Bordel da Zona Sul

Sabe aquelas belas música que caem como um raio inexplicado
e ficam perambulando na cabeça? Aconteceu ao longo de toda semana passada. Não
sei porque, a versão acústica de “Bordel da Zona Sul”, do giga cantor e
compositor Dalto me pegou. É de 1984, saiu no álbum “Dalto” e no disco aparece
como Bordel da Zona Sul II, mas o próprio cantor, meu amigo, acabou de me dizer
que a versão acústica era para ser a I e a roqueira II. Ela entrou direto na
programação da Rádio Fluminense FM neste ano.
Também por isso resolvi abrir o episódio 20 de meu
podcast Uivo com ela.
Entrou no ar hoje e para ouvir basta clicar aqui:
“Bordel da Zona Sul II” é um clássico do folk rock
brasileiro e mostra a impressionante potência da voz de Dalto. Nos violões (se
não me engano!!!) está o saudoso Pisca, um craque.
Uma avalanche de lembranças me assola enquanto ouço “Bordel”.
Dalto e eu somos amigos desde meados dos anos 1970. Com grupos de amigos,
viramos inúmeras noites, ele cantando e tocando ao violão umas 300 músicas que
já havia composto, a maioria em parceria com o letrista Claudio Rabello. Noites
que pareciam não terminar, mas quando o sol dava sinais íamos embora.
Em 1982 Dalto gravou o álbum “Muito Estranho”. A faixa
título (“Cuida bem e Mim”) estourou no mundo inteiro, o álbum vendeu mais de um
milhão de cópias, puxou outras canções para o top 10 e ele se consagrou como
artista de primeira grandeza. Até hoje tocando e cantando muito, Dalto tem
vários hits nas vozes de outros artistas e segue fazendo shows em todo o país e
no exterior.
Voltando a 1982, ele realizou um sonho antigo. Comprou
uma Mercedes conversível V-8 verde musgo, interior creme. Que carro! Numa tarde
de sábado me ligou, tinha acabado de chegar da Europa e me convidou para
assistir ao violinista Jean-Luc Ponty no Teatro Municipal do Rio.
Entrei na Mercedes e Dalto rumou para a ponte, vazia
naquele dia e hora (umas 5 da tarde). Ele deu um leve acelerada (o rosnado de
um motor V-8 e uma tatuagem) e o carro foi a 150 km/h em poucos segundos. Praticamente
nada, já que o velocímetro marcava máxima de 290 km/h. Apesar de conversível,
não entrava nem um sopro de vento, silêncio absoluta e a travessia durou uns 5
minutos.
Chegamos ao Municipal e Dalto me mostrou uma novidade que
havia trazido da viagem. Um micro gravador Sony, estéreo. Gravou o show do Jean
Luc Ponty e o som parecia ser de CD, ainda não inventado na época.
Na volta, no Mercedão verde, pedi para colocar uma
fitinha K7 minha, que abria com “Bordel da Zona Sul II”. Demais. O som, o mar
visto da ponte, algumas lembranças, a presença do Dalto, meu grande chapa, no
volante, o sol se ponto sobre Niterói.