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Cabeça para baixo

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O VALOR DO SILÊNCIO "Tantos querem a projeção. Sem saber como esta limita a vida. Minha pequena projeção fere o meu pudor. Inclusive o que eu queria dizer já não posso mais. O anonimato é suave como um sonho. Eu estou precisando desse sonho. Aliás eu não queria mais escrever. Escrevo agora porque estou precisando de dinheiro.  Eu queria ficar calada. Há coisas que nunca escrevi, e morrerei sem tê-las escrito. Essas por dinheiro nenhum. Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio."  Clarice Lispector, Crônicas no 'Jornal do Brasil (1968)'   Aqui nesta psicodélica cabana de minha crônica insignificância ouso compartilhar alguns draminhas pequenos burgueses com minha meia dúzia de quatro ou cinco leitores. Draminhas (ideal seria dramecos) que não interessam a ninguém. Escrevo esta coluna sob o manto da mais severa, dura, moleca e (po...

Feliz Natal para todos!

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Você não vai encontrar nas frases abaixo nenhuma sacada genial, mas o que alguns escritores, filósofos e pessoas anônimas sentiram e escreveram sobre o Natal. Uma data tão poderosa que só o silêncio da contemplação sabe explicar. "O Natal é um tempo de benevolência, perdão, generosidade e alegria. A única época que conheço, no calendário do ano, em que homens e mulheres parecem, de comum acordo, abrir livremente seus corações."(Charles Dickens) "Natal é tempo de encontros e reencontros, procure ser e fazer feliz. É tudo o que importa! (L. Bonotto) "Será que diante de tantas evidências de felicidade seria utópico conseguirmos fazer do Natal uma data que se repetisse, trezentas e sessenta e cinco vezes por ano?" (Ivan Teorilang). "Lembre-se, se o Natal não é achado em seu coração você não o encontrará debaixo da árvore" (Charlotte Carpenter). "Ainda que se percam outras coisas ao longo dos anos, mantenhamos o Natal como algo ...

Caro Verão,

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Caro Verão, Depus as armas. Isso mesmo, estação do meu suplício, pedi arrego e decidi tentar conviver melhor contigo, numa boa, na paz. Verão, de fato você não tem culpa se os caras estão desmatando, poluindo, arrombando a camada de ozônio. Lembro de meus pais e avós falando de “brisa de verão” mas, meu chapa, até essa brisa roubaram. Não conheci. Sabe aquele convite “vamos tomar um refresco num fim de tarde de verão?”, não rola rapaz.  Não rola porque é humanamente impossível até raciocinar quando os caras que vendem as matas, rios, baías, oceanos acendem o maçarico. Sabe, Verão, um dia desses liguei para um restaurante novo para ver se estava cheio e depois da ligação me surpreendi com minhas perguntas: 1) Boa noite, o ar condicionado está gelando?; 2) Mesmo quando a casa está cheia?; 3) Quantos B.T.Us? Além de isentá-lo decidi sentir menos calor, apesar de estar calor. Como? Montei uma bateria de ventiladores de seis pás que transformam minha casa na costa das...

Carro pra que?

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Encontrei o querido amigo Helinho em frente ao banco. Ele vinha pela calçada, me viu, abriu os braços, trocamos um longo abraço. Disse a ele que estava indo pagar o IPVA do carro porque o banco na internet tinha dado pau. Ele respondeu: “há mais de um ano que não sei que problema é esse.” Economista bem sucedido, especializado em finanças pessoas e também terapeuta holístico, desde novo Helinho investe em qualidade de vida. Contou que há um ano e meio vendeu seu Honda Civic 2012 por R$ 50 mil e investiu muito bem o dinheiro (ele conhece esse caminho). Nos dias úteis só usa os baratos Uber Select e nos finais de semana fez um excelente negócio com uma locadora de automóveis. Um motorista deixa um Toyota Etios Hach completo, automático ("me sinto um burguês velho dirigindo” rsrsrs), na garagem dele na sexta a tarde e busca na segunda. Num pacote especial de uso continuo a diária não chega a 100 reais. Helinho conta, rindo, que “me tornei um minimalista e adoro esse ca...

O analfabeto político - Berthold Brecht (1898-1956 - eternamente atual)

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O pior analfabeto É o analfabeto político, Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

O sadio crespusculo da adolescência

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No fim da tarde de ontem, segunda-feira, fui a formatura de minha sobrinha Catherine Beranger de Farias Mello no colégio La Place, em Piratininga, Niterói. Fomos meu irmão Fernando, a cunhada Milena e sua mãe Aida. Ela recebeu o diploma do ensino médio para começar o curso superior de cinema agora em 2018. Foi tudo muito simples, bonito, afetuoso. O carinho com que o La Place trata seus alunos, como já me disseram na cidade muitas vezes, é real. A plateia de mães, pais e afins sentiu verdade, respeito, consideração por parte de professores coordenadores etc. Cada um daqueles garotos e garotas tinha consciência que estava se despedindo da adolescência, uma fase de transição marcada pela dúvida, um certo desalento, uma quase miopia existencial e eventualmente muita ansiedade. Mas a contagiante alegria delas e deles acabou passando para nós, os chamados adultos que acham que sabem de tudo mas o fundo, sei lá. Em determinado momento quando o orador da turma falou de sonhos e...

Tolerância a intolerância é intolerável

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A tolerância a intolerância é intolerável, mas está presente até para quem não pode ou não quer ver. Nas ansiosas filas dos bancos, nos ônibus, aviões, na caminhada solitária das pessoas rumo ao trabalho, na escola, na consulta médica. Rumo ao nada, muitas vezes. Exercitar a tolerância é mais do que fundamental, ensinam a filosofia (parceira invisível e milenar de todos nós), a psicologia, o bom senso. Um exercício difícil, espécie de musculação existencial, vital, para que as pessoas possam conviver minimamente bem com elas mesmas e a partir daí com a sociedade. A intolerância está presente nas ruas, no ambiente de trabalho, no supermercado, nas redes sociais na internet, na política partidária. Hoje, o radicalismo parece se impor ao bom senso e assistimos a um banho de sangue entre aspas entre pessoas que atiram até amizades de décadas no lixo em nome de convicções políticas dos outros, dos políticos profissionais. A sensação de “vão-se os dedos, ficam os anéis...