terça-feira, 9 de outubro de 2018

Caçada


O saudoso humorista Leon Eliachar escreveu que tarado é um homem normal pego em flagrante. Quem lê meus posts no Facebook (cada vez mais magros, com grave tendência a sumir) sabe que já fui severamente patrulhado por um covil de "politicamente corretos", que também frequentam esta Coluna, o que aliás não entendo. Preocupante.

Mas como ingressei numa nova era de reinvenção existencial moderada, ou cavalo de pau, ou “volta que deu merda”, “destrepem tudo”, etc. não acho mais nada, absolutamente nada, preocupante. O que dirá as afetações e pequenas canalhices de supostos leitores de redes sociais.

Tempos atrás, no inbox do Facebook, essas pessoas disseram que a crônica que escrevi sobre minha puberdade/pré-adolescência no Campo de São Bento, em Niterói, era um poço de perversões, atentado a moral e aos bons costumes, papo de tarado fundamentalista e tudo mais. Campo de São Bento é um parque em Icaraí que com o tempo e o esculacho público virou uma baderna, fuck trucks, canal cheio de lodo, barraquinhas o meio das trilhas.

Pensei se tratar de galhofa de amigos ou conhecidos, mas depois percebi era mesmo reação de leitores anônimos (e anacrônicos), cujo I.P. (Internet Protocol, o CPF da internet), que aparece para quem usa o Blogger. Nunca conferi porque tenho mais o que fazer. Chegaram a me apontar dedos da Inquisição quando leram eu teso, tu tesas, ela tesa, um jogo de palavras, uma brincadeira.

A reinvenção existencial moderada me faz incendiar algumas penumbras emocionais que precisam ser chutadas para fora e por isso reli a crônica umas três vezes. Constatei que o suposto mar de devassidão não passa de pueril vivência e desventuras de uns garotos tentando sorver a liberdade possível em seus 12, 13 anos de idade. Mini adoradores de mulheres, precoces, surfando a liberdade possível e levemente clandestina; a sociedade moralista, nos moldes nelsonrodriguianos, sempre foi assim mas jamais conseguiu esconder os seus orgasmos múltiplos diante de situações nefastas como assassinatos de crianças, linchamentos de mendigos, torpes tragédias em geral.

É essa sociedade moralista que dá altíssimos índices de audiência aos programas de TV e rádio estilo mundo cão, e também jornais e outros tipos de mídia especializados em sangue, suor e lágrimas. Bom lembrar que as casas de sadomasoquismo e swing tem os “moralistas” como clientes preferenciais.

Detonei qualquer possibilidade de mudar os rumos do que escrevo aqui na Coluna, um espaço assinado, com endereço conhecido, frequentado por pessoas de todas as idades e escrito, modéstia à parte, por um jornalista com mais de 40 anos de profissão que sabe, exatamente, endereço, telefone e e-mail da Dona Ética e seus parentes próximos.

Não será a micro saga de um garoto conhecendo o sexo que deve ser defenestrada pelos politicamente corretos, em geral ladrões, safados, pervertidos e pedófilos. Muitos leitores que me incentivam, estimulam, levam o que escrevo aqui para o terreno do humor, da boa vida, para o jeito positivo de encarar a existência e não para as sombras dos "corretos" com aspas, que vivem no limo sob o signo das taras mal resolvidas e da malignidade suprema.

Aplaudidos pela fila do gargarejo.


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