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Otimismo & Pessimismo

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As redes socais, cada vez mais anti sociais, andam muito mal humoradas e pessimistas. Claro que os tempos estão instáveis, mas se todo mundo, em todos os tempos, fosse pessimista 24 horas por dia ninguém teria nascido. A começar por nós. O pessimismo crônico, assim como o mau humor, em geral são sintomas clássicos (eu diria óbvios) de depressão e ansiedade aguda que, de cara, levam diretamente a inapetência existencial. Não é normal ser pessimista o tempo todo. Não é normal ser otimista o tempo todo. A leve e harmônica oscilação de humor rege a saúde do nosso sistema nervoso, ensina a boa medicina. Os negativistas, vulgo urubus, tem no pessimismo o início, o fim e o meio. O lema deles é o famigerado “nada será como antes” (cusp! saudosismo) e reclamar de tudo é a base. Reclamam do calor, do frio, da chuva, da falta de chuva, do trabalho, da falta de trabalho, do amor, do desamor, do céu, do inferno sem perceber sua palpável infelicidade....

Mente caótica

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Nossos predadores emocionais vivem nas savanas do inconsciente e mantém no topo da cadeia alimentar a ansiedade antecipatória, figurinha fácil no corredor da morte das penitenciárias onde a pena de morte é formal. No Brasil é informal. Há muitos relatos de condenados que ficaram ensandecidamente ansiosos para chegar o dia da execução, quando a ansiedade, parece, cessa. Dormir mal, comer mal, falar mal, cansaço instalado no cotidiano, ansiedade antecipatória é capaz de levar o ser humano a milhares de abismos por minuto, numa tortura inominável que devora dias e noites, semanas, meses, anos, décadas. Certa vez, lá na casa do cacete dos anos 70, fui me meter a fazer meditação transcendental na torpe tentativa de tentar reduzir a velocidade dos pensamentos caóticos. Baixei numa espécie de consultório em Copacabana, num prédio que se chama Edifício das Boutiques, na Santa Clara. Apesar do tsunami de mulheres maravilhosas na fila do elevador, minha cabeça parecia uma Kombi c...

Isolado há 22 anos, índio tenta sobreviver

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                                                                                    Na mata no interior do estado de Rondônia, na Terra Indígena Tanaru, uma área florestal de uso restrito com 80 km² encravada entre cinco fazendas de pasto e agricultura mecanizada, o último sobrevivente de uma tribo indígena resiste ao contato com a civilização há 23 anos. Após ver a família ser assassinada e os últimos membros da tribo dizimados por fazendeiros em 1995, o “índio solitário” trava uma batalha para sobreviver, longe dos fazendeiros e traficantes de madeira que mandam na região. Felizmente a Funai teve uma luz e, em 2015, demarcou a área de 8.070 hectares por mais dez anos. Funcionários da Funai relatam que tentaram se aproximar do índio, mas foram afastados a flechada...

Neste domingo, as 11 horas, Elaine Guedes na Sala Paschoal Carlos Magno, em Icaraí, Niterói

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A cantora, compositora e musicista Elaine Guedes se apresenta neste domingo, dia 22, na Sala Paschoal Carlos Magno no Campo de São Bento, Icaraí, Niterói. O show é as 11 da manhã e faz parte do Projeto Arte na Rua, da Fundação e Arte de Niterói – FAN. Ela será acompanhada de Rubinho Jacob (violão) e Flávio Santos (percussão). Se em Chico Buarque ouvimos “ silêncios eloquentes e palavras cirúrgicas para momentos bons e horas más que a memória côa ”, ingrediente da MPB dos anos 60, nesse show ele se reúne com a música afro-brasileira de Baden Powell, sem barreiras entre erudito e popular. Elaine Guedes tem formação erudita e experiência na música popular brasileira, como backing vocal de Tim Maia, Benjor e Cassiano, e em seu trabalho autoral. Rubinho Jacob nasceu na percussão e a exerce no violão, elogiado por Ivan Lins como autor, cantor e violonista. A percussão de Flávio Santos também e muito conceituada. Numa entre...

O hóspede (II)

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Falta de ar pelo amor partido, sem bilhete, 29 anos atrás. Leve asfixia, leve melancolia, leve arrependimento sob a garoa fina e quase fria. Ele mandara o amor partir. Partir reto, sem olhar para trás, sem derramar lágrima, sem se deixar levar pelas nuvens obscuras da desesperança. Cretina. Chega ao topo da montanha bela e fria, quase no final da estreita estrada, a subida contornada por cerca viva que se transformava em um diário, onde letras, vírgulas, parágrafos pareciam incorporar os fios de metal entre os moirões. Piso de pedras. No final da subida um pátio, não muito grande, com antigas, muito antigas, marcas de pneus. Bem em frente, uma pequena casa de hóspede, em madeira e telha colonial. O motor V8 silencioso do carro corta o silêncio opaco daquele lugar que já fora mágico, 29 anos atrás. Havia ecos, de vozes relembradas, remexidas, requentadas. Havia ecos de longos e apaixonados beijos entre os pinheiros que naquela manhã sem vento pareciam estafados, parados, qui...

Boa vontade

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Hoje fui contemplado com a boa vontade de um sujeito que não conhecia. Podem até dizer que “ele não fez mais do que obrigação, trabalha para isso”, mas não é bem assim. Vivemos um momento estranho onde imperam a patada, a grosseria, o mau humor e vizinhos de porta da nefasta má vontade. Quando achamos um funcionário de uma empresa regido pela boa vontade muitas vezes impressiona. Muitas empresas botam a culpa na crise e aumentam seus lucros investindo em mão de obra barata, desqualificada, logo imbecil e grosseira. Botam para trabalhar justamente no atendimento ao público que, em função de tudo o que está aí, também não cheira a Leite de Rosas. E aí vira o maior bala com bala. No entanto, por mais que seja desqualificada, incompetente e mal paga, uma pessoa de boa vontade tenta fazer o possível, enquanto o seu oposto despeja o impossível na nossa cara. Exemplo: ontem um amigo contou que estava falando com o banco pelo telefone e uma mulher, grosseira, inchada de má vontade,...

O analfabeto político - Berthold Brecht (1898-1956 - eternamente atual)

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O pior analfabeto É o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.