quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Lançamento em São Paulo e Rio do livro ‘Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees’


Peter Tork, Micky Dolenz, Mike Nesmith e Davy Jones não se conheciam até serem contratados para dar vida ao The Monkees, banda protagonista de uma série de TV que estrearia em 1966 nos Estados Unidos.

Um ano depois, com os álbuns “The Monkees” (1966) e “More Of The Monkees”(1967), a banda pré-fabricada vendeu mais discos que The Beatles e Rolling Stones juntos. Havia sido dada a largada para a Monkeemania, que arrebatou não só os estadunidenses como os fãs de rock'n'roll do mundo todo.

No Brasil, a febre chegou com a estreia da série em 1967. Mas foi em 1975 que Sergio Farias, assistindo a uma reprise na televisão, viu sua vida mudar. No entanto, com pouco acesso a material de pesquisa sobre uma banda estrangeira, ainda mais em um momento em que seus integrantes viviam no ostracismo, ficou aquele desejo de compreender porque, após um salto tão alto, os Monkees tiveram uma queda tão brusca.

Já na escola, Sergio ensaiou escrever essa história em uma aula de Literatura. Anos depois, o jovem carioca tomou para si essa missão, escarafunchou tudo que era publicação, assistiu a vídeos, visitou feiras musicais e entrevistou diversos personagens para criar “Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees”.

O livro foi lançando em Portugal em outubro e, em novembro, chega ao Brasil através da Chiado Editora. As noites de autógrafo acontecerão no dia 14 de dezembro, às 19h, na livraria Cultura do Conjunto Nacional (São Paulo) e, no dia 18, as 19h, na Blooks de Botafogo (Rio). 

Como fio condutor do livro, Sergio Farias escolheu contar a história do baixista – o único ex-Monkees que nunca havia ganhado uma biografia – entrelaçando-a com a do grupo. Ao vivo, The Monkees colocavam os concertos de rock em um outro patamar.

Como músicos, sua diversidade marcou desde um pioneirismo no uso do sintetizador Moog até a criação do country rock. Essa unidade criativa ganhou admiradores como os músicos dos Beatles, Jimi Hendrix, Frank Zappa e Timothy Leary. Ao exporem o modus operandi da indústria fonográfica, no entanto, a opinião pública os elegeu como bodes expiatórios dos grupos pré-fabricados em plena época da contracultura.

Após o fim da banda, seus membros foram relegados a um ostracismo brutal, e Peter Tork foi o mais afetado. Embora fosse um intelectual e um compositor com formação clássica, capaz de tocar sete instrumentos musicais, para a grande maioria, Peter não passava de “o bobo da série de TV”.

No livro, Sergio Farias apresenta o quarteto como um grupo que brigou pelo direito de tocar em seu próprio disco, buscando ser encarado com seriedade. O biógrafo resgata sua influência também na cena musical brasileira, configurada através de releituras de Wanderléa e da dupla Leno e Lílian e de elogios de Renato Russo.

Ao focar na trajetória de Peter Tork, o autor descortina a derrota e celebra o resgate de um músico e performer de talento, desmistificando a fama de “abobalhado” que ganhou com a série de TV e de “integrante de uma boy band descartável”, como a crítica da época fez questão de catapultá-lo. “Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees” procura fazer justiça ao extraordinário legado dos Monkees na cultura pop, revelando também os conturbados bastidores da banda e traçando a trajetória dramática de Peter e sua peregrinação pelos seus princípios de viver, com surpreendentes sinceridade e humor.

Sergio Farias é carioca e Mestre em Administração Empresarial. Autor da peça teatral “Quem Te Viu, Quem Te Vê” e dos livros “John Lennon Vida e Obra” e “Love Is Understanding - A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees”, foi assistente de direção do dramaturgo e cineasta Domingos Oliveira e colaborador do jornal International Magazine e dos sites beatles.com.br, letsrock, senhorf e jovemguarda. 

Serviço:

Lançamento do livro ‘Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees’ e noite de autógrafos com Sergio Farias

São Paulo:

14/12/2018, às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista 2073, Bela Vista).

Rio:

18/12/2018, às 19h, na Blooks Livraria Botafogo (Praia de Botafogo 316 / lojas D e E).


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Os três tenores


Mais do que a mais nefasta oposição, o presidente Jair Bolsonaro tem como sabotadores inconscientes seus três filhos. Extasiados com o sucesso instantâneo, os três falam asneiras compulsivamente e, toda hora, colocam o pai contra a parede.

Flavio Bolsonaro (37) que explicar ao país sobre R$ 1,2 milhão que foram pousar na conta de um assessor que mora, com todo o respeito, em um muquifo na Taquara, Zona Oeste. Nesse rolo está a primeira dama, Michelle Bolsonaro. Flávio e dona Michelle terão que provar inocência nesse episódio, mas parece que a arrogância meio psicopata do rapaz ignorara opinião pública. Gentalha? Lembra Lula no começo, que desprezava críticas e começou a falar de si mesmo na terceira pessoa. O resultado foi mais do que previsto: está em cana. Ah, sim, tem os filhos de Lula, mas deixa pra lá.

Não adianta justificar, dizer que não entende o que está acontecendo, empurrar com a barriga. Flávio Bolsonaro tem que provar inocência nesse episódio estranho, muito estranho.

Eduardo Bolsonaro (34), também movido pela onda do sucesso descartável, decidiu virar ministro pirata das relações exteriores gerando mal estar e fúria. Foi aos Estados Unidos, falou o que não devia, o pai Jair desmentiu e nesse jogo de amador que se acha rola das galáxias, acabou encurralando o Brasil. Os EUA romperam com a China, Eduardo deu palpite contra a China, os EUA reataram com a China. E agora? China importa R$ 300 bi por ano do Brasil e os EUA, de vez em quando, compram uma caixa de pirulito Zorro..

O governo de Jair Bolsonaro tem apenas 30 dias para mostrar a que veio por uma ração óbvia: o povo está de saco cheio, perdeu toda a paciência depois de ter sido jogado no lixo, desrespeitado assaltado, desempregado. Por sorte montaram uma boa equipe econômica capaz de manter a inflação baixa; chegou a 0,28% mês passado, o menor índice desde 1999. Indústria e comércio estão se arrastando, tentando andar, mas a equipe do novo governo tem vivência comprovada para ajudar o trem sair do lugar. Isso se os três tenores, filhos do presidente Jair, deixarem. Vai que começam a se meter, indicar amiguinhos de clubes de tiro para cargos importantes. Afinal, o maior desafio do novo governo é diminuir o desemprego criado por Dilma e seu vice Temer.

Carlos Bolsonaro (36) arrumou uma confusão até hoje não explicada em Brasília, quando largou o governo do pai e assumiu o mandato de vereador no Rio. O que terá acontecido?

Algumas previsões são obvias: Onyx não passa de 31 de janeiro. Não tem temperamento para a função que exige sabedoria, jogo de cintura. É afetado, louco. Já o sinistro ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, frio, calado, deve durar uns seis meses. Ele está enrolado numa história envolvendo R$ 16 milhões quando foi secretário de saúde do Mato Grosso do Sul. Jair disse que como ele não é réu, tudo bem, pode ser ministro e ele vai sentar em cima de um orçamento de R$ 128 bilhões por ano. Se Mandetta andar na linha o trem não mata.

A frase é de Lúcio Flávio Vilar Lírio, mega bandido dos anos 60 que iniciou na profissão como ladrão de carros, passou a assaltante de bancos, joalherias e matou muita gente. Morreu aos 31 anos no presídio Hélio Gomes, no Rio, com 19 facadas enquanto dormia. O autor foi um colega de cela. Vivo, Lúcio Flávio poderia ser parlamentar nos tempos de hoje.

E os três tenores continuam desafinando a vida do país e do pai.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Hóspede II



Falta de ar pelo amor partido, sem bilhete, 29 anos atrás. Leve asfixia, leve melancolia, leve arrependimento sob a garoa fina e quase fria. Ele mandara o amor partir. Partir reto, sem olhar para trás, sem derramar lágrima, sem se deixar levar pelas nuvens obscuras da falsa esperança. Cretina.

Chega ao topo da serra bela e fria, quase no final da estreita estrada, a subida contornada por cerca viva que se transformava em um diário, onde letras, vírgulas, parágrafos pareciam incorporar os fios de metal entre os moirões. Piso de pedras. No final da subida um pátio, não muito grande, com antigas, muito antigas, marcas de pneus. Bem em frente, uma pequena casa de hóspede, em madeira e telha colonial.

O motor V8 silencioso do carro corta o silêncio opaco daquele lugar que já fora mágico, 29 anos atrás. Havia ecos, de vozes relembradas, remexidas, requentadas. Havia ecos de longos e apaixonados beijos entre os pinheiros que naquela manhã sem vento pareciam estafados, parados, quietos. Como ele.
Escadaria rústica bem à frente. Canil, horta, um pequeno curral, lembrança da canção do vento. A escadaria próxima ao pico do morro onde havia vida. Gado, cães, galos, noites, quintais. Havia vida, galochas, lama, tombos, gargalhadas, amor. Quatro letras que não choram, ele costumava dizer, 29 anos atrás.

Na descida, mais árvores, vento, curral, horta, canil, pátio, som do motor V8 se confunde com o som ensurdecedor do silêncio. A esquerda, a casa. Grande, gentil, hospitaleira. A porta, a copa, a cozinha. Vazias. Nas paredes, manchas de armários que há tempos eram abertos e fechados frenética e alegremente.  Depois da cozinha um pequeno banheiro e a sala de estar. Vazios.

Ecos do leve falatório. Que dia lindo; também acho; vou comprar os jornais; vai chover forte hoje, que bom; eu te amo; também te amo; para sempre; claro; bom dia, senhora; bom dia, senhor; bom dia, bom rapaz.

Colada a sala de estar o salão de jantar. Colonial como toda a casa. Também vazio. Mais ecos, muitos. Vozes, risos, planos, angústias, camaradagem, afeto, um choro de criança, o trote do cavalo manso, a brisa do amor perfeito, os sonhos, as memórias, as reflexões. O motor V8 em marcha lenta empurra o carro devagar em direção ao passado que o homem clama se fazer presente, mesmo que não existam ampulhetas invertidas nessa vida. Tosca, linda. Vida.
Janelões. Vista da mata, cheiro de eucalipto, chuva em terra molhada, alguma neblina, estrelas radiantes, luar, o som incessante do riacho que lembrava uma clave de sol.

Andar de cima. Mais quartos. Vazios. Sossego, canto da cigarra no fim de tarde. Brisa fria, fome, sono, sonhos, mais sonhos. O que será de mim?, pergunta o homem com o carro parado, motor V8 em marcha lenta, obediente.
Deixa o carro, porta aberta, sobe e desce os degraus, as duas salas desertas, a copa, a cozinha, o pátio, as antigas marcas de pneus. A subida se faz descida, contornada de cerca viva, que leva ao quase final da estreita estrada.

Entra no carro, manobra, desce o caminho. Asfalto. O motor V8 ruge, o carro parte em alta velocidade. Alívio, angústia, terror, êxtase, o pé mais fundo no acelerador na grande reta, 230, 270 quilômetros por hora como se quisesse acelerar as partículas e voltar no tempo.

Tempo, aliado que faz esquecer, vilão que despeja lembranças. Tempo, vida, saudade do ferro velho existencial deixado lá, 29 anos atrás, fingindo que nada aconteceu. Mas tudo aconteceu. Só ele não percebeu.

domingo, 9 de dezembro de 2018

"Decepcionistas"


As recepcionistas de salas de espera são espécie em extinção. Nos anos 1980, década de recessão aguda e hiperinflação que culminou com a eleição de Collor, tentaram substituí-las pelas secretárias eletrônicas. Não deu certo. Hoje, segunda década do século 21, assistimos a proliferação das “decepcionistas”, que assombram muitas e muitas salas de espera pelo país.

Aliás, por que muitas salas de espera são insuportavelmente quentes, desconfortáveis, feias, com verdadeiras arquibancadas portáteis onde as vítimas aguardam para ser atendidas? Pior, com aparelhos de TV que parecem ter saído do lixo e canais escolhidos pelas "decepcionistas"? Sala de espera é cartão de visitas, é outdoor.


Em geral, as “decepcionistas” são grossas, carrancudas e amargas, desde o instante em que ligamos para marcar um encontro/reunião/consulta até o momento em que damos de cara com a medusa em questão. Um dia antes, de má vontade, ela telefona para confirmar o encontro e ai daquele que não confirmar. “Não poderei ir amanhã”, confessa a vítima. A resposta vem como um flato: “só tenho (assim, na primeira pessoa) daqui a dois meses.”

Além da grosseria, outro ponto em comum entre elas é a temperatura ambiente. Nós, que em geral pagamos o encontro/reunião/consulta com o (a) chefe da “decepcionista”, saímos de um sol de 50 graus e muitas vezes somos obrigados a encarar uma sala de espera estufa ou, quando tem ar condicionado, permanecem mornas porque a “decepcionista” sente muito frio. Tempos atrás pedi “a senhora pode aumentar o ar condicionado?”. O bugre atacou “não, aqui está muito frio. O senhor vem da rua, mas eu fico aqui o dia inteiro”. Para não perder a cabeça e, principalmente, a consulta, fiquei quieto.

Quando você liga em janeiro querendo agendar uma consulta, por exemplo, a “decepcionista” atende com aquela voz de tédio e azedume e pergunta, secamente, “é plano?”. Você diz que é (plano de saúde para elas é crime) e ela não esconde o êxtase ao informar que “para plano, consulta só em março”. Atônito, você rebate “mas ainda estamos em janeiro” e ela encerra: “e daí?”, tipo “quem manda aqui sou eu, meu chapa” e, na verdade, parece que é a pura verdade. Quem manda naquele terreiro é mesmo a “decepcionista”, que acha que plano de saúde é de graça.

Os casos são muitos. O sujeito chega a uma consulta marcada para as 14 horas e a sala de espera está mais cheia do que van Copacabana-Central do Brasil, as 6 da tarde. Um enigma. É a “decepcionista” que enche a sala de propósito ou é a chefia que manda? O sujeito espera uma hora e é atendido. O chefe da “decepcionista” manda ele marcar uma outra consulta na saída, ele marca para o dia tal, do mês tal, as 16 horas. Chega as 16h30m, sala de espera lotada, o cara das 15h30m sequer foi atendido e a “decepcionista”, com TPM mental, coça a virilha e dispara: “o senhor está atrasado, vai ter que marcar nova consulta”. A vítima tenta argumentar “mas a pessoa que está antes de mim nem foi chamada...” e a ema do apocalipse despeja “não interessa, está atrasado, tem que marcar outra consulta”.

Não esqueço, ano passado, numa sala de espera, um sujeito de terno que não aguentou a patada de uma “decepcionista” dessas. Ele disse “a senhora sabe o que é Google? Se não sabe, o Google já inventou carro que anda sozinho, enfermeiro robô, bancário de alumínio e vai chegar o dia que em seu lugar vai estar sentado um androide educado, minha filha”. Levantou e saiu. Sorte, porque ter a coragem de chamar uma “decepcionista” de minha filha é beijar boca de cobra.

Senti vontade de aplaudir, mas e a vingança da bastarda? Não quis arriscar.


sábado, 8 de dezembro de 2018

Who Came First


Escrevo ouvindo a edição especial estendida de 45 anos do álbum “Who Came First”, o primeiro solo de Pete Townshend. Gravado e lançado em 1972 (na verdade ele comemora 46 anos), é um álbum espiritual e surpreendente.

Eu passava férias e Teresópolis quando chegou a notícia, por amigos, do lançamento, mas não havia a menor esperança de que o álbum fosse lançado aqui. A indústria do disco brasileira, em sua lambança verde e amarela, tinha como hábito dar rasteiras no consumidor. Por exemplo, o lendário álbum duplo “Eletric Ladyland”, de Jimi Hendrix, saiu aqui com um disco só e com uma capa ridícula.

Lá em 72, a amiga Anete, uma judia antenada que conseguia não se sabe como edições da revista Melody Maker inglesa, leu uma resenha sobre “Who Came First” onde o autor falava da rica mistura de rock e folk. Daí a minha surpresa. Afinal, na liderança do The Who, Townshend vinha de uma avalanche de super lançamentos como “Tommy” (1969), “Live at Leeds” (1970) e “Who’s Next” (1971), com o peso característico da banda.

Outra surpresa: o disco saiu no Brasil e quase não acreditei quando os violões e guitarras (leves) de Townshend começaram a invadir o ambiente com canções que viraram clássicos. No encarte de papel vagabundo, a informação: “Um dólar de cada álbum vendido é doado à instituições beneficentes.” Quando ouvi a faixa “Parvardigar” pela primeira vez me senti inundado de paz, não por razões esotéricas, mas pela beleza da música (por isso a coloquei lá em cima) e da letra.

Pete Townshend havia se tornado discípulo do indiano Meher Baba, impressionado com a sua história. A trajetória do líder espiritual tomou novos rumos a partir de dois acidentes automobilísticos que ocorreram em 1952, nos EUA em 1956, na Índia. Por causa dos acidentes sua capacidade de caminhar ficou muito limitada e, em 1957, ele ficou completamente confinado a cadeira de rodas e, misteriosamente, se aprofundou mais ainda em sua fé. Morreu em janeiro de 1969 e seu túmulo em Meherabad é considerado local sagrado ainda hoje e se tornou um local de peregrinação.

Originalmente com nove faixas, a edição especial de “Who Came First” conta com 26 músicas, todas remasterizadas. Muitas são preciosas raridades que estavam nos arquivos como shows ao vivo que Townshend fez no túmulo de Meher Baba, mentor que que não chegou a conhecer pessoalmente.

Um álbum que comove, leva a devaneios suaves, um certo nó na garganta, especialmente em fases da vida quando a sensibilidade está aflorada.





sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O devedor de promessas, ou, já é Natal na Leader


O trânsito, as calçadas, as lojas, as pessoas, os meios de comunicação. Vão dizer que é por causa do Natal, associado a injeção do 13º. salário, mas não creio que seja somente isso. Mesmo porque, com o desemprego criado por Dilma, que inventou Temer e seu bando e, de sobremesa, nos serviu uma recessão histórica (sem falar de outros problemas do submundo), não há 13º, nem 8º, nem 1º., nem 5º. salário para mais de 12 milhões de brasileiros.

A marca de dezembro é a ansiedade. Vários fatores se encontram no mesmo cruzamento como, por exemplo, a descabelante perspectiva de um fim de ano com a velha ladainha dos famigerados comentaristas econômicos e suas pregações catastróficas, regadas a mesmice. Além disso há débitos existenciais e afetivos que tem que ser quitados até meia noite de 31 para 1 de janeiro.

Como roteiro de uma peça de teatro, tudo tem que entrar em cena na hora certa, com o astral certo, com as pessoas certas. Os rituais do Natal, do Ano Novo, as cores das roupas e, mais uma vez, as promessas, pular várias ondas no mar, ou fazer não sei o que nas cachoeiras. Somos escravos de nossas próprias promessas, especialmente em dezembro, quando nos tornamos devedores de promessas, entramos no SPC das ilusões.

Dizem que é assim em boa parte do mundo, pelo menos onde o Ano Novo é parecido com o nosso. Em dezembro não só as lojas ficam cheias mas também os consultórios médicos (check ups de fim de ano), dentistas, psicólogos, enfim, nós nos preparamos para uma gigantesca batalha invisível que nós mesmos inventamos que é ter que estar bem, muito bem, na hora “da virada”. Como se fôssemos dormir camundongos no dia 31 para acordar canários belgas no dia primeiro de janeiro.

Entre os responsáveis pela alta ansiedade de dezembro está o implacável bombardeio da propaganda em todos os sites da internet, mais canais de TV, emissoras de rádio, jornais, revistas, panfletos, enfim, todos os meios e formas de comunicação.

O que mais vemos e ouvimos é “corra, porque neste Natal você não vai encontrar preço igual”, ou “há quantos Natais você promete uma casa nova para morar?” e assim vai. Afinal é a data de maior consumo no ocidente.

Como se livrar disso? Acho que não existe uma receita coletiva para escaparmos desse desvairado consumismo somado a promessas que desabam nos ombros já previamente cansados do Ano Novo, soterrado de pré-datados existenciais.

A convicção de que não vale à pena sofrer com tanta ansiedade já é um bom caminho e que Saúde, Paz e Dinheiro, isso sim, é um lema válido de dezembro a dezembro. Quanto ao espírito de Natal é tão mais profundo e puro que não ouso descrever.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Por que o jazz não faz mais parte da cena pop? Leia a resposta de Herbie Hancock embaixo da foto

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“Porque não é mais a música que importa. As pessoas não querem mais saber da música em si, mas sim de quem faz a música. O público está mais interessado nas celebridades e em como determinado artista é famoso do que na música.

Mudou a maneira como o público se relaciona com a música. Ele não tem mais uma ligação transcendental com a música e sua qualidade. Quer apenas o glamour. O jazz não quer fazer parte disso. Sabe por quê? Não se trata de humildade, nem de arrogância, de uma postura “não queremos ser famosos, somos underground”. Nada disso. O jazz é sobre a alma humana, não sobre a aparência.

O jazz tem valores, ensina a viver o momento, trabalhar em conjunto e, especialmente, a respeitar o próximo. Quando músicos se reúnem para tocar juntos, é preciso respeitar e entender o que o outro faz. O jazz em particular é uma linguagem internacional que representa a liberdade, por causa de suas raízes na escravidão. O jazz faz as pessoas se sentirem bem em relação a si mesmas”.

Publicado no Facebook da Radio Jazz Medley – Varginha - MG

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Porque o rádio ainda é o rei da comunicação no Brasil? Entenda. Por Luiz André Ferreira - jornalista, professor, Diretor da Kroton, Estácio/FACHA


Apesar dos avanços tecnológicos, o velho rádio mostra que ainda é o maior veículo de comunicação, o menos vulnerável a crise econômica e o que menos vem sofrendo a concorrência com as mídias sociais. Pelo contrário, vem rejuvenescendo seu público através de seu consumo através de outros meios como: celulares e online ou mesmo podcast. Pesquisas apontam essa vitalidade do meio inventado pelo brasileiro Padre Landell de Moura e implantado por Eddard Roquette-Pinto.

Atlas da Notícia: maior em quantidade

Foram mapeadas 4.007 estações de rádio (entre AM e FM) operantes no país enquanto existem 3.368 jornais impressos, 2.773 emissoras de televisão e somente 2.263 veículos online, que só não perde no ranking para a queda vertiginosa da quantidade de títulos de revistas circulando no país, apenas 56 edições nacionais.

O curioso é que somente nos grandes centros os digitais se mostram de uma forma significativa. Em São Paulo, os sites de jornalismo correspondem a 67% do total dos veículos. Já no Rio de Janeiro 62% e em Brasília 45%.

Morte de Jornais

Ao mesmo tempo em que são poucas as rádios que encerraram atividade ( já que ninguém entregou a concessão ao Governo) recente pesquisa "Atlas da Notícia", feita pelo Projor - Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, registra que foram fechadas o total de 81 empresas. Entre elas os jornais: “Brasil Econômico”, “Diário Mercantil”, “Jornal do Commercio”, “Diário de São Paulo”, “Diário do Comércio” e “Jornal da Tarde”.

Crise das Revistas

As dificuldades econômicas na Editora Abril ( em processo de recuperação judicial) contribuíram para a descontinuidade de, pelo menos, 16 títulos este ano, entre eles: “Cosmopolitan”, “Elle”, “Boa Forma”, “VIP”, “Viagem e Turismo”, “Mundo Estranho”, “Arquitetura”, “Casa Claudia”, “Minha Casa”, “Bebe.com.”, “Veja Rio”, “Capricho”, “Guia do Estudante”, “Placar”, “Saúde”, “Você RH”. Também afetada financeiramente, a Editora Escala extinguiu mais 5 produtos: “Tititi”, “Minha Novela”, “Conta Mais”, “TV Brasil” e “7 Dias”.

Ibope aponta que mais da metade da população ouve rádio

Já outra pesquisa, a “Book de Rádio” elaborada pelo Kantar Ibope mostra que 53% da população escutam regularmente. A média de tempo é de 4 horas e 40 minutos por dia. Mas o que chama também a atenção é um dado qualitativo: em plena descrença da onda do Fake News, 78% dos ouvintes consideram esse veículo como confiável, um dos maiores índices entre os meios de comunicação. 
Sendo assim, o rádio é visto como uma fonte ágil e precisa em informação.
35% dos ouvintes declararam procurar o rádio para se informarem quando ocorre um fato inusitado.   83% acreditam que os programas e boletins são mais fáceis de entender e 74% que a cobertura oferece comentários e análises com profundidade

Aumento das Webrádios

O estudo também identificou o crescimento da rádio na web: o tempo médio diário dedicado às rádios online é de 2h21min. Isso representa um acréscimo de 14 minutos na audição diária do que apresentado na análise passada.

Mineiro é o que mais ouve

A população de Belo Horizonte (MG) é a mais fiel ao veículo: 95% ouviram nos últimos 30 dias. Porém os moradores da capital cearense são os que passam mais tempo consumindo rádio por dia: um total de 5 horas e 4 minutos. Quase empatado está o carioca com 5 horas e 3 minutos. Os dados apontam ainda que 32% prestam atenção sempre ou quase sempre à publicidade veiculada. Do público ouvinte 52% são mulheres e 48% homens.

O pico de consumo é entre 10h e 11h da manhã, quando alcança um total de 37 milhões de pessoas diferentes em um intervalo de 30 dias.

Fim do Mito: rádio não é mídia de velho

Outra máxima que cai por terra é a de que o rádio é um veículo consumido por pessoas mais idosas. Os dados revelam que 91% dos entrevistados na faixa etária entre 15 e 19 anos declararam ter ouvido nos últimos 30 dias. Este alcance é de 90% entre as pessoas de 20 a 49 anos.


sábado, 1 de dezembro de 2018

Dizer que todo militar é um cancro é o mesmo que afirmar que todo petista é ladrão


No artigo “Militares e Militantes”, publicado ontem no Globo, Nelson Mota escreveu que a sua geração ficou traumatizada com militares e passou toda essa raiva, medo e antagonismo às gerações seguintes, por associá-los à memória dolorosa da ditadura. 

Mais adiante, o jornalista opina: “Com a democratização e sua correta atuação, as Forças Armadas ganharam prestígio e popularidade e hoje são a instituição em que a população mais confia. E os políticos, a menos confiável. (...) Elas são uma das instituições mais democráticas do país, na igualdade de oportunidades para brancos e pretos, pobres e ricos, homens e mulheres, crentes e ateus, com suas promoções, responsabilidades e salários baseados no mérito e em resultados. Garantem estudos de qualidade e cursos de especialização, formam bons profissionais no princípio da disciplina e da hierarquia, da ética e da disposição de servir ao país. (...)

(...) Depois de toda a desilusão com ministros políticos e os estragos que fizeram, por que não tentar militares com formação, especializações e experiências que os capacitem a ocupar uma pasta-chave como a Infraestrutura? Justamente onde abundam as ratazanas que se alimentam de obras públicas, propinas e concorrências fajutas, onde obras fantasmas, sem sair do papel, consomem milhões e enriquecem uns poucos, como o trem-bala de Dilma, como as milhares de obras paradas pelo país. O ideal é um general para comandar com mão de ferro essa missão contra a corrupção sistêmica e pela melhoria das obras públicas.


No Globo de hoje, Merval Pereira escreveu: “Assim como o ex-presidente Lula se cercou de sindicalistas, e o ex-presidente Fernando Henrique de intelectuais e acadêmicos, é natural que Bolsonaro se cerque de militares. Só que precisa incorporar a institucionalidade civil do cargo.”

O preconceito é um grave problema, mas pior é o pós-conceito. Apesar da mudança de perfil dos militares de hoje, muita gente ainda os chama de “gorilas”, tacanhos, censores, torturadores. Dizer que todo militar é um cancro é o mesmo que afirmar que todo petista é ladrão.

Confesso que devido ao clepto-trauma dos últimos anos desenvolvi uma fobia relacionada a muitos sindicalistas e a parte da nova esquerda e sua ganância de grana e poder, especialmente a mentalidade rasteira dos que acham que “quem é contra nós é eleitor de Bolsonaro”, ou “quem é contra nós é de extrema direita”, ou “quem é contra nós é contra o pragmatismo político”.
Não voltei em Bolsonaro (Ciro no primeiro turno e nulo o segundo) mas não concordo com os atuais, digamos parâmetros pragmáticos da nova esquerda, que muito lembram os de Lúcio Flávio Vilar Lirio (1944-1075), um dos maiores assaltantes de bancos da história do Brasil.

Os militares de ótimo currículo em área civis do novo governo talvez consigam afastar esse mito que habita alguns setores de que “lugar de milico é no quartel” e outros. Há uma coisa em nós que parece sedimentada, a nossa história. Impossível mudar o passado; o seu, o meu, o de Lula, de Dilma, de Bolsonaro, Al Capone, Pernalonga e Padre Zezinho. E parece que todo ser humano (é o que dizem) tem um vacilo lá atrás, seja de qualquer área, por isso sugiro que antes de vir com esse papo mofado de “milico fora”, procurem no Google a história dos personagens.

P.S.

Nesse Natal dê livros de presente e ajude a salvar o mercado editorial brasileiro. Qualquer livro, qualquer preço, qualquer editora. Além do mais, livro é um excelente presente.