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Ar condicionado: tão obrigatório aqui quanto a calefação na Europa

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Acabou o frio. Tradição. A realidade mostra que temos somente dois meses e pouco de temperaturas amenas; julho e agosto. Chega setembro e a inclemência acende o maçarico, aguardando a primavera que explode qualquer dia desses, trazendo no bojo o bafo quente na nuca, cupins de lâmpada, tanajuras, temporais, o canto deprimente das cigarras, arrastões nas praias. Para alegria do governo e seus comparsas (empresas de energia elétrica) é hora de boa parte dos brasileiros em sua crônica bovinização contemplativa ligarem o ar condicionado para conseguirem dormir, viver e morrer numa grana quando a conta de luz chegar. Estou escrevendo num ônibus com ar condicionado que cruza boa parte de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde o trânsito começa a se transformar na lenta lacraia do final do dia. O motorista mantém a temperatura em 20 graus (que delicia) apesar de alguns passageiros (masoquistas) pedirem mais calor. “Não posso, são ordens da empresa” e como hoje acordei meio envi...

15 anos do “11 de Setembro”, Gene Wilder, Leslie Nielsen, Mel Brook e a Nova Ordem da Boçalidade Mundial

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Como todo mundo, no mundo todo, no dia 11 de setembro de 2001 fui solapado pelas imagens vomitadas pela TV mostrando Boeings explodindo contra o World Trade Center. Desespero, correria, gritaria, pânico. Meus colegas jornalistas tentavam saber o que estava acontecendo, o arsenal de perguntas e imagem ocupou o dia, a tarde, a noite, os dias, as semanas, meses anos. Percebemos que o “11 de Setembro” tornou o mundo mais imundo, boçal, imbecil. Exatamente hoje, o maior atentado terrorista dos tempos modernos completa 15 anos. Quem viaja pelo mundo sabe que a partir dessa data tudo ficou mais bege, frio, chato. O glamour de um voo para Tóquio, o charme a bordo de um navio pelo Caribe, tudo passou a ser regido pelo que determinou um personagem chamado Osama Bin Laden que muitos acham que foi invenção. Entre esses muitos, me incluo. Oficialmente, todo o plano detalhista e perfeito do “11 de Setembvro” foi parido nas imundas e distantes cavernas das montanhas do Afeganistão, ...

Livros da Semana

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Livrarias pesquisadas: Amazon –  www.amazon.com.br Travessa –  www.travessa.com.br Gutenberg -  www.livrariagutenberg.com.br Cultura -  www.livrariacultura.com.br Estante Virtual -  www.estantevirtual.com.br Saraiva -  www.saraiva.com.br Folha -  http://livraria.folha.com.br/   Guia Politicamente Incorreto dos Presidentes da República Paulo Schmidt 496 páginas Você sabe quem foram os presidentes que influenciaram de forma decisiva o destino da nação e fizeram esse Brasil em que a gente vive hoje? O autor define este livro como uma viagem sem volta em direção às paixões e a história dos nossos presidentes que, salvo raras exceções, foram um desastre como administradores, homens públicos e até como seres humanos. O livro desafia de bem humorada mitos e verdades pré concebidas. Uma narrativa envolvente sobre personagens reais, mesmo que eles às vezes pareçam saídos de histórias de terror. Ideal para o momento polí...

Viciado em si mesmo, o ególatra vampiriza ideias

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Tempos atrás encontrei um ególatra na rua. Eu estava andando rápido pelo centro do Rio em direção a uma livraria e o ególatra vinha no sentido contrário. Vinha sozinho, é claro, porque ególatras são seres socialmente insulares. Tentei escapar, mas quase fui atropelado por um táxi. Caí no alçapão. O cara me encheu o saco por exatos 53 minutos de monólogo, já que ególatras não conversam, eles ditam regras, procedimentos, enfim, montam seu diálogo interno. Contou uma longa história que na verdade pertencia a outra pessoa. Disse que fez um vitorioso projeto na área ambiental que todo mundo (ou quase todo mundo) sabe que é de autoria de outro. Só que essa outra pessoa morreu e o ególatra simplesmente vampirizou o projeto. Assumiu como dele, patologicamente convencido que é mesmo dele e até andou tentando vender para algumas empresas que, alertadas, não fecharam o negócio. Continua andando por aí, sempre babando ovos, puxando sacos dos poderosos, milionários, de preferência corruptos....

A esquerda que conheci

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Como a maioria das pessoas de classe média, tive uma adolescência que mesclou terror e êxtase e apesar de ter começado a escrever em jornais aos 15 anos, política era um tema distante, proibido. A ditadura estava no auge (anos 70) e ninguém explicava o que estava acontecendo ou fazia qualquer movimento para nos resgatar do estranho planeta da alienação ideológica. Os professores de História do Brasil paravam em Getúlio Vargas, como se o Brasil tivesse sido parido em 1500 e abduzido em 1954 e eu estava muito curioso em relação a aquele mormaço provocado pelo silêncio imposto pela ditadura. Ainda assim, não consegui me informar mais, apesar de saber o que significava a pichação “fora comunas” em alguns muros da cidade. Quando comecei a trabalhar na grande mídia, aos 16 anos e pouco, mantive os primeiros contatos com pessoas ligadas à esquerda. A carnifica no país seguia seu curso macabro e, por isso, minha cautela era máxima, apesar de nunca ter exercido militância. Qualqu...

Livros da Semana

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Verifique também se as edições em papel tem versão digital, compatível com Kindle (ou similares), smartphone ou tablet. Pode custar a metade do preço.   Livrarias pesquisadas: Amazon –  www.amazon.com.br Travessa –  www.travessa.com.br Gutenberg -  www.livrariagutenberg.com.br Cultura -  www.livrariacultura.com.br Estante Virtual -  www.estantevirtual.com.br Saraiva -  www.saraiva.com.br Folha -  http://livraria.folha.com.br/                                   Felicidade ou Morte Clóvis de Barros Filho e Leandro Karnal 96 páginas De filmes e livros a propagandas de televisão, a todo momento somos instados a ser felizes. Pois, como diria o poeta, "é melhor ser alegre que ser triste". O desejo pela felicidade parece ser mesmo uma constante de nosso tempo. Clóvis de Barros Filho e Leandro Karnal passeiam pela história e pela...

‘Ora que melhora!’, a mensagem no vidro de um carro

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Antigamente as mensagens, digamos, automotivas eram vistas (e lidas) nos pára-choques de caminhões. Mensagens bem humoradas, outras mais reflexivas, mas quase todas de bem com a vida. Com o passar do tempo, essas mensagens acabaram chegando ao automóvel através dos adesivos. Linguagem direta, objetiva. Tempos atrás, debaixo de chuva, a bordo de um táxi vi as ruas cheias de gente com a aparência de cansaço, uma imagem meio em câmera lenta. Resolvi me distrair lendo os dizeres dos adesivos dos carros que tentavam se deslocar naquele trânsito preguiçoso e muitas vezes irritante dos dias chuvosos. A primeira que li no vidro de um carro foi: "Ora que melhora!". Gostei da mensagem, da ideia, da intenção. Afinal, se existe um conceito universal que une todas as religiões, crenças e correntes filosóficas é o poder da oração, poder esse que a ciência já reconhece há bastante tempo. Mais à frente, na tampa do porta-malas de um carro bem usado, um adesivo anunciava: ...