Ar condicionado: tão obrigatório aqui quanto a calefação na Europa
Acabou o frio. Tradição. A realidade mostra que temos somente dois meses e pouco de temperaturas amenas; julho e agosto. Chega setembro e a inclemência acende o maçarico, aguardando a primavera que explode qualquer dia desses, trazendo no bojo o bafo quente na nuca, cupins de lâmpada, tanajuras, temporais, o canto deprimente das cigarras, arrastões nas praias. Para alegria do governo e seus comparsas (empresas de energia elétrica) é hora de boa parte dos brasileiros em sua crônica bovinização contemplativa ligarem o ar condicionado para conseguirem dormir, viver e morrer numa grana quando a conta de luz chegar. Estou escrevendo num ônibus com ar condicionado que cruza boa parte de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde o trânsito começa a se transformar na lenta lacraia do final do dia. O motorista mantém a temperatura em 20 graus (que delicia) apesar de alguns passageiros (masoquistas) pedirem mais calor. “Não posso, são ordens da empresa” e como hoje acordei meio envi...