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Relógio Biológico*

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Texto restaurado e reeditado São exatamente 2 e 14 da madrugada quando acordo mansamente, sem sobresaltos. Como se fosse seis da manhã para um triatleta. Rondo pela casa, ligo a TV e compro um travesseiro num programa de vendas pelo telefone. Segundo o anúncio, o tal travesseiro é um néctar de espuma, capaz de prevenir todos os problemas de coluna. O locutor diz que com esse travesseiro temos um sonho “reparador”. Só não prometeu que acordamos ao som de canários belgas porque a empresa fica em São Paulo. Garantiu que quem não ficasse satisfeito com o travesseiro teria seu dinheiro de volta. Os caras são craques. Duas e 14 de um dia de semana é o momento ideal para veicular um anúncio de travesseiro. Liguei, passei o número do cartão de crédito e a mocinha encrencou. Queria colocar Niterói como cidade do interior do estado, o que significava que eu teria que buscar a encomenda no correio. Expliquei que Niterói fica, de barca, a oito quilômetros do centro do Rio. Ela não enten...

O Sal da Terra

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Texto restaurado e reeditado Já estou cheio da palavra sustentabilidade, usada como galocha na propaganda eleitoral e na mídia em geral. Outra que não agento mais é o tal de “foco”. De saco cheio leio e ouço toda hora “meu foco está em...”, não é fácil. Antes de virar moda e frase de panfletos eleitorais oportunistas (alguns são autênticos), pessoas que hoje são chamadas de ambientalistas foram tachadas de ecologistas nos anos 70. Fui um dos fundadores do M.O.R.E., Movimento de Resistência Ecológica que atuava basicamente em Niterói em plena ditadura. Nunca presidi o M.O.R.E. mas, modéstia à parte, tive uma atuação constante e muito intensa por uma razão muito simples: desde pequeno meu pacto com a natureza é real, palpável. Lembro de uma grande manifestação organizada por um colega jornalista, acho que em 1977, na área de Camboinhas, bairro da Região Oceânica de Niterói. Na época uma megaconstrutora estava tocando um projeto chamado “Cidade de Itaipu”. Para “limparem” a...

Serviço de Atendimento ao Consumidor, atendente Zóda, boa tarde

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Texto restaurado e remixado.                                         - Serviço de Atendimento ao Consumidor, atendente Zóda, boa tarde.             - Zenhora, meu nome é Zulvo, zou indiano com apenas 50 anos no Brasil. Meu zelular não está mandando torpedo. - Senhor, vou transferi-lo para a central técnica. - Central técnica, atendente Zênis, boa tarde.  27 minutos depois.   - O zenhor entendeu?   - Entendi, senhor. Qual é o modelo de seu aparelho?   - É um Ziemens modelo....não está escrito.   - Senhor, por favor abra a tampa, retire a bateria e veja o numero que está colado no fundo.    - Mas ze eu retirar a bateria a ligazão vai cair.  ...

Programa “Café Paris” foi adiado para a próxima quarta-feira, dia 10, as 10 da noite

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 Luiz Erthal Cris Pizzotti Press release da Midia Express Comunicação Por motivos meramente conceituais, o programa CAFÉ PARIS teve a sua estréia adiada para a próxima quarta-feira, dia 10, 10 da noite. Mais novidade: ARTISTAS NOVOS OU MALDITOS QUE QUISEREM VER SEUS CLIPES EXIBIDOS E COMENTADOS NO PROGRAMA "CAFÉ PARIS" BASTA MANDAREM UM E-MAIL PARA A SELEÇÃO EM  programacafeparis@gmail.com  Os jornalistas Luiz Antonio Mello – criador da Fluminense FM “Maldita”, que revolucionou o rock e o dial brasileiro – e Luiz Augusto Erthal – fundador da editora Nitpress – decidiram iniciar um programa de televisão partindo de uma premissa comum àquela da rádio-rock que marcou os anos 80: será gerado em Niterói, mas poderia ser feito em qualquer parte do mundo. “Café Paris” – é esse o nome do programa – estreia na próxima quarta-feira, dia 10 de julho, às 22 horas, na TV OFLU – Canal 12 da SIM TV, operadora de TV a cabo do Grupo Bandeirantes com atuação na...

Um cinéfilo numa locadora sensacional, no show da seleção e nas manifestações de rua

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Desde que entrei para sócio da locadora O Cinéfilo, em Icarai, Niterói, ( www.ocinefilo.com.br ) voltei a me encontrar com meus diretores prediletos dos anos 60/70. Diretores que eu assistia, extasiado, no nosso Cine Art UFF (fechado há quase quatro anos) e no extinto Cinema Um, na rua Prado Junior, em Copacabana, de onde saímos para comer aqueles sanduiches mágicos do Cervantes. Quase estudei Cinema depois que me formei em Jornalismo. Graças a, por exemplo, François Truffaut, Jean-Luc Godard, Costa Gavras (alguém não viu a espetacular trama política “Z”?) e mais o bando italiano: Michelangelo Antonioni, Bernardo Bertolucci, Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini, Roberto Rossellini, Vittorio De Sica, Paolo Taviani, Giuseppe Tornatore, Franco Zefirelli. Isso sem falar dos diretores contemporâneos, como Steven Spielberg, Sam Mendes, Quentin Tarantino, Robert Zemeckis, Robert Altmann, etc, etc, etc. Na locadora Cinéfilo tem um canto reservado para todos esses diretores, inde...

Anjo, churros, fé

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                                         Texto restaurado e reeditado O homem estava na esquina de uma cidade, provavelmente Los Angeles, São Paulo, Rio de Janeiro. Uma mão tocou seu ombro direito. - Você já me conhece em sonho. Sou seu anjo. - Por isso essa sensação de já tê-lo visto antes. - Você me chamou, eu vim. - Vamos sentar naquele banco do parque? - Vamos. Me paga um churro. Dizem que anjo não gosta de churros, pura babela. - Bom encontrar com o nosso anjo. - Bom saber que sou bem-vindo. Por que me chamou, qual é o problema? - Nenhum. Chamei para agradecer por ter me livrado daquela confusão. - Difícil... - Difícil o que? - Difícil um anjo ser chamado por mera gratidão. - Saiba, meu chapa, que eu só tenho gratidão por você. Seus livramentos diários, seus toques quando estou dormindo e sonhando...enfim, anjo, só ten...

Diálogo Interno, ou, “toda a vez que andei na linha o trem matou”

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Texto restaurado e reeditado Consciente – Gozado, escrevi um artigo apoiando aquela revista francesa quando publicou a charge debochando de Maomé. Lembra? Pois é, publiquei e quase ninguém acessou. Inconsciente – Isso é assim mesmo. Quem tem sul tem medo. O pavor das pessoas é justificável. C – Lá vem você com essas conversas, como se Jung, Freud e Lacan não tivessem feito o seu rastreamento. Só falta agora arrancar de uma frase solta e sem nexo a máxima “toda a vez que andei na linha o trem matou” e colocar no título do artigo. I – Será que vale à pena não arriscar e continuar cinicamente submetido a seu comando? E se eu te induzir a colocar essa máxima, que tem zaralhadas de explicações e análises, no título do texto, o que você vai fazer? C – Alguns riscos valem sim. Eu arriscaria clicar num blog para ler uma opinião favorável a revista francesa e a charge sobre Maomé. I – Você está diferente hoje. Meio nublado, quase mormaço. Esquisito pra cacete, meu chap...