meio da investigação das marcas textuais no romance, que Capitu tenha ou não tenha traído Bentinho”, explica Andrea de Barros, doutora em Teoria e História Literária pela Unicamp, em entrevista ao site Super Interessante.

Desde que foi lançado, em 1899, até a década de 60, “Dom Casmurro” foi lido como as memórias de um homem desiludido por ter sido traído pela mulher e pelo melhor amigo. Bentinho, o narrador, conta a história do amor por Capitu e depois a dor pela traição dela com Escobar, diz ainda o site.

Mas, no início dos anos 60, essa leitura foi modificada com a ajuda da crítica norte-americana Helen Caldwell, que escreveu o livro “O Otelo Brasileiro de Machado de Assis”. “A partir da referência direta a Shakespeare e, especificamente, a “Otelo”Caldwell leu “Dom Casmurro” como as memórias narradas por um homem ciumento”, explica Antônio Sanseverino, professor do Instituto de Letras da UFRGS. A comparação com Otelo é justificada: o ciúme levou Otelo a dar ouvidos a Iago e acreditar na traição de Desdêmona, que era inocente. “A partir dessa relação, pode-se ler o romance como a escrita de Bento, homem ciumento e cheio de imaginação, que condena Capitu sem ter provas e vê, em seu filho Ezequiel, a imagem de Escobar”, diz Sanseverino.

Ou seja, muitas leituras foram feitas sobre o livro, mas nenhuma levou a uma conclusão definitiva sobre o possível adultério. O que se pode afirmar é que o narrador não dá voz para Capitu e, desde o início da narrativa, dá pistas que tentam fazer o leitor duvidar do caráter da personagem.

Permanece o enigma, 120 anos depois.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Rio Show

Sininho – Acorda! Já são sete e meia e o encontro em Vargem Grande começa as nove. Não quero atrasar.

Ben-Hur – Mas hoje é meu aniversário...

Sininho – Frescura, Ben-Hur. Aniversário é um dia como outro qualquer. Levanta, vai. Levanta aí!

Ben-Hur – Pensei em almoçar com você, meus filhos...

Sininho -  Aqueles dois parasitas? Fala sério, Ben-Hur! Quem pariu Matheus que o embale; essas duas amebas são problema da mãe deles, aquela intelectualzinha de merda. Além do mais eles nem vão lembrar que é seu aniversário...se toca homem. Olha, eu não quero chegar atrasada ao evento das trutas em Vargem Grande.

Ben-Hur – Trutas?

Sininho – Te falei ontem, te falei anteontem, porra. Evento das trutas chinesas amestradas, só vai gente chique.

Ben-Hur – Vai até que horas?

Sininho – Termina meio dia, mas de lá vamos direto para Santa Teresa...

Ben-Hur – Como assim?

Sininho – Não tem como assim, Ben-Hur. Daqui vamos para Vargem Grande. De lá para Santa Teresa e depois direto para Grumari.

Ben-Hur – Fazer o que?

Sininho – Inauguração da exposição de instalações invisíveis de Julieto Di Capri.

Ben-Hur – Quem?

Sininho – Você está cada vez mais lamentável...Julieto Di Capri é o must do must na Europa hoje. Foi capa da Forbes, capa do Le Monde, capa da Quem, capa da Caras, capa da Globo Rural. Às vezes acho que você é débil mental.

Ben-Hur – Mas isso vai até que horas...hoje eu tenho um evento.

Sininho – Vai até a hora que eu quiser.

Ben-Hur – Melhor parar ali para por gasolina.

Sininho – Impressionante...

Ben-Hur – Eu te disse que esse carro chinês é ruim, mas você...

Sininho – Joga na minha cara, covarde! Diz que eu achei bonitinho e você comprou. Quem manda ser babaca?

Ben-Hur – Que horas são?

Sininho - Esqueceu o relógio de novo? Que coisa...quinze para meia noite.

Ben-Hur – Estou atrasado para o evento importante...

Sininho – Daqui não saio. Di Capri ficou todo feliz quando me viu...só tem gente bonita, descolada...vai você, eu me viro sozinha.

Ben-Hur – Tudo bem. Até mais.

Sininho – Como assim, tudo bem e até mais?? Hein? Ben-Hur! Ben-Hur, cadê você? Você nunca disse isso…

Meia noite e meia – Ben-Hur no evento importante. Chega a pequena capela, enfeitada com luz de velas, ao lado da cachoeira. Chegou a tempo. Cerca de 20 pessoas, amigas, muito amigas.

Meia noite e quarenta e cinco – Amanda entra na capela, braço dado com o irmão.

Uma hora – O juiz considera Amanda e Ben-Hur casados.

Três e quarenta – O avião começa a taxiar. Ben-Hur e Amanda se beijam de novo.

Quatro horas – senhores passageiros com destino...


Dias depois – Walfrido, da seguradora Boas Novas, toca a campainha. A diarista abre a porta da casa de dois andares.

Walfrido – Dona Sininho, por favor.

Diarista – Quem deseja?

Walfrido – Seguradora Boas Novas.

Sininho – Sim...

Walfrido – Trouxe esse carro chinês por ordem do senhor Ben-Hur.

Sininho – Aquele moleque, canalha, escroque...sumiu há dias e ainda tem coragem de mandar esse chinês de lata. Patife, venal...que eu amo tanto...amo tanto...Seu Walfrido, onde ele está?

Walfrido – Assine aqui. Por favor, madame.

Sininho – Mas, e ele?

Walfrido – Deixou esse envelope. Disse que dentro tem um papel com nome e endereço do advogado que vai resolver tudo.
Sininho – Só isso?

Walfrido – Tenha um bom dia.

Sininho – Bandido! Bandido nefasto que...eu amo, eu quero, eu preciso como o ar da noite...água do mar...Ben-Hur, volta meu Ben-Hur.

Diarista – Dona Sininho...ai, meu Deus...quer que eu chame um médico? Hein, 
Dona Sininho? Dona Sininho, acorda! Já são sete e meia!

Sininho - Hoje não é um dia como outro qualquer...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Emprego sim, trabalho jamais

Na véspera do Natal fui comprar uma camisa e estava satisfeito com o grande movimento em lojas de todos os tipos, sinal de aumento no índice de emprego. Na loja em que entrei havia um bando de garotas de classe média vestidas de vendedoras, muitas ralando e outras morcegando. Uma delas a que me atendeu.

A garota meio gordinha, piercing no nariz, era simpática mas não tinha os requisitos de um mamífero educado, civilizado e, o mais grave, vendendo, faturando, levando dinheiro para casa, atendendo o público. Ela não entendia nada de camisas, de modelagens, fazia sugestões de bêbado mas, muito franca, mandou chumbo: “olha, estou oferecendo essas porque senão vou ter que subir para ver no estoque...”. Emendei “e isso dá muito trabalho, né?”. Ela sorriu com aquela cara de pau dos vadios e respondeu “estou doida para acabar o expediente”. Tentei argumentar “mas você está vendendo, vai ter comissão, o páis está com 11 milhões de desempregados”, ela apenas resmungou um enigmático “pois é, né?”.

Acabou que por causa da minha escolha ela teve que encarar o seu flagelo: trabalhar. Teve que subir no tal estoque e verificar a tal camisa do meu tamanho. Indolente, ela queria me empurrar uma de um tamanho menor tentando me convencer que ficaria bom; não teria ger o trabalho de correr atrás.

Lembrei de reportagens na TV mostrando filas e mais filas de desempregados disputando vagas de emprego. Diante desse fato na loja de camisas, e de muitos outros, depoimentos de amigos e colegas, cheguei a irresponsável conclusão de que o que mais se quer no Brasil não é trabalho, é emprego. Há muitas exceções é claro, não sou nenhum imbecil, mas o que sinto há tempos é que o placar é 80 para direitos e 20 para deveres, boi na sombra forever.

Olhando o relógio pela enésima vez, a garota veio com a camisa. Modelo certo e carinha de mau humor. Perguntei “onde é que embrulham?” e ela meio que rosnou algo como “no pagamento vão ter dar uma caixa e você bota camisa dentro. Você quer só isso? Quer mais alguma coisa?”. Respondi “fique tranquila, da minha parte você não vai mais precisar trabalhar. Aliás, tenho uma dica. Esconda-se na loja até o expediente acabar. Pegue umas roupas finja que está trabalhando, se embrenhe nas araras, vá enrolando até o final e você vai se dar bem. Não vai fazer nada hoje e quando chegar no dia 26, depois do Natal, vai ter a boa notícia de que estará demitida. Sabe por que? Porque ninguém é babaca, minha filha. Capitalismo enxerga tudo”.

Aí ela tremeu. Tremeu e veio de mimimi “você vai reclamar?”, eu disse “não preciso porque suas colegas vão fazer isso, especialmente as temporárias que querem uma vaga fixa. Essa vaga fixa que você está ocupando”. Dá vontade de voltar lá hoje para ver se a gordinha do piercing ainda está prejudicando as vendas.

No caixa tinha um folder do tipo “Você foi bem atendido?”. Era só responder e depositar numa urna. Nada fiz porque, como disse, o mercado cuida dessas vagabundagens.


sábado, 22 de dezembro de 2018

Verão,






Verão,
Depus as armas. Isso mesmo, estação do meu suplício, pedi arrego e decidi tentar conviver melhor contigo, numa boa, na paz.
 
Verão, de fato você não tem culpa se os caras estão desmatando, poluindo, arrombando a camada de ozônio. Lembro de meus pais e avós falando da “brisa de verão” mas, meu chapa, até essa brisa roubaram. Não conheci. Sabe aquele convite “vamos tomar um refresco num fim de tarde de verão?”, não rola mais, rapaz. 

Não rola porque é humanamente impossível até raciocinar quando os caras que vendem as matas, rios, baías, oceanos acendem o maçarico.
 
Sabe, Verão, um dia desses liguei para um restaurante novo para ver se estava cheio e depois da ligação me surpreendi com minhas perguntas: 1) Boa noite, o ar condicionado está gelando?; 2) Mesmo quando a casa está cheia?; 3) Quantos B.T.Us?

Além de isentá-lo decidi sentir menos calor, apesar de estar calor. Como? Montei uma bateria de ventiladores de seis pás que transformam minha casa na costa da Califórnia em dias de pré temporal. Um vendaval delicioso.

Aí você pergunta “por que não liga o ar condicionado? e eu te respondo, caro Verão: com a cumplicidade do governo, há uns anos os caras que nos vendem eletricidade inventaram bandeiras para cobrar mais. Justificam dizendo que por causa da falta de chuvas os reservatórios estão vazios e eles, tadinhos, tem que gastar dinheiro (nosso) ligando usinas termoelétricas. Atualmente a bandeira que inventaram está azul, sem acréscimo, mas assim, no azul, a conta é um pau no sul.

Fiquei indignado com aquela mulher que destruiu o país, um dia apareceu na TV anunciando uma queda de 18% no preço da energia elétrica. A imbecil contrariou todos os técnicos, até os mais medíocres. Deu no que deu.

Em 2015, o governo percebeu que não tinha dinheiro para manter os subsídios à tarifa, que a mulher anunciou. Então, veio o tarifaço, com um aumento de mais de 50% na conta de luz.

De acordo com a decisão da Aneel, nós teremos oito anos para pagar essa indenização as empresas distribuidoras de energia. A primeira parcela deve ser de R$ 10,8 bilhões.

É por essa e por outras que inocentei você, caro Verão, que é tão vítima desses porcos quanto nós.

Sigamos em frente.

Na paz.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Robert Plant em entrevista falando de uma possível volta do Led Zeppelin: "Pare de viver no passado. Abra seus ouvidos e seus olhos. Não é tão difícil assim, é?”

Tradução de Ricardo Bellucci

Robert Plant deu uma entrevista interessante à Classic Rock Magazine. Ele falou sobre seu novo álbum, a carreira e, é claro, o  Led Zeppelin. E quando perguntado sobre a reunião da banda, ele disse "pare de viver no passado. Abra seus ouvidos e seus olhos. Não é tão difícil assim, é?”

Classic Rokc Magazine: Como você acompanha o que está acontecendo na música?
Robert Plant: As coisas só passam por mim. Se eu fosse um DJ no rádio, iria atrás de todo o material novo que pudesse desejar. Mas infelizmente eu não sou, então às vezes não ouço nada das coisas que estão tocando. É um mundo grande, agora, das músicas, algumas delas chegam até mim e outras não.

Classic Rock Magazine: Mas há muito pouco acontecendo no rock hoje em dia, você não concorda?
Robert Plant: Bem, isso tem um lado bom. Acho que perdeu um pouco da energia, não é? De certa forma. Provavelmente chegou ao auge, fez o que tinha que fazer, e agora os híbridos do rock se tornaram como Them Crooked Vultures e as pessoas curtem isso, que é boa música, mas não é rock. Bem, talvez seja rock. Talvez a minha ideia do que foi o rock se perdeu um pouco na tradição.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Redes Sociais

Escrevi várias vezes aqui que gosto das redes socais, macro comunicação. Estava dedicado ao Facebook, responsável por muitas coisas boas que me aconteceram como, por, exemplo reencontrar amigos que se perderam no caminho, ver os posts, as ideias, os ideais, etc.

Meu Instagram está ativado há muito tempo, mas só recentemente comecei a gostar. Instagram é estético, pouco texto, muitas imagens, ao contrário do Facebook onde sobra papo, desabafo, e apenas uma ou duas fotos. Além do mais o Facebook é muito mais popular, atinge a uma multidão enorme e como todo profissional de Comunicação gosto de falar para muitos.

Também tenho uma conta velha no Twitter que resolvi visitar agora a noite. Gente pra caramba mandando notificações e eu, sem saber, não respondi a nenhuma. Só usava o Twitter só para divulgar essa coluna, mas agora vou abrir espaço, ler todo mundo.

As redes sociais estão acabando com os intermediários. Você pode, por exemplo, dar um esporro no presidente da república com a certeza de que pelo menos a assessoria dele vai ouvir. Já aconteceu comigo lá no Twitter quando dei uma bofetada virtual em Temer, o eterno vice de Dilma. O Planalto respondeu. Mandei dois torpedos em cima de Dilma, mas a ema do apocalipse ignorou. Quando você esculacha um banco, um órgão do governo, enfim, qualquer coisa a repercussão é quase imediata. Caso desta grave denúncia que Gilson Monteiro (giga jornalista) publicou ontem a tarde no seu site: http://colunadogilson.com.br/musico-morreu-em-upa-sem-cardiologista/

As redes estão anulando a teórica função dos políticos que seria nos representar lá no poder, mas hoje parece que só representam os seus bancos, caixa dois, laranjas e, é claro, vão entrar em extinção por desuso absoluto. Começaram a entrar em pânico quando, graças as redes socais, as eleições de outubro foram totalmente bizarras, no bom sentido. O povo fuzilou pencas e mais pencas de canalhas, bandidos, quadrilhas, uma conspiração inconsciente que brotou nas redes. Estou certo?

Ou não?

domingo, 16 de dezembro de 2018

Redentor


                                                        Foto do saudoso e grande fotojornalista Luiz Carlos David


Setecentos e nove metros de altura.

A vida ruge baixo, lá embaixo, abaixo de linha do Equador. Parto, infância, adolescência, vida. Avista-se tudo, olho nu, nas fronteiras aéreas que demarcam a existência.

Traço, montanha, lago, mar. Imenso, profundo, imundo mar. Norte, sul, leste, oeste, quadrantes existenciais em recorte, expostos à nitidez da baixa umidade relativa.

Gargalhadas, gritos, sussurros, de ontem, anteontem, passado, futuro. Detidos naquele amplo espaço. Soberbo e minúsculo ao pé da estátua; pulsar de cidades, fazendas, favelas, praias, até onde a vista alcança. Olho nu. Até onde a vista descansa. Tele objetivamente.

O futuro joga as cartas. Destino a leste, de onde sopra a brisa. Suave e fresca.

Ao pé da estátua em pedra sabão, a mulher chora e implora sob o rosto de pedra imponente, decente, que avista adiante, olho por olho, dente por dente. Futuro. Sol, chuva, orvalho, vendaval, tempestade.

Abaixo, aviões, drones, helicópteros. O som do silêncio e o clamor abafado da angústia. Beijo na boca, bangue bangue, ansiedade máxima, o cochilo do miserável sob a marquise. Sob nós, tudo aberto, tudo certo, como as veias de uma América, condenada, para sempre, Latina.


Nos braços e cabeça, para-raios. Para nós e para Ele. O guardião e a força que ninguém explica, energia que sossega, aquieta, estanca o ir e ver enlouquecido das preocupações trafegando por nossas artérias e becos. O guardião para tudo.

O guardião pode tudo.

Ali perto, ou logo abaixo, ou mais adiante, ou na linha do horizonte, as árvores são devoradas para ceder espaço para o metro quadrado desonestamente caro, especulado. Inversão térmica. Inversão ética. O guardião sabe que tem chovido menos, terra seca, ganância. O guardião sabe que o fim dessa história é o recomeço.

Ação, reação. Motosserra, estiagem, seca, inversão térmica, colapso caos, morte, recomeço. Ele sabe. Calado.

Setecentos e nove metros de altura.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Uma simples homenagem a Arthur Maia - 1963-2018

                                                                                 Arthur
                                                                                Jaco
Arthur, foi um choque saber da sua morte hoje, por volta de meio dia, 56 anos, parada cardíaca. Você era um ídolo para mim, um dos melhores baixistas do mundo. Sorte que tive a chance de te tietar pessoalmente, várias vezes e a sua partida mostrou que não há tempo a perder e eu espero que você tenha vivido quase todos os seus sonhos, já que todos os sonhos só os lunáticos alcançam.
A homenagem simples que te faço, ainda muito tomado de emoção é um texto antigo que publiquei aqui há tempos sobre os momentos inusitados que você passou em Nova Iorque. Você mesmo me ligou dizendo que a história ficou ótima. No mais, vou guardar a emoção de ouvi-lo em vários discos, ao vivo e também falando pra cacete, dando risadas na beira do mar da Praia de Itaipu, onde papeamos várias vezes. Mais uma coisa em comum: mesmo torta e meio largada nós amamos essa cidade chamada Niterói. Meu chapa, Deus te proteja. Valeu por tudo!
 
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É muito bom ser fã de amigos. Um deles é Arthur Maia, um dos melhores baixistas do mundo, que encontrei há tempos no Teatro Municipal de Niterói durante o surpreendente (para mim) show de Mart'nália, dirigido por ele. Show, chamado “Em África”, que com certeza, Paul Simon adoraria assistir o espetáculo do pulso, da percussão, da comoção, de tudo o que a África representa para a Música.

Uma vez, escrevi no Estadão que se não fosse a África a música popular não existira. Lá nasceu o ritmo, a batida, a alma. Alguns leitores reagiram, disseram que não e eu sugeri que assistissem ao documentário “The Rhythmatist” (1985), de J.P. Dutilleux e Jean-Pierre Dutilleux, estrelado pelo 
ex-baterista do Police Stewart Copeland.

Ele viaja pela África em busca da origem do ritmo. Participa de cerimônias em tribos isoladas sempre sob o manto da percussão e fez uma experiência fantástica. Montou uma bateria Tama completa dentro de uma jaula. Copeland entrou e essa jaula foi colocada numa savana infestada de leões, que tentavam devorá-lo enquanto ele tocava. Queria passar (e passou) para a bateria todo aquele sentimento de primitivo terror.

Bom, esse é o poder da percussão. Arthur Maia subiu no palco deu uma canja no final do show de Mart'nália, para um Teatro Municipal de Niterói super-lotado, de pé, em histeria total. Antes, eu disse “Arthur, vou contar em meu blog aquela sua experiência com Jaco Pastorius”. Ele disse que tudo bem, e, por isso, aqui vai.

Jaco foi um dos mais importantes baixistas da chamada música fusion, também conhecida como jazz-rock. Foi do Weather Report, grupo que reluz em minha estante de discos, mas tinha problemas sérios com álcool e drogas. Batizado de John Francis Anthony Pastorius III, nasceu nos Estados Unidos e sua morte é até hoje um lamento, como narra o portal Wikipédia:

O trágico fim de John Francis Anthony Pastorius III inicia-se em 11 de Setembro de 1987. Após um show de Carlos Santana, se dirige ao Midnight Bottle Club, em Wilton Manors, Florida. Provocou e acabaou brigando com o gerente do clube, chamado Luc Havan. Como resultado da briga, sofre traumatismo craniano e entra em coma por dez dias. Depois que os aparelhos foram retirados, seu coração ainda bateu por três horas. A morte do mais ilustre contrabaixista de todos os tempos data de 21 de setembro de 1987, aos 36 anos e dez semanas. Foi enterrado no cemitério Queen of Heaven, em North Lauderdale.

Uma das maiores homenagens prestadas a ele, foi registrada pelo lendário trompetista Miles Davis, que gravou a música Mr. Pastorius, composição do baixista Marcus Miller, lançada no álbum Amandla.”

Jaco era o herói de Arthur Maia, que no começo deste mesmo 1987 foi a Nova Iorque a trabalho. Através de um percussionista amigo, soube que Pastorius costumava jogar basquete numa quadra pública no Bronx. Arthur foi lá.

Um, dois, seis dias, nada de Jaco. Até que, quase desistindo, num fim de tarde viu um baixo Fender Jazz Bass ano 62 largado sem case em cima de um banco. Arthur gelou. Olhou para a quadra e lá estava Jaco Pastorius jogando basquete com um grupo local.

Arthur, aflito diante de seu ídolo maior, não sabia o que fazer. O jogo acabou, o percussionista apresentou os dois e Arthur disse que queria ter uma aula com ele. Jaco disse “tudo bem, é só me pagar 50 dólares adiantado”. Arthur deu o dinheiro e marcaram a aula para o dia seguinte. Jaco sumiu. Nunca mais. Arthur só soube dele quando morreu. Mas ainda assim, sempre comovido, me disse “eu vi o cara, cumprimentei, toquei a mão dele, ouvi sua voz, vi seu baixo todo lanhado...claro que  valeram os 50 dólares”.

Não foi à toa que uma vez escrevi (não lembro onde) que Arthur Maia deu sequência ao estilo de contrabaixo inventado por Jaco Pastorius. E essa história caberia muito bem numa autobiografia que Arthur Maia precisa escrever contando tudo o que viveu e vive entre as maiores estrelas da música mundial. A plateia agradece e aplaude por antecipação.


O voo crítico

Desculpe os garranchos. Você sabe que não escrevo a caneta há mais de 20 anos. Está escuro ainda. Você e nossas crianças dormem.

Ontem, na cama, vi seus olhos muito negros levemente marejados, fitando meu rosto. Destilavam uma dose de tensão, certamente porque hoje, mais uma vez, farei um voo crítico. Eu ia começar a explicar o inexplicável mas você pôs o dedo indicador em meus lábios. Não queria ouvir nada sobre voos críticos. Eu também não queria falar nada sobre voos críticos, mas fique certa de que não existe voo militar em missão que não seja muito crítico. Não minto, não omito.

Seus dedos estavam frios como na segunda noite que saímos, anos atrás. Você pegou na minha mão para atravessarmos uma tórrida avenida de Manhattan no auge do calor. Senti o seu suor. Depois, meio sem jeito, ensaiou me explicar porque de vez em quando gelava ao atravessar uma avenida movimentada. Eu disse que você não precisa me explicar nada. Só precisa sentir sem receios.

Com o passar do tempo, de voo crítico em voo crítico, você foi me convidando a precisar de você. E cada vez mais pegava em minha mão para atravessar as avenidas sinalizando que também é gostoso precisar de mim. Depois daquela festa engraçada que você fez com as suas amigas aqui em casa você chegou e disse “sabia que eu te amo?”. Eu não sabia, mas foi uma delícia ouvir. Nunca sei se sou amado e você sabe disso. Adoraria ouvir todo dia, toda hora. Mais ainda porque não havia nenhum voo crítico programado.

Pensei em deixar apenas um cartão. Mensagem curta. Mas os seus dedos frios de ontem, a sua incerteza, a sua presença me trouxeram um gigantesco orgulho. Orgulho de pertencer a sua vida, reafirmar a sua importância. Mesmo que seja breve. Relações também são voos críticos.

Quando nossos fios desencapados dão curto circuito e a gente se aborrece um com o outro - e os voos críticos já causaram alguns desses desentendimentos - o amor sempre impera. Não suporto ficar cinza com você, nem por cinco segundos. Parece que deixo de existir até a gente se olhar de novo.

A manhã está escura, neve lá fora e o voo será crítico. Confie nele, no destino, na nossa história e, se der, confie em mim porque amanhã ao meio dia estarei de volta para pegar você e as crianças no colo e, juntos, celebrarmos a chegada do novo ano. Aliás, hoje será o meu último voo crítico como Comandante. Não farei mais.

Presente de ano novo para nós.

Klint.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Para refletir: a política do filho único na China, o melhor para menos em vez de ruim para todos, como é no caso do Brasil; em 25 anos deixaram de nascer 400 milhões de pessoas

                                                            Praia da Zona Sul do Rio, há dois anos

Em vez de mexer na previdência, a China controla o aumento da população. Assim, não é preciso construir mais hospitais e escolas em ritmo acelerado, comprometendo a orçamento do Estado e elevando o risco de corrupção, já que o super faturamento em obras públicas chegou a ser quase comum por lá. Reduziu em 90% por causa da lei que manda fuzilar políticos que roubam.

A política do filho único foi implantada pelo governo Chinês na década de 1970 com a finalidade de melhorar o sistema de saúde e educação. Segundo a lei, ficava extremamente proibido a qualquer casal ter mais de um filho. Quem não cumprisse recebia multas estratosféricas. Com a meta cumprida, a China passou a permitir dois filhos em 2015.


A politica do filho único conseguiu evitar que a população da China crescesse cerca de 400 milhões nos últimos 25 anos. Os críticos da política dizem que quanto mais segue-se a lei, mais abortos são gerados. Além disso, a China tem uma cultura milenar que dá preferência aos filhos homens que são obrigados a manter os pais quando idosos, de possibilitar-lhes um enterro solene. Somente o filho homem pode ser herdeiro dos bens, por isso, havia muitos casos de abandono de crianças recém nascidas.


Segundo Vivian Oswald da BBC Brasil, a manutenção de crianças pesa no orçamento das famílias, que têm preferido continuar investindo mais e melhor em um único filho. Dezenas de milhares de filhos da chamada nova classe média vão estudar no exterior, principalmente nos Estados Unidos, onde vão aprender inglês e se preparar para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.


No ano letivo 2015-2016, 328.547 chineses frequentavam faculdades e universidades americanas (reconhecidamente caras), um recorde histórico, segundo dados do Instituto de Educação Internacional. "Não sei se vou querer ter um segundo filho. Já não está sendo fácil criar a minha filha de quatro anos. Quero dar a ela o que há de melhor. E ter uma segunda criança significaria ter de dividir com que hoje dou a ela", diz Xiao, de 38 anos, que trabalha na administração de um condomínio em Pequim. Nas áreas rurais, é comum os pais terem de deixar as suas cidades natais em busca de melhores empregos nos grandes centros urbanos para proporcionar uma vida melhor aos filhos. Estima-se que o fluxo migratório chegue a 100 milhões de pessoas.


Foi divulgado um balanço do primeiro ano após a mudança da política de um filho: 17,89 milhões de chineses vieram ao mundo no ano passado, pouco mais do que a população da Holanda. Trata-se de um recorde para a China do século 21. Mas o episódio, que está sendo chamado de "mini-baby boom" por especialistas, ainda não é suficiente para fazer frente ao problema demográfico que o país deverá enfrentar no médio prazo, com o envelhecimento da população e a redução do grupo de trabalhadores na faixa de idade considerada economicamente ativa.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Lançamento em São Paulo e Rio do livro ‘Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees’


Peter Tork, Micky Dolenz, Mike Nesmith e Davy Jones não se conheciam até serem contratados para dar vida ao The Monkees, banda protagonista de uma série de TV que estrearia em 1966 nos Estados Unidos.

Um ano depois, com os álbuns “The Monkees” (1966) e “More Of The Monkees”(1967), a banda pré-fabricada vendeu mais discos que The Beatles e Rolling Stones juntos. Havia sido dada a largada para a Monkeemania, que arrebatou não só os estadunidenses como os fãs de rock'n'roll do mundo todo.

No Brasil, a febre chegou com a estreia da série em 1967. Mas foi em 1975 que Sergio Farias, assistindo a uma reprise na televisão, viu sua vida mudar. No entanto, com pouco acesso a material de pesquisa sobre uma banda estrangeira, ainda mais em um momento em que seus integrantes viviam no ostracismo, ficou aquele desejo de compreender porque, após um salto tão alto, os Monkees tiveram uma queda tão brusca.

Já na escola, Sergio ensaiou escrever essa história em uma aula de Literatura. Anos depois, o jovem carioca tomou para si essa missão, escarafunchou tudo que era publicação, assistiu a vídeos, visitou feiras musicais e entrevistou diversos personagens para criar “Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees”.

O livro foi lançando em Portugal em outubro e, em novembro, chega ao Brasil através da Chiado Editora. As noites de autógrafo acontecerão no dia 14 de dezembro, às 19h, na livraria Cultura do Conjunto Nacional (São Paulo) e, no dia 18, as 19h, na Blooks de Botafogo (Rio). 

Como fio condutor do livro, Sergio Farias escolheu contar a história do baixista – o único ex-Monkees que nunca havia ganhado uma biografia – entrelaçando-a com a do grupo. Ao vivo, The Monkees colocavam os concertos de rock em um outro patamar.

Como músicos, sua diversidade marcou desde um pioneirismo no uso do sintetizador Moog até a criação do country rock. Essa unidade criativa ganhou admiradores como os músicos dos Beatles, Jimi Hendrix, Frank Zappa e Timothy Leary. Ao exporem o modus operandi da indústria fonográfica, no entanto, a opinião pública os elegeu como bodes expiatórios dos grupos pré-fabricados em plena época da contracultura.

Após o fim da banda, seus membros foram relegados a um ostracismo brutal, e Peter Tork foi o mais afetado. Embora fosse um intelectual e um compositor com formação clássica, capaz de tocar sete instrumentos musicais, para a grande maioria, Peter não passava de “o bobo da série de TV”.

No livro, Sergio Farias apresenta o quarteto como um grupo que brigou pelo direito de tocar em seu próprio disco, buscando ser encarado com seriedade. O biógrafo resgata sua influência também na cena musical brasileira, configurada através de releituras de Wanderléa e da dupla Leno e Lílian e de elogios de Renato Russo.

Ao focar na trajetória de Peter Tork, o autor descortina a derrota e celebra o resgate de um músico e performer de talento, desmistificando a fama de “abobalhado” que ganhou com a série de TV e de “integrante de uma boy band descartável”, como a crítica da época fez questão de catapultá-lo. “Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees” procura fazer justiça ao extraordinário legado dos Monkees na cultura pop, revelando também os conturbados bastidores da banda e traçando a trajetória dramática de Peter e sua peregrinação pelos seus princípios de viver, com surpreendentes sinceridade e humor.

Sergio Farias é carioca e Mestre em Administração Empresarial. Autor da peça teatral “Quem Te Viu, Quem Te Vê” e dos livros “John Lennon Vida e Obra” e “Love Is Understanding - A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees”, foi assistente de direção do dramaturgo e cineasta Domingos Oliveira e colaborador do jornal International Magazine e dos sites beatles.com.br, letsrock, senhorf e jovemguarda. 

Serviço:

Lançamento do livro ‘Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees’ e noite de autógrafos com Sergio Farias

São Paulo:

14/12/2018, às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista 2073, Bela Vista).

Rio:

18/12/2018, às 19h, na Blooks Livraria Botafogo (Praia de Botafogo 316 / lojas D e E).


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Os três tenores


Mais do que a mais nefasta oposição, o presidente Jair Bolsonaro tem como sabotadores inconscientes seus três filhos. Extasiados com o sucesso instantâneo, os três falam asneiras compulsivamente e, toda hora, colocam o pai contra a parede.

Flavio Bolsonaro (37) que explicar ao país sobre R$ 1,2 milhão que foram pousar na conta de um assessor que mora, com todo o respeito, em um muquifo na Taquara, Zona Oeste. Nesse rolo está a primeira dama, Michelle Bolsonaro. Flávio e dona Michelle terão que provar inocência nesse episódio, mas parece que a arrogância meio psicopata do rapaz ignorara opinião pública. Gentalha? Lembra Lula no começo, que desprezava críticas e começou a falar de si mesmo na terceira pessoa. O resultado foi mais do que previsto: está em cana. Ah, sim, tem os filhos de Lula, mas deixa pra lá.

Não adianta justificar, dizer que não entende o que está acontecendo, empurrar com a barriga. Flávio Bolsonaro tem que provar inocência nesse episódio estranho, muito estranho.

Eduardo Bolsonaro (34), também movido pela onda do sucesso descartável, decidiu virar ministro pirata das relações exteriores gerando mal estar e fúria. Foi aos Estados Unidos, falou o que não devia, o pai Jair desmentiu e nesse jogo de amador que se acha rola das galáxias, acabou encurralando o Brasil. Os EUA romperam com a China, Eduardo deu palpite contra a China, os EUA reataram com a China. E agora? China importa R$ 300 bi por ano do Brasil e os EUA, de vez em quando, compram uma caixa de pirulito Zorro..

O governo de Jair Bolsonaro tem apenas 30 dias para mostrar a que veio por uma ração óbvia: o povo está de saco cheio, perdeu toda a paciência depois de ter sido jogado no lixo, desrespeitado assaltado, desempregado. Por sorte montaram uma boa equipe econômica capaz de manter a inflação baixa; chegou a 0,28% mês passado, o menor índice desde 1999. Indústria e comércio estão se arrastando, tentando andar, mas a equipe do novo governo tem vivência comprovada para ajudar o trem sair do lugar. Isso se os três tenores, filhos do presidente Jair, deixarem. Vai que começam a se meter, indicar amiguinhos de clubes de tiro para cargos importantes. Afinal, o maior desafio do novo governo é diminuir o desemprego criado por Dilma e seu vice Temer.

Carlos Bolsonaro (36) arrumou uma confusão até hoje não explicada em Brasília, quando largou o governo do pai e assumiu o mandato de vereador no Rio. O que terá acontecido?

Algumas previsões são obvias: Onyx não passa de 31 de janeiro. Não tem temperamento para a função que exige sabedoria, jogo de cintura. É afetado, louco. Já o sinistro ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, frio, calado, deve durar uns seis meses. Ele está enrolado numa história envolvendo R$ 16 milhões quando foi secretário de saúde do Mato Grosso do Sul. Jair disse que como ele não é réu, tudo bem, pode ser ministro e ele vai sentar em cima de um orçamento de R$ 128 bilhões por ano. Se Mandetta andar na linha o trem não mata.

A frase é de Lúcio Flávio Vilar Lírio, mega bandido dos anos 60 que iniciou na profissão como ladrão de carros, passou a assaltante de bancos, joalherias e matou muita gente. Morreu aos 31 anos no presídio Hélio Gomes, no Rio, com 19 facadas enquanto dormia. O autor foi um colega de cela. Vivo, Lúcio Flávio poderia ser parlamentar nos tempos de hoje.

E os três tenores continuam desafinando a vida do país e do pai.

A face oculta da lua, um conto sem fadas, fatos, fotos

Comia uma empada de galinha caipira num bar na rua do Ouvidor, Centro do Rio, perto de um lugar onde Machado de Assis também comia empadas...