terça-feira, 8 de agosto de 2017

Velhos no Brasil

Os velhos no Brasil são desprezados. Por todos. O poder público, sociedade em geral, muitas famílias tratam a pessoa que chega ao epílogo da vida como um traste inútil. Além das dificuldades físicas inerentes a própria idade, os velhos, em geral, tem que sobreviver com uma aposentadoria humilhante, seu plano de saúde é o mais caro, os carros nas ruas não o respeitam, muitas famílias o veem como estorvo. Em muitos casos, filhos, netos, bisnetos o ignoram. No fim da vida o velho, que a culpa judaico cristã brasileira prefere chamar de idoso ou, pior, da terceira idade (cinismo), ganha como “prêmio” um tratamento vil.

Vemos todo o tipo de campanha por aí. Gente aguerrida defende crianças, adolescentes, as minorias e tudo mais, mas quase ninguém lembra dele, do velho, daquele que nasceu, lutou, teve filhos, criou, educou, pagou impostos, trabalhou muito e no final se torna lixo numa sociedade egoísta, egocêntrica, ególatra em todos os níveis.

Velhos sofrem de rejeição afetiva nas bilionárias mansões, coberturas e afins do país. Velhos sofrem de rejeição afetiva em favelas, muquifos. Se há um lamentável elo que une ricos e pobres no Brasil é seu desprezo em relação aos velhos.

Em geral, os governos nada (ou pouco) fazem pelos velhos porque eles não dão votos, não geram impostos. Uma espécie de “sucata humana” que é vista como um traste no meio da casa atrapalhando o caminho, ou, a toda hora passando na frente da televisão.

A covardia contra o velho está na essência da alma brasileira, terra que cultua a eterna juventude. Todos os dias lemos citações histéricas do tipo “Fulano, o mais jovem político...”, Beltrana, a mais jovem chef de cozinha”, e por aí vai, como se ser jovem fosse um ato heroico. Velhos? Só aparecem quando há uma grande tragédia.

Em muitos países o velho é tratado com respeito. Os índios o veem como sábio, preparado para aconselhar, apontar, sugerir. Entre os esquimós e aborígenes, idem. No entanto, entre os civilizados do Brasil, o velho não passa de um imprestável utensílio.