Overdose de tecnologia

Eu tinha uma agenda no computador onde registrei todos, absolutamente todos os meus compromissos. Não sei por que, numa manhã, a tal agenda deu pau. Não queria abrir de jeito nenhum. Procurei me acalmar (tecnologia e pânico não combinam), reiniciei o computador e tentei abrir de novo. Nada. Em suma, a agenda de última geração foi para o espaço por razões que até hoje ignoro.

Meu computador é aquele modelo All-in-One da HP (excelente marca) com mouse, teclado e monitor sem fio. No início (ano passado) foi uma maravilha, máquina super prática, ótima mobilidade, enfim, os gênios da HP acertaram na mosca. Era o que pensava até as 3 horas da madrugada de um dia de semana quando a pilha do mouse descarregou e eu tive que interromper uma matéria que escrevia, com prazo.

Peguei o carro e parti para as lojas de conveniência de postos de gasolina atrás de uma pilha. Para não ter dúvida, levei o mouse comigo e, ufa!, no terceiro posto encontrei a pilha. Comprei duas (o teclado tem pilha também) e retornei para casa. Consegui terminar o trabalho. Mas, no dia seguinte, comprei um mouse convencional e quando acabar a segunda pilha do teclado (uma já se foi) vou comprar outro com fio. Ou seja, no final voltarei a ter um desktop convencional. Problema? Nenhum. O negócio é ficar tranquilo, dormir bem, sem estresse.

O episódio da agenda no computador serviu para que eu simplificasse mais a minha vida tecnológica, que já não era exagerada. Eu poderia simplesmente baixar a instalar outra agenda, ou usar a do Google, mas optei por usar um antigo telefone celular Nokia (para mim a melhor marca) que comprei em 2005 (isso mesmo, lá em 2005!) cujo código de segurança tornou-se indecifrável. Em outras palavras o telefone não aceita chip de nenhuma operadora. Pois, desde o episódio da agenda que “morreu” na minha máquina ele se tornou a minha nova ferramenta para marcar compromissos. Simples, fácil e, sobretudo, tranquila.

Aproveitei e fiz um arrastão de tecnologia. Usava um smartphone que, cheio de novidades, volta e meia me induzia ao erro. Como uso duas operadoras, configurei o smartphone para a operadora que menos uso e a que mais uso, o dia todo, reside num pequeno celular Nokia C-02, muitíssimo simples, que vê e-mails e navega o básico. Só. Que beleza!

Um dia desses peguei um táxi que parecia camelô vietnamita. A bordo, um GPS, um monitor que checava corridas on line (o cara recebia a chamada pelo monitor), mais uma central de multimídia com previsão do tempo, temperatura externa, interna, mais o rádio de comunicação, smartphone e um sistema de som compatível com pendrive. Estava tocando Anitta (para meu desespero) e depois dela uma cordilheira de baixarias já que, dependendo da capacidade, um pendrive pode armazenar meses de música sem repetir. Ah, sim, no meio desse cipoal tecnológico estava o taxista, orgulhoso de seus brinquedos. Eu pensei: “se eu fico seis horas aqui dentro, jogo o carro num abismo”.

Pergunto aos leitores, esse sentimento de overdose de tecnologia é um problema meu ou todo mundo sente? Meu irmão, que toda a humanidade chama de Fernando mas eu chamo de Cesar (ele se chama Fernando Cesar) é o cara que conheço que mais entende de computadores e afins. Ele já tinha um portátil chamado CP-500 se não me engano na segunda metade dos anos 70. Seu telefone é de última geração, o GPS do celular está OK, do carro também, e cada vez mais ele estuda e dá aulas de tecnologia.

Para ele, tenho certeza, a overdose de tecnologia não faz mal algum. Para mim? Por displicência de raciocínio, preguiça mental, sei lá mais o que essas coisas não funcionam. Não tenho paciência para insistir, não gosto de ler manuais e pago para não me aborrecer.

Mas a questão é: estou sozinho nisso? Fora meu irmão, alguém mais é vidrado nas novas tecnologias que, quando bem tratadas, funcionam perfeitamente? Ou tem muita gente de saco cheio disso tudo também? Aguardo opiniões.


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