sábado, 8 de setembro de 2018

O homem que entrou de sunga na igrejinha da empáfia


Laurentino Gomes é um escritor best seller que está já atingiu a marca de um milhão e meio de livros vendidos. Não pratica literatura janota, empolada, de aglomerado que imita jacarandá. Muito menos provinciana que chamo de texto calça de tergal. Não fala difícil e nem usa fantasias inventadas pela cronicamente decadente aristocracia que baixou no Brasil quando a corte portuguesa fugiu de Napoleão (milhares de pessoas) e veio se esconder no Rio.

Laurentino Gomes é jornalista e historiador, e seu livro campeão de vendas chamado “1808” trata dessa vexatória fuga da corte e o impacto da chegada da por aqui. Em tempo, no livro lançado em 2007 e depois relançado numa nova edição de 2014, Laurentino já esculacha o estado do Museu Nacional, tipo “hoje abandonado, entregue as traças”. É quando ele aborda e dia a dia do vadio D. João VI no palácio que virou museu. Sob o título do livro, a frase: “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”. 

Nessa era de chute entre as pernas, dedada nos olhos, cuspe na boca de brasileiros em brasileiros, é bom ler livros de qualidade que mostram e provam que o ódio coletivo, preconceito, pós conceitos, racismo, são velhas iguarias  no cardápio de rancores dos brasileiros, plebe submetida aos bacanais dos governantes que, sabendo manipular sua nossa sinuosa e mentirosa “índole cordial”, nos entubam de impostos, carestia, e gargalhadas de deboche até o talo.

Laurentino pertence a nova geração de historiadores, escritores e educadores que jogaram no lixo o corporativismo da empáfia. Eduardo Bueno e Leandro Narloch também estão no grupo. Laurentino usa linguagem informal, não constrói frases rebuscadas, inventadas no escurinho da balaustrada que esconde os intelectualóides, decadentes amarra cachorros das chamadas elites que comem baiacu e arrotam caviar.

Objetivo, baseado em farta pesquisa realizada em diversos países, ele escreveu, também,“1822”, sobre o nascimento do Brasil independente. Outro livraço. Subtítulo: “Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado”.

O homem que entrou de sunga na igrejinha dos insolentes e presunçosos, também lançou “1889”. Subtexto na capa: “Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”.

Até a chegada dos libertários como Laurentino Gomes, livros de História eram produzidos sob o manto do terror reverencial. A nova geração de historiadores abriu o baú, tacou naftalina dentro e libertou a nossa História que agora está aberta a visitação pública.  Sem rococós, adornos, leques de pena de pavão, o que é ótimo para todo mundo. Menos para eles, os altivos que ainda se deslocam pela penumbra, ardendo de leve desespero.

Claro que li e reli cada livro de Laurentino e semana passada mandei um e-mail pedindo a ele que lance mais. A qualidade do texto e da pesquisa seduz mesmo os mais eunucos dos eunucos culturais, ou livrofóbicos de amplo espectro. Ele não teve receio de falar das intimidades de D. João VI e muito menos de D. Pedro I, ou da personalidade golpista e arrivista de Carlota Joaquina, porque pesquisou fundo antes de sentar no computador para escrever.

Sim, temos mais um escritor que virou pop star. E isso é muito bom. 


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