quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Protagonismo


Engraçado. Desde sempre inventam novos significados para algumas palavras. Atualmente os sub intelectuais adotam “atores”, para designar grupos envolvidos em um mesmo tema (políticos, presidiários, etc) e protagonistas, para definir quem se destaca na granja.

Nessas épocas de governos novos e muita plateia o estapeamento na caça ao protagonismo é quase público. Tem gente que não faz cerimônia e praticamente encoxa entrevistados na TV para conseguir aparecer num cantinho da tela, como se dissesse para o povo “viram? Eu sou demais, sou um dos protagonistas do poder”.

Outra ave da mesma espécie finge atender o celular num lugar cheirando a poder e com a mão no bocal do telefone, deixa o grupo e sorrateiramente caminha para longe como se estivesse atendendo a uma ligação secreta de National Kid https://bit.ly/2ACZtgC .

Por mais engraçado e patético que seja a reação de muitos, o protagonismo existe. É um ranking virtual que afere quem está bem no filme, quem está regular e aqueles que já foram banidos, mas não sabem. Acreditaram que seu esquema de sedução era eterno.

No jogo do poder, política principalmente, há alguns sinais: café frio e água quente; garagista da repartição não lava mais o carro; secretária evita ficar muito tempo perto do chefe a caminho da bola 7. São alguns sintomas explícitos de que a canoa vai virar e o protagonista vai se transformar no mais invisível dos figurantes, um soldado entre milhares ou no papel de carrasco com capuz em uma cena de oito segundos.

O protagonismo (com vários sinônimos) está presente em todas as cenas, com todos os atores, e não existe uma mágica para o sujeito permanecer com esse status. No poder político, corporativo e similares, alguém o levou a essa posição, mas mantê-lo lá depende de vários fatores. No ceio familiar é parecido. Maridos e mulheres, antes protagonistas um do outro, de repente se tornam anêmicos desconhecidos, nulidades afetivas, na maioria dos casos um de cada vez.

Também como nos outros setores é um protagonismo que não tem salvação, basta ver o número de apaixonados e apaixonadas compulsivas que vivem na sociedade. Parecem Tarzã e Jane trocando de cipó na selva com medo de conhecer a savana solitária lá embaixo, mesmo que por um curto espaço de tempo, para resgatar a humildade, maturidade.

Até Burt Lancaster, grande garanhão de Hollywood, super ator, morreu sem protagonismo algum no cinema. No Brasil não vou citar, mas há vários, de todos os setores, que voaram do protagonismo ao limbo em pouquíssimo tempo, principalmente aqueles que focaram suas existências em valores fúteis e estéticos que com o tempo vão desbotando, enrugando, apagando, aquela velha frase “por mais que seja Ferrari um dia ela desmancha”.

Acho que daí inventaram a expressão “tenho que matar um leão por dia para corresponder”. Penso que são pelo menos três leões porque a vida, logo, os protagonismos, funcionam pelo menos em três turnos. Não basta a conquista tem que saber colonizar desde que a área/empresa/congresso/família tope ser colonizada. Caso contrário, não tem solução. É P.T. mesmo, vulgo Perda Total.


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