sexta-feira, 23 de março de 2018

Me rendi aos discos voadores

            As bolas que vimos eram vermelhas e não laranjas como essas. Eram muito parecidas
             só que eram muito maiores e aos milhares subindo em alta velocidade para o céu     

Já era hora de reavaliar algumas opiniões relacionadas a Ovnis. Sei que é politicamente incorreto, mas prefiro chamá-los de discos voadores.

Nunca havia visto e também nunca acreditei neles. Mesmo nos anos 80 quando estava na praia de Itaipu com Steve Hackett, Hilário Alencar, Selma Boiron e Carlos Lacombe, e vimos, todos, milhares de gigantescas bolas vermelhas subindo para o céu, em silêncio profundo, durante quase um minuto e ninguém entendeu. Não sei se Selma e Hilário lembram da visão. O grito aflito, extasiado do Steve (“Fly saucers! Fly saucers!”) não me sai da lembrança.

Anteontem, o produtor Steve Altit, responsável pela vinda de Steve Hackett ao Brasil (toca hoje, sexta, no Vivo Rio e amanhã, sábado, no especialíssimo Teatro Municipal de Niterói) me ligou. Eram umas duas da tarde, ele estava no aeroporto (acho que no sul) com o músico. Altit me perguntou “é verdade que vocês viram discos voadores em Niterói lá por 1983? O Steve (Hackett) está falando nisso direto” e passou o telefone para ele. “Olá Luiz, how are you?”, mas a ligação caia e o grande Altit combinou com ele de nos encontrarmos no camarim depois do show.

Nunca aceitei a visão que tivemos, mas apesar de ter formulado milhões de hipóteses não cheguei a remota conclusão do que teria sido. Na época, voltei a Itaipu, conversei com locais, falei com o saudoso médico, hipnólogo e perito e em Ovnis, Dr. Silvio Lago, que se ofereceu para fazer uma regressão com o grupo e a partir de nosso relato, buscar uma explicação. Gênio, ele usava a hipnose para verificar se relatos de pessoas que diziam ter visto discos voadores eram reais ou algum tipo de ilusão, e mandava os resultados para a Nasa. Optei por não fazer a regressão e nem falar com ninguém.

Pior. Meu ceticismo em relação ao assunto radicalizou de tal maneira que as pessoas que comentavam comigo sobre o fato (saiu em jornais) só me ouviam debochar e até fazer uma comparação grosseira: “disco voador é como patrocínio eu já vi, mas não acredito”, e encerrava o assunto. Achava que naquela noite de inverno, bela e fria, todos nós sofremos algum tipo de surto psicótico.

Ontem, depois da ligação do Steve, finalmente me rendi explicitamente as evidências. Afinal, um inglês cosmopolita que dá voltas ao mundo o tempo todo até hoje comenta um fato que se passou há mais de 30 anos. Foi muito impactante para ele, para os amigos que lá estavam e agora, admito, foi impactante e muito emocionante para mim também.

Por isso, pensando bem, peço desculpas a quem crê em Ovnis pelos anos que passei esculachando o assunto. Claro, esculachando de modo irônico, debochado, mas esculacho é esculacho. Aproveito o embalo e peço desculpas também aos budistas por tudo que andei dizendo e fazendo ao longo do tempo (sem detalhes).

Aceito a aparição de Itaipu, aceito que vi sim discos voadores, que lamentei não estar com uma câmera fotográfica, que aquela imagem sobrenatural me fez bem, me banhou de encantamento, que por alguma razão eu quis suprimir da minha história. Da mesma forma quando quase quebrei uma imagem ligada ao budismo (sem querer) e não pedi desculpas a quem crê. Peço agora.

Todo mundo sábado no Municipal de Niterói para o brilhante show do Steve Hackett.