Sim é sim!

A mulher entrou no banheiro do Belmonte, bar de playboys do
Leblon. O cara achou gostosa, entrou atrás, baixou a calça e ia currar ali
mesmo, em cima da privada. A mulher gritou, conseguiu fugir.
O cara permaneceu por ali. Entrou outra mulher no banheiro,
ele também gostou e, de novo baixou a
calça, conseguiu arriar a calcinha dela e na hora penetração, os gritos
lancinantes da vítima chamaram atenção.
Foi quando garçons e outros frequentadores entraram em cena e
acabaram dando uma surra no criminoso que foi preso. Empresário bem sucedido,
28 anos. As mulheres e ele eram turistas. Estamos falando do Leblon, o IPTU
mais caro do país.
Ótima a campanha “Não é Não!” contra os ataques, beijos a
força, mão boa enfiada sem “sim é sim!” Não tenho dados estatísticos mas com
certeza a campanha já deve ter inibido muita gente que saiu de casa disposto a
agarrar uma novinha atrás de um tapume de obra, chamando curra de Carnaval.
Ou como comanda o funkeiro Diguinho em seu hit, “Surubinha de
leve”, que apesar da polêmica causada continua rolando solto no país todo,
inclusive em vários blocos de Carnaval.
Trecho da “obra”:
Pode vim
sem dinheiro/Mais traz uma piranha/Brota e convoca as puta/Mais tarde tem fervo/Hoje
vai rolar suruba/Só surubinha de leve/ Surubinha de leve com essas filha da
puta/Taca bebida depois taca pika/E abandona na rua/Só surubinha de leve/Surubinha
de leve com essas filha da puta/Taca bebida depois taca pika/E abandona na rua”.
Na Folha de S. Paulo de 22 de janeiro, um articulista chamado
Tony Goes, que não conheço, teorizou: “MC
Diguinho é só um sintoma extremo de uma sociedade machista e conservadora” e eu,
depois de quase vomitar lendo esse título (não consegui ler o resto), decidi
responder aqui que sintoma da sociedade
é o cacete!, Tony Goes; isso é crime, coisa de bandido, safado e você com essa
de acariciar, passar óleo de peroba para maquiar a criança?
Assim como não é não, sim é sim. O
negócio é respeitar. Respeitar quem quer e quem não quer. A mulher que decide
brincar o Carnaval seminua não está dizendo que é marmita, todo mundo bota a
mão. É nessa hora que entra o “Sim é sim!”; sim, chamar a polícia, sim, enquadrar,
sim, prender.
Sandra Gelatina foi uma personagem lendária da extinta crônica carioca do final dos anos 1960. Loura, linda, cabelo curto,
corpo escultural, em algum momento dos quatro dias de Carnaval, sem aviso
prévio, ela surgia na Cinelândia, vinda da Álvaro Alvim.
Enfiada num monoquini, ou
microquini, dourado, ou prateado, ou preto, ela desfilava sensualmente entre os
homens aturdidos (seus músculos pareciam gelatina dura) e quase em frente ao
Amarelinho parava teatralmente. Devagar, tirava a calcinha, arremessava para o
povo e, nua, seguia em frente; atravessava a avenida Rio Branco e desaparecia
numa viela qualquer nas imediações da Biblioteca Nacional.
Ninguém molestava, ninguém passava
a mão, muitos achando que “é demais para ser verdade, vai que dou-lhe um chupão
e levo um tiro”, ou “pode ser fetiche de marido maluco, meto a mão e tomo
navalhada”, mas fato e que Sandra Gelatina jamais foi incomodada, segundo todas
as pessoas que tiveram o privilégio de vê-la. Por que além das lendas de que “deve
ter alguém por trás, não vu me meter ali não”, ela era informalmente protegida
pela polícia, que fazia um cordão.
É incrível, estamos no final da
secunda década do século 21, mas campanhas como o “não é não!” ainda são mais
do que necessárias para tentar conter os primatas, os covardes, essa boçalidade
sociopata que ameaça, principalmente, as adolescentes que começam agora a ouvir
o lado B desse belo vinil chamado Vida e entender o que é “não é não!” e,
sobretudo, o que é “sim é sim”.
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