Postagens

Meu sedã japonês é inspiração até para pesadelo

Imagem
Esta noite sonhei com ele. Como manda a tradição, foi um pesadelo já que há muitos e muitos anos não lembro de ter tido um sonho, digamos, normal. Só pesadelos. Eu estava tendo a primeira sessão de análise e, no final, o analista pediu meu sedã japonês emprestado por uma semana para fazer uma viagem. Por alguma razão não consegui negar. Ele pediu, por favor, que eu combinasse onde deixar o carro com a sua irmã, que tinha um quiosque na praia de Charitas, onde os quiosques são lixo a céu aberto mas, misteriosamente, ninguém (nem o Judiciário) consegue mexer nos quiosqueiros. Eu e Odara fomos lá. Eram duas as irmãs do analista, ansiosas com a chegada do meu sedã. Eu apenas recomendei que usassem gasolina aditivada V-Power, da Shell, porque o sedã era japonês mesmo, importado de lá. Eu tinha que deixar o carro rápido porque havia uma sessão com o psicanalista meia hora depois e o trânsito de Niterói, também em pesadelos, estava um caos. Apesar de não precisar passar pela rua Alvare...

A maravilhosa incoerência dos leitores

Imagem
Coerência demais é burrice. Viva a incoerência de baixos teores! Leitoras e leitores entraram em contato com a Coluna pedindo que eu escreva textos mais longos. Outros pedem textos mais curtos, alegando falta de tempo, mas vamos combinar que deve ser a boa e velha preguiça. Mais à frente há que peça cenas de sexo, outros, poesias, outros, reflexões, outros, absurdos, outros... Impossível entender cabeça de leitor. Ainda bem. Como a ansiedade que me esculacha (e a maioria da população mundial, segundo a OMS), a incoerência é um elemento que já vem instalado em nosso DNA. E eu acho ótimo. A incoerência. A ansiedade, não. Peraí, ansiedade sim, desde que em baixos e médias dosagens, eventualmente inverter a desordem natural das coisas. Carregar um jegue no lombo, por exemplo. Recentemente decidi retomar uma diversão antiga: fotografia. Nos anos 1990 e 2000 perambulei pelo país com uma câmera amadora Olympus e cliquei mais de mil nuvens, trabalho que o amigo Romildo Guerrante...

O empoderamento da canalhice

Imagem
Mais do que desonra ao mérito, a Ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, que é do PSDB de Aecinho, simboliza a canalhice reinante no país atualmente. Como se sabe, a desembargadora aposentada do TJ da Bahia além de pedir formalmente acúmulo de salario atingindo R$ 61 mil, ela comparou a sua situação com o trabalho escravo, mesmo com R$ 32 mil depositados na conta todo mês, mais carros de luxo, motoristas, cartões corporativos, aviões das FAB à disposição, casa e comida pagas por nós. Em entrevista à Rádio Gaúcha, indignada, ela perguntava “como vou comer, vestir, calçar?”, mesmo abocanhando R$ 32 mil por mês (34 vezes o salário mínimo pago a plebe). Foi a maior agressão que a população brasileira de todas as cores sofreu de um ministro de Estado na história recente. Recentemente o presidente da Câmara dos Deputados, acompanhado de colegas, deu um giro pela Europa. Com dinheiro público, naturalmente. Semanas atrás as aguerridas (quando se trata de interesses pessoais...

Feriadão

Imagem
                                                                     Óleo sobre tela, Osamu Obi Quando estou no carro ouço rádios de notícias. CBN e Bandnews. CBN menos por causa da overdose de futebol que nem gandula suporta. Na Região Oceânica de Niterói (Itaipu Itacoatiara, Camboinhas, Piratininga, Cafubá etc) ouço a Oceânica FM, 105,9, que tem uma programação que tem tudo a ver comigo. As rádios de notícias me irritam em vésperas de feriadões porque os apresentadores tratam do assunto (feriadão) como solução de tudo. Perguntam aos repórteres “vai chover no feriadão”?, “como está o transito na véspera do feriadão?, “eu vou estar de folga no feriadão, e você?”. Passam a impressão que detestam o que fazem, quando em alguns casos é mera falta de assunto. O dicionário explica: “Feriado - dia de descanso,...

Sozinho não dá

Imagem
                                         Óleo sobre tela de Anna Razumovskaya Jajá foi um mestre acidental que ganhei em meados dos anos 70, quando já estava submerso no jornalismo. Jajá era 30 anos mais velho do que todos nós, com certeza tinha o melhor texto que conheci e foi correspondente no Vietnã, no auge da guerra, entre 1969 e 1971. Trabalhou em Londres também como correspondente. Em 1976 passou uns meses em Niterói. Foi aposentado por problemas emocionais, não por causa do Vietnã mas pela cobertura jornalística que fez do incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, em fevereiro de 1974 matando 191 pessoas. Ele dizia, sempre emocionado, que “aquelas cenas...eu jamais esquecerei o que vi...jamais entenderei, jamais entenderei”. Ele contava que para aliviar a dor começou a beber muito, “até ser resgatado por colegas em lixeiras de Londres. Mesmo assim não parei. Eu...

O drama do disco de vinil

Imagem
                                 Disco de vinil surrado. Clec clec clec                                         Outras utilidades Ano passado publiquei aqui o artigo "Porque detesto disco de vinil, aquele porco redondo" contando o que me fez romper com esse tipo de mídia. Várias pessoas se manifestaram contra mim, a maioria equivocadamente. Para começar publicaram mensagens anônimas ali nos Comentários o que me impediu de publicá-las. Muitos fizeram comparações entre a qualidade do som dos discos de vinil em relação ao CD tema que não foi incluído em meu artigo. As questões que levantei são referentes a arranhões, estalos, complicações operacionais, aqueles incidentes que fazem o braço do toca discos correr sobre o disco e vrrrummmmm. Em emissoras de rádio foi um grande vilão, safa...

Janis: 47 aos sem a rainha do blues rock

Imagem
No último dia 4 de outubro foi o 47º. Aniversário da morte de Janis Joplin que, sinceramente, dispensa comentários. Em fevereiro do fatídico ano de 1970 ela fugiu para o Rio, onde passou o carnaval. Fugiu porque queria ficar longe da heroína. Naquela época não havia heroína por aqui e muito menos fuzis, guerra civil e outros ingredientes caóticos que exibem uma nação em ruína para o resto do mundo. Ela veio, bebeu muito conhaque e cachaça, tomou LSD, anfetaminas, fumou de tudo, mas heroína não havia. Só que oito meses depois, em Hollywood (Califórnia) ela injetou uma overdose num quarto de hotel onde foi encontrada caída no chão. Morta. O melhor filme sobre ela, de 2015, está na Netflix. Chama-se “Janis: Little Girl Blue" extremamente bem feito por Amy Berg. Aqui, algumas fotos em homenagem a maior cantora de blues rock da história                      1970. Carnaval no Rio. Atrás, com a mão no ouvido, Big Bo...