terça-feira, 13 de março de 2018

TV ligada em restaurante


Quando vou a um restaurante pela primeira vez telefono. Por ordem de importância faço três perguntas: 1 - o ar condicionado está gelando; quantos graus? 2- tem aparelhos de TV ligados? 3 - tem manobrista?

O ar condicionado dá para sentir logo e se não está gelando caio fora no ato. Minha tolerância ao calor é baixa, fico ansioso, não me sinto bem, enfim, o calor nessas circunstâncias estraga tudo.

A questão do carro é de média importância porque, para não me aporrinhar, tenho usado Uber cada vez mais. Mas se dizem que há manobrista, vou de carro.

Um dia desses me aporrinhei porque o cara me deu um cartão, entreguei o carro a ele, entrei no restaurante para almoçar e quando, saí paguei 10 reais e o cara trouxe meu carro parecendo uma sauna. Estacionou no sol, cacete! Foi justamente para não acontecer isso que paguei os 10 reais.

De uma maneira ou de outra, dá para contornar quase tudo nesse tipo de programa, menos a famigerada TV ligada. Não dá para conversar e saborear uma comida ao som daquela loura que é uma das juízas numa rinha de crianças cantando. E, falando francamente, poucas coisas são mais chatas do que criança cantando, principalmente as que os pais adestram e elas imitam essa escória sertaneja com aqueles vibratos na voz.

A praga das TVs começou a infestar os espaços públicos das cidades nos anos 1990, obrigando milhões de pessoas e verem novela, tarados religiosos baixando santo, baixas horas e tal. Isso para mim é inegociável. TV ligada em lugares públicos deveria ser considerada atentando a saúde pública. É como as músicas na maioria das academias de ginástica, um som deformado, repetitivo, chato, berros que não consigo aturar.

Com razão, todo mundo diz que não está saindo de casa à noite por causa da guerra civil, mas também é verdade que sair para se distrair virou um pé no saco. Mendicância, flanelinhas, acrobatas em sinais de trânsito, barulho, transito engarrafado até 10 da noite, filas em restaurantes, ar condicionado fresco, TV ligada, comida mais ou menos, facada de 10% na conta que agora virou obrigação.

Melhor pedir um delivery, ligar o ar no máximo e assistir a Netflix. Em casa.