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O livro sobre nada; do lugar onde estou já fui embora - Manoel de Barros

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É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez. Tudo que não invento é falso. Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira. Tem mais presença em mim o que me falta. Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário. Sou muito preparado de conflitos. Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou. O meu amanhecer vai ser de noite. Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção. O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo. Meu avesso é mais visível do que um poste. Sábio é o que adivinha. Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições. A inércia é meu ato principal. Não saio de dentro de mim nem pra pescar. Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore. Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma. Peixe não tem honras nem horizontes. Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não ...

Falador passa mal

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- Ô, rapá! Há quanto tempo!!!! - Relativamente. - Tudo bem com você? - Levando, e você? - Casei, troquei de casa e carro. Tudo ao mesmo tempo. Eh, eh, eh. E você? - Na luta. Tá com fome? - Por que? - Tô a fim de comer uma coxinha ali no chinês. - Vamos nessa. Aliás, estive na Argentina e comi um negócio fantástico. Lembra coxinha, mas não é. Paguei uns 30 paus. - A vida está barata na Argentina. - Mas eu estava em Bariloche, com mulher, sogra, uns amigos e lá é tudo muito caro. Quantas vezes você já foi a Bariloche? - Nenhuma, mas dizem que é interessante. “Meu amigo, uma coxinha pra mim, por favor”. - “Pra mim são três....isso, desce três e um caldo de cana.” Mas o que você tem feito? - Trabalhado e, de vez em quando, vou a praia. - Eh, eh, eh, você é engraçado. Por falar em praia quase estive no Taiti. - Quase? - Rapá, quando o avião decolou do Chile para fazer a penúltima perna, deu um problema lá, quase morreu todo mundo. - Pane no avião? - Na...

Saudade do hoje? Como Assim?

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Caramba, por mais que eu divulgue em todas as m í dias dispon í veis que voltei ao rádio via dois programas na Cult FM Rock & Blues (conheça em www.radiocultfm.com ), ainda tem gente m e escrevendo lamentando o fim da Fluminense FM, a minha amada Maldita. T u do bem, luto é luto. Mas, acima de tudo, luta é luta! Estamos no presente, em pleno 2015, meus programas são o “EXPRESSO DA M A DRUGADA” (de domingo a domingo, de meia noite as seis) e CAFOFO DO LAM (domingos as 23 horas), muita gente está curtindo; os programas tocam o clássico do rock/blues, o inusitado, a vanguarda, o creme do creme e, é lógico, o meu DNA que, não coincidentemente, é o mesmo da Maldita. Que tal ouvir, opinar, divulgar? Que tal dar SEQUÊNCIA e deixar um pouco de lamber feridas? Que tal valorizar o hoje, o agora, o real e não as brumas do passado e ou possibilidades do futuro? É só uma observação. V iva as referências e não só as reverências.

Como um beduíno alucinado de calor

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Como um beduíno debaixo de um sol que parecia um fogareiro Jacaré (vintage) aceso nos ombros, semanas atrás passei parte de uma tarde perambulando por repartições públicas num safari, caçando documentos . "Não é aqui, o senhor por favor vá até..." foi a informação que mais ouvi, perdido naquela macarronada de papel, com os bolsos da calça cheio de protocolos. Em uma das filas, uma moça pacientemente esperava. Fila média. Nem longa, nem curta. Calor, muito calor. Para não perder mais tempo, perguntei "a senhora poderia me informar se é aqui que...". Ela sequer se moveu. Parecia o monolito do filme “2001, uma Odisseia no Espaço”, do genial e saudoso Stanley Kubrick. Será que ela achou que era uma azaração barata? Insisti. Cutuquei o ombro, ela levou um susto. Foi quando percebi que estava com aquelas duas minicarrapetas enterradas nos ouvidos e ouvia música em seu smartphone. Ela se desculpou e tal, disse que eu estava na repartição errada e já na calçada le...

Por que leitores e ouvintes não opinam?

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A pergunta foi de um colega meu das antigas que decidiu encerrar o seu blog porque os leitores não davam opinião sobre os temas por ele abordados. Perguntei se estava com uma boa quantidade de acessos, ele disse que sim, mas que sua “out estima” quase crônica não permitia resistir a “rejeição dos leitores”. Algo como se Anais Nin negasse em cartório que o seu tesão maior era casar com Henry Miller. Expliquei que por motivos completamente alheios ao meu entendimento e conhecimento, os leitores/ouvintes/telespectadores brasileiros não tem como hábito escrever suas opiniões, comentários, reações (positivas ou não) ao que leem, ouvem, assistem, ao contrário dos europeus, americanos do norte e os japoneses, esses considerados os maiores missivistas para jornais em todos os tempos. Não adiantou. O cara entrou no metrô e partiu me deixando na estação divagando. Caramba, em todas as redações de todas as mídias que trabalhei (e trabalho) o índice de opiniões dos leitores é quase zero...

Série "A Trilha do Rock no Brasil" - em fase de pós produção - a história definitiva

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                                                                                                                       Darcy Bürger Rodrigo Sampaio, Paulo Miklos, Fernanda Flores e Isabela Saboia Danielle Immendorff Robertinho do Recife, Ney Matogrosso, Renato Barros (Renato & Seus Blue Caps) e Zeca Balero     Cauby Peixoto     Lobão     Paulo Ricardo      Ronnie Von Wanderléa Está em fase de pós-produção a série “A Trilha do Rock no Brasil”, da B2 Filmes que será exibida pelo Canal Brasil. São 13 episódios com direção de Darcy Bürger. O roteiro e argumento são meus e a série conta a história do rock brasil...

Arrastões da primavera e o cagaço popular

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Hoje, foto O Globo Copacabana, hoje. Foto O Globo.   Arpoador, ano passado O verão sequer chegou, mas a barbárie já tomou conta. Hordas de marginais assaltam banhistas nas principais praias do Rio e a polícia pouco ou nada faz. E quando faz a Justiça diz que não pode. O cara anda com uma barra de ferro na mão direita, estilete na esquerda, vai invadir um ônibus mas...a PM não pode prender porque não rolou flagrante. Fato é que, dia após dia, a máscara marqueteira das UPPs está caindo. A cidade paraíso que o (des) governador construiu está voltando a seu “jeitinho” carioca de ser. Multidões de viciados em crack infestam a avenida Brasil, homicídios aumentam, a bandalha social é generalizada e até os famigerados criminosos profissionais mascarados (tratados carinhosamente pela imprensa como black blocs) no passado recente disseram a que vieram: tumultuar em prol de facções políticas profissionais que pagam seus salários. Isso sem falar de um outro “patrão”, o PCC...