terça-feira, 22 de maio de 2018

Saudade de quem nunca vi


Keith Emerson e Greg Lake formavam o monumental trio Emerson, Lake and Palmer. Carl Palmer o baterista, está em turnê mundial e na próxima sexta feira vai tocar no Vivo Rio. No dia seguinte no Teatro Municipal de Niterói. Ingressos aqui http://vivorio.com.br/?s=Carl+Palmer e aqui https://www.ingressorapido.com.br/event/6668/d/28133 .


Keith Emerson e Greg Lake morreram no mesmo ano, 2016. Ironia. Boçal ironia. Emerson em março, aos 71 anos, Lake em dezembro, aos 69 anos. Os dois se conheceram por volta de 1968, quando Greg cantava e tocava no King Crimson e Emerson era o tecladista do The Nice. Em 1970, convidaram Carl Palmer para a bateria e montaram o Emerson, Lake and Palmer.

Quando o Emerson morreu sofri como se tivesse perdido um amigo, apesar de nunca tê-lo visto. Quase não acreditei quando li a notícia sobre a partida do Lake. No mesmo ano? O que foi isso? Era também um amigo virtual.

Emerson, Lake e Palmer fizeram parte da trilha sonora da minha adolescência e ao longo de dias e noites ouvi até furar grandes álbuns (na época em vinil) como  “Pictures at an Exhibition”, Trilogy”, “Brain Salad Surgery”. Mais do que trilha sonora, o ELP me acompanhou em inúmeras situações da vida, boas e ruins. Os vinis rodavam fieis, independentemente do que eu estivesse sentindo.

Claro, os Beatles foram muito presentes (o rock que gosto é a partir de 1966), como The Who, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, mas o ELP “testemunhou” momentos existenciais muito especiais. Ouvindo “Trilogy” comecei a trabalhar em rádio (Federal, de rock, em 1973), ouvindo “Brain Salad Surgery” decidi abandonar o cursinho pré-vestibular para a medicina e estudar comunicação. 

Em outras situações existenciais os teclados geniais de Emerson, mais o baixo/guitarra robustos de Lake e a demolidora bateria de Palmer estavam lá comigo. Como amigos.

Por isso, esse vácuo quando os dois morreram. Um vácuo que permanece porque o ELP me leva ao passado, aos amigos do passado, a minha família do passado, as chuvas do passado, aos amores do passado a não solidão do passado.

É mais ou menos isso.