quarta-feira, 11 de abril de 2018

Novas patrulhas


Começo chamando a Wikipédia:  

“Patrulha ideológica ou patrulhamento ideológico é uma expressão cunhada pelo cineasta Cacá Diegues, em 1978. Designa uma organização informal de pessoas unidas por laços ideológicos ou religiosos que tem por objetivo de impor seus ideais a outro grupo de pessoas, munindo-se de discursos, protestos e reivindicações. Essa atividade se caracteriza por uma vigilância constante do público alvo.

Em agosto de 1978, o filme Chuvas de Verão, de Cacá Diegues, foi recebido com frieza pela crítica, que já tinha desancado Xica da Silva, o filme anterior do diretor. Na sequência, Diegues concedeu uma longa entrevista à jornalista Póla Vartuck, publicada no jornal O Estado de S. paulo sob o título "Cacá Diegues: por um cinema popular, sem ideologias", na qual denunciou as "patrulhas ideológicas".

Elas seriam integradas por jornalistas ligados ao Partido Comunista Brasileiro - então clandestino - que teriam a "missão" de denegrir produtos culturais não alinhados a um certo padrão considerado politicamente correto por esses grupos formadores de opinião.

A polêmica que se seguiu mobilizou os meios intelectuais brasileiros da época e rendeu o livro Patrulhas Ideológicas, de Carlos Alberto M. Pereira e Heloisa Buarque de Hollanda (Brasiliense, 1980). No livro, há uma nova entrevista de Diegues, na qual ele define melhor o modus operandi das patrulhas: "O que existe é um sistema de pressão, abstrato, um sistema de cobrança. É uma tentativa de codificar toda manifestação cultural brasileira. Tudo o que escapa a esta codificação será necessariamente patrulhado".

Com a impressionante evolução da tecnologia da Comunicação, que tornou possível, por exemplo, que um indivíduo com um celular no banheiro de sua casa no Rio, converse com alguém em Moscou, de  1978 para cá as patrulhas se expandiram radicalmente. Além da ideológica, existem patrulhas existenciais, politicamente corretas, sexuais, étnicas, gastronômicas, etecetera .

No brejo da política o pau sempre comeu entre esquerda e direita. PTB versus UDN, Arena versus MDB, mas agora, turbinadas pelas redes sociais as pessoas se agridem, se “matam”, de ofendem, se cospem. E a culpa não é das redes, que são apenas o meio, a mídia. Se elas existissem nos anos 1950 também se tornariam poços de ódio.

No entanto há um dado novo, que já incomodava muito o Cacá Diegues lá em 1978, conforme revela a Wikipédia. Hoje temos que conviver com a ditadura do politicamente correto, que o filósofo Luiz Felipe Pondé, que em seu livro Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, afirma que era a base do nazismo.

A patrulha ideológica é um dos braços do politicamente correto, praga que cada vez mais acinzenta a paisagem, fulmina o bom humor coletivo, pune quem tem opiniões contrárias a seus mandamentos e em alguns casos defende a corrupção política partidária.

Até quando?