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Pau de enchente

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Bruce era um pau de enchente, rolando pela vida, batendo numa margem e na outra, afundando e flutuando como um caule de eucalipto no leito de um rio caudaloso. PhD em filosofia achava que o homem era uma flecha arremessada no universo, sujeito a rotas, desvios, vitórias e fracassos, ao sabor do destino. Bruce não agendava nada. Não programava, não projetava, não arquitetava, apenas vivia. Como um pau de enchente. Seu nome fora inspirado em Bruce Wayne. O pai passou boa parte da adolescência assistindo Batman & Robin na TV e lia tudo sobre o homem morcego. Tinha álbuns, posters, figurinhas e até uma fantasia de Batman que adoraria usar todos os dias mas, diante do provável ridículo, vestia apenas no carnaval. Na época dizia que se tivesse um filho ele se chamaria Batman. Tornou-se um respeitado e famoso jurista e por isso batizou o filho de Bruce. Batman não seria de bom tom. Bruce era considerado um gênio, mas diante do espelho se achava um fiasco. Aos 20 e poucos anos le...

Internet e a nova era do rádio

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O carioca Ruy Jobim é um brilhante radialista, profundo estudioso do rádio e diretor geral da Escola de Rádio, referências na formação de novos profissionais. Para conhecer é só acessar https://www.escoladeradio.com.br/ . Ruy e eu conversamos sobre o poder do novo rádio, chamado de webradio, que poderia estar substituindo as transmissões convencionais, especialmente em FM. Afinal, o rádio em AM reinou absoluto até os anos 1970, quando foi ceifado pelas FMs, com qualidade de som infinitamente melhor, novas gerações de programadores locutores e jornalistas. No entanto, no Brasil as FMs pararam no tempo, por um lado tocam sucessos banais repetidamente de outro seguem o modelo “vitrolão”, descoberto pela Tamoio AM nos anos 1950. As FMs buscaram o comodismo, não investem no novo, optando pelo produto pronto, pasteurizado e muitas vezes de péssimo gosto. Vamos ao papo com o Ruy Jobim. - O avanço das rádios na internet no Brasil é um fato? Há dados objetivos a respeito de...

Guilherme Pimenta e o novo violino popular

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  O violinista Guilherme Pimenta está lançando o EP “Violino na Roda” com quatro músicas instrumentais, sendo três autorais (“Violino na Roda”, “Cachaça” e “Cabeludo”) e uma versão para “Capricho de Raphael”, do bandolinista Hamilton de Holanda. Publicarei aqui na Coluna datas, horários e locais. Aqui, um papo com ele: - Como se interessou pelo violino? Na verdade, quando era adolescente e fui ingressar no Conservatório da minha cidade no interior de Minas (Montes Claros), eu queria ter aprendido violoncelo, mas como na época, não havia professor, fui pro violino por ser o instrumento mais próximo. Logo me apaixonei pelo instrumento e depois de todos esses anos, acredito que no fim das contas, é o instrumento que escolhe a gente e não o contrário. - Quem foram os músicos que ouviu e te inspiraram? Sempre ouvi muita coisa diferente ao mesmo tempo. É difícil resumir em uma entrevista todo mundo que ouvi e que me inspirou. Cito alguns que têm tido grande influ...

Transe

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Um amigo, giga intelectual, tem um Fusca 1982 parado na garagem de seu prédio, no Leblon. Ele me disse uma vez que o melhor carro do mundo é o táxi. Concordei.  Quando vivia em Paris, anos 60/70, ele tinha um Citroen 2 CV, xodó dos existencialistas. Foi ele quem me apresentou a Oscar Niemeyer na célebre tarde em que o mestre da arquitetura decidiu almoçar num restaurante no Flamengo, Rio. Pessoas assim mostram que esse papo de mundo obsoleto é e sempre foi uma grande babaquice, mas lamentavelmente muita gente é escrava da seita “se liga, se liga freguesia, celular é nas Casas Bahia.” Em 1976 eu estava no MAM, Rio, cobrindo o velório de Di Cavalcanti. Era repórter da saudosa Rádio Jornal do Brasil AM, ícone do jornalismo. De repente entra Glauber Rocha. Suado, descabelado, com um outro cara com uma câmera Bolex de 16 mm. Maior escândalo. Glauber gritava “close na cara do defunto! Close na cara do defunto” e o cinegrafista praticamente trepava no caixão para arrancar o cl...

São João

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Neste 24 de junho é comemorado o dia de São João, padroeiro de várias cidades, entre elas Porto Alegre e Niterói. Feriado municipal e pouquíssimos arraiais acontecendo. Não sei por que. Deixei de frequentar as poucas festas juninas por causa da lambança que andam fazendo na trilha sonora. Ao invés de canções tradicionais tocam esses entulhos como sertanejo universitário e até funk. Tempos atrás almocei com o colega Eduardo Lamas no Centro do Rio e na volta, a caminho da estação do catamarã para Niterói, vi na Praça 15 um cartaz anunciando uma festa junina. Típica e tradicional. O desenho trazia uma fogueira, gente fantasiada e até os perigosos (e hoje inviáveis) balões. Embarquei e a meu lado sentou um sujeito que era a cara do Danny Devito: baixo, gordo, careca, que não largava o celular. Fez várias ligações porque a linha caia. Ele orientava uma mulher do outro lado da linha que arrumava a sua mala. Foi gozado. Ele dizia “não, gravat...

Cariocas do Duo Santoro, José Staneck e Ana Letícia Barros brilham na Argentina neste domingo

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Gêmeos violoncelistas, gaitista e percussionista apresentarão o espetáculo “Do Clássico à Bossa Nova”, em Córdoba, neste domingo, no Teatro Real. Como solistas da Orquestra Sinfônica Acadêmica de Córdoba, farão um concerto no dia 29 de junho e gravarão o CD “Brasil en Córdoba” entre os dias 25 e 28.   Os irmãos violoncelistas cariocas Paulo e Ricardo Santoro (Duo Santoro), o gaitista José Staneck e a percussionista Ana Letícia Barros vão apresentar o espetáculo “Do Clássico à Bossa Nova”, buscando mostrar, através da fusão incomum entre violoncelos, harmônica e percussão, os dois lados da música brasileira: o erudito e o popular, com a sofisticação do samba e da bossa nova. O quarteto se apresentará neste domingo, 24 de junho, no Teatro Real, reunindo, em um só programa, obras do cancioneiro popular, como “Lua Branca e Gaúcho” (Chiquinha Gonzaga), “Asa Branca” (Luiz Gonzaga), “Tico-Tico no Fubá” (Zequinha de Abreu), “Brasileirinho” (Waldir Azevedo), além de músicas consag...

Desconsideração

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Jamais a civilização teve tantos meios de comunicação disponíveis. Até ontem (1990) quem quisesse enviar uma mensagem confidencial escrita tinha que pegar papel, caneta, escrever, por no envelope, ir até a agência do correio, postar e esperar dias até que o destinatário recebesse. Uma carta do Rio para a Europa demorava de 10 dias a 15 para chegar. Em 1990 já havia fax, o pager (vulgo teletrim) que, em sua época, foram muito importantes. Em 1983, nos Estados Unidos, quem pagasse 20 mil dólares conseguia um telefone celular. Hoje reina a fartura tecnológica. No mundo há 6 bilhões de linhas de celular, outros bilhões de usuários da internet. Os preços desabaram, o acesso continua cada vez mais fácil e a quantidade de aplicativos e programas impressiona. E-mail, SMS, Whatsapp, Skype, etc. etc. etc. muitos de graça. E a contrapartida? Se a civilização nunca viu tanta fartura tecnológica em prol da sua comunicação, por outro lado a falta de consideração/educação parece imperar. ...