quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Políticos adoram calamidade pública; dá muito dinheiro

Assim como existe a temporada dos tufões e furacões, terremotos e nevascas em outros países, o perfil dos países tropicais é de tempestades no verão.

Reconhecer essas manifestações naturais é o primeiro passo para amenizar suas consequências. Japão, Estados Unidos e outros países assolados por terremotos desenvolveram tecnologias que tornam as cidades mais resistentes.

No Brasil, o que mais interessa aos políticos é nada fazer porque quando a chuva cai pesado e as encostas desabam, rios canais, vias transbordam, pessoas morrem, eles decretam calamidade pública. Significa que podem embolsar dinheiro a vontade porque não é preciso fazer licitação, vira o maior bundalelê. Quanto mais mortos, mais grana, mais gargalhadas.

Tempos atrás, o Globo informou que 91 dos 92 municípios do Estado do Rio (praticamente 100%) tem pelo menos 20 pontos com risco de desabamentos com as chuvas de verão.

Segundo Nancy Dutra da Folha de S. Paulo (edição de fevereiro de 2011) “O Rio sofre com os efeitos das tempestades desde 1700, de acordo com registros de jornais na época. Há relatos de 1711 sobre inundações e de 1756 de fortes chuvas e ventos, com vítimas.”

Ou seja, desde sempre chove forte nos verões fluminenses e, também desde sempre, rouba-se muito dinheiro público que deveria ser usado em contenção de encostas, limpeza de rios, etc.

Quase sete anos depois da maior tragédia natural registrada na história do Brasil, o temporal que matou 910 pessoas nas cidades serranas do Estado do Rio em janeiro de 2011, nada foi feito.

Quem vai a Friburgo, Teresópolis e Petrópolis encontra o mesmo quadro: desmatamento, mansões e favelas em expansão pelas encostas, rios precisando de dragagem, enfim, é como se nada tivesse acontecido.

Culpa da cafajestagem política, da leniência, corrupção e impunidade. No entanto, o marketing do verão, inventado pelo jeitinho brasileiro, canta que é tempo de chuva, suor e cerveja.
A ordem é deixar rolar. Que rolem barracos pelas encostas, que rolem cabeças, que reine a barbárie e a boçalidade nos bairros com praias porque, afinal, é verão. Uma estação que poderia ser celebrada não fosse a ladroagem do poder público.