terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

E-mails mal escritos


Há tempos a colega Cora Ronai, do Globo, uma das maiores autoridades em informática que conheço escreveu que os e-mails estão entrando em extinção. Segundo ela, as pessoas estão optando pelo uso de outras ferramentas mais ágeis como o whatsapp e as mensagens reservadas (inbox) no Facebook. Mas, enquanto isso, segue a barbárie.

Um amigo tem horror as chamadas novas tecnologias. Ele é um sujeito de opiniões fortes e sempre muito bem humoradas. Como exemplo desse seu horror ao que chama de “maquininhas” está um fato curioso.

Ano passado ele participava de uma reunião, mesa grande, várias pessoas e percebeu que duas delas não paravam de mexer em seus celulares. A reunião acabou e ele, curioso, perguntou o que as duas estavam fazendo. “Estavam trocando mensagens pelos smartphones, ali, um de frente para o outro”, conta ele entre fulo da vida e achando graça. “Por que não esperaram a reunião acabar e foram bater um papo ao vivo?”, pergunta.    

Minha relação com as novas tecnologias da comunicação começou nos anos 90. Com prazer mantenho esta Coluna, escrevo para alguns outros sites, lancei um livro eletrônico, vulgo e-book (https://www.amazon.com.br/5-15-Luiz-Antonio-Mello-ebook/dp/B01EP11OW2/ref=sr_1_1?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1519748475&sr=1-1&keywords=5+e+15 .
Mas sou extremamente cauteloso quando o assunto é enviar e-mail.

A maioria das raras pessoas que troca e-mails comigo é desconhecida. Alguns não sabem escrever direito o que provoca uma série de confusões, ruídos na comunicação e, muitas vezes, o que era para ser simples acaba virando uma grande babel regida pelo mal entendido.

Se a nova comunicação, em vez de e-mail, adotasse a pintura ou o desenho eu estava ferrado. Não sei desenhar a mais tosca das árvores. Continuaria utilizando o telefone, telegrama, carta no correio, mas pintura e desenho jamais.                                       

Só que muita gente, mesmo sem saber escrever (deixo claro que ninguém é obrigado a nada) dispara e-mails que chegam as raias do surrealismo. Mensagens respondendo “aquilo que você disse não é bem assim. Fui verificar e vi que é”. Como? Que confusão.

Se eu não soubesse escrever, o máximo que teclaria num e-mail seria, por exemplo, “preciso falar com você” ou então, como disse ali em cima, partiria para o telegrama e telefone. Ainda mais agora que as operadoras de celulares estão se comendo no escuro e, tudo indica, essa caríssima modalidade de comunicação tende a ficar menos extorsiva.

Não solto pipa perto das redes elétricas. Nunca enviei um desenho para qualquer pessoa como forma de comunicação. Aliás, francamente, desisti de desenhar aos 15, 16 anos, quando percebi que não dou para isso.

Quanto a quem manda e-mails sem saber escrever, sugiro que...sugerir o que? Que situação constrangedora. Tá bom, sugiro que não envie para mim porque detesto charadas.


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Ex- Genesis Steve Hackett no Teatro Municipal de Niterói em março


O guitarrista Steve Hackett, que tocou no Genesis de 1970 a 1977, vai se apresentar no Teatro Municipal de Niterói sábado, 24 de março, as 20 horas.

Os ingressos já estão disponíveis no Ingresso Rápido (basta clicar neste link: https://www.ingressorapido.com.br/venda/?id=5501#!/tickets   ou na bilheteria do Teatro. Mais informações, telefone 2620-1624.

Steve Hackett é um dos maiores e melhores guitarristas do mundo. É dele a invenção do tapping, uma técnica que faz com os dedos da mão direita e direita toquem percussão no cabo da guitarra. Eddie Van Halen ouviu, aprendeu e passou a usar abrindo a porteira para dezenas de outros guitarristas.

Hackett é músico de rock mas tem formação clássica em violão. Lançou álbuns autorais de música clássica com enorme aclamação do público e da crítica. Ele foi uma peça chave no encontro do rock com a música clássica, um dos estilos do rock progressivo.

Nesse show a base do repertório são músicas do Genesis, grupo progressivo de gigantesco sucesso em todo o mundo, que contou com Peter Gabriel e Phil Collins. Steve vai mostrar, ainda, momentos-solo (violão) e alguns números da banda GTR que formou com outro monstro da guitarra, Steve Howe (do Yes) e nela tocou nos anos 1986 a 1997.

Um show absolutamente histórico.




quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Fiador existencial


O cara é baba-ovo, invejoso, rancoroso, arrivista e desses que não pagam a ninguém na maior cara de pau. Aí chega alguém e pergunta se você conhece o tal meliante. Você já o viu e até conversou com ele algumas vezes, mas por força de expressão acaba dizendo que “conheço sim”. Ferrou! Sem querer, virou avalista de um canalha. Melhor seria dizer, apenas, que “conheço de vista”, mas os hábitos da fala as vezes nos metem em roubada.

Por ato reflexo dizemos que “conheço” quem vimos algumas vezes. Pior: em muitos casos estabelecemos relações pessoais e profissionais com pessoas que não conhecemos sem tomar o cuidado de pedir referências a terceiros. Ingleses e japoneses tem esse hábito. Só fazem negócios ou se relacionam com pessoas quando três, quatro ou cinco pessoas de confiança confirmam que a tal pessoa é do bem, honesta e tudo mais.

Por exemplo: não conheço nenhum Babalu, apesar de um colega, que encontrei no catamarã, ter insistido em me mandar um “abraço do Babalu”. Sabe aquele sono eventual que bate depois do almoço, você entra num catamarã vazio e fica ao sabor da brisa? Foi o que planejei naquela tarde.

Corta! Encontrei o conhecido na chamada “fila do gado”, aquela que o povão forma para entrar na embarcação e posso afirmar do fundo do coração: o cara é chato pra cacete. Mas, fazer o que? Ele se aproximou, colou em mim e sentou a meu lado.

E tome a falar do tal Babalu que, segundo ele, é meu amigo de infância. Mentira porque passei minha infância em Angra dos Reis, não havia nenhum Babalu e, de lá, todos os meus amigos se espalharam pelo mundo.

Eu não estava a fim de discutir, apesar de ser rigoroso com esse papo de “fulano é seu amigo”. Não é assim.  Muitas vezes já me perguntaram “você conhece Fulano?”, e respondi, com elegância, “não, conheço só de vista”. Como disse lá em cima, dizer que conhecemos alguém nos transforma em fiadores existenciais/morais do “conhecido”.

Não é o caso do sujeito que encontrei no catamarã que, de fato, sei quem é, mas saber quem é e conhecer são situações completamente diferentes. E quando o barco atracou no Rio, confesso que me deixei levar pela multidão e, propositalmente, me perdi do conhecido que me congestionou com uma overdose de palavras e frases soltas. Não aguentei ouvir tanta inutilidade pública e estava vendo a hora que ia pegar no sono no meio do monólogo dele.

Dias antes, fui a uma reunião e, na saída, em frente ao Museu de Belas Artes, na Rio Branco, encontrei um leitor. Ele estava acompanhado da mulher, me apresentou e tal. Achei engraçado porque não o conheço e nem ele a mim, apesar de minhas crônicas e contos, eventualmente, abrirem o buraco da fechadura. O leitor estava satisfeito, cheio de “Fulaninha, esse aqui é o LAM...” e a esposa, também constrangida, disse “muito prazer” e tudo ia muito bem até ele me perguntar para onde eu ia. Temendo que ele fosse para Niterói, sapequei um “vou até o Rio Comprido resolver uns assuntos”, quando ele rebateu “pois nós estamos indo para o Leme”.

Encerrado o encontro, quando inclusive me chamou de “amigão”, fui embora pensando. Pensando nessa profissão maluca que fabrica conhecidos pelo mundo e até amigos próximos sem que saibamos o que está acontecendo.

Esquisito pra caramba.


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Feliz Aniversário no Facebook

Sempre gostei do Facebook que acho (opinião não é palavrão) a melhor rede social. Domingo foi meu aniversário e fiquei comovido com a qualidade (e quantidade) de pessoas desejando saúde, sucesso, felicidade. Muito obrigado!

O negativista pode dizer “ah, mas isso é assim mesmo”, no que discordo. Só o fato da pessoa entrar na minha página e curtir já me faz muito bem.
Pena que o Facebook tenha feito mudanças e até hoje não consegui achar todas as pessoas que desejaram Feliz Aniversário ou deram a sua curtida para que eu possa agradecer.

Entrei no FB em 2011 e de lá para cá reencontrei amigos da adolescência, muitos de jornais, rádios e revistas por onde passei, alguns da faculdade, ex vizinhos, etc.

Marcamos encontros, trocamos ideias, falamos do ir e vir de nossas vidas, nos emocionamos e, penso, que antes dessa ferramenta era bem mais complicado ou impossível encontrar quem já encontrei.

Sei que lá naquele “planeta” volta e meia reina a pancadaria, em geral por causa de política, mas procuro não me envolver. Apesar de ter como defeito (um deles) o fato de aceitar provocações.

Mas, diz a lenda, de aniversário em aniversário 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Jornalismo no século 21 (não uso romanos)


Apaixonado pelo jornalismo que me sequestrou da medicina lá nos tempos do vestibular, procuro acompanhar o movimento dos barcos.

Foi com um giga prazer que hoje dei de cara com o colega de muitas trincheiras, Joaquim Ferreira dos Santos, reassumindo a nobre última página do Segundo Caderno do Globo, dentro da ótima reformulação que está em andamento no maior jornal do país.

Joaquim é sniper de primeira grandeza e já entra com o pé na porta assinando “O papo aqui é outro”. Exibindo o seu texto de proporções nucleares que o reafirma como o melhor cronista brasileiro, que já deveria ser um imortal da Academia Brasileira de Letras.

Nesse século nublado, banhado de antagonismos, desafios e enigmas, definitivamente não há mais lugar para amador. Em outras palavras, não dá para caçar borboletas na Síria.

Assim como todos os grandes jornais que se reformulam diariamente, O Globo começa a mexer no Segundo Caderno, subindo o nível de um suplemento que nasceu para fazer frente ao antológico Caderno B do Jornal do Brasil*, onde tive a honra de ser subeditor em 1985. E para isso investiu em Cultura.

Com o tempo, o Segundo Caderno foi abrigando quinquilharias, perdeu os preciosos “tijolinhos” com a programação de cinema, teatro, música, etc. Acho que, finalmente, acabou a ação entre amigos que reinava por ali, como a egolatria de alguns e a cafonice de outros.

O século 21, penso, é o que apresenta mudanças mais rápidas, alucinantemente rápidas, mas ao contrário do que aos sombrios prognósticos o jornalismo ainda tem muito o que fazer desde que, como os bons estão fazendo, se adaptem aos sinais do tempo, buscando reunir cada vez mais leitores qualificados.

Nessa era de fakenews, o modelo econômico das rádios de notícias brasileiras que traveste ouvintes de repórteres (nos anos 70 e 80 era crime capital) aumenta ainda mais a própria fakenews.

Enquanto nos Estados Unidos ouvimos rádios allnews investindo pesadamente em repórteres, apuração, confirmação, entrevistas, por aqui o que mais ouvimos são narrações de ouvintes passando flashes das ruas. Dona Baratinha adora, economiza uns reais, não contrata mais apuradores, mais repórteres, paga mal, mas e o ouvinte que ouve outro ouvinte relatando assuntos graves no ar? Ele acredita? Ou concorda que a maior usina de fakenews está justamente na alma da mídia convencional.

O jornalismo está no meio desse caos de mudanças. Caos que se fará Cosmos, desde que impere o profissionalismo.

*No próximo domingo, dia 25, o novo Jornal do Brasil voltará as bancas. Impresso é lógico. Desejo um enorme sucesso.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Não gostar e achar ruim em tempos de Idade Mídia

A primeira página do Segundo Caderno do Globo deste sábado traz uma matéria que, apesar do título ridículo (“Provo Canção” – a música que sai das ruas para a berlinda) pretende colocar na mesa (?) a discussão do valor artístico, ou não, de celebridades instantâneas como Jojo Todynho, Pablo Vittar e similares. Todynho, aliás, é a foto da capa.


Há um abismo quase intransponível entre a música ruim e a música que não gostamos. Não gostar é um direito, achar ruim também, mas o direito maior é de poder e ouvir e não ouvir.

Ouvi a Jojo Todynho (que tenta se afirmar como Maronttinni) e achei muito ruim, apesar dos mais de 130 milhões de cliques em sua página no You Tube, que em se tratando de tempos quantitativos é um ótimo número. A música se chama “Que Tiro foi esse” e no refrão traz:

“Que tiro foi esse, viado?

Que tiro foi esse que tá um arraso?!

Que tiro foi esse, viado?

Que tiro foi esse que tá um arraso?!

Samba

Na cara da inimiga

Vai, samba

Desfila com as amigas”

De quantas músicas ruins você gosta? Eu gosto de algumas, assim como não gosto de algumas músicas boas. Um exemplo clássico desse abismo é “Revolution 39” (gosto muito), de John Lennon (está no álbum branco, dos Beatles), que provocou um racha mundial em 1969. Muitos críticos esculacharam chamando de porralouquice inútil, outros acharam genial.

[Chorus]

Number 9 Number 9 Number 9 Number 9 Number 9 Number 9

[Verse 1]

Then there's this Welsh Rarebit wearing some brown underpants
About the shortage of grain in Hertfordshire
Everyone of them knew that as time went by
They'd get a little bit older and a little bit slower
 but
It's all the same thing, in this case manufactured by someone who's always
Umpteen your father's giving it diddly-i-dee
District was leaving, intended to pay for

[Chorus]

I sustained nothing worse than
Also for example
Whatever you're doing
A business deal falls through
I informed him on the third night
When fortune gives

I've missed all of that
It makes me a few days late

Compared with, like, wow!
And weird stuff like that
Taking our sides sometimes
Floral bark
Rouge doctors have brought this specimen

I have nobody's short-cuts, aha


[Chorus]

With the situation
They are standing still
The plan, the telegram

Os livros mostram que naqueles tempos de sociedade livre e democrática era mais fácil opinar. Era tranquilo elogiar John Cage, Karlheinz Stockhausen, Secos & Molhados e Soft Machine. Levávamos bomba dos que não gostavam ou que achavam péssimos, mas a pancadaria ficava no terreno artístico.

Nos tempos atuais, quem chama a Jojo Todynho de ruim é acusado de racismo, gordofobia, preconceituoso e o escambau. As normas e regras do mundo artístico são ditadas pelo regulamento do politicamente correto, uma seita que, como o nazismo, nivela a sociedade por baixo transformando-a numa horda de gosto único, roupa única, cor única sexo único e por aí vai. Talento? Virou coisa de burguês.

Não gostar e achar ruim. Por mais que expliquemos, o politicamente correto finge que não entende e nos crucifica, num remix da Idade Média.

Chamado Idade Mídia.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Intervenção estilo “Leão da Metro” é para salvar os políticos na eleição de outubro


A expressão intervenção federal é forte, conduz a moralidade, ao “agora está tudo resolvido”. No entanto, os políticos que decretaram a tal intervenção da área de segurança do estado do Rio não pensaram na população, nos danos patrimoniais, no naufrágio da economia fluminense. Pensaram apenas na eleição de outubro, quando vão lutar para ser reeleitos. Por que? Porque são políticos.

Sabem que é uma intervenção cenográfica, estilo “leão da Metro”, aquele que ruge na tela mas não morde ninguém. Vai ser mais um show, mais uma ação cenográfica manipulando o Exército,  força sucateadas pelo pela célebre dobradinha PT/PMDB.

Um grande interessado é o presidente da Câmara e vice-presidente da República Rodrigo Maia, eleito pelo Rio e que tem pretensões de se candidatar a governador do RJ.

O governo pemedebista que nasceu da dobradinha PT/PMDB pensou em fazer uma intervenção geral do Estado do Rio, não apenas na área de segurança, mas de novo prevaleceu a autopreservação política. Pezão teria que ser afastado e como o governador é do PMDB isso provocaria danos a imagem dos políticos do partido que vão buscar eleição e reeleição em outubro.

O povo sabe que mais essa pomposa intervenção não vai resolver nada porque a Lei não permite, por exemplo, que militares das Forças Armadas prendam um bandido. E no caso de troca de tiros com bandido morto, o tráfico manda o povo fazer passeata, parar o trânsito, com apoio de parte da mídia. Basta morrer um e para tudo.

Esse papel cabe a PM, a mesma PM que historicamente é infiltrada pela corrupção. Quem não viu a imagem na TV do camburão cheio de cerveja e cachaça no carnaval?

O lado ruim dessa soberba intervenção federal é o fato da população continuar refém da bandidagem. O lado bom seria a degola desses políticos na eleição de outubro. Mas, sabemos que boa parte do povo vai votar nos mesmos não porque falte educação, esclarecimento, cidadania. Boa parte do povo vai votar nos mesmos porque também é corrupta.

Ponto.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Enquete: as FMs mais ouvidas


Domingo postei uma enquete no Facebook perguntando quais as FMs que as pessoas que estão na minha página ouvem mais.

Fiquei surpreso com a quantidade de participações, principalmente em se tratando de feriadão. Lembro que a enquete não tem valor científico (não é uma pesquisa) mas dá para sentir o gosto das pessoas que frequentam a página.

Agradeço a participação de todos, lembrando que apesar de novos votos não estarem valendo a enquete continua no Facebook para tirar dúvidas:

A Rádio JB FM, do Rio, venceu. Confira o resultado:

1 – JB FM (Rio)

2 – Bandnews (rede)

3 – Antena 1 (Rio e São Paulo)

4 – CBN (rede)

5 -  MEC (Rio)

6 – Paradiso (Rio)

7 – Alpha (Rede)

8 – Kiss (São Paulo) e Tupi FM (Rio)

9 - 94 FM (ex- Roquette Pinto, Rio)

10 - Oceânica FM (Niterói)

11 – Nacional (Brasília)

12 – 93 FM

Emissoras com um voto:

Mundo Livre FM (Curitiba)

USP FM

Globo FM de Caruaru (PE)

Rádio Cidade (Juiz de Fora- MG)

Saudade FM (Santos - SP)  

Sintonia do Vale (Barra do Piraí – RJ)

O Dia (Rio)

Mix (rede)

Transamérica (rede)

Estação 104 (Macaé RJ)

Udesc FM (Santa Catarina)

Itapema FM (Santa Catarina)

Atlântida (rede)

Eldorado (São Paulo)

Jovem Pan (rede)


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

É urgente o controle da natalidade







Explodiu. A tão prevista (lá nos anos 1970) guerra civil explodiu no Rio e em outras metrópoles. A corrupção aliou-se a explosão demográfica, insana e descontrolável, e a criminalidade assumiu o controle do Estado. Nem durante a epidemia da zika, que entre outros males causa microcefalia em recém-nascidos, o governo falou em controle da natalidade. Seria muita ousadia confrontar a indústria da miséria que vive do inchaço social, indústria que envolve maus políticos, maus religiosos, corruptos de todos os naipes. Por trás do descontrole da natalidade muita gente ganha mais dinheiro e poder.

Para piorar, comendo sardinha e arrotando caviar, o Brasil abre os portões para venezuelanos que, em bandos de 12 mil ao mês, chegam ao norte do Brasil (o governo vai espalhar pelo país e vai sobrar até para São Paulo). Seriam mais de 50 mil, disputando comida, saúde, educação, emprego com brasileiros também pobres.

Mais policiais e tome mais violência. Mais médicos, mais hospitais, mais dinheirama e as emergências permanecem lotadas, desumanamente lotadas. Médicos não conseguem exercer a profissão porque falta tudo. Tudo! Por que? Porque, além da corrupção, as regiões metropolitanas brasileiras há tempos estão com a lotação esgotada e ninguém tem coragem de executar um profundo e humano programa de controle da natalidade.

Para o assistencialista e oportunista governo federal o Bolsa Família é um ovo de Colombo eleitoreiro. Milhões de pessoas recebem mesada o que, naturalmente, estimula as famílias a terem mais filhos, mesmo que em condições sub-humanas. Para a politicagem, não importa a fome, o desespero de gente que é atirada à marginalidade por um Estado estéril, oportunista e ladrão. Vale o voto. Para os cafetões religiosos, idem.

As cidades brasileiras incham, milhares de pessoas vivem na rua, ao relento, as favelas não param de prolifera, enfim, mais desumano do que isso não conheço nada. Caberia ao governo promover o controle dessa nítida explosão demográfica mas, populista, faz o contrário.

O negócio é mais carne nesse moedor chamado Brasil.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Bonzinho é o cacete!


Em seu “Diário de Viagem”, o filósofo Albert Camus conta que quando esteve no Rio, em 1949, ciceroneado pelo grande Abdias Nascimento, pediu para conhecer um centro de umbanda. Era agosto, um agosto mais para verão do que para inverno. Abdias providenciou um táxi e foram, ele e Camus, em direção da Baixada Fluminense onde ficava o centro. Só que, no caminho, nas imediações da Praça da Bandeira, um caminhão atropelou e matou um homem. Os dois viram tudo.

Antes da ambulância, da polícia e dos bombeiros, um Camus boquiaberto viu chegar um grupo de pessoas que levantava o rosto do atropelado, para...ver. Horrorizado ele conta ainda que em seguida, “surgidos do nada”, pedaços de jornal e velas. O corpo foi coberto, as velas acesas e as pessoas ficaram em volta.

De vez em quando um ia lá e levantava o jornal para ver a cara do morto. Camus não entendeu nada e Abdias não quis dizer que tratava-se, mais uma vez, de uma manifestação da nossa morbidez.

A espécie humana é perversa, uma falha que veio surfando em nosso DNA. A audiência cavalar de programas mundo cão, em todo o mundo, é uma prova disso, mas aqui no Brasil o processo é mais descarado. Simulando horror, as pessoas se amontoam em frente a TV para ver como foi feito o buraco onde madrasta enterrou a criança viva. Chegam mais perto da TV para verem as imagens da privada atingindo e matando o torcedor no nordeste e fingem que se envergonham ao saberem que uma inocente, acusada de sequestradora, foi linchada por engano no Guarujá. 

"Repórteres" passaram dias perguntado aos habitantes de Chapecó "como estavam se sentindo" diante da queda do avião com o time. Adivinhem como as pessoas estavam se sentindo? Em frente a câmera, balbuciavam alguma coisa e choravam, para orgasmo da câmera que dava um close para mostrar as lágrimas, o horror. A cena foi ao ar num viveiro de neo zumbis chamado “Profissão Repórter”.

A audiência insaciável pega o controle remoto e passa a noite catando sangue. A ponto do autor de uma novela das nove ter inserido violência na trama para subir a audiência. Me disseram que a novela das nove, “Força do Querer”, ensinava criminalidade.

Nos anos 1970 a atriz Kate Lyra (norte-americana, na época casada com o compositor e cantor Carlos Lyra) tinha um quadro de humor na TV cujo bordão, debochado, era “brasileiro é tão bonzinho...”, como se dissesse "bonzinho é o cacete!



sábado, 10 de fevereiro de 2018

Por que Mark Knopfler ainda não ganhou um Oscar?


Estou ouvindo “Altamira”, vigésimo álbum de Mark Knopfler, escocês 68 anos, criador do Dire Straits, que tem como diferencial um traço raro. Nunca fez um trabalho razoável. São todos, absolutamente todos, bons ou excelentes. Com ou sem o Dire Straits.

Apaixonado pelo Cinema, é dele trilha sonora de um filme magistral e muito simples chamado “Local Hero”, de Bill Forsith com Burt Lancaster, que lamentavelmente passou batido pelos cinemas brasileiros. Motivo: o filme foi (des) qualificado como anticomercial.

Mas se você é assinante de um bom canal de streaming (Netflix, Now, Apple TV, etc) ou de uma ótima (e rara) com certeza vai achar “Local Hero”, que no Brasil chamou-se “Momento Inesquecível”. Significa que se você pedir “Local Hero”, provavelmente vão responder “não tem”. Ou seja, você vai ter que pedir “Momento Inesquecível”, da mesma forma que Blow Up de Michelangelo Antonioni foi lançado no Brasil como “Depois Daquele Beijo”. Só rindo.

“Local Hero” foi a primeira trilha sonora de Knopfler, lançada no Brasil em 1983 pela Rádio Fluminense FM, graças ao saudoso Carlos Celles que me deu uma fita em primeiríssima mão. Ele era diretor internacional da gravadora Polygram.
A gravadora me convidou com um pequeno grupo de jornalistas para assistir 

“Local Hero” numa sessão privada. Fui porque queria ver onde aquela trilha sonora mágica, lírica, um pouco lúdica de Knopfler foi inserida. Comoção no meio do filme tamanha a simplicidade, pureza, poesia que o diretor Bill Forsyth conseguiu passar para a tela.

A música, grandiosa música de Knopfler em seus momentos mais astrais (ele consegue fazer um clima totalmente astral em vários momentos da trilha) me deslocou para dentro da tela, para lugares na Escócia absolutamente mágicos como Pennan, Aberdeenshire, praia de Camusdarach e eu fui mergulhando, mergulhando, mergulhando, desejando estar lá, viver lá, contemplar aquelas aldeias remotas com suas auroras boreais que o bilionário Felix Happer, magistralmente interpretado por Burt Lancaster, venera, ama.

Lembro que, conversando com Celles, disse que já sentia nas canções de Mark a bordo do Straits um forte componente visual. “Skateway”, por exemplo, é uma amostra disso e não foi à toa que está no álbum “Making Movies” (“Fazendo Filmes”), sensacional, absolutamente sensacional como tudo que o Dire Straits gravou.

Em 2001 assisti com meu amigo Siri Mark Knopfler ao vivo no antigo Metropolitan, na Barra. Ele estava lançando o álbum “Sailing to Philadelphia” e o local estava superlotado. Fiquei exatamente na primeira fila, a poucos metros do palco, bem na frente dele e, com certeza, não vou esquecer de cada segundo daquele show, que foi, sim, frio, burocrático, distante. Em determinado momento fui lá na house mix (mesa de som) e pedi ao cara para subir o som da guitarra, que estava baixo demais. O cara, provavelmente inglês, olhou para mim com aquela cara de fastio e permaneceu de braços cruzados.

Antes do show acabar, um colega jornalista chegou e me disse que M.K. estava querendo saber “quem é o cara que fez vários especiais sobre o Straits na TV e no rádio e, ainda por cima, escreveu uma matéria de capa sobre mim num importante jornal (era o Jornal do Brasil)”. Perguntei ao colega, “o que isso significa?” e ele “meu chapa, significa que, depois do show, se você quiser ir conhecer o cara no camarim não haverá problema”. Não fui. Temor reverencial.

O álbum Tracker me pegou pelo pescoço. Banhado de blues, folk e slides guitars (universo tipicamente knopflerniano) o disco não economiza. É leve, eventualmente dá uma pesada (sempre pelo flanco folk), depois volta. Enfim, em se tratando de música, Mark Knopfler consegue fazer o que quer, o que é muito difícil num planeta afogado em tecnologia de ponta e mediocridade de quinta.

O Cinema deve um Oscar de melhor trilha a Mark Knopfler. Se não for Oscar, que seja algo similar. Afinal já foram trilhas sonoras magistrais, compostas para os mais variados filmes; ingleses, irlandeses, escoceses.

O Cinema deve um prêmio a ele e sabe disso. 


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O voo crítico


Desculpe os garranchos. Você sabe que não escrevo a caneta há mais de 20 anos. Está escuro ainda. Você e nossas crianças dormem.

Ontem, na cama, vi seus olhos muito negros levemente marejados, fitando meu rosto. Destilavam uma dose de tensão, certamente porque hoje, mais uma vez, farei um voo crítico. Eu ia começar a explicar o inexplicável mas você pôs o dedo indicador em meus lábios. Não queria ouvir nada sobre voos críticos. Eu também não queria falar nada sobre voos críticos, mas fique certa de que não existe voo militar em missão que não seja muito crítico. Não minto, não omito.

Seus dedos estavam frios como na segunda noite que saímos, anos atrás. Você pegou na minha mão para atravessarmos uma tórrida avenida de Manhattan no auge do calor. Senti o seu suor. Depois, meio sem jeito, ensaiou me explicar porque de vez em quando gelava ao atravessar uma avenida movimentada. Eu disse que você não precisa me explicar nada. Só precisa sentir sem receios.

Com o passar do tempo, de voo crítico em voo crítico, você foi me convidando a precisar de você. E cada vez mais pegava em minha mão para atravessar as avenidas sinalizando que também é gostoso precisar de mim. Depois daquela festa engraçada que você fez com as suas amigas aqui em casa você chegou e disse “sabia que eu te amo?”. Eu não sabia, mas foi uma delícia ouvir. Nunca sei se sou amado e você sabe disso. Adoraria ouvir todo dia, toda hora. Mais ainda porque não havia nenhum voo crítico programado.

Pensei em deixar apenas um cartão. Mensagem curta. Mas os seus dedos frios de ontem, a sua incerteza, a sua presença me trouxeram um gigantesco orgulho. Orgulho de pertencer a sua vida, reafirmar a sua importância. Mesmo que seja breve. Relações também são voos críticos.

Quando nossos fios desencapados dão curto circuito e a gente se aborrece um com o outro - e os voos críticos já causaram alguns desses desentendimentos - o amor sempre impera. Não suporto ficar cinza com você, nem por cinco segundos. Parece que deixo de existir até a gente se olhar de novo.

A manhã está escura, neve lá fora e o voo será crítico. Confie nele, no destino, na nossa história e, se der, confie em mim porque amanhã ao meio dia estarei de volta para pegar você e as crianças no colo e, juntos, celebrarmos a chegada do novo ano. Aliás, hoje será o meu último voo crítico como Comandante. Não farei mais.

Presente de ano novo para nós.

Klint.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

"Ruaterapia"

Não acredito que o carnaval (prefiro com c minúsculo) seja um estado de espírito. Se fosse, o Estado do Rio todo passaria a chamada “folia de Momo” debaixo da cama já que, como todo mundo sabe (e os desgovernos fingem que não) estamos numa guerra civil descontrolada. Com que estado de espírito iríamos para a rua fantasiados para mergulhar na alegria?

O carnaval é uma decisão. Claro que há os que não gostam, os que tem ojeriza, horror, mas por mais que as ruas estejam sitiadas romper o medo, a fobia, a estagnação é mais do que necessário.

O bom dos blocos é que, em geral, as pessoas vão quase “blindadas” com amigos, colegas, conhecidos, praticando a melhor das terapias (chamo de “ruaterapia”) que é peitar (sem confrontar) a lógica do cagaço e viver o tempo que resta para cada um com o mínimo de alegria.

Por mais que haja bombas, terrorismo, caos, os meninos do Afeganistão continuam soltando pipas (cafifa em Niterói, papagaio em São Paulo), as feiras continuam funcionando, a cantoria nas noites de Cabul estão lá, enfim, por mais que a situação esteja dramática, afegãos (como os paquistaneses e vietnamitas) acham que a vida só vale a pena se pudermos vive-la. Mesmo que correndo risco.

Está aí a magia do carnaval. Há luto por toda a parte no Estado, há covardia, há violência, há brutalidade, mas o carnaval consegue atrair as pessoas para a vida, mesmo que passando por perigosas pinguelas.

Numa redação no início de minha trajetória profissional, conheci um grande redator chamado Walter. Mais velho, escrevia muito bem e com ele exercitei muito a prática do lead e sublead (ou lide e sublide), já que ele exigia a presença dos dois em cada texto. Walter chegava caladão, dava um olá para todo mundo e enfiava a cara na máquina de escrever, parando de vez em quando para tomar comprimidos. Walter era hipocondríaco e, dizem, usava máscara hospitalar no ônibus e no trem da Central que o levava para casa.

Íamos almoçar numa pensão barata na Gamboa, mas temendo bactérias, germes, moscas, etc Walter não ia. Levava comida de casa numa pequena marmita que esquentava num fogão que ficava no canto da redação.

Seu pavor de doenças o transformou num homem insular, que não ia a lugar nenhum, só trabalho-casa-trabalho. Uma vez por mês ia a Paquetá onde tinha uns primos. Nada mais.

Como a vida é mais imprevisível do que meteorologia, numa noite de quarta feira Walter caminhava para pegar o ônibus (ele ia mais tarde para evitar aglomerações e ônibus lotado) e parte de uma marquise desabou. Sobre ele.

Deu sorte porque foi um pedaço relativamente pequeno que atingiu o seu lado direito. Mesmo assim foi levado quase desmaiado para o Souza Aguiar e rápido a notícia chegou a redação.

Levado para um hospital particular no Rio Comprido, Walter passou mais de 15 dias em cima de um leito. Quando fui visita-lo deu vontade de falar “tá vendo? Todo cheio de cagaços e acabou que a mulher da foice quase te levou”, mas não tinha nenhuma intimidade para isso. Mas soube que colegas mais próximos comentaram algo parecido com o Walter que, quando saiu do hospital, tomou uma decisão radical: se demitiu e foi viver trancado em casa, em Vaz Lobo, onde ficou até morrer.

Walter perdeu, mas nesse carnaval eu torço para que todos vocês, amigos, leitores, colegas, consigam ser maiores do que a lógica do desgoverno e da boçalidade das pistolas e fuzis.

É difícil mas não é impossível.

Feliz carnaval!


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Amor

                                                            Lovers, de René Magritte

Como seria viver sem amor, atravessar o deserto existencial sem um copo d'água, uma brisa, um sopro? Como seria viver sem jamais ter sentido o amor? Amor nutrido na paixão.

“On The Road”, filme de Walter Salles baseado no clássico beat de Jack Kerouac é um ácido filme de amor sim, por que não? Desde que li “On The Road” em três momentos especiais de minha vida, senti a presença do amor da primeira à última página.

O amor caos, o amor clamado, implorado, quase ausente. Amor desespero, amor sublime, amor angústia, amor proibido, amor rastejante, amor anfetamina, amor álcool, amor heroína, amor, amor, amor. Nem sei se Kerouac soube que escreveu tão bem sobre o amor.

Já definiram “Django Livre”, de Tarantino, como um filme de amor, especialmente o que rola entre o alemão Dr. King Schultz pela negra Broomhilda, também amada por Django.

Mesmo que o clássico verso de Paulinho da Viola em “Tudo se Transformou” eventualmente nos venha a cabeça, cuja segunda palavra troquei (“ela insinuou recentemente que ao meu lado não tem mais prazer”), o amor permanece necessário, vital, mesmo com pés na bunda insinuados por amadas.

Mora no amor o meu grande questionamento em relação a igreja católica. Estudei em colégio católico. Homens de batida amargos, complexados, rancorosos, acabavam descarregando nos alunos todas as suas frustrações, o seu não desviver, quase inexistência social. 

Aqueles religiosos (todos) acabaram abandoando a batina e foram amar, casar, ter filhos. Encontrei vários ao longo dos anos e no lugar da truculência seca da desidratação afetiva, vi homens mais tolerantes, generosos, e até bem humorados.

Concordo com Caetano quando, na magistral “Paula e Bebeto” que ele compôs, Milton Nascimento canta “qualquer maneira de amor vale à pena”. No início dos anos 70, auge da adolescência, uma namorada me disse algo parecido quando nos beijávamos e sussurrávamos segredos no alto de uma pedra  em Teresópolis, ouvindo sem parar “That´s Way”, do Led Zeppelin. Que som. A letra não trata de amor especificamente, mas a música é amor em estado líquido. Como é o caso da fabulosa e acrilírica “Love Reign O’er Me”, The Who. Amor em letra e música.

Tema infinito enquanto dura, o amor voltará a essa Coluna.

Qualquer dia desses.


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Ouvindo Neil Young

O CD é a melhor mídia já inventada. Prático, não tem a famigerada agulha do vinil e seu irritante plec plec plec, não trava, não exige que eu levante para mudar de lado, dispensa lavagens, etc. No CD o som sai puro e me satisfaz plenamente.

Tanto que em mil novecentos e noventa e tal doei meus vinis (não eram poucos) para uma instituição de caridade que fez uma boa grana. Amigos, colegas e conhecidos que cultuam o vinil ficam horrorizados quando conto essa história, mas fazer o que se o que resta nesse país (pelo menos por enquanto) é a liberdade de escolha?

Assisti Neil Young no Rock in Rio em 2001, show bombástico, ele empunhava sua lendária guitarra Gibson Les Paul preta, que batizou de “Old Black” safra de 1953, que não larga por nada. Show pesado, alto volume, distorcido, catártico, como eu estava naquele dia. Viajei horas até chegar ao Rock in Rio e consegui um lugar bem próximo ao palco.

Lembro da expressão da plateia que não conhecia Young, muita gente mais nova, atônica, aplaudia boquiaberta a performance sempre comocional do músico, que lá pelas tantas, inesperadamente, começou a esfregar a guitarra contra o cabeçote de um dos amplificadores gerando sons difusos, caóticos, pura arte contemporânea, no bom sentido.

A segunda trovoada acaba de rugir lá fora e uma chuva pesada banha o meu entorno. Neil Young toca no computador enquanto lembro de uma manhã de 1981 ou 1982. O então presidente da Warner, André Midani, ligou convidando para uma sessão exclusiva do filme “Rust Never Sleeps”, um show completo de Neil Young extremamente bem feito. Foi numa cabine na Cinelândia, Rio.
O filme, apesar de sensacional, não foi exibido no Brasil por uma razão óbvia: na época, ninguém sabia quem era Neil Young. E a pergunta que me cai agora, bem mais forte do que a chuva é “será que hoje sabem de quem se trata?”. Pelo menos hoje existe Google, Yahoo, Bing.

Termino a audição e vejo o jornal em cima do sofá, exibindo mais lambanças daquela baranga que quer ser ministra. Melhor jogar fora e sair para ver a chuva na rua porque afinal de contas circula um boato que garante que a chuva ainda não foi roubada.