quarta-feira, 30 de maio de 2018

O homem que amava as mulheres

                                                                                   
François Truffaut (1932-1984), um gênio que deixou nesse  suburbano planetinha, moralista e cafajeste uma montanha de obras primas, entre elas “O Homem que Amava as Mulheres”, filme de 1977. É difícil e achar, mas está por aí nesses sites de filmes.

É a história de Bertrand Morane, um cara esquisitão de meia idade que tem obsessão por mulheres. Bertrand conquista, conquista, conquista compulsivamente mas vive afogado num oceano de sofreguidão, angústia, culpa e solidão.

Bertrand é interpretado pelo polonês Charles Denner, morto em 1995 com 67 anos. Truffaut subiu com apenas 52. Denner atua muito bem em “O Homem que Amava as Mulheres” e não foi à toa que ao longo de 30 anos foi requisitado também por  Louis MalleClaude ChabrolJean-Luc GodardCosta-GavrasClaude Lelouch.

Capaz de atirar de propósito o carro num poste e andar 300 quilômetros para conquistar uma mulher, Bertrand é neurótico radical sim, mas traz os traços muito comuns dos homens de meia idade que vivem saudavelmente, nadando contra as correntes da sociedade hipócrita que formam as classes média e rica. Os pobres? São muito mais livres, basta olhar.

Um dia desses vi uma malabarista de uns 20 e poucos anos num sinal de trânsito, batizado por São Paulo de semáforo. Shortinho enterrado, braços levemente tatuados, pearcing no nariz, em troca de uns trocados dos motoristas ela jogava três bastões de fogo para cima, para baixo, entre as virilhas e os manipulava com a intimidade das cortesãs do século XIX manuseando um robusto bacamarte.

Se Bertrand Morane estivesse ali daria um jeito de conseguir nome, telefone, endereço, CPF da malabarista, para caçá-la, abatê-la e depois ser mais uma vez acachapado pela ansiedade infinita dos infelizes e seus teoremas existenciais indecifráveis e irrealizáveis.

Como Nelson Rodrigues, Bertrand Morane era um doente, mas faz falta. O Bertrand que nos habita, asfixiado pelo torpe moralismo gerenciado pelos carrascos da liberdade comezinha, caiu em desuso no crepúsculo do século 20 quando o lema “é permitido proibir” ganhou as calçadas, avenidas, viadutos, lojas de calcinhas e sutiãs, bordéis.

O auto batizado “garanhão” de Bertrand, na verdade um paquerador radical, inconsequente e (repito) sofredor até a medula hoje é rotulado de “assediador” “impertinente”, “pervertido”, “tarado”, digno de ser “extirpado do meio social em nome da moral e dos bons costumes”.

“O Homem que Amava as Mulheres” poderia ser exibido em escolas para mostrar a face oculta da opressão e, de lambuja, que Sigmund Freud teve razão quando falou da projeção feminina esculpida pela figura da mãe. A mãe de Bertrand era prostituta e quando ele era adolescente a via desfilando de calcinha e sutiã pela casa, causando uma dor atroz. Mais: ele abriu suas gavetas e leu sua troca de correspondências com os machos, dezenas deles, e sempre o mandava levar cartas (para eles) ao correio. Bertrand as jogava fora.

Minha faculdade exibiu o filme em 1978, em pleno pátio, para quem quisesse assistir. Me disseram que lotou, mas eu não estava lá. Se a TV Brasil (estatal) fosse do Estado e não dos políticos passaria esse filme em horário nobre, mas não é da índole atual estimular o que agrega e sim o que racha, divide, mutila. Povo mutilado perde força e poder e, assim, o governo rouba mais à vontade.
Não sei onde encontrar “O Homem que Amava as Mulheres”, mas vale a pena correr atrás via Google, Bing e similares porque é preciso deixar claro para todo mundo que houve, sim, uma era onde a vida era mostrada, exibida, arreganhada sem pudores, censores, réguas, compasso.

A não-libidinagem explícita.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Machado, Capitu, Bentinho, Escobar e as fake news


Não adianta negar, a traição ainda é um dos maiores dramas afetivos da humanidade. Fico imaginado se, em 1899, existissem redes sociais e a suposta traição de Capitu, protagonista de “Dom Casmurro”, giga clássico de Machado de Assis, tivesse seus indícios e suspeitas de adultério vazados no Facebook, por exemplo. Ia ser um escândalo. Mas seria fake new?

Afinal, por mais que elementos óbvios levassem o leitor a pensar que houve realmente uma corneada histórica naquele romance, a narração do livro é toda feita por Bentinho, a suposta “vítima”.

Uma série de fatores subjetivos, mas esquisitos pra cacete, levaram Bentinho não só a pensar mas afirmar que seu amigo Escobar estivesse realmente se escalavrando com a bela Capitu, nas caladas.

Machado a construiu dissimulada, olhar de ressaca, com o lado B da vida totalmente desconhecido, caráter idem. “Não é possível afirmar, por meio da investigação das marcas textuais no romance, que Capitu tenha ou não tenha traído Bentinho”, explica Andrea de Barros, doutora em Teoria e História Literária pela Unicamp, em entrevista ao site Super Interessante.

Desde que foi lançado, em 1899, até a década de 60, “Dom Casmurro” foi lido como as memórias de um homem desiludido por ter sido traído pela mulher e pelo melhor amigo. Bentinho, o narrador, conta a história do amor por Capitu e depois a dor pela traição dela com Escobar, diz ainda o site.

Mas, no início dos anos 60, essa leitura foi modificada com a ajuda da crítica norte-americana Helen Caldwell, que escreveu o livro “O Otelo Brasileiro de Machado de Assis”. “A partir da referência direta a Shakespeare e, especificamente, a “Otelo”Caldwell leu “Dom Casmurro” como as memórias narradas por um homem ciumento”, explica Antônio Sanseverino, professor do Instituto de Letras da UFRGS. A comparação com Otelo é justificada: o ciúme levou Otelo a dar ouvidos a Iago e acreditar na traição de Desdêmona, que era inocente. “A partir dessa relação, pode-se ler o romance como a escrita de Bento, homem ciumento e cheio de imaginação, que condena Capitu sem ter provas e vê, em seu filho Ezequiel, a imagem de Escobar”, diz Sanseverino.

Ou seja, muitas leituras foram feitas sobre o livro, mas nenhuma levou a uma conclusão definitiva sobre o possível adultério. O que se pode afirmar é que o narrador não dá voz para Capitu e, desde o início da narrativa, dá pistas que tentam fazer o leitor duvidar do caráter da personagem.

Permanece o enigma, 120 anos depois.




sábado, 26 de maio de 2018

Insônia


Ódio, não te conheço. Não sou santo, mas não te conheço. Conheço euforia, tristeza, raiva, conheço a “out estima”, a baixa estima, mas você, ódio? Não, não te conheço.

O ódio está no ar no planeta. A História sibila que todas as revoluções vitoriosas, batalhas e conquistas foram movidas pela fúria, ira, determinação. As que beberam a gosma verde do ódio fracassaram. Todas.

O ódio sempre perdeu. Hitler perdeu. Mussolini perdeu. Getúlio perdeu. E agora, o ódio que sustenta a mentira no Brasil também vai perder. Que mentira? A História dirá. Em breve porque tudo no Brasil é muito breve.

Por motivos não alheios a minha vontade meu fuso horário deu uma virada. Longa madrugada pela frente. Não gosto de escrever e publicar quando estou emocionado e ontem passei o dia tomado por espessa neblina afetiva. Escrevo agora mas só vou publicar quando retornar do caos. Breve.

O amor é tão abissal que espanta até os nevoeiros. Só o amor consegue assolar os nevoeiros. Dizem. Nenhum intelectual explicou. Nenhum filósofo, sociólogo, antropólogo conseguiu encarar a distonia neuro não vegetativa do amor. Machado, o de Assis? Quase.

O que mais nos difere dos chamados irracionais é a consciência do afeto. Escrevi num trabalho de faculdade. O professor não gostou por achar...por achar...por achar...esqueci. Conversamos, ele disse que viveu uma experiência num lugar bem perto de uma família de gorilas, o que virou a sua cabeça. Passou a achar que, de alguma maneira, os animais irracionais também tem essa percepção e me deu nota 7. No final do mês a nota tinha subido para nove. Perguntei por que e a resposta veio vaga: “Realocação de novos conceitos”, ele disse.

Não quis reclamar porque estava apaixonado por uma garota (tínhamos 20 anos, ela e eu) e ingressava mais uma vez na ante sala do amor comocional, aquele que ignora os raios e vendavais e nos faz rolar por virtuais calçadas encharcadas as nove horas da noite. Era o que fazíamos. Vivi a ausência de explicações e, sobretudo, complicações. O amor jamais foi incondicional, papo de existencialista amador. O ser humano é condicional em sua essência.

Ela me elegeu o primeiro homem, a primeira cama. Um dia o destino nos chamou e no centro de uma praça e sussurrou que não ia rolar, não. E não rolou. Saímos da praça, eu a levei até a porta de casa em meu Karmann Guia TC 1975, bege, que toda a faculdade conhecia e venerava.

Ela desceu do carro, eu também, fomos até a portaria do prédio, nos olhamos (olhos marejados) sem nada dizer apenas ouvindo ao longe, baixinho, o rádio do Karmann Guia TC na Eldo Pop FM tocando o Renaissance. “At The Harbour”, a que ela mais gostava. Sincronicidade. E como a música é a minha linha de tempo e afeto, jamais desvinculei “At The Harbour” dela.

Ela entrou no prédio. Peguei o Karmann Guia TC e dei uma volta pela orla do Rio. Fui até o final do Leblon e voltei. Em Copacabana parei numa carrocinha da Geneal, comi duas mini pizzas olhando para o mar escuro e mexido, pensando naquela história de amor que havia acabado.

O amor sozinho não sustenta, Machado de Assis especulou no século 19. Nem quando ela me pediu desculpas em prantos consegui reverter aquela sensação estranha, um vácuo chamado “perdeu”. De mim para ela. Mão única. Amor condicional.

Ódio? Nenhum. Não conheço. Não conhecia. Não irei conhecer.


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Guerrilheiros da Blitz comemoram 35 anos no Circo Voador

                               Festança vai ser nesse sábado, dia 26


O humor carioca não sucumbiu a Crivella, Pezão e Temer. Ainda bem. Com uma turnê pelos Estados Unidos mês que vem, show sob a lona do Circo Voador e lançamento do novo DVD a  Blitz se transformou numa bela tatuagem dos anos 80 que atravessa as décadas. Promete uma festa inusitada e sobretudo muito bem humorada nesse sábado (26) as 10 da noite no Circo Voador, comemorando os seus 35 anos de existência.

Mix de música, teatro, cinema, uma espécie de multitudo, a Blitz continua a surpreender por onde passa exatamente por não estar agarrada ao passado. A banda tem o passado como referência e não reverência. Em outras palavras, o grupo está longe de estar fazendo cover de si mesma.

No show, rock, pop, funk, reggae, samba, blues e outras surpresas, além do lançamento do DVD ‘Blitz no Circo Voador’ (Deck), o quarto do grupo, celebrando 35 anos de estrada, ainda no embalo da sua apresentação no mais recente Rock in Rio. Tudo regado a altíssimo astral, com o reforço de convidados como o Afroreggae, Alice Caymmi, George Israel e Milton Guedes.

O repertório do show inclui grandes sucessos e canções do álbum Aventuras 2”, lançado ano passado com participações dos Paralamas do Sucesso, Frejat, Arnaldo Brandão, George Israel e Dadi, assim como amigos de outras paragens como Seu Jorge, Sandra de Sá, Zeca Pagodinho, Alice Caymmi, Andreas Kisser, Pretinho da Serrinha e MC Cert.

A formação atual da Blitz já dura 10 anos e tem Evandro Mesquita (vocal, guitarra e violão), Billy Forghieri (teclados), Juba (bateria), Rogério Meanda (guitarra), Cláudia Niemeyer (baixo), Andréa Coutinho (backing vocal) e Nicole Cyrne (backing vocal).

A Blitz surgiu sob a lona do Circo Voador nos tempos de Arpoador, em 1982. Da plateia um fã gravou um pedaço do show num gravador K7 e levou para a Rádio Fluminense FM que tocou “Você não soube me amar” pela primeira vez, mesmo com o som precário.

Em julho daquele ano a banda gravou o compacto ‘Você não soube me amar’ que virou fenômeno e em três meses o single vendeu 100 mil cópias e atingindo a marca de um milhão de cópias vendidas em plena recessão do Brasil na época. Na sequência, o primeiro LP ‘As Aventuras da Blitz’, com venda mais impressionante que a do compacto. 

A prova de rótulos, a Blitz nasceu no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, e logo ganhou capas de jornais e revistas de grande circulação. Com a chegada da Blitz a MPB nunca mais seria a mesma.

Serviço:

BLITZ - Lançamento do DVD  ‘Blitz no Circo Voador’

Data: Sábado, dia 26 de maio de 2018

Abertura da casa: 22h

Ingressos:

R$ 40 (meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 anos)
R$ 40 (ingresso solidário válido com 1 kg de alimento)
R$ 80 (inteira)
2º lote
R$ 50 (meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 anos)
R$ 50 (ingresso solidário válido com 1 kg de alimento)








terça-feira, 22 de maio de 2018

Saudade de quem nunca vi


Keith Emerson e Greg Lake formavam o monumental trio Emerson, Lake and Palmer. Carl Palmer o baterista, está em turnê mundial e na próxima sexta feira vai tocar no Vivo Rio. No dia seguinte no Teatro Municipal de Niterói. Ingressos aqui http://vivorio.com.br/?s=Carl+Palmer e aqui https://www.ingressorapido.com.br/event/6668/d/28133 .


Keith Emerson e Greg Lake morreram no mesmo ano, 2016. Ironia. Boçal ironia. Emerson em março, aos 71 anos, Lake em dezembro, aos 69 anos. Os dois se conheceram por volta de 1968, quando Greg cantava e tocava no King Crimson e Emerson era o tecladista do The Nice. Em 1970, convidaram Carl Palmer para a bateria e montaram o Emerson, Lake and Palmer.

Quando o Emerson morreu sofri como se tivesse perdido um amigo, apesar de nunca tê-lo visto. Quase não acreditei quando li a notícia sobre a partida do Lake. No mesmo ano? O que foi isso? Era também um amigo virtual.

Emerson, Lake e Palmer fizeram parte da trilha sonora da minha adolescência e ao longo de dias e noites ouvi até furar grandes álbuns (na época em vinil) como  “Pictures at an Exhibition”, Trilogy”, “Brain Salad Surgery”. Mais do que trilha sonora, o ELP me acompanhou em inúmeras situações da vida, boas e ruins. Os vinis rodavam fieis, independentemente do que eu estivesse sentindo.

Claro, os Beatles foram muito presentes (o rock que gosto é a partir de 1966), como The Who, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, mas o ELP “testemunhou” momentos existenciais muito especiais. Ouvindo “Trilogy” comecei a trabalhar em rádio (Federal, de rock, em 1973), ouvindo “Brain Salad Surgery” decidi abandonar o cursinho pré-vestibular para a medicina e estudar comunicação. 

Em outras situações existenciais os teclados geniais de Emerson, mais o baixo/guitarra robustos de Lake e a demolidora bateria de Palmer estavam lá comigo. Como amigos.

Por isso, esse vácuo quando os dois morreram. Um vácuo que permanece porque o ELP me leva ao passado, aos amigos do passado, a minha família do passado, as chuvas do passado, aos amores do passado a não solidão do passado.

É mais ou menos isso.




sexta-feira, 18 de maio de 2018

Cabeça contra o Muro


Noite dessas, perambulando pela internet, li alguma coisa sobre o Muro das Lamentações, em Jerusalém. Conheço algumas pessoas que foram lá e ficaram levemente horrorizadas vendo gente ululando e batendo com a cabeça no Muro. 

Não conheço a fundo a história do Muro, mas sei que é sagrado. E respeito tudo o que é sagrado porque sou cristão e mantenho com o desconhecido a mesma relação que mantenho com o mar: temor reverencial. Não me meto com o desconhecido porque não quero que ele se meta comigo.

Um frequentador de meu extinto fotolog estava se lamuriando com a falta disso, falta daquilo, que esse é o país do descaso, enfim, usou de suas prerrogativas tecnológicas para encher e chutar o saco da pequena multidão que frequentava o fotolog. Que por sinal não era meu. Fiz para a banda The Who e a seu criador Pete Townshend até hoje na ativa, cuspindo fogo pelo mundo com sua adolescente energia dos 73 anos e a seus fãs, a quem chamo de whozers.                                                    

A lamúria mata. Mata vaca, galinha, peixe-boi, piranha. Aliás, sugiro ao Ibama que a piranha seja promovida logo a condição de mamífero. Basta de hipocrisia. Lamentação compulsiva mata até o próprio pelo pubiano humano que trepa no chororô como cavalo de batalha e sai pela humanidade como um forno de microondas torrando a paciência alheia.

Independente da sua conotação histórica, o Muro das Lamentações é de extrema utilidade pública/emocional/existencial. Se o cara encosta, bate com a cabeça, soca, chuta, se roça nas pedras e depois taca álcool está no lugar certo. O que não suporto é lamentação crônica numa padaria, num ônibus, numa van, no nosso sistema auditivo.

É por essas e por outras que defendo a criação de réplicas reduzidas do Muro para serem espalhadas pelas cidades. Pequenos lugares onde o cidadão pare e descarregue toda a sua mágoa, o seu beicinho, o seu suposto fracasso existencial, cornofobia, enfim, descabele o fandango. Essas réplicas poderiam ser acolchoadas para o usuário bater com a cabeça, com a glande, dar chicotadas no próprio lombo, um vale tudo em prol da saúde pública. A Rádio Relógio dizia que quem bate a cabeça contra a parede queima 150 calorias por hora.                                                

Imagino o cara saindo de casa dizendo “vou até ali no Muro bater com a cabeça e já volto”, em vez de tostar, grelhar o seu entorno que somos nós. Ah, sim, os Muros públicos deveriam ter revestimento acústico para o usuário poder uivar, mugir, rugir, gralhar, gritar nomes livremente. Como palpiteiro, penso que iria fazer bem não somente a nós como ao próprio chafurdador de derrotas. Li no manual de meu carro que esbofetear metaforicamente melhora a pressão arterial, a pele fica mais lisa, enfim, como diria Lulu Santos, “tudo azul/todo mundo nu”.


Cultura inglesa



Conheci a bela Meghan Markle na série “Suits”, da Netflix, onde foi coadjuvante. Aos 36 anos ela vai casar com o príncipe Harry e segundo sites de fofocas os dois estão juntos há quase dois anos.

Meghan é uma californiana típica. Nasceu em Los Angeles era ativista social, liberada, feminista. Harry é um inglês característico da Corte; beberrão, à toa, amante de jogos de dardos, corrida de cachorros, torta de enguia, fã do humor quase ridículo de Monty Python, comédia inglesa que só os ingleses acham hilária.

Só uma paixão devastadora para fazer Meghan Markle trocar uma carreira ascendente no cinema, amigos antenados, vanguarda, pela vidinha bilionária e entediante da Coroa britânica, entre palácios, cerimônias, pompa e vazio.

A Inglaterra vitoriana, por exemplo, foi uma indústria de tarados, pervertidos e facínoras em geral, por isso as altas doses de moralismo e álcool para tentar manter o equilíbrio social. Até hoje.

Nesse sábado Mehan e Harry vão casar. Casamento de milhões de libras/euros. Centenas de cavalos adestrados, carros, milhares de seguranças, uma produção faraônica exibida em todo o mundo ao vivo pela TV. Assim manda a tradição inglesa: torrar dinheiro público indefinidamente em nome da robustez da Coroa que se acha o centro do mundo, como diz um amigo que morou lá.

Duas séries da Netflix abrem uma fresta de luz sobre a cultura inglesa: a espetacular “The Crown” conta a história da Rainha Elizabeth II e, na aba, fala da podridão e da politicália nos bastidores dos palácios. Já uma outra série, deste ano, chamada “Collateral”, aborda a xenofobia e egolatria inglesas diante da questão dos refugiados.

Bilhões de pessoas vão assistir ao casamento desse sábado no local e pela TV. A monarquia inglesa exerce um fascínio mundial inexplicável e até mortos de fome vão dar uma olhada na TV para conferir que os ricaços da ilha sabem mesmo fazer festa, principalmente com o dinheiro dos outros.

Curioso isso.





quarta-feira, 16 de maio de 2018

A vingança do bastardo


Saudade de livro é sempre boa. Por isso tenho procurado, inutilmente, em minha estante (onde tudo é uma enorme desordem alfabética) uma edição relativamente recente do melhor, absurdo, esculachado, politicamente incorreto e saudável livro dos anos 80. O clássico “A Vingança do Bastardo”, escrito pelo espírito de uma tal Eleonora V. Vorsky que baixou sobre o Alexandre Machado, escritor, roteirista e, na época, louco.

Na apresentação do livro, uma auto referência debochando da crítica:  "terrível, escatológico, nojento, nauseabundo, emocionante, divertidíssimo, acachapante, lírico, poético, medonho, esporrante de rir, abominável, cáustico, polêmico, essencial, virulento, dramático, meio mais ou menos, magnífico, detestável, erótico, perturbador, ingênuo, niilista, grandiloqüente, bacaninha, porreta, desavergonhado, pai d'égua, supercalifragilisticespialidoso!"

Texto de contracapa:

Ingredientes:

Os personagens da aventura:

- Levi: Herói ou covarde? Homem ou mulherzinha? Casado, solteiro ou tico-tico no fubá?

- Prima Roshana: Sua sede de sexo só era comparável à sua vontade de dar.

- Bel, a sereia: A beleza de seu corpo deixava os seres do fundo do mar todos molhadinhos.

- A jeba de Kowalsky: Para alguns, um monstruoso erro da natureza; para outros, uma dádiva dos céus.

As resenhas mais comportadinhas descrevem:

Publicada originalmente entre 1984 1987 no tablóide mensal “O Planeta Diário”, a obra foi editada em livro duas vezes. A “Vingança do Bastardo” conta as desventuras de Levy, o narrador, que é envolvido involuntariamente numa tempestuosa sequencia de eventos ao redor do mundo na companhia de sua prima Roshana, ninfomaníaca, zoófila, pedófila e espiã sedenta de sexo com qualquer mamífero disponível. O casal ainda teria a companhia de Bel, a Sereia e de Kowalsky, que se tornam personagens regulares na metade final da história, quando prima Roshana confessa que é escrava sexual do bastardo Levy. E gosta.

Além desses, entram e (geralmente de forma trágica) saem personalidades reais e fictícios como Simon Wiesenthal, Mike Nelson, Aarão Steinbruch, Henry Kissinger, Thomas Green Morton, Tutty Vasques, National Kid e os Detetives-Mirins, Anuar Kadhafi (grafado desta forma) e Kurt Waldheim.

Impiedosa parodia dos clichês da pulp fiction, com "açãoespionagemromancesexoficção-científicacatástrofehisteriapânico, correria, pisoteamento, massacre", o folhetim se tornou uma das maiores atrações do jornal e alçou Vorsky e sua personagem Prima Roshana a uma espécie de status de cult.

A revista Bula o elegeu um dos 10 livros mais engraçados da literatura brasileira. Leia: “A cela era de um escuro úmido e umbroso. O nome do escuro era Waltencir”. Assim começa a saga de vingança de Levy, sacaneado por todo mundo, mas especialmente por sua prima Roshana, que dá pra todo mundo, menos pra ele. Nada faz sentido na noveleta, mas você gargalha feito uma besta. “A Vingança do Bastardo” foi publicado originalmente em forma de folhetim no jornal “O Planeta Diário”. Eleonora V. Vorsky também atende por Alexandre Machado, que junto com a mulher, Fernanda Young, criou a série de TV “Os Normais”.

Li e reli várias vezes e como prima Roshana não quero parar, já que nos tempos de hoje que fedem a pijama e naftalina é impossível encontrar uma obra tão espetacular assim. Há vários exemplares a venda em www.estantevirtual.com.br, lançamento de 2007 (já esgotado) da Editora Desiderata. Se não achar o meu no meio nesse ninho de lontra que é a minha estante, vou comprar, reler e perder de novo.









segunda-feira, 14 de maio de 2018

Direito a ignorância


As chamadas novas gerações, por razões objetivas, estão desconectadas da chamada mídia formal. Garotas e garotos tem suas mídias próprias e, pelo que vejo, ouço, converso, frequentam-se mutuamente numa rica troca de ignorâncias. Ignorância no sentido literal, de ignorar. Neste caso, propositalmente. E daí?

A ignorância é um direito e se as novas gerações gostam de ler quinquilharias, preferem assistir you tubers, ouvir safadões, estão em seu pleno direito de surfar a liberdade a sua maneira. Quem sou eu para obrigar a ler Machado de Assis, ou sorver o texto de Clarice Lispector?

Quem sou eu para vociferar “vocês tem que assistir CNN, Al Jazeera, Globonews e não essa cisterna de purpurina tola e fútil dos you tubers”? Quem sou eu para clamar “ouçam a remixagem de Sgt Pepper dos Beatles, o melhor do Radiohead, ouçam Jimi Hendrix e não essas bostas que vocês espetam nos ouvidos com seus celulares.” Quem sou eu? Não sou ninguém.

Se as novas gerações não leem bem, escrevem mal, são ególatras ao extremo, são alienadas e vazias isso é um conceito meu. Ponto. E não deles. Ponto. A minha geração era cercada de brilhantes livros, jornais, revistas, filmes etc mas vestiu o pijama, passeia com o canário na gaiola pelas ruas de manhã, para numa padaria qualquer para beber coalhada e jogar conversa fora, literalmente). Depois, adestrada, volta para casa.

Liga o computador cheirando a naftalina e começa a lamuriar nas redes sociais, achando que as novas gerações tinham que estar participando deste momento histórico do Brasil, detonando Temer, Lula, etc etc etc. Reclamam que filhos e netos não conversam em casa. As vezes entro nas redes e digo “as novas gerações só querem uma coisa do Brasil: pular fora daqui”.

Há filhos e netos que entram porta a dentro com a cabeça enterrada no celular teclando com sua rede, trancam-se no quarto fazendo sabe-se lá o que on line e só saem para banho, comida e tosa, como um pet. Não querem saber quem governa o país, que país é (eles tem mais o que não fazer para pensar nisso), quem é quem na TV, não assistem a noticiários, não ouvem rádios. É só eu, eu eu, e a sua rede de contatos. E quando digo para os meus contemporâneos que isso não é problema nosso, eles gemem de horror.

Nos fins e de semana as novas gerações vão a festas de sua rede. Um ou outro bebe, um ou outro fuma, um ou outro toma MDMA (droga da moda, conhecida como Michael Douglas) um ou outro morre e na pré alvorada da onda da madrugada voltam para o seu minifúndio (casa dos pais), alguns com namoradas ou namorados e se embolam trancafiados em seu bunker/quarto, depósito de enigmas e tabus para uso pessoal e intransferível.

E daí?







quarta-feira, 9 de maio de 2018

400 cavalos


Vi um Ford Mustang GT vermelho, capaz de despejar 447 cavalos de potência, chegando a 279 km/h. Ele rastejava estava no para e anda de uma rua, para entrar no para e anda de uma avenida mais a frente. Seu motor V8 5.0 bebe 2,5 km/litro de gasolina nessas condições.

Mais. Para que um carro ter mais de 400 cavalos de potência desde que os governos descobriram nos radares de velocidade (vulgo pardais) uma boa fonte de grana. Usam como desculpa a preocupação com a segurança dos cidadãos, que todos nós sabemos que é puro deboche. Qualquer cidade vagabunda instala seus pardais em trechos de rodovias que passam por seus limites, alguns limitando em 40 km/h, em geral mal sinalizados. De propósito, para faturar.

Para piorar, a maioria das estradas está esburacada, mal sinalizada, pedestres, cavalos, jegues não tem como atravessar e o trânsito parece um rolo compressor passando sobre vidas a todo instante.

A ponte Rio-Niterói foi inaugurada em 1974 com três pistas de cada lado com o limite de velocidade em 120 km/h. Em janeiro o governo federal ligou os pardais na via que limitam a velocidade em 80 km/h, sempre em nome da “segurança do cidadão”. Tem gente padecendo de sono a 80 km/h na via durante a noite. O bom senso sugeria que para carros esse limite poderia ficar em 100 km/h e em 70 para ônibus e caminhões, vilões históricos daquela via. Mas, também lá, prevalece a esperteza estatal.

Por que ter um carro de 100 cavalos se nem metade da potência do motor pode ser usada? Exemplo: um Fiat Palio 1.6 tem 117 cv de potência e a 80 por hora está muito longe da velocidade e cruzeiro. Um Renault Sandero 1.6 tem 106 cv enquanto um Toyota Corolla 2.0 tem 154 e um Honda Civic, 155. 

Todos eles bebem muito nos congestionamentos crônicos das cidades brasileiras e a pergunta que fica é “vale a pena investir?”. O Brasil merece? Ou tornou-se, definitivamente, a terra do motor mil, vulgo 1.0?

Um exemplo de que o consumismo tem, literalmente, limites no terceiro mundo.


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Ecos de "On The Road"

Studebaker
                                                          Ford Taurus

Viajava muito com o meu pai, especialmente para Teresópolis. Ele contava que no início dos anos 1960, a bordo de pequenos carros importados com motores refrigerados a água, era forçado a parar duas ou três vezes nos acostamentos, depois batizados oficialmente de "refúgios". Era para baixar a temperatura da água do radiador. Subir a longa serra naqueles tempos, naqueles carros, exigia paciência e, sobretudo, tenacidade. O bravo Fusca acabou com esse problema, mas o carrinho custava caro.

Quando o presente nos espreme com suas garras não virtuais é natural que busquemos os acostamentos e refúgios do passado; esperar até os coquetéis molotov sossegarem.

Foi numa virtual escapada dessas que lembrei de meu avô paterno, que ao contrário das descrições românticas e lúdicas que em geral são feitas, era um cara marrento, sisudo, anti-social. Mas eu o adorava porque ele adorava os netos. A maneira dele.

Passei a infância em Angra dos Reis e era para lá que meu avô ia descansar de vez em quando. Sempre com um carro novo. Era apaixonado por automóveis. Eu tinha uns sete ou oito anos quando ele apareceu com um (pasmem!) Studebaker 1955 cinza-chumbo, carro de design tão ousado e atrevido para a época que não colou. Eu me apaixonei por aquele carro e ficava horas olhando, olhando, olhando até ouvir a frase mágica do meu avô: "vamos até o centro para comprar umas coisas". E passeávamos no Studebaker sob o olhar assombrado das pessoas.

Numa dessas incursões, fumando seus indefectíveis charutos ao volante, meu avô virou para mim e disse "você vai ser um apaixonado por automóveis." Na mosca. Se fosse colecionador compraria hoje um Ford Taurus (de 1997 até o início dos anos 2000) porque na minha cabeça ele reviveu a saga do Studebaker. Design atrevido, ultra moderno, que também teria assustado os consumidores nos Estados Unidos. O Taurus foi uma das estrelas do genial filme "O Show de Truman" (1998) de Peter Wir, estrelado por Jim Carrey que mereceu, sim, o Oscar. Mereceu, não levou e Jim Carrey ficou indignado. Com razão.

Essa conexão meu pai-meu avô-carros-o show de Truman-coluna sobre carros faz sentido e me atira do clássico romance "On The Road", de Jack Kerouac, cujos ecos me inspiram, apesar de minha nula ligação com o estilo de vida dos beatniks - https://pt.wikipedia.org/wiki/Beatnik .

Como o maravilhoso coice chamado "O Uivo", de Allen Ginsberg, poema que atirou a América boçal e macartista contra o paredão da sua própria alienação, caretice e ignorância, em 1956. Os beats parecem querer dizer em sua aflição, asfixia e angústia que as causas nem sempre geram efeitos. Causas podem não causar nada. Ou não? Logo, quando vamos ao passado, há uma causa. Ou efeito?

O Stubebaker é a cara do movimento beat, como dá para perceber logo nas primeiras leituras de "O Uivo", lançado em San Francisco, Califórnia.  Ginsberg foi preso por "atentado violento ao pudor" e julgado. Absolvido (se fosse no Texas ia arder na cadeira elétrica) disse a imprensa: "Uivo é uma unidade de respiração única. A minha respiração é longa — isto é a medida, uma inspiração física e mental do pensamento contido no estiramento de uma respiração."
Na época, pouca gente entendeu. Só uns poucos tinham a coragem de ler (e, principalmente) ouvir "O Uivo" de ponta a ponta porque a constatação de que outra América, menos boçal, precisava ser descoberta urgentemente incomodava. A mesma América do Studebacker e do Taurus.

Todo mundo tem o seu Uivo. O meu é abafado mas existe, contrariando um outro herói de cabeceira, Marshall McLuhan, eventualmente não acho que o meio seja a mensagem. Simplificando, discordo que a mídia gere notícias. Até segunda desordem, a mídia é eco e não som, mas como Allen Ginsberg chegou a dizer que o seu Uivo podia ser chamado de tudo "até de mídia pífia e vagabunda"; no caso o meio era a mensagem, sim, como esse texto aparentemente sem pé, mas totalmente sem cabeça.


domingo, 6 de maio de 2018

O milionário negócio dos movimentos de ocupação e centrais sindicais

       Foto do sul africano Kevin Carter, em 1993, no Sudão. O fotógrafo cometeu suicídio um ano depois. O menino da foto era Kong Nyong, que estava sofrendo de má nutrição severa na época, mas já tinha começado a receber ajuda da ONU. Na foto, é possível ver a pulseira de identificação da entidade no braço da criança. E, ao contrário do que muitos pensavam, ele não morreu na época da foto. Segundo seu pai, Kong morreu adulto em 2006, devido a uma febre.


O imposto sindical enfiou R$ 3,6 bilhões nos bolsos dos sindicatos e, em consequência, nas centrais sindicais em 2017. Hoje há 16 mil e 700 sindicatos no país e 12 centrais sindicais oficiais. O imposto sindical, em tese, foi extinto mas a indústria de liminares obriga muitos trabalhadores descontar um dia de trabalho para os arrivistas sindicalistas. Sem dúvida, um grande negócio. Para os arrivistas.

Na outra ponta avançam, crescem e incham os movimentos de ocupação de imóveis. Na cidade de São Paulo já 162, muitos extorquindo com violência os miseráveis habitantes. Foi o caso do prédio que pegou fogo e desabou no último dia primeiro, dominado por um tal Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM) que age como as milícias.

O Globo publica hoje: “Um ex-ativista e ex-funcionário da prefeitura conta que uma estratégia desses grupos obscuros é a de invadir prédios sabidamente inabitáveis para, ao serem despejados, passarem a receber auxílio-aluguel da prefeitura — hoje, 28 mil famílias recebem o benefício e outras duas mil estão na fila pelo recurso, de R$ 400 mensais.
— Flagramos falsas lideranças indo sacar o benefício com as famílias e já os obrigando a repassar na íntegra, na boca do caixa — diz o homem, que prefere não se identificar.

Na verdade, está tudo errado no Brasil. Por falta de um planejamento familiar que foi proposto nos anos 1970 a população no Brasil inchou, principalmente nas áreas mais miseráveis. A proposta de controle da natalidade provocou um ataque de pânico em muitos políticos que perderiam votos de cabresto caso fechassem as novas torneiras de eleitores necessitados. Os maus religiosos também sentiram calafrios com a possibilidade de verem minguar os seus rebanhos que compram milagres com dinheiro suado, à vista. Até uma facção da igreja católica pressionou.

Em suma, o planejamento familiar foi engavetado e o “brasilsão” que vemos hoje é, na verdade, um campo de concentração de esfolados e famintos, explorados em todas as pontas, principalmente pela ala podre dos chamados movimentos sociais, alguns conectados ao império do narcotráfico representado pelo PCC, CV, ADA, etc.

Os milicianos não assumidos agem na origem. Caçam os miseráveis em suas sub moradias penduradas em periferias degradadas de regiões metropolitanas ou no interior seco, sem chuva. Mandam milhares e milhares para o “sul maravilha”, que de maravilha nada tem, e as vítimas passam a trabalhar para eles, milicianos que são ligados a movimentos sociais indignos.

E assim, a roda da miséria segue girando. E matando.


sábado, 5 de maio de 2018

Texto inédito, "Memória d'Alma", com Juliana Teixeira, estreia no Rio

Peça dirigida por Guilherme Scarpa e Camilo Pellegrini coloca a questão do abuso sexual em primeiro plano

                                                                                   
                                                     Foto: Camila Marchon

Baseada em histórias reais, a peça "Memória d'Alma" expõe um acerto de contas entre uma mulher, vivida por Juliana Teixeira, e seu filho mais velho, personagem de Niaze Neto. Numa cela de cadeia, eles passam suas histórias a limpo e relembram episódios marcantes de assédio, crueldade, omissão e o abuso que o menino sofreu do pai.

"Acima de tudo, o texto mostra um drama familiar muito potente. Com isso, faz uma denúncia sobre um assunto que não pode mais ser silenciado, varrido para debaixo do tapete. É uma história que revela a hipocrisia, a doença, e crimes que acontecem diariamente, não só em regiões inóspitas do país, como em grandes capitais", diz o diretor Guilherme Scarpa.

Seca, brutal e urgente - já que toca em temas amplamente discutidos nos dias de hoje, como empoderamento, assédio sexual e o abuso -, a dramaturgia de Fabiano Barros chamou tanto a atenção de Scarpa e da atriz, da Nova Bossa Produções Culturais, que eles decidiram bancar do próprio bolso a montagem, sem esperar por editais. O espetáculo é codirigido por Camilo Pellegrini, que descobriu o texto do autor pernambucano, radicado em Porto Velho, Rondônia.

"Inicialmente, eu não me via interpretando uma mulher tão distante de mim. Mas o texto e a personagem me contaminaram de uma forma muito forte, assim como a necessidade de falar sobre assuntos como assédio moral, religião e abuso", conta Juliana, que dá vida a uma católica fanática.

"Memória d'Alma" estreia no Teatro Candido Mendes, em Ipanema, no dia 4 de maio. Para levantar toda a engrenagem do espetáculo, foi realizada uma verdadeira "ação entre amigos". Aderiram à causa a cantora e compositora Danni Carlos, que assina a trilha sonora original; a artista visual Camila Marchon produziu as fotos; os estilistas Carolina Monte e Ivã Ribeiro; o jornalista Fabio Dobbs, que cuida da assessoria de imprensa; o iluminador Maurício Cardoso; a visagista Tainá Lasmar, e a cenógrafa Vanessa Alves. A coordenação de produção é de Kellys Kelfis Wagner Uchôa.

Equipe

Texto: Fabiano Barros
Direção: Guilherme Scarpa e Camilo Pellegrini
Elenco: Juliana Teixeira e Niaze Neto
Coordenação de produção: Kellys Kelfis e Wagner Uchôa
Trilha sonora original: Danni Carlos
Figurino: Reverse (Carolina Monte e Ivã Ribeiro)
Cenário: Vanessa Alves
Iluminação: Mauricio Cardoso
Visagismo: Tainá Lasmar
Fotos: Camila Marchon
Assessoria de imprensa: Fábio Dobbs
Realização: Nova Bossa Produções Culturais e Guilherme Scarpa

Serviço

Teatro Candido Mendes.
Rua Joana Angélica 63, Ipanema - 2525-1000.
De 4 de maio a 17 de junho.
Sex a seg, às 20h.
Ingresso: R$ 50 (inteira).
Classificação: 18 anos.
Duração: 50 min.
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