sábado, 24 de março de 2018

Fúria e Ódio


Está no dicionário:

Fúria: exaltação violenta de ânimo; ira, raiva, cólera.

Ódio: aversão intensa ger. motivada por medo, raiva ou injúria sofrida; odiosidade.

Muito se fala numa era de ódio no Brasil, representada pela estapeamento político, principalmente nas redes sociais, em especial no Facebook onde grupos rivais se matam mutuamente.

Não concordo que seja ódio e sim fúria. Afinal, no início da República o brasileiro já dizia que não se deve discutir política e futebol porque dá briga. E dá mesmo. Chamar essas reações de ódio é pesar a mão.
Ódio e inveja são os sentimentos mais nefastos do ser humano e, no caso, há sim uma minoria que em nome de uma paixão política passa a odiar os contrários. Mas a maioria sente fúria. Pergunte a seus pais ou avós como era nos tempos de PTB versus UDN. Se existisse Facebook as agressões de petebistas contra udenistas e vice e versa seriam em quantidade muito maior e bem mais sangrentas do que hoje.

Conheço gente tranquila, equilibrada pessoalmente que se transforma em bestas irracionais quando provocada numa rede social. Creio que o fato de estar em contato virtual com o outro, a pessoa se sente a vontade para exagerar, ofender profundamente, difamar, o que, se fosse pessoalmente, acabaria em briga muitas vezes fatal.

Nos tempos em que batia boca no Facebook (pela inutilidade óbvia abandonei a prática), uma vez fui provocado por um conhecido na vida real que começou a me instigar, politicamente. Até que me irritei e parti para o contra ataque, dizendo coisas horríveis sobre ele e suas crendices políticas. No final, um bloqueou o outro e assim ficou. Meses depois encontrei com ele num shopping e tomamos um café como se nada tivesse acontecido, mas no Facebook continuamos mutuamente bloqueados.

Explica mas não justifica, mas a maioria silenciosa no Brasil sempre foi racista, homofóbica, xenófoba. Não falam nada, ficam quietos alimentando (aí sim) o seu ódio pelos grupos sociais que não toleram. Vai demorar para essa maioria silenciosa deixar de ser maioria e muitos menos de silenciosa.

É aí que mora o verdadeiro perigo.