domingo, 18 de março de 2018

Mundo em transe


Se o arquiteto do horror nazista Joseph Goebbels, gênio de todos os males, vivesse no mundo de hoje estaria utilizando fartamente as redes sociais, programando milhares de robôs para disseminar notícias falsas (fake news) aos milhões para “vender” o nazismo como solução para a salvação do planeta, nesse momento em que o mundo está em transe, quase hipnótico.

É dele a frase “de tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade". O planeta está mergulhado em dúvidas, desconfianças, ódio. O Brasil mais ainda.

Não que nunca tenha se odiado tanto por aqui, mas jamais houve tanta divulgação do ódio graças a internet. Ódio viraliza, manda matar, santifica, mitifica, mistifica, endeusa, demoniza a cada segundo, em cada computador, celular, tablet.

No passado um jornalista quando saia para trabalhar era obrigado a deixar em casa suas opções políticas que, em caso de fanatismo (o que não é raro), torna o homem cego e surdo, mas mudo jamais, e é aí que reside o drama. Um jornalista que permitisse que suas crenças, paixões, fanatismo (religiosos, políticos, futebolísticos e tudo mais) interferisse numa notícia, numa manchete, numa chamada estava fadado a ir para a rua.

Nos meios de comunicação sérios (há vários) a regra continua em vigor. Por mais que o jornalista diga no Facebook que X é um gênio, Y um injustiçado, Z um perseguido, calcado apenas nos seus sentimentos impulsionados pela ira, ele não pode vomitar o que sente e pensa onde trabalha.

A melhor vacina contra as fake news são os sites de meios de comunicação confiáveis, em geral pagos.

Em 17 de junho de 2009, por oito votos a um, os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram que o diploma de jornalismo não seria mais obrigatório para exercer a profissão. Até hoje não cheguei a uma conclusão se isso tem ou não a ver com a desmoralização de parte da comunicação, mas assusta o fato de ouvir em rádios que se dizem sérias comunicadores e repórteres iniciantes incitando a audiência para mandar notícias pelo whattsapp. É um perigo? É. Mas eles fazem. Todo o dia, toda a hora. Incentivados por empresas que contratam menos e pagam menos ainda. Em vez de contratar bons repórteres, rádios, muitos jornais e TVs abrem o whatsapp para o público o que é, claro, um forte estímulo para o surgimento de fake news.

Na noite de 1 de Maio de 1945, Goebbels mandou chamar um dentista das SS, Helmut Kunz, para injetar morfina em seus seis filhos para que ficassem inconscientes quando, em seguida, lhes fosse dada uma ampola de cianeto. Segundo o testemunho do dentista, ele administrou a morfina, mas foi sua mulher Magda e o SS-Ludwig Stumpfegger, o médico pessoal de Hitler, quem lhes deu o cianeto. Morreram os seis. Oito e meia da noite, Goebbels e Magda saíram do bunker e foram para o jardim da Chancelaria, onde se suicidaram. Goebbels matou Magda e depois ele próprio.

Voltando ao início desse artigo, vamos supor que esse genocida e o nazismo estivessem vivos atualmente. Sua prioridade seria a manipulação da internet e ferramentas como whatsapp (e outras) para disseminar mentiras, ódio e fanatismo, ameaçando todo o planeta. O mundo vive uma tamanha confusão que abre espaço para carniceiros como Hitlers, Mussolinis, Francos, Salazares, etc.

O Brasil mais ainda. O governo está afogado em graves denúncias de corrupção, a oposição também, boa parte do Legislativo e do Judiciário idem. Muitos estão afogados até o queixo em dejeto moral e ético. Onde isso vai parar? Onde? Mais do que desgovernado o Brasil tornou-se ingovernável e não há luz no fim do túnel a não ser a do trem vindo em sentido contrário. Desculpem o clichê.

E na internet, tome fake news fake news fake news fake news fake news fake news, a serviço do ódio, do sectarismo, do horror, da desunião, da falência múltipla da humanidade.

Alguém é capaz de prever o final desse filme?