segunda-feira, 22 de julho de 2019

Afinal, o que é o filme “Aumenta que é Rock and Roll”, baseado no livro “A Onda Maldita”?


Diretor Tomás Portella vai exibir, no Lapa Café, um teaser de 15 minutos com cenas do filme.


                      Tomás Portella (a frente) e o elenco de "Aumenta que é Rock and Roll"                                                                             

Filmagem no Parque da Cidade - Niterói, RJ
Johnny Massaro interpreta "Luiz Antonio" e Marina Provenzzano
  a locutora "Alice"
Marcelo Oliveira, Marcelo Siqueira (ao meu lado), Cristiano Reis
(primeiro a esquerda) e um grupo de associados do Social Rock Club. Demais!


Nesta quarta-feira (depois de amanhã) as 19 horas, no Lapa Café (https://bit.ly/2Sx89gd) o cineasta Tomás Portella e eu estaremos batendo um papo sobre o filme “Aumenta que é Rock and Roll”, uma ficção de L.G. Bayão baseada em meu livro “A Onda Maldita – como nasceu a Fluminense FM (https://amzn.to/2JIG7LS).

O encontro é mais uma produção ação do Social Rock Club e da RÁDIO A ONDA – rock autêntico, www.radioaonda.com.br , e segundo o diretor Marcelo Oliveira “a proposta do SRC é debater, conversar, ouvir, ver o rock em todas as suas texturas e nuances. Esse filme vai ser um enorme sucesso e as pessoas estão ávidas por detalhes porque ele envolve a Maldita a rádio mais emblemática que tivemos”.

Para mim será uma ótima oportunidade para esclarecer que a história é uma ficção, uma bela e bem humorada invenção do escritor e roteirista L.G. Bayão, com base no meu livro. Aliás, sobre isso ele escreveu esse artigo no site da Rádio a Onda: https://bit.ly/2Y6HqIt

Tomás Portella mostrou mais uma vez porque é um dos mais brilhantes diretores de sua geração. O ritmo, a fotografia, a pegada do filme são totalmente novos. O filme é ágil, ansioso, criativo, maldito

No Lapa Café, o Tomás vai contar como foi misturar o livro, o roteiro do Bayão e transformar tudo isso, toda essa energia, num longa metragem.

Ele vai exibir um teaser de 15 minutos com cenas do filme.

Enfim, a noite vai ser boa!

P.S. – O Social Rock Club, a cada evento, cada workshop, documentário que produz, mostra a importância de um verdadeiro clube de rock. O SRC reúne pessoas que, em comum, tem o rock como paixão e muitas ideias, propostas, sugestões para

Os clubes são um importante pilar da democracia. A partir deles a sociedade civil desenha as suas entidades. Por isso sou fã do SCR que, entre outras coisas, viabilizou a nossa RÁDIO A ONDA. Para conhecer e se tornar sócio (vale muito à pena!) basta acessar https://bit.ly/2M5hR8s



domingo, 21 de julho de 2019

Canto III (trecho) Álvares de Azevedo

Eu amo a lua pálida, alta noite,
Quando tudo é silêncio —e desgarrado
Vago dos campos na mudez, sozinho,
Ao lânguido palor das luzes dela;
Sentindo o peito se enlevar sorvendo
Os hálitos da aragem que me envolve
Como braços de virgem: — Amo a lua...
Alvíssima passando entre o silêncio
Na fulgência do céu límpido e claro
Semeado d’ estrelas!

quarta-feira, 10 de julho de 2019

A Rádio MEC é fundamental


O presidente Jair Bolsonaro decidiu tirar a Rádio MEC AM do ar. Dura até o mês que vem.

Dois ângulos dessa decisão: em se tratando de mercado, AM acabou. O sistema Globo de Rádio, por exemplo, devolveu todas as concessões de emissoras AM ao governo e, literalmente, demoliu as torres de transmissão.
Mas a MEC não é rádio de mercado. É rádio de educação. E as ondas médias (AM) são de longo alcance, chegam em áreas onde as FMs nem sonham. E nessas regiões há milhões de brasileiros que precisam de uma rádio de qualidade.

Por exemplo, uma FM com 10 kilowatts de potência pode chegar a 150 quilômetros em linha reta, mas o sinal cai onde há serras, montanhas morros. Uma AM de 50 kilowatts pode passar de 400 quilômetros, ondas muito mais altas. O som é aquela caixa de sapato que conhecemos.

Custam, em energia elétrica, manutenção, etc, mais do dobro de uma FM. Mas uma rádio do governo com o perfil da MEC não pode ver nisso despesa e sim investimento, contrapartida de nossos impostos. Um mês de MEC AM certamente deve custar menos do que 15 dias de mordomias, carros oficiais, jantares, viagens, para os três poderes da Corte.

Em sua coluna no Globo de hoje, Ancelmo Gois informa que a pianista Clara Sverner (82 anos), um ícone, tem reunido a nata da música clássica para debater a Rádio MEC e sugerem a criação de uma segunda FM. A primeira para música clássica, a segunda para a brasileira.

Acho ótimo.

Mas creio que a prioridade é salvar a FM que restou, antes que acabem com tudo e depois retomar o perfil de música clássica da MEC FM. 24 horas de música clássica, só música clássica.

Bom lembrar que em muitos países da Escandinávia acabaram as transmissões de rádio “pelo ar”. Só internet, através de wifi. Por aqui, transmissões pelo ar devem durar até 2025.

No máximo.


terça-feira, 9 de julho de 2019

Pescaria entre aspas


Na avenida Litorânea, que liga o Gragoatá à Boa Viagem, em Niterói, as pessoas pescam dia e noite. Pesca de caniço, isca, anzol. Param seus carros de frente (em geral esses carros tem adesivo com os dizeres do tipo “Estressou? Vá pescar”) e ficam horas e mais horas pescando.

Eu adoraria ter saco para comprar um caniço, os anzóis, a isca, pegar aquela tralha e ficar me cortando todo com faca mal amolada tentando pescar. Ia acabar tendo um ataque de ansiedade porque, definitivamente, os trabalhos manuais estão longe de meu menu de funcionamento. Odara discorda. Odara diz que meus trabalhos manuais são imprescindíveis. Odara é Odara.

Um amigo garante que a maioria dos pescadores de caniço está ali como desculpa para sair de casa e ficar algumas horas descansando, contemplando o mar, sem ninguém enchendo o saco. Botam a isca no anzol, arremessam e ficam olhando para o horizonte, repousando, descansando sem ter que dar satisfações, ninguém porque, afinal de contas, não são loucos olhando para o nada e sim pescadores, entre aspas.

Só que, garante o meu amigo, muitos nem anzol colocam. Figuração total. Em tempo meu amigo é psiquiatra.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Bossa

                                                              João Gilberto, Rio 1960         

Minha conexão com a bossa nova se deu em dois momentos: na infância, toda vez que a família vinha de Angra para Niterói (passava pelo Rio) de carro meu pai aumentava o volume do rádio. Tocava muita bossa nova na Rádio Jornal do Brasil, que ele ouvia sempre.

Ao som de bossa nova, digo, Bossa Nova (merece maiúsculas) o carro descia a Via Dutra, entrava na avenida Brasil e passava em frente a uma área enorme cheia de caminhões e máquinas, onde um gigantesco outdoor informava: “Aqui, a futura sede do Jornal do Brasil”. A logomarca do JB era um elefantinho.

As notícias da Rádio JB (que como o jornal, funcionava na avenida Rio Branco, 110) brotavam no alto falante do carro, seguidas de ótima música, em especial Bossa Nova. Foram registros muito fortes que só fui perceber muito mais tarde.

O Jornal do Brasil mudou-se para a avenida Brasil, 500, em 1972. Comecei a trabalhar lá, como repórter da Rádio JB AM, em 1974. Toda vez que entrava no prédio, olhava para o ponto da avenida Brasil onde, pequeno, avistava o tal outdoor nos tempos de Angra-Rio, e “ouvia” Bossa Nova. Começar a trabalhar no edifício do elefantinho foi a realização de um sonho, por sinal, o sonho e todo jornalista naquele tempo. A história impressionante do Jornal do Brasil foi contada por Cezar Motta no livro “Até e última página – uma história do Jornal do Brasil”; conheça aqui https://bit.ly/2XxCZ9s . A querida Belisa Ribeiro escreveu “Jornal do Brasil: História e memória”, detalhes aqui: https://bit.ly/2JixmIg .

A Bossa Nova voltou a me seduzir na segunda metade da década de 1980 graças ao convívio com o amigo e mestre Roberto Menescal. Ele era diretor artístico da gravadora Polygram e foi numa tarde chuvosa que, almoçando no Tarantella com ele, comentei que gostaria de fazer uma incursão profissional na Bossa, quem sabe produzindo alguns artistas novos, etc. “Não quero ficar estigmatizado como roqueiro”, eu disse.

O sábio Menescal deu um sorriso engraçado e disse “as pessoas me olham e só pensam na Bossa Nova e no “Barquinho” (https://bit.ly/2RZkKsq), não tem jeito. Comecei a curtir. Por isso, curta o rock. Curta muito esse estigma”. Nunca mais pensei no assunto, mas comecei mesmo a ouvir Bossa Nova com direito a livro de Ruy Castro na cabeceira.

Menescal é um dos pioneiros da Bossa Nova e, claro, conviveu muito com o João Gilberto, um músico que para mim é um grande enigma. Provavelmente por ignorância, não entendi – ou atingi – a sua propalada genialidade, não compreendi a sua maneira de cantar, como absorvi, por exemplo, a música eletroacústica de Karlheinz Stockhausen. Mas ele inventou a Bossa Nova e isso é mais do que suficiente. Não sou tosco. Muita gente achava graça de suas excentricidades, parar shows porque o ar condicionava incomodava, etc. 

Sempre achei uma chatice isso. Dele e de outro gigante, Keith Jarrett, que tinha mania de interromper concertos no meio porque alguém espirrava na plateia. Jarrett parou com isso nos anos 1990.

Eu queria escrever alguma coisa sobre o João Gilberto, um homem cultuado e admirado em todos os continentes, que representa um enorme salto cultural do Brasil, a partir do final dos anos 1950. Por isso, escrevo para desejar a ele Paz e Sossego, ao lado de Deus.             

             

sábado, 6 de julho de 2019

A importância histórica da Flip, que começa semana que vem


Na próxima semana (beleza!) a Flip volta e pegar o Brasil pelas mãos e colocar diante do mais rico, puro, autêntico símbolo do pleno saber: o livro.
A 17ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty –  acontece de 10 a 14 de julho, em Paraty e você pode saber e todos os detalhes acessando https://www.flip.org.br/ .

Se o mercado de livros está mais forte, devemos muito a Flip que jogou essa joia preciosa na mídia, na cabeça, na alma das pessoas. A partir dela, outras feiras literárias foram criadas e o livro ganhou um novo status junto as pessoas. Deixou a condição insular de objeto temido/rejeitado/estigmatizado e tornou-se fundamental.

O que seria da educação sem os livros? E da cultura? O que seria de todas as artes?

A Flip merece todas as honrarias e homenagens. Mais do que tido, precisa ser eterna e para isso necessita, apenas, que todos os envolvidos do setor (e fora dele) continuem bancando o evento.

A Flip, desbravadora Flip, pioneira Flip, o humilde agradecimento de um brasileiro.

Parabéns, Liz Calder, Esther Hamburger, Belita Cermelli, Louis Baum, Mauro Munhoz e toda equipe.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Reconhecimento


Sabe aquele quadro pequeno pendurado na parede com os dizeres “Funcionário do Mês” com uma foto e um nome? Cada vez mais raro, vi um há tempos em um café nas imediações da rua do Ouvidor. Coincidentemente o tal funcionário do mês foi o que me atendeu. Dei parabéns, o cara ficou meio sem jeito e tal, agradeceu e seguiu trabalhando, sorriso estampado na cara.

A espécie humana não sobrevive sem reconhecimento, o que não é um privilégio nosso. Cachorros adestrados quando fazem direito uma evolução ganham reconhecimento e biscoitos. Golfinhos e focas ganham reconhecimento e sardinhas. Por que com a raça humana seria diferente? 

Medalhas, troféus, diplomas de “Honra ao Mérito” e vários outros símbolos mostram que o ser humano quando reconhecido abertamente rende muito mais. Autoestima turbinada. Parece óbvio, mas não é.  Não é porque sempre há mais pancadas e críticas do que elogio.

Assim cavalga a humanidade.


segunda-feira, 1 de julho de 2019

Mau Humor


Durante uns anos fui freguês de um comedouro nas imediações. Distraído, olhando e pensando em outras coisas, fingi que não sabia o quanto era mal tratado naquele negócio. Gente mal humorada, distribuindo coices pelas baias de fregueses pacatos, cansados, arregados, entre eles eu. Para piorar, o negócio aumentava o preço dos seus produtos à galega, de acordo com o (mau) humor dos donos.

Há dois anos entrei e dei boa tarde. Como de praxe, uma funcionária com um bico de pica pau na cara, não respondeu. Dei boa tarde mais duas vezes e nada. Perguntei se a canja de galinha estava boa e ela respondeu “tem que pagar as torradas avulso”. Rebati “avulsas, minha filha. Avulsas!”.

Saí e fui para um outro curral, no mesmo comedouro. Outra funcionária, tromba à mostra, bico de avestruz. Dei boa tarde, nada. Boa tarde segunda vez, resposta: “vai querer o que?”. Saí prometendo a mim mesmo não voltar mais, o que de fato aconteceu. Muitas vezes demoro, o saco inflama, arde, pela, mas quando torra adeus. Aí o leitor pensa “esse cara só cita grosseria de mulher” e eu respondo “sim, porque homem você dá logo um esporro e ele bota o rabo entre as pernas”.

Minha alma levemente babaca atura quase tudo da humanidade, menos mau humor. Flagelo universal, o mau humor pode ter feito D. Pedro I gritar “independência ou morte” na margem do Rio Ipiranga, mas hoje a história revista mostra que é pura cascata. Acometido de violenta caganeira, o imperador nada disse, nada gritou, mas fez a independência, sim. Era mal humorado, detestava banho, fedia, e, dizem as lendas, pegava até as éguas na Quinta da Boa Vista. Mas quando se sentia de tromba sumia de circulação. Tinha consideração com os outros mortais.

Uma pessoa com mau humor não deveria sair de casa. Ou sair e ficar quieta. Um amigo tem duas filhas, 20 e poucos anos, propensas ao mau humor, que moram com a mãe, também mal humorada meio crônica. Ele já combinou com as filhas que quando estivessem de bico, avisassem para ele não aparecer. Como não é de lata, o amigo retribui sumindo quando o mau humor o pega de jeito.

Um conhecido diz que o bico, ou bicão/bocão/tromba/ cada de cu, é um quadro comum entre os mal humorados. Ele me conta que “quando estou mal humorado, chego em casa, pego o cachorro e saio para passear infinitamente, noite adentro.” Aliás, se existe um ser perfeito neste planeta, este ser é o cachorro. Fome, frio, doença, calor, calor, calor, nada tira o cão de seu bom humor.

Passando em frente ao tal comedouro que abriu esse texto, sinto alívio. Não voltei mais lá, optando por outros comedouros bem mais civilizados, educados, respeitosos. Ninguém é obrigado a aturar mau humor, seja pago, seja grátis, seja de que forma for. Por mais que, eventualmente, haja pedregulhos em nossa trilha existencial, e isso gere frustração e mau humor, ninguém tem nada com isso.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Onanismo ao vento


Por motivos não alheios a minha vontade meu fuso horário deu uma virada. Longa madrugada. Não gosto de escrever e publicar no ato, no pós coito imediato. Deixo decantar, como café turco, horas depois passo o pente flamengo e publico.

O que mais nos difere dos chamados irracionais é a consciência do afeto, apesar dos cachorros. Sempre conversei normalmente com os cachorros que  pareciam entender o que eu dizia e, também, sentiam os meus afagos. Sinto falta de cachorro e de sua vasta (na verdade infinita) paciência de ouvir, ouvir, ouvir.

Na faculdade fiz um trabalho sobre isso, mas omiti o exemplo dos cães para que não achassem que é coisa de maluco. O professor de Psicologia Social não gostou quando, para disfarçar, escrevi que os animais vivem única e exclusivamento deinstintos, reflexos. O professor disse que viveu uma experiência num lugar bem perto de uma família de gorilas, o que virou a sua cabeça. Passou a achar que, de alguma maneira, os animais irracionais também tem essa percepção e me deu nota 7. No final do mês a nota tinha subido para nove. Perguntei por que e a resposta veio vaga: “Realocação de conceitos”, ele respondeu.

A diferença é que nos cães o amor é incondicional, na espécie humana, não. Quando inteligentes emocionalmente, homens e mulheres amam, desde que... em contrapartida... também quero. Há execções, casos sadomorais de indefinição crônica e doentia, mas aí á outra história. Em suma, o amor jamais foi incondicional, papo de existencialista amador. Porque o ser humano é condicional em sua essência. O amor sozinho não sustenta, Machado de Assis especulou a respeito lá no século 19.

E o paradigma prevalece em tempos de inteligência artificial.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

International Magazine


Anteontem o colega Emilio Pacheco, gaúcho de Porto Alegre, postou no Facebook um muito merecido texto reconhecendo o seu trabalho e citou o International Magazine, jornal musical mensal da maior importância que atravessou o Brasil durante muitos anos nos anos 1980/90. Emílio escreveu lá, muita gente boa ligada a música frequentava as páginas daquele tabloide que dava show de conteúdo porque tinha uma equipe de colaboradores livre. Literalmente.

O jornal era uma parceria do Marcelo Fróes e Marcos Petrillo e eu tinha um espaço chamado “Desconsiderações”. O ser humano não é contemporâneo de seus momentos felizes (prefere sentir saudade desses momentos no futuro), sei lá por que, e como também sou gente (presumo) também sou assim.

Quem conheceu o I.M. certamente sabe do que estou falando e quem não conheceu perdeu. Foi um grande jornal. Hoje posso afirmar com todas as letras que nunca me senti tão livre escrevendo porque despejava tudo o que vinha a cabeça, sem, sequer, usar um pseudônimo como barraca.

Nunca fui tão pornográfico. Muitas vezes que fui comprar o I.M. na banca ficava preocupado (vejam vocês) se o jornaleiro, que era leitor, ia associar meu nome ao cafajeste que escrevia “Desconsiderações”. Nem quando escrevi no Pasquim ousei pensar em tamanha infâmia. Adorável infâmia. Adorável, divertida, autêntica. Indecência descarada.

Não nego que neste momento sinto o horror da saudade e da nostalgia. Saudade do cara que escrevia “Desconsiderações”. Hoje não tenho mais coragem de chutar coqueiros dando gargalhadas porque mudou o planeta, mudamos todos. Se eu escrevesse aquela página estaria preso, em nome da moral e dos bons costumes da nova UDN (https://bit.ly/2sOuOrP) que está mordiscando o poder com seus estatutos, regulamentos, normas, determinando como se fala, como se beija, como se vive.

A cada mês a página ficava mais radical porque os leitores (leitoras, principalmente) incentivavam, jogavam mais gasolina no lampião de labaredas altas e, como um pau de enchente, me deixava levar como se descesse as Cataratas do Niágara de peito.

Não tenho nenhum exemplar do I.M. e se não fosse a digitalização da Biblioteca Nacional, que abriga os jornais onde trabalhei, não teria nada. A minha relação com o passado é meio erma, e não vejo nisso qualidade alguma, mas uma vez ouvi no rádio Zora Yonara dizer que ignorar o passado é coisa do meu signo. Não gostaria de reler “Desconsiderações” hoje porque esses raios não caem duas vezes no mesmo lugar.

Valeu a lembrança, Emílio.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Arariboia, o cacique que merece um filme; vão virar a estátua ao contrário?



Domingo, a jornalista Ana Cláudia Guimarães que assina a coluna “Fome de Que?” do Globo Niterói (trabalha também com o grande Ancelmo Góis), lançou uma enquete. No Facebook ela explicou:

“A estátua do Araribóia deve continuar de costas para a cidade no novo projeto assinado pelo escritório Burle Marx? A História, como bem lembra o querido jornalista Barcímio Amaral, diz que “Araribóia foi um índio vendido aos invasores por ter ajudado os portugueses contra os franceses e contra outra tribo, Tamoios. Como recompensa, Araribóia ganhou de presente a atual região de São Lourenço, que deu origem a nossa cidade: “Foi tão canalha que adotou um nome português, Martim Afonso de Sousa, em homenagem ao navegador”, diz Barcimio. O que vocês acham?”

Ou seja, podem virar a estátua de frente para Niterói ou mantém como está? Opine aqui (eu já deixei minha mensagem lá): https://www.facebook.com/ana.c.guimaraes.5

Caro Barcímio Amaral, há muitas flechadas mal explicadas nessa história. E não é pelo fato de Araribóia ser o meu maior ídolo local que o defendo. Explico mais adiante. Um abraço.

Volto o HD. Tomas Portella é um dos meus papos prediletos porque os assuntos não terminam, vão se transformando. Não foram poucas as vezes que falamos no telefone até 2 da manhã, ideias, sonhos, alguns delírios.

Ele é o diretor do filme “Aumenta que é Rock and Roll”, uma ficção escrita por L.G. Bayão, baseada em meu livro “A Onda Maldita – como nasceu a Fluminense FM”; em breve, novidade sobre o livro. Só dependo de entraves internáuticos para tocar os clarins.

O diretor se tornou meu amigo. Amigo, não. Grande amigo. Sou muito grato a ele por compreender a minha ansiedade explícita ao longo dos últimos meses com a realização do filme porque, em se tratando de imagens em movimento, a minha cabeça profissional foi adestrada pela TV e pelo VT, mas sobretudo pelo rádio. Imediatismo total, urgência, é pra ontem, e tal. O Cinema é bem mais profundo, reflexivo, logo, lento. Por isso, Cinema é arte e a TV; bom há controvérsias, mas como adoro os dois me sinto confortável sentado no vão central das neutras opiniões. Além disso, o Tomás teve uma atitude pessoal rara comigo. Rara e comovente.

Nos anos 1990 (para ser preciso, em 1991) quando eu presidia a Fundação de Arte de Niterói – FAN – o cineasta e também amigo Luiz Carlos Lacerda criou um maravilhoso polo de Cinema e Vídeo. A ideia foi de Jorge Roberto Silveira, amigo comum e prefeito e o polo voou alto, fez o maior sucesso, muita gente foi lá sorver a imensa sabedoria do “Bigode” (como Luiz Carlos é conhecido por 500% das pessoas), principalmente estudantes.

Foi nessa época que ele falou de seu sonho: filmar a vida de Araribóia, o cacique que fundou Niterói. Ele falava dos cenários, dos planos de câmeras, nas ações, mas seria uma produção absurdamente cara para o Brasil. Anos depois, quando vi Piratas do Caribe, de Rob Marshall, pensei “se Araribóia fosse filmado, teria que ser assim”.

Afinal, não é barato criar caravelas francesas invadindo a Baía de Guanabara em 1555, centenas e centenas de canoas, índios, Estácio de Sá levando a flechada envenenada e fatal de um tamoio (os tamoios foram abduzidos pelos franceses, e os temiminós de Arariboia pelos portugueses), milhares de locações, cenários reais e virtuais, enfim, um sonho.

Um sonho que é também do Tomás Portella. Filmar Arariboia é absolutamente fascinante porque, provavelmente, ele é o índio mais importante daquele período da história do Brasil. Ou não?

Comecei a procurar exaustivamente o livro “Arariboia, o Cobra de Tempestade”, do professor Luiz Carlos Lessa, uma das primeiras publicações da Niterói Livros (também da FAN). Saiu em 1992, esgotou, mas a José Olympio deu sequência em reedições. Até que o estoque acabou e como não achei o meu (carinhosamente apelidei minha estante de Chupa Cabra, some tudo lá) entrei na Estante Virtual, meu Samu literário e....lá estavam alguns exemplares seminovos e, claro, comprei um. Onde fica? Clique aqui:  https://bit.ly/2WYLFp6 . Na Amazon também tem: https://amzn.to/2IMKQfk .

O livro, que sugiro ao colega Barcímio, é um roteiro pronto sobre a vida do cacique, que o autor definiu como romance histórico. Na época eu achei que poderia ser adotado pelas escolas da rede pública, mas me disseram que a linguagem não é didática. Não quis discutir porque acho que é mega didático, só não é cartesiano. Enfim, quem quiser conhecer o cacique, “O Cobra da Tempestade” (é no masculino mesmo, “O Cobra...) um bom passo é recorre a este livro.

E que Araribóia permaneça de frente para a Baia de Guanabara defendendo Niterói. E tem mais, toda vez que mexeram nele deu problema sério, bumerangue total. Falaram até em “praga de índio”, que não vem ao caso. Não chamo de maldição, mas, digamos, uma “tradição etérea”. Deixem o cacique quieto.





segunda-feira, 24 de junho de 2019

Fale conosco


Muitas empresas e instituições pedem que a gente dê notas pela qualidade do atendimento prestado pelo funcionário. Apesar de desconfiar que ninguém vai ouvir a minha nota quando ligo, por exemplo, para a operadora de telefone (tem mais de 100 milhões de assinantes) dou nota máxima quando bem atendido e nota nenhuma quando não. Simplesmente desligo. Vai que um zero se acumula a outros e a pessoa, mesmo podre de humor, é demitida?

Reconhecer a boa vontade é mais importante do que esbofetear o oposto. Quem sabe elogiando, estimulando, reconhecendo poderemos sinalizar que ser cordial é o melhor caminho?

domingo, 23 de junho de 2019

Bonnie


Quando o carro chegou na aldeia empoeirada, bela, paradisíaca, a cabeça moída e o corpo cansado agradeceram. De pés juntos. Era verão, provavelmente o melhor verão de minha vida. Pelo menos até o verão seguinte.

O acaso me fez encontrar com três amigos, que foram promovidos a grandes amigos, numa rua qualquer naquela semana. Eu já andava cheio dos ególatras, interesseiros, parasitas que só investem em amizade de conveniência achando que somos babacas. Tudo bem, eventualmente sou um babaca mesmo, mas naquela semana eu estava com a faca nos dentes.

Eles me convidaram desleixada e afetuosamente, “vamos passar o resto do verão naquela aldeia praiana. Alugamos uma casa lá e um dos caras não vai poder ir.”

Comuniquei as férias (vencidas) no trabalho, passei em casa, amontei umas roupas. Partimos em dois carros, saindo por volta das 10 da noite, uma viagem que durou umas seis horas pois paramos em várias biroscas para bater papo. 

Eu não estava habituado ao saldo positivo de tempo. Naquela noite sobrava tempo, mas as vezes, no meio da conversa movida a gargalhadas sentia a incômoda presença do fantasma da culpa até lembrar que estava de férias.
Na reta final, quase chegando a aldeia, achei que um caminhão vinha em sentido contrário, mas era Vênus, linda, vaidosa, imponente no meio daquele céu azul petróleo banhado de estrelas. Vênus ficou em nosso horizonte alguns mágicos minutos, até dobrarmos a direita numa estrada secundária que levava diretamente a aldeia.

Chegamos e nem desfiz minha mala. Simples. Duas calças jeans, duas bermudas, quatro camisetas, sandália, tênis, sunga, escova de dente, Omo, etc e lá no fundo, bem no fundo, a fita com “Bonnie”, do Supertramp, que havia gravado há meses como uma espécie de mantra e estava perdida. Ela acabava e recomeçava, acabava e recomeçava. Peguei. Peguei e logo que coloquei a rede nos ganchos da varada, liguei “Bonnie” num micro system de um dos amigos, no meio daquele resto de noite de um lado e início de amanhecer do outro, com direito a brisa soprando e ruído do mar de encontro as pedras perto dali.

Acordei com o sol na cara, quente, implacável. Eram umas 10 da manhã e quase me arrastando fui para o quarto onde liguei na tomada meu bravo ventilador Britania, que morava no porta malas do meu carro. Dormi. Dormi pra cacete.

A tarde, fomos almoçar numa birosca que servia o melhor e mais barato filé de cação da região, com arroz agulhinha e brócolis de acompanhamento. Dali, praia, mar translúcido, areia deserta. Um dos amigos tinha levado o seu pranchão de windsurf, um esporte que existiu entre os anos 80 e 2000, se não me engano. Pusemos a prancha no mar sem ondas, eles colocaram a vela e começaram a velejar. Não sei nem nunca soube velejar porque tenho preguiça de aprender, apesar de achar fantástico. Os caras eram feras e no fim da tarde pararam. Na beira d’água, tirei a vela da prancha, amarrei num pedregulho (como âncora) e deitei de costas, boiando como Zorba, o Grego.

As 11 da noite retornamos para a casa, a uns 60 metros dali. Eles pediram e para minha alegria dei Play na fita de “Bonnie”, que rolou mais um tempão. Fizemos e devoramos um churrasco de picanha. Depois, em duas motos fomos para uma espécie de centro da aldeia e entramos num dancing bem simples, com frequentadoras locais e também de fora, maioria de São Paulo e Minas.

No dia seguinte, sem dormir, peguei uma das motos e percorri a beira d’água por vários e incontáveis quilômetros, rumo ao norte. Em algum lugar parei, mergulhei, deitei na areia e dormi. Acordei com o sol quase se pondo. Mergulhei de novo. Depois, liguei a moto e retornei.

E assim o verão “Bonnie” foi cavalgando. Tudo muito devagar. Dias depois já estávamos pretos por causa do sol, e barbudos por desleixo proposital. Numa das noites maravilhosas e transcendentais, quando todo mundo havia saído (com algumas outras garotas do dancing), preferi ficar sozinho.

Deitei a vela da prancha de windsurf no gramado, liguei “Bonnie” e me atirei nas estrelas e satélites que passavam naquele impressionante firmamento que misturava azul petróleo com prata. “Deus existe”, pensei várias vezes. Pensei e prometi a mim mesmo mudar algumas coisas em minha vida. Alguns comportamentos. Não foi promessa, nem decisão radical. Um mero acordo meu com aquelas noites abençoadas que, de cara, me deram de presente três amigos extraordinários.

Passamos todo o final do verão lá naquela aldeia, como primatas. Uns 40 dias, não sei bem. Retornamos muito amigos. Um deles seguiu a pé para a Cordilheira dos Andes e o outro pegou um voo para o México, onde estava estudando os peiotes de Carlos Castaneda. Eu e o terceiro amigo ficamos por aqui mesmo e toda vez que nos encontramos falamos de “Bonnie”.

Como não?

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Modo blues


Ainda há quem ache que o choro é fraqueza, que o lamento é covardia dispensável, que o modo blues que tem que ser massacrado, assassinado, deletado, arquivado, atirado no lixo, em nome de uma suposta superioridade existencial.

Dizem que os ocidentais, em especial os pequeno-burgueses, preferem ignorar o afeto profundo. É mais fácil? Não. É como um cheque pré-datado, daqueles que batem na conta lá na frente, com juros e correção.

Sinto, sim, o nó na garganta quando sinto o cheiro do mar misturado ao de óleo combustível dos navios de guerra e também dos zepelins que um dia surgiram na Boa Viagem.

Foi bom homenagear quem eu queria que fosse homenageado, com lembranças, poemas, vento do litoral, o azul petróleo da noite.

O meu afeto não se encerra. Prefere transmutar como as auroras boreais. Nunca as mesmas. Sempre as mesmas. Assim é. Assim será.

Sempre.

91 invernos

                                                                                   
Saudade.
Eliseu Visconti

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Armas


Melhor depôr as armas.

Telefonei e expliquei que o boleto não havia chegado. Mal humorada (segunda-feira é um péssimo dia para que não gosta do que faz), ela cortou. “Nós enviamos o boleto”. Corte. “Estou informando que não recebi e não que a senhora não enviou.”. Entendeu. “Enviaremos uma segunda via”.

O PM mandou encostar. “Documentos”. Na sequência.“Mostre o IPVA pago”. Saio do carro. O PM afirma que “o senhor estava em alta velocidade”. Não havia nenhum radar, mas optei por não questionar. “Sim, estava rápido, sim”, disse. O PM explicou que “pode dar multa e encher de pontos a carteira”. Concordei. Perguntou “o senhor está com alguma urgência?”. Respondi, “Não senhor”. “Por que essa velocidade?”, ele quis saber. “Não sei”, respondi. “Pode ir embora, mas na próxima vez vou mandar rebocar”.

Chamei o garçom. O ar condicionado do restaurante está fraco. “Vou olhar”, ele disse. Voltou dizendo que estava normal. Agradeci, levantei e saí. Almocei em outro lugar.

O flanelinha me mandou dar a volta por trás do carro que ele estava achacando. O carro dava ré e poderia me atingir. Ignorei. O flanelinha gritou “ei!, porra!” O cara do carro o esculacha: “ele está certo. A preferência é do pedestre”. Saí, voltei e havia confusão. Polícia inclusive. O flanelinha teria chutado o cachorrinho de uma menina de 12 anos. Na pequena multidão ouvi alguém dizer “dá vontade de passar fogo nessa bandidagem”. Por desacato, o flanelinha levou cacetadas na bunda e foi levado para a delegacia.

O mico atravessava a praça no alto de uma árvore. Um homem me diz “tem que matar, isso transmite febre amarela”. Não respondi. Uma senhora ao lado rebateu: “não, meu senhor, os macacos não transmitem eles só contraem a doença”. Grosseiro, o homem disparou: “a senhora é médica?”. Não, eu leio jornal.

Na fila do posto de saúde o homem tenta falar com o médico: “doutor, doutor!”. Espere a sua vez, respondeu, azedo, o médico. O homem esperou alguns minutos e voltou a chamar. “Fique no lugar e não me atrapalhe”, respondeu, mal humorado, o médico. Chegou a vez do homem da fila. O médico pergunta, “o que o senhor queria falar?”. O homem pergunta “o senhor chegou naquele Honda prata mais cedo?”. O médico, “sim, e daí”? É que estavam roubando o carro e eu tentei te avisar, mas agora é tarde.

Melhor depor as armas. As coisas se resolvem de uma maneira ou de outra.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Let it Be, o filme



O filme “Let it Be” não está disponível porque Paul McCartney e Ringo Starr não querem trazer de volta à tona as cenas sombrias que marcam o debacle da maior banda da história.

Dirigido por Michael Lindsay-Hoog, foi feito ao longo de janeiro de 1969 e lançado em maio de 1970, quando a banda já havia acabado. Paul McCartney foi o único que lutou para que o filme fosse feito (aliás, era o único que ainda parecia acreditar que dava para seguir em frente com o grupo), e o que era para ser o registro histórico dos ensaios, momentos de composições, interiores do maior grupo de rock de todos os tempos acabou se transformando num testemunho vivo sobre o fim dos Beatles.

Não há qualquer tipo de iluminação de cinema. Não há cenários, o roteiro é mínimo, a falta de luz gera a sensação de má qualidade das imagens, mas e daí? As câmeras circularam à vontade entre os músicos no estúdio, registrando conversas, gargalhadas e mal estar. George Harrison não esconde que já está de saco cheio e em determinado momento, conversando com McCartney, diz, desanimado e irritado “tudo bem. Diz o que devo fazer e eu faço”, uma maneira nada sutil de disparar um“dane-se”.

Ringo Starr está apagado, desanimado e só raramente (mas raramente mesmo) se diverte dividindo um piano com George numa brincadeira ou brincado com a então pequena Stella McCartney, de três anos.

Yoko Ono é onipresente. Aparece em várias cenas, quieta, sorriso de Monalisa, observando, sempre ao lado de Lennon, com quem chega a dançar uma valsa no estúdio. O constrangimento no ambiente é óbvio mas o som rolou assim mesmo. E que som. Que som! Com Billy Preston no órgão, The Beatles, mesmo sabendo que era o fim, arrebentou.

Curiosamente, o clima entre McCartney e Lennon não parecia ruim. Os dois se divertem, riem quando dividem microfones, mas fica claro o comedimento, a cerimônia. Em determinado momento comenta com ele que se George Harrison não embarreirasse os Beatles deveriam voltar a tocar ao vivo, quem sabe começando pelo Royal Albert Hall, em Londres.

Há quem diga que naquela época Lennon teria sugerido a Macca que Harrison fosse substituído por Eric Clapton, o que foi negado. Paul achava que The Beatles só deveria existir com os quatro. Há muito mistério na atitude dos dois ao longo dos quase 90 minutos do documentário, onde tocam de tudo, inclusive canções que, creio, permaneceram inéditas. O final apoteótico foi aquele lendário show no telhado da gravadora Apple que acabou com a chegada da polícia.

Assistir Let it Be faz muito bem porque: 1 – comprova que The Beatles foram (e são) muito mais gigantescos e monumentais do que supomos; 2 – o grupo acabou na hora certa. Melhor do que seguir definhando publicamente.


terça-feira, 18 de junho de 2019

"Vítima da sociedade" joga bloco de concreto da 10 quilos de passarela e mata motorista




O viciado em crack subiu na passarela e assassinou o motorista jogando sobre o seu carro um bloco de concreto de 10 quilos que estava espalhado com outros por FALTA DE MANUTENÇÃO da prefeitura. A mesma que derrubou o túnel na Lagoa-Barra, a ciclovia na Niemeyer, enfim, destrói o Rio dia após ia.

Eu ia escrever sobre mais esse crime hediondo indiretamente cometido pelo do prefeito do Rio, mas desisti. Desisti porque sinto que os cidadãosde bem estão alheios a tudo, quem sabe cansados de tanta lambança e decepção.

Por isso, vários especialistas acham que se for mantida essa toada de torpor e dormência por parte do eleitor consciente, Crivella pode ser reeleito ano que vem. Ou, tão grave quanto, Clarissa Garotinho pode acabar levando já que o clã dos Garotinhos tem muitos votos na cidade.

Há ainda a suposta candidatura de Marcelo Freixo. Há duas semanas, perguntei a ele pelo twitter se ele pretende se candidatar e ele nada respondeu. Deve estar no modo “não tenho que dar satisfações a ninguém”. Freixo, para mim, é um enigma como administrador. Não tenho ideia de como se sairia como prefeito, que na verdade é um mega síndico.

No mais...nada.

Uma verdade absurda

"Até o Último Homem" foi dirigido por Mel Gibson e indicado ao Oscar em seis categorias, inclusive a de melhor filme.


Impressionante o ilimitado poder da determinação de um homem, que ultrapassa a barreira do absurdo. Cercado de sangue, vísceras, pernas amputadas por bombas, o tal homem, que não encosta a mão em armas, decide ir para a II Guerra Mundial disposto, somente, a ajudar. E, impressionante, acaba indo parar na sangrenta e histórica Okinawa (Japão), a maior batalha marítimo-terrestre-aérea da história, entre abril e junho de 1945.

O vendaval de absurdos ao longo do filme nos deixa abismados. Como aquilo tudo pode ter sido real? Como existem pessoas assim num planeta incendiado por nefastos? Como? Como? Como? Banhados pela comovente e caótica história, deslumbrante fotografia e efeitos especiais, e pelo som, até os mais descrentes acabam sucumbindo e se entregam a esperança.

O que mais me chocou positivamente no filme "Até o Último Homem" foi o fato daquela imensidão humana ter sido uma história real.

História real que precisa ser vista por todos.

Ideal é ver no cinema, mas está na Netflix.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Milagres

          AirBus 320 pousa no Rio Hudson, Nova Iorque, janeiro de 2009. Nenhum ferido.
  

                                              Milagres existem.                                                  
Acontecem.

É só pedir a Deus.

Deus está cima de crenças, protocolos, formalidades, dialética.
Se um ateu pede um milagre, terá um milagre.

Ponto.

Deus gosta de nossos pedidos.

De todos.

Absolutamente todos.

Para falar com Deus basta pensar em Deus.
Como quisermos.

Deus é livre.
Deus ama os nossos problemas.

Use sem moderação, o tempo todo, o dia todo.

Peça, peça, peça.

Deus adora o que pedimos.

Peça agora.

Peça saúde.
Peça trabalho.
Peça paz.
Peça amor.

Nada é pequeno para Deus.

Milagres existem.

E como existem.

Graças a Deus.


domingo, 16 de junho de 2019

Zeffirelli e A Grande Arte

                                             Olivia Hussey em "Romeu e Julieta".


Franco Zeffirelli (1923-2019) foi um de meus dos mais importantes mentores, um homem que me mostrou um cinema farto, grandioso, belo, lírico. Certa vez escrevi, meio tomado pela emoção, que Zeffirelli despejava a alma latina na tela, mas depois me arrependi. Tarde. O jornal já havia rodado e estava nas bancas. Me arrependi porque ele despejava na tela não só a alma latina, mas a essência da alma humana.

Desde muito pequeno, muito pequeno mesmo, ia ao cinema com a minha mãe e meu irmão. Aquele ambiente, o ritual, a luz que iluminavam as cortinas de veludo vermelhas apagando, o toque do “gongo sutil” anunciando o início da sessão, que tinha o Canal 100, os trailers, o ar condicionado, o lanterninha e, logo, um Zefirrelli envolvendo a tela. Tela que, como um manto, nos tomava pelos braços e arrastava pelos mais belos cenários, tramas, diálogos.

Entrando na adolescência nosso bando viu “Romeu e Julieta” várias vezes porque, não negávamos, estávamos todos apaixonados por Olivia Hussey. Foi a primeira atriz de cinema que ganhou um poster de revista na porta do armário do meu quarto. Mas eu já andava encantado com Elizabeth Taylor porque adorei “A Megera Domada” que, vejam vocês, assisti sozinho.

Na época íamos ao cinema atraídos por atrizes e atores, mais tarde fui mergulhando na Grande Arte e comecei a acompanhar diretores, roteiristas, fotógrafos e durante muitos e muitos anos, praticamente “morei” no Cinema 1, na Prado Júnior, Copacabana, onde conheci muitos diretores do Cinema Novo, da  Nouvelle Vague e quase tudo de Kurosawa.  Zeffirelli abriu as cortinas do cinema italiano e mergulhamos fundo em vários diretores. Meu destaque foi Pasolini, radicalmente proscrito do colégio, católico. Colégio que exibiu “Irmão Sol, Irmã Lua” que fez muito marmanjo enxugar lágrimas nas cortinas dos janelões.

Quero agradecer ao Zeffirelli por ter: 1 – vivido intensa e densamente; 2 – por ter filmado intensa e densamente; 3 – por ter sido latino intensa e densamente. Mas o agradecimento mais especial foi por ele ter superlotado as salas de cinemas do Brasil por décadas. E como faz bem ver uma sala de cinema lotada.
“O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues, me deu esse prazer. Ano passado, durante 15 dias, tentei assistir nos fins de semana mas as salas estavam com lotação esgotada, todas elas. E eu vibrei, comentei com Odara “cacete, as pessoas estão indo a um filme de Cinema com C maiúsculo, que maravilha isso”. E quando assistimos, as sequências líricas que o Cacá gosta de fazer, na velocidade de sua sentimentalidade e jeito de contemplar a Grande Arte...caramba, quanta emoção.

Hoje eu ia ligar para a minha sobrinha Catherine, 19 anos (https://ooppah.com.br/Catherineberanger), apaixonada por Cinema desde o berçário (está no quarto período da ESPM) que a cada dia se revela uma grande produtora executiva e roteirista. Acho que vai ser a pegada dela. Não conversamos a respeito, mas eu acho. Eu ia ligar para sugerir passar alguns Zeffirelli lá na ESPM porque as novas gerações não precisam apenas conhecê-lo, mas mergulhar fundo em cada take, cada fala, cada luz, sabe como?

É o caso do Cacá, do Luiz Carlos Lacerda, enfim, existe uma legião de diretores que são a prova de tempo, estão sempre 10, 20 anos à frente. “Introdução à Música do Sangue”, de Luiz Carlos Lacerda, é um poema, uma crônica sobre o Brasil de barro vermelho, corações partidos e mormaços existenciais.

Quero dizer a Catherine que sugira um “Festival Cinema 1” na ESPM, mostrar o que precisa ser visto. Com uma certa urgência. Em tempo: magnífico o trabalho dessa faculdade em prol do Cinema. Magnífico!

Bom, é só isso. Aplaudo de pé o Zeffirelli. Por tudo e por todos nós.

Afinal, o que é o filme “Aumenta que é Rock and Roll”, baseado no livro “A Onda Maldita”?

Diretor Tomás Portella vai exibir, no Lapa Café, um teaser de 15 minutos com cenas do filme.                       Tomás Portella (a f...