segunda-feira, 29 de agosto de 2016

‘Ora que melhora!’, a mensagem no vidro de um carro

Antigamente as mensagens, digamos, automotivas eram vistas (e lidas) nos pára-choques de caminhões. Mensagens bem humoradas, outras mais reflexivas, mas quase todas de bem com a vida. Com o passar do tempo, essas mensagens acabaram chegando ao automóvel através dos adesivos. Linguagem direta, objetiva.

Tempos atrás, debaixo de chuva, a bordo de um táxi vi as ruas cheias de gente com a aparência de cansaço, uma imagem meio em câmera lenta. Resolvi me distrair lendo os dizeres dos adesivos dos carros que tentavam se deslocar naquele trânsito preguiçoso e muitas vezes irritante dos dias chuvosos.

A primeira que li no vidro de um carro foi: "Ora que melhora!". Gostei da mensagem, da ideia, da intenção. Afinal, se existe um conceito universal que une todas as religiões, crenças e correntes filosóficas é o poder da oração, poder esse que a ciência já reconhece há bastante tempo.

Mais à frente, na tampa do porta-malas de um carro bem usado, um adesivo anunciava: "É velho, mas é meu". Também gostei. Afinal, que história é essa de que todos têm que ter carros novos, sapatos novos, roupas novas? Essa mensagem extremamente positiva de certa forma mostrou o orgulho do proprietário daquele carro. O cheiro de vitória, mais uma etapa de sua vida, simbolizada por prestações e mais prestações que finalmente foram quitadas.

Claro que em ano eleitoral começam a surgir nomes e apelidos em vidros de todos os tipos de veículos anunciando que alguém vai se candidatar a alguma coisa. E esse alguém, com toda a razão, confia no poder dos adesivos. O que faz uma pessoa comprar e colocar, muitas vezes em letras garrafais, a frase "Vivo arranhado, mas não largo a minha gata" no vidro traseiro do carro?

Mensagens em adesivos colocados em veículos estão longe de ser uma exclusividade brasileira. Os norte-americanos adoram adesivar seus carros, motos, caminhões, ônibus, com mensagens que muitas vezes não fazem o menor sentido. Uma delas é "Não me siga, estou perdido também", que pode ter mil conotações. Desde o perdido no trânsito banal até o perdido na vida, nas perspectivas, no emaranhado de dúvidas e angústias, características básicas dos seres humanos.

No caso do "Ora que melhora!", que vi no trânsito moroso, chamou minha intenção porque no táxi ao lado uma senhora de idade fechou os olhos e juntou as mãos assim que leu a mensagem. Só ela sabe porque orou, para quem ou o que orou, mas o fato é que a mensagem atingiu seu objetivo. Eu, inclusive, também fiz uma oração porque acredito, sim, no "Ora que melhora".

Muito já se escreveu e falou sobre as frases de pára-choques de caminhões. Há, inclusive, um livro a respeito que li há anos atrás e que lamentavelmente perdi. O autor colecionou as frases ao longo de anos viajando pelas estradas brasileiras e reuniu um esplêndido coquetel de reflexões, algumas de extrema sensibilidade, outras de ótimo humor, mas nenhuma negativa, difamadora, rancorosa.

Quando migraram para os carros, o objetivo foi o mesmo. Humor, boas sacadas, fé e muito pouca baixaria. O que é muito bom para todos nós.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Livros da semana - Impressionante liquidação de livros com até 90% de desconto!

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A Vida como ela é – caixa de Nelson Rodrigues


A vida como ela é...” dispensa apresentações! Histórias de ciúme, obsessão, dilemas morais, inveja, desejos desgovernados, adultério e morte fisgaram logo de imediato os leitores da coluna de jornal que consagrou o nosso maior dramaturgo. 
Os contos, depois de publicados em jornais, foram lançados em livros e até hoje representam uma marca do autor, chegaram também a sofrer adaptações para o rádio e para a TV — sempre como sinônimo de grande sucesso de público. 
O boxe é composto pelos 3 livros de contos da principal série de Nelson Rodrigues: "A vida como ela é...", "A vida como ela é... em 100 inéditos" e "A vida como ela é... em série".

Machado de Assis – 40 Contos escolhidos

400 páginas

Esta biblioteca machadiana de bolso reúne 40 contos de Machado de Assis, renomado escritor brasileiro do século XIX. A seleção foi feita valorizando contos com apelo tanto para jovens como para leitores experientes. 
Os textos consagrados não poderiam faltar, mas estão presentes também diversas narrativas menos conhecidas, em que a ironia machadiana mergulha nas sutilezas da natureza humana.

A Sabedoria dos Beatles nos Negócios

Richard Courtney, George Cassidy

256 páginas


Este livro é construído de forma muito dinâmica, capítulos curtos, boas idéias, prático e até mesmo divertido. Não se trata apenas de um ótimo complemento para qualquer estante dos fãs dos Beatles é também uma excelente leitura para qualquer empresário que busca realizar bons negócios.
Os capítulos contém lições muito importantes sobre gestão dos negócios e da história dos Beatles. Trata-se de uma série de vinhetas curtas, onde um ponto da história dos Beatles é mencionado seguido por uma descrição das conseqüências de negócios e que os outros podem aprender com ele. As histórias abrangem o sucesso da banda, bem como a separação e suas causas. Cada um dos itens são de extrema relevância para diferentes tipos de negócios.
Como um livro sobre os Beatles, ele fornece as pepitas da verdade da carreira dos Beatles do começo ao fim, de como eles "se uniram" para se tornar um sucesso.

                                                       

O Burguês


Entre a História e a Literatura



300 páginas

A ascensão e queda da figura do burguês na literatura é o tema do livro do crítico italiano Franco Moretti, professor de literatura da Universidade Stanford (EUA). Em seis capítulos concisos, enérgicos e ilumi-nadores, ele recorre à obra de alguns dos principais autores do século XIX e início do XX, a fim de demonstrar como a busca de hegemonia por parte da cultura burguesa está entrelaçada à racionalização da prosa e à invenção do romance.
Por meio das obras de, entre outros, Daniel Defoe, Jane Austen, Gustave Flaubert, Machado de Assis, Joseph Conrad e Henrik Ibsen, o crítico mostra como o declínio do burguês ocorre a despeito da consolidação do capitalismo. "As mercadorias se tornaram o novo princípio de legitimação; o consenso passou a ser erigido sobre coisas, não sobre homens - menos ainda sobre princípios", escreve Moretti.

Barulhos


108 páginas

Barulhos reúne a produção poética de Ferreira Gullar entre 1980 e 1987. Neste livro, o poeta conta o caminho percorrido naqueles anos, os amigos perdidos, a diária redescoberta do corpo. É uma obra que marca, em definitivo, a passagem do escritor pelo pórtico da maturidade e a cristalização de seu estilo poético, de sua forma. 
Considerado o maior poeta brasileiro da atualidade, Ferreira Gullar recebeu inúmeros prêmios: o Machado de Assis/Academia Brasileira de Letras (2005) e o Camões (2010), a mais alta distinção em língua portuguesa. Em 2011, com Em alguma parte alguma, Gullar recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor de Livro de Poesia e o de Livro do Ano.
Com o lançamento de Barulhos e Na vertigem do dia, a José Olympio completa o novo projeto gráfico da obra poética de Ferreira Gullar

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A face oculta da lua, um conto sem escalas

Comia uma empada de galinha caipira num bar na rua do Ouvidor, Centro do Rio, perto de um lugar onde Machado de Assis também comia empadas de galinha, só que urbanas, numa manhã de quarta-feira quando parou um caminhão que trazia no para-choques uma frase tola e genial, algo como “na estrada da vida, passado é contramão”, é isso ou mais ou menos isso, mas a vida é como um texto sem ponto, só vírgulas, um pouco de ar, na base do ir em frente, pensando, pensando, passei a semana pensando num monte de coisas como um artigo que escrevi para um jornal norte americano no já longínquo 2014 que, por vacilo meu, não saiu assinado, na carta de um leitor que me esculhambou por causa de uma crônica sobre mulheres gostosas, e eu acabei ficando meio sem saber o que dizer, mas depois constatei, relendo o que havia escrito, que o tal leitor não entendeu, confundiu homenagem com vagabundagem, a tal vagabundagem que me falta para acender a fogueira de um amor impossível que surge no alto de uma montanha, fazendo pé pé com a lua e brincando de trapezista com o arco-íris, mas espera aí, por que todo amor impossível precisa ser adolescente, nos faz sentir como meninos soltando pipa no alto de uma pedreira que ainda existe atrás de um prédio em Trás-os-Montes, onde passei parte de minha pós-adolescência soltando foguetes e alimentando amores impossíveis, como o que tive com uma estação de rádio, que de musa acabou virando livro cujas últimas linhas começo a escrever em suas prováveis 974 páginas que deverei lançar neste 2015 no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Salvador, Lisboa, Porto, matando a saudade dos Boeings e Airbus que, eventualmente são minha segunda casa para depois, quem sabe, voltar a TV, ao VT, ao Protools, criar um megasite já que a saudade é um sentimento completamente inútil para mim a ponto de eu não reconhecer os anos 1960, muito menos os 70, os 80, afirmando que a melhor década é a que estou, o melhor momento é o agora, que não é mais agora porque quando este texto for postado no site essas palavras chamadas de originais já terão ido morar no arquivo vivo de minhas dezenas de milhares de textos, amontoados há quase 45 anos de escrita diária, dedicada, obsessiva, ou quem sabe vão se mandar para Aracaju, canção de Caetano Veloso que diz que “ser feliz/o melhor lugar é ser feliz”, ah, essa música está impregnada em minhas veias abertas para a minha cidade, cidade-calamidade para quem quer jantar com uma amiga sem ser chamado de amante, mas ao mesmo tempo cidade-útero, morna, molhada, que nos recebe aberta nas madrugadas quando cruzamos a baía sob chuva fina, ou sob neblina, ou sob o torpor da cafeína que consumo num botequim próximo à estação das barcas, acompanhado de divagações afetivas, mulheres de sonhos, verso e prosa, tendo ao fundo o rugido cansado dos miseráveis que se embolam nos jornais para escapar do açoite do frio, ou da fome, ou da polícia imaginária, ou dos políticos virtuais, ou da música que Keith Jarrett ainda não compôs sobre um pôr-do-sol no Algarve para onde provavelmente irei este ano, acompanhado de meu cão Hanói e meu canário Elvis, encontrar amigos e conversar sobre política e sardinhas e, quem sabe, pensar um pouco mais sobre o próximo semestre, na dieta prometida, na possibilidade de receber um e-mail da mulher de meus sonhos dizendo que a vida não faz sentido sem mim, essas coisas que a gente gosta de ouvir quando deita no sofá com um pote de dois litros de sorvete de abacaxi Kibon, quatro litros de Coca Cola e um DVD com um filme de Buñuel, imagem que pode lembrar a canção que me vem as vísceras lá de 1971, Jards Macalé, que canta “estou cansado/e você também/ vou sair sem abrir a porta/e não voltar nunca mais/ desculpe a paz que lhe roubei/ e o futuro esperado que não dei/é impossível pensar/ num barco sem temporais/ e suportar a vida como um momento além do cais” e, por sorte, quebrei esse disco em questão de horas porque não tenho vocação para o masoquismo, daí a minha paixão pela bossa nova, pela magia do céu, sol, sul, e não o samba-canção martírio, daqueles que chamam a lua de luz de mercúrio e nos fazem roer meio fio quando sentimos que nosso texto num jornal não está sendo bem revisado, ou sequer assinado, mas, pensando bem, o editor tem mais o que fazer, o que não vale é acharem que estou tristinho, magoadinho, quando na verdade estou cansado porque são três da manhã e o principal recado na caixa postal do meu celular diz apenas “durma em paz”,  ou foi impressão minha, não sei bem, dizem que comer carne de porco a noite faz mal a alma, mas o recado estava lá na voz da mulher dos meus sonhos, provavelmente telefonando do futuro,  de um orelhão primitivo, olha, garota, eu não quero saber por onde deitas, mas confesso que a possibilidade do recado ser verdadeiro faz um bem danado, como o dia em que Peggy Sue voltou à tona depois de passar dias submersa nos anos 1960...ah, esse Copolla é tão genial que faz um Fusca chorar sem sentir dor, ou alguém não notou que em “Apocalypse Now” a música do Doors, chamada The End, foi infernalmente bem inserida na abertura do filme, eu sei, teria que colocar um ponto de interrogação, mas o cansaço me fez escrever este texto sem pontos e sem parágrafos pois dizem que é uma boa maneira de conversarmos um pouco com nossos xamãs, ou com “As Valquírias” de Paulo Coelho, que estou louco para conhecer pessoalmente, mas as pessoas só pensam nos dólares que Paulo Coelho está ganhando, merecidamente, por ter despertado milhões de pessoas para coisas mais interessantes do que forninho de micro-ondas, IGP-M, Fipe, Dilma, esse macabro parque de diversões chamado economia que provoca sucessivos e generalizados rompimentos na classe média do Brasil, onde os casamentos desabam e renascem como frutos do mar, o que é bom, é muito bom, já que aprecio a velocidade emocional da classe média brasileira e suas Ferraris afetivas entrando no Arpoador a 230 por hora, como um bando de desdentados a caça de um dentista capaz de reduzir a dor em pelo menos 20%, ou uma manada de executivos de marketing, chamados à última hora para tentarem salvar Titanics depois das varadas nos icebergs da incompetência, o flagelo do terceiro mundo, parceria incansável da corrupção, da propina que assola o país desde sempre, crucificando temporariamente uma meia dúzia para saciar a turma do pão e do circo, é fogo, não é mole, e o pior é que que terminarem de auditar o Brasil  o berço esplêndido vai ficar mais deserto do que ilhas virgens em dia de finados, chovendo e com ressaca, porque como cantou um dia David Bowie “this is not America”,numa boa, sem preconceito, mas this is not America, mas não é mesmo, tanto que nem a inflação razoavelmente estável provoca o mínimo de otimismo, provavelmente por causa da porção Dom João Sexto em nosso sangue, suor e lágrimas, aquela ala que gosta de gemer, reclamar, expulsar, discriminar, enfim, eu tenho uma amiga que é dentista e me escreveu um e-mail da China onde os brasileiros são perseguidos como judeus na Alemanha de 1940, e tudo mais o que acomete o emocional de um perseguido que, como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones, acreditava em Papai Noel e nessa coisa de irmandade entre os povos, a ponto de me preocupar pois rapidamente respondi o e-mail sugerindo que ela não julgasse povos, mas governos, não julgasse indivíduos, mas corriolas e assim por diante já que da mesma forma que em Detroit (EUA) nos anos 1980, estavam matando japonês a pauladas, tenho receio que comece a rolar esse clima contra outros povos aqui no Brasil, o que não é bom para ninguém, pois de médico, português e louco, todos nós temos um pouco, da mesma forma que o amor impossível pode parecer impossível eternamente quando não buscamos soluções alternativas quando uma estrada está inundada e ficamos parados xingando o ar, já que há sempre uma trilha, um atalho, uma picada quando queremos mesmo chegar a algum lugar, mesmo que esse lugar seja o lugar nenhum, mesmo que chova açoites, pois somente algumas coisas não tem solução, entre elas o fim do papel. Madrugada. Quente, fria, morna. Um homem está diante de seu vulcão interior e tenta decifrar a lava. Angústia. Êxtase. Sem pausa, sem trégua. Não há bandeira branca no embate entre o homem, o vulcão e o papel, feito refém e ponto de partida para um monólogo urbano, que segue, não para. Não para. Não para.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Livros da semana - 11

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Caixa Rubem Braga: crônicas

736 páginas

Grande cronista, Rubem Braga redimensionou o lugar da crônica no país. Sua sensibilidade era imensa, capaz de transformar a mais simples observação numa escrita perturbadora, cheia de lirismo, frescor e estilo único.

Rubem Braga deixou, em 62 anos de atividade profissional, a impressionante marca de 15 mil textos. Foi pensando nisso que a editora Autêntica convidou os autores André Seffrin, Bernardo Buarque de Hollanda e Carlos Didier para selecionar e organizar crônicas até agora inéditas em livro.
O resultado são três volumes com textos sobre artes plásticas, política e música, reunidos numa caixa. Cada um traz cerca de 100 crônicas, além de posfácios escritos pelos organizadores, com comentários sobre a vida e a obra do escritor capixaba, e textos de orelhas de Miguel Sanches Neto (artes plásticas), Milton Hatoum (política) e Aldir Blanc (música).

A seleção comprova o talento, a atualidade dos temas, a visão criativa de Rubem Braga, este três volumes confirmam o que os críticos não se cansam de repetir: a verdade é que ninguém escreveu crônica como Rubem Braga.
                         
Na sala de roteiristas

Christina Kallas


256 páginas


Com uma narrativa cada vez mais sofisticada, as séries americanas revolucionaram a TV e conquistaram o mundo, dominando a atenção do público e da crítica e influenciando até o cinema.

No centro dessa revolução está o autor - e a bem sucedida "sala de roteiristas", método de trabalho coletivo dos escritores de uma série de TV. Christina Kallas conversa com showrunners e autores de alguns dos dramas televisivos. Compartilhando suas experiências e práticas da "sala de roteiristas", eles falam sobre a arte de escrever e criar para a TV séries como Família Soprano, Mad Men, Game of Thrones, Friends, Seinfeld, The Wire, Law & Order, entre outras. Em textos complementares, Kallas faz um balanço do desenvolvimento da narrativa para TV em contraponto ao cinema.

Analisando a importância decisiva do roteirista nesse processo - que levou para a TV o que há de mais interessante em dramaturgia atualmente -, ela oferece reflexões inestimáveis tanto para profissionais do ramo quanto para "viciados em séries" e espectadores em geral.
                                             

Jimi Hendrix - Biografias 32

Franck Médioni
Na vida, precisamos fazer o que temos vontade, precisamos deixar o espírito e a imaginação flutuando, flutuando, livres.” Contemporâneo dos Beatles, de Bob Dylan e John Coltrane, o guitarrista, cantor e compositor norte-americano Jimi Hendrix (1942-1970) ocupa, na história da música, um lugar à parte: o de maior guitarrista de todos os tempos.

No epicentro dos anos 60, marcados pela transgressão e contestações de todo tipo, ele inventou um novo jeito de tocar a guitarra elétrica e desenvolveu técnicas de gravação em estúdio que mudaram a música popular para sempre.

O mundo sonoro por ele criado passou a ser o de toda uma geração que, sem amarras, buscava uma identidade. Sua morte prematura aos 27 anos, tendo gravado apenas quatro álbuns, amplificou o alcance do mito. Junto do seu legado de distorções propositais, do excesso de agudos e manipulação da microfonia, fica a imagem de alguém que tinha a guitarra como uma extensão do próprio corpo. 
                             

A Lei: Por Que A Esquerda Não Funciona

As Bases Do Pensamento Liberal

Frédéric Bastiat
Este livro traz uma reflexão prática sobre ideias de filósofos e outros pensadores acerca da política e da vida em sociedade, dentre eles John Locke e Adam Smith, e trata de temas como liberdade, direitos à propriedade, espoliação, igualdade, livre iniciativa, impostos, democracia, sufrágio universal, autoritarismo e tantos outros que, passados quase dois séculos, ainda provocam debates acalorados.
Nesta edição estão incluídos comentários e análises que relacionam o tema à legislação e à história política do Brasil contemporâneo.
                           

Os Crimes De Paris

O Roubo Da Mona Lisa E O Nascimento Da Criminologia Moderna

Dorothy e Thomas Hoobler
O roubo da Mona Lisa, em agosto de 1911, foi um dos crimes mais extraordinários do século xx. Durante mais de dois anos, a obra-prima de Leonardo da Vinci permaneceu nas mãos dos ladrões, enquanto a polícia francesa buscava o seu paradeiro a partir de poucas e confusas pistas, que levaram a suspeitas de envolvimento até mesmo do pintor Pablo Picasso e do poeta Guillaume Apollinaire.

O episódio é o estopim de Os crimes de Paris, que reconstitui os últimos anos da Belle Époque por um viés inédito: assassinatos, roubos e grandes escândalos que emocionaram a opinião pública. É o lado escuro de Paris que emerge desse livro, que também trata do modo como os avanços técnico-científicos na passagem do século XIX para o XX influenciaram o desenvolvimento da investigação policial.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

400 cavalos caríssimos e inúteis

                  Ford Mustang GT - utopia
                        Vw Up 1.0 - realidade
Sou apaixonado por carros e hoje vi um Ford Mustang GT vermelho, capaz de despejar 447 cavalos de potência, chegando a 279 km/h. Ele estava no para e anda de uma rua, para entrar no para e anda de uma avenida mais a frente. Seu motor V8 5.0 bebe 2,5 km/litro de gasolina nessas condições.

O pior de tudo é que nada adianta um carro ter mais de 400 cavalos de potência desde que os governos descobriram nos radares de velocidade (vulgo pardais) uma boa fonte de grana. Usam como desculpa a preocupação com a segurança dos cidadãos, que todos nós sabemos que é pura balela. Qualquer cidade vagabunda instala seus pardais em trechos de rodovias que passam por seus limites, alguns limitando em 40 km/h, em geral mal sinalizados. De propósito, já que a intenção é faturar.

Para piorar, a maioria das estradas está esburacada, mal sinalizada, pedestres, cavalos, jegues não tem como atravessar e o trânsito parece um rolo compressor passando sobre vidas a todo instante.

A ponte Rio-Niterói foi inaugurada em 1974 com três pistas de cada lado com o limite de velocidade em 120 km/h. Em julho passado, o governo federal instalou pardais na via que limitam a velocidade em 80 km/h, sempre em nome da “segurança do cidadão”. Tem gente padecendo de sono a 80 km/h na via durante a noite. O bom senso sugeria que para carros esse limite poderia ficar em 100 km/h e em 80 para ônibus e caminhões, vilões históricos daquela via. Mas, também lá, prevalece a esperteza estatal.

De que adianta ter um carro de 100 cavalos se nem metade da potência do motor pode ser usada? Exemplo: um Fiat Palio 1.6 tem 117 cv de potência e a 80 por hora está muito longe da velocidade e cruzeiro. Um Renault Sandero 1.6 tem 106 cv enquanto um Toyota Corolla 2.0 tem 154 e um Honda Civic 155. Todos eles bebem muito nos congestionamentos crônicos das cidades brasileiras e a pergunta que fica é “vale a pena investir?”. O Brasil merece? Ou tornou-se, definitivamente, a terra do motor mil, vulgo 1.0?

Um exemplo de que o consumismo tem, literalmente, limites no terceiro mundo.


domingo, 14 de agosto de 2016

O grito do Pink Floyd na pequena rua engolida pelo calor

Foi na primavera de um ano qualquer. Andava por uma pequena rua que não conheço, no miolo de um bairro operário provavelmente o mais quente que já pisei. Eram duas da tarde e, penso, a temperatura ali passava dos 37 graus. Não falo da tal sensação térmica, invenção pequeno-burguesa dos neo-meteorologistas, mas de temperatura mesmo.

Não lembro em que pensava, afundando o pé naquela lama asfáltica desesperadora e opaca, doença industrial que ajudou a enterrar o planeta. Ou alguém duvida que o nosso planeta, outrora azul, foi enterrado vivo pela especulação imobiliária, desmatamento, poluição generalizada, desgovernos, desconsiderações generalizadas?

Eu não estava legal, não. Parei numa espécie de bar que vendia bombril, madeira, pastel, lâmpada, quibe, mariola, café, chumbinho e quando pedi uma H2O Limoneto o balconista me olhou com cara de “que porra é essa?”. Tudo bem. Migrei para uma água sem gás e fiquei contemplando a ausência de paisagem daquele lugar, tomado de telhados de amianto. Pensei em não voltar mais lá, mas havia um compromisso. E se eu rompesse o compromisso? Não faz o meu estilo. Ia tomar um café, mas desisti quando vi o estado do coador de pano imundo, jogado num canto da pia. Paguei a água e saí.

Caminhava pela rua sem árvores, calçada cheia de rombos, buracos, fissuras, cachorros deitados nos cantos e, de repente, ouvi um grito conhecido. Conhecido, não, muito conhecido. Preocupado, parei embaixo de uma marquise ligeiramente podre e ouvi o final de “Speak To Me”, faixa que abre o genial e eterno álbum The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, 1973. Na sequência, emendada, depois do grito desesperado, aflito, tomado de agonia, o alívio de “Breathe”.

Não quis saber de onde estava vindo aquela música que caiu como luva em meu estado emocional. No meio do calor comocional, mais mormaço existencial e outros acessórios, engolido por dúvidas, caóticos pensamentos e muitas vezes incoerentes, o grito da música no meio daquela inconveniente lareira psíquica foi a trilha sonora perfeita que o destino (meu chapa) escolheu para sonorizar a minha angústia.

Angústia que clamava pela suavidade de “Breath” que, não sei porque, a pessoa que ouvia abaixou o volume logo nos primeiros acordes. Provavelmente também estava encarando uma crise de histeria muda parecida com a minha e queria mais gritos, mais gritos, algum berro, mas, ao contrário de mim, não quis o conforto, o colo, a bruma, a suavidade de “Breath”.

Continuei andando pela rua que, apesar de pequena, suja, estreita, parecia não acabar. Cruzei com pessoas que pareciam zumbis, banhadas de suor, apáticas, lesadas, balas perdidas quase cambaleando sem terem o que falar, ouvir, olhar. Olhar o que naquela paisagem sem vida? Provavelmente eu também devia estar assim, estático, fora da área de cobertura, olhos secos, boca seca, suor, leve desespero e muita angústia.

Pensei “quando chegar num computador vou escrever alguma coisa agradecendo a pessoa que colocou “Speak To Me” e “Breath” justamente na hora que eu estava passando por aquela picada.” Mais do que um desabafo, esse texto pretende agradecer a anônima pessoa que gritou através do Pink Floyd mas que não quis arrefecer, como eu. Sim, com “Breath” arrefeci. Precisava reiniciar o raciocínio lógico pois entraria em uma reunião de trabalho meia hora depois.

Tive que calar. Pior: tive que dissimular, inventar um alívio inexistente porque em 28 minutos teria que estar encenando um outro papel, de brasileiro gente boa que adora o país tropical, o calor, o suor, e abomina crises existenciais que ele, brasileirinho, chama de coisas de baixo intelecto. Sabem como é? É isso aí.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Livros da semana - 10

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Macunaíma - O Herói Sem Nenhum Caráter

Mário de Andrade
240 páginas

Mário de Andrade publicou Macunaíma em 1928. O livro foi um acontecimento. Debochado e intensamente brasileiro — ainda que muito pouco ou nada nacionalista —, este romance é ainda hoje um dos textos fundamentais do nosso Modernismo.

E continua a influenciar as mais diversas manifestações artísticas. Nascido nas profundezas da Amazônia, o herói de Mário de Andrade é cheio de contradições — assim como o país que lhe serve de berço.
É adoravelmente mentiroso, safado, preguiçoso e boca-suja. Suas peripécias vêm embaladas numa linguagem rapsódica e inventiva, um marco das pesquisas de seu autor em torno de uma identidade linguística brasileira.
                                                  
                                             A capa do livro não está disponível. Foto provisória

Petrobrás: uma História de Orgulho e Vergonha

Roberta Paduan
392 páginas

Como a empresa que por tanto tempo foi espelho do que o Brasil tem de melhor se tornou sinônimo de roubo em grande escala? É o que a jornalista Roberta Paduan explica no impactante "Petrobras - Uma história de orgulho e vergonha".

Fruto de um trabalho extenso de pesquisa e apuração, o livro narra como a estatal foi cenário de vários casos de mau uso político e desvio de verbas ao longo de sua existência, nos governos posteriores à ditadura militar, até se tornar totalmente refém de um esquema de corrupção bilionário.

Repórter e editora da revista "Exame", onde cobriu o Petrolão de perto, Roberta revê a cronologia do escândalo combinando histórias chocantes de bastidores com informações apresentadas de maneira acessível, ajudando o leitor a compreender a magnitude dos danos feitos à petroleira e seus desdobramentos. A Operação Lava-Jato surge como fio condutor nos principais momentos, muitos dos quais ganham ares de thriller dado o ritmo do texto e o caráter cinematográfico dos personagens e suas ações. Um retrato revelador do debacle de um dos maiores símbolos do Brasil.
                         
                                    
Dado Villa-Lobos: Memórias de um Legionário

Dado Villa-lobos, Felipe Demier, Romulo Mattos
256 páginas

Trinta anos após o lançamento do seu primeiro disco, a lendária banda Legião Urbana tem a sua história e seus bastidores pela primeira vez contados por um de seus integrantes, o guitarrista Dado Villa-Lobos, também compositor e produtor. Dado Villa-Lobos - memórias de um legionário é tudo aquilo que um fã ou mesmo um apreciador de biografias sonharia em encontrar em um livro.

Relembrando a sua própria trajetória como o guitarrista da banda que, mesmo após 15 anos do seu final, ainda era a terceira que mais vendia discos da gravadora EMI no mundo, Dado, juntamente com os historiadores Felipe Demier e Romulo Mattos, dá detalhes instigantes.

Ele, que ingressou na Legião Urbana em 1983, convidado por Renato Russo e Marcelo Bonfá, recorda, por exemplo, shows em que o público se rebelava e criava um caos, jogando pequenas bombas no palco. Para garantir a identidade e sinergia com os fãs e com a história da banda, a capa do livro foi criada pela mesma designer que produzia as capas dos discos da Legião Urbana, Maria Fernanda Villa-Lobos.

Vale a pena ler e esmiuçar, através de seu guitarrista, a história dessa banda de trajetória intensa e genial, que, apesar de ter encerrado suas atividades em 1996, continua cultuada e venerada por fãs de diferentes gerações e é considerada a melhor banda brasileira de todos os tempos.
                                  

                   Sou Fã! E Agora?

                      Frini Geoargakopoulos
                       160 páginas
Fã que é fã adora conversar, discutir, interagir. Mas nem sempre temos por perto um amigo tão fanático quanto a gente para desabafar. Foi pensando nisso que Frini Georgakopoulos, uma fã de carteirinha, escreveu este livro: um manual de sobrevivência voltado para quem é apaixonado por livros, filmes, séries de TV. 

Com uma linguagem rápida e divertida, Sou fã! E agora? é uma mistura de artigos breves e atividades interativas que convidam a refletir sobre os motivos para curtirmos tanto as histórias, além de ajudar a descobrir o que fazer com todo esse amor: criar seu próprio cosplay, escrever uma fanfic, organizar um evento, começar um blog ou canal e muito mais.
                 

Poemas Escolhidos

Mia Couto

190 páginas


O escritor moçambicano Mia Couto tem grande incursão na prosa, com livros de contos, crônicas e romances premiados, mas a poesia sempre fez parte de seu universo criativo e segue como uma de suas formas de expressão favoritas. 

Para esta antologia poética, o autor selecionou poemas de seus livros Idades cidades divindades, Raiz de orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas. Nas palavras de José Castello, autor da apresentação, “Os poemas de Mia Couto são, antes de tudo, reflexivos e filosóficos. [...] Abordam o ser e a incompreensível dor de existir. Inspecionam as dificuldades de viver. Trata-se de uma poesia que, sem se pretender didática, entra em sincronia com as perguntas que nos fazemos desde o nascimento”.