sexta-feira, 8 de junho de 2018

Leme

                                                                      A pedra 
                                                              O bandido

O lead da matéria do jornal Extra é claro:

“Em meados de abril, traficantes saíram encapuzados, do Chapéu-Mangueira, e entraram pela mata do vizinho Morro da Babilônia, no Leme. O objetivo era retomar a favela para o Terceiro Comando Puro (TCP).

Após uma troca de tiros, o grupo fugiu do local. Pouco mais de um mês depois, os criminosos do Comando Vermelho (CV) que haviam sido expulsos revidaram o ataque. A disputa pelo Morro da Babilônia, entretanto, é apenas uma envolvendo facções do tráfico e milicianos por territórios no Rio.
Levantamento feito pelo EXTRA com base em informações da PM e da Polícia 

Civil revela que, nos últimos três meses, 24 favelas estiveram envolvidas em 12 disputas territoriais espalhadas por 15 bairros do Rio.”

Tenho e mantenho laços afetivos com o Leme, bairro que está sendo destruído por essas guerras nos morros, quintais eleitorais da deputada Benedita da Silva (PT) que, curiosamente, não deu uma palavra sobre o assunto. Ela começou sua carreira política como vereadora, em 1982, com o lema “negra, mulher e favelada”, slogan da moda hoje.

As ruas do Leme estão desertas, triste, com medo. Os pescadores da pedra sumiram, bem como os namorados que gostam de trocar carícias naquele belo colchão público. Também era comum, depois do jantar, moradores darem uma volta pelo calçadão, crianças brincarem na areia, ao som do mar que embalou Nara Leão e Nelson Rodrigues. Os verdadeiros comando do Rio transformaram o bairro em zona proibida, graças a falta de governo.

Será que o Leme voltará a ser o Leme um dia?