quinta-feira, 25 de maio de 2017

A batalha dos ratos

Os atores dessa ópera podre juram inocência, como todos os atores de óperas podres ao longo do tempo.

- O PT e seus partidos de fé promoveram o maior assalto da história do Brasil.

- O PSDB deu asas a um senador que sempre achei arrivista e que foi denunciado como larápio de primeira grandeza.

- O PMDB sempre foi um covil. Sempre. Agora mais do que nunca.

- Os outros partidos restantes não alteram o produto: todos uma merda.

- Estão enjaulados e indiciados grandes empresários que praticaram corrupção ativa contra os famigerados “agentes públicos”.

- O fundador do PT e sua sucessora no Planalto juram inocência.

- Um vaqueiro que se tornou milionário nos governos petistas traficando carne podre e propinas exibe uma gravação que detona o presidente da república.

- Presidente peemedebista que só existe porque o PT o fez vice duas vezes. Duas!
Depois, surfando numa inexplicável impunidade, o bandido noturno pega o seu jato Gulfstream e se manda para Nova Iorque com a família, para curtir a cobertura que tem na Quinta Avenida.

- Cercado de amigos delinquentes, esse indefensável presidente, diga-se de passagem também é um merda.

- Comandados pelo PT e financiados pelo imposto sindical, os meliantes sociais organizaram uma baderna em Brasília. Alugaram 500 ônibus (a diária de um carro popular numa locadora custa 90 reais em média, imaginem um ônibus), encheram de meliantes pagos e resolveram atacar prédios de ministérios. Eles sabem que ministério pertence ao Estado e não ao governo mas como em sua arrogância e impunidade eles acham que são o estado e dane-se.

- O presidente que acoberta safados na calada da noite na garagem da casa onde vive recebe um telefonema de outro implicado na Lava Jato, um imbecil que preside a Câmara dos Deputados.

- O imbecil disse que pediu ao presidente para determinar a ida da Força Nacional de Segurança para a Esplanada dos Ministérios para conter a fúria dos meliantes sociais.

- Só que não havia efetivo e o anêmico presidente convocou o Exército.

- Na Esplanada a PM atirava nos meliantes sociais, covardemente. Os meliantes sociais incendiavam ministérios, com gente dentro, covardemente.

- Os meliantes sociais resolveram voltar para os ônibus alugados que estavam estacionados no Estádio Mané Garrincha, a um quilômetro da Esplanada. No caminho foram destruindo tudo, inclusive ônibus que servem a população.

- Nas rádios e TVs a discussão: quem assume caso o presidente de merda renuncie? O presidente da Câmara? Não pode, está cagado na Lava Jato. O presidente do Senado? Não pode, também está cagado na Lava Jato. Resta a presidente do STF.

- Por enquanto, parece que é isso.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Tiê sangue

Meses atrás meu irmão ligou. Contou que tinha acabado de ver um tiê-sangue lindíssimo. Tentou fotografar mas, arisco como todo tiê-sangue, ele voou rumo ao desconhecido.

O tiê-sangue é um dos mais
belos arquétipos de minha infância. Minha e também de meu irmão. Vivemos numa pacata vila em Angra dos Reis, povoada pelos tiês e também coleiros, canários da terra, sanhaços, sabiás. Sanhaços, sabiás e tiês sangue tem o mesmo tamanho, a mesma importância e estão, os três, e também os coleiros e canários da terra, em extinção.

Conheci a inocência em estado puro. A ingenuidade, os sonhos, o desejo de não crescer jamais, jamais, jamais. Os pássaros, o mar, as árvores, minha mãe costurando próximo a janela de nossa casa que sorria quando eu a chamava de mãezinha, a figura longilínea de meu pai chegando em casa, fardado (Marinha), depois do trabalho.

No ano passado vi um tiê sangue pousado numa árvore no quintal do estúdio Nas Nuvens, do Liminha, no Jardim Botânico, Rio. Achei que era vertigem. Era de manhã e ele estava pousado numa goiabeira a pouquíssimos metros de mim. Fiquei olhando seus movimentos rápidos, seu reflexo, sua tensão. Logo, voou e imediatamente liguei para o meu irmão, mas o celular dele estava ocupado. Em seguida começou a gravação e tive que guardar a imagem na memória. Não quis fotografar para não espantar.

Hoje, pensando no tiê que meu irmão viu, refleti sobre a impossibilidade de ser burro e binário como um computador. Muitas vezes tive (como tenho) vontade de reiniciar tudo e, as vezes (não muitas) de formatar meu HD, o que de certa maneira venho fazendo de u
ns tempos para cá e seguirei ao longo dos dias que vão vir.

Dizem que essas resoluções tem a solidão como combustível. Concordo. A solidão não é de toda má, como mostra o tiê-sangue que gosta de voar sozinho, mas vive em bando. Muitas vezes a solidão incomoda. A ponto de, em muitos casos, decidirmos formatar o nosso HD e, quem sabe, instalar um novo sistema operacional enquanto há tempo. Tempo, iguaria que com o passar do tempo se torna mais escassa.
Fora isso, o desejo de sumir, evaporar, viver o resto do que resta num lugar longínquo, sem qualquer meio de comunicação, para descansar, descansar, descansar.

Quase escrevi que além de reiniciar a máquina, formatar o HD e instalar um novo sistema operacional, tive vontade de seguir o exemplo do tiê-sangue
em seus voos solitários rumo ao desconhecido. Mas se ele estivesse 100% certo não encabeçaria a lista de pássaros em extinção no mundo.





segunda-feira, 22 de maio de 2017

Cascata

Tive o trabalho de fazer um levantamento de notícias publicadas na página que uso no Facebook nos últimos seis meses. Mais de 70% eram mentiras, boatos, terrorismo emocional e afins.

Os jornais estão fazendo uma enorme campanha alertando que a imprensa é o meio mais confiável para se obter notícias verdadeiras. Em tese, sim. Apesar de, na quinta-feira, um jornalista renomado ter dado uma das maiores barrigas (notícia falsa) do ano ao anunciar no site de seu jornal gigante que Temer iria renunciar naquela tarde. Deu detalhes, disse que Temer já havia conversado com ministros, etc. Quebrou a cara. A cara dele e a dos leitores.

Em tese, a imprensa tem mais credibilidade. Em tese, a imprensa contrata profissionais treinados para apurar incansavelmente as notícias antes de publicá-las. Só que de tempos para cá, muitas empresas optaram por mão de obra barata. Os estagiários e trainees, que deveriam estar nas redações para aprender o ofício, atualmente trabalham como gente grande, apurando mal, escrevendo mal, falando mal no rádio porque, afinal, estagiários e trainees vieram ao mundo para errar e aprender. Internamente, sob forte supervisão. E não para saírem publicando a torno e a direito.

Ontem a noite ouvi no rádio um âncora mirim dizer que uma atleta havia morrido em consequência de um acidente com uma van que transportava o seu time. Acho que de vôlei, não tenho certeza. Vários feridos. No final da notícia, o âncora mirim informou (?) que o nome da atleta morta e também dos feridos não tinham sido divulgados.

Pecado capital.

Até uma ameba sabe que num caso como esses, até se ter os nomes, não se pode divulgar uma notícia. Motivo: pânico. Quantas milhares de pessoas tem parentes, amigos e conhecidos andando de vans naquele momento? Quando não se divulga o nome de quem morreu e também dos feridos, gera-se uma paranoia coletiva.

Lembro bem. Nos meus tempos de estagiário, um repórter profissional foi suspenso porque pôs no ar a seguinte notícia: “um Fusca branco bateu no viaduto dos Marinheiros. O motorista morreu e o trânsito está complicado no local”. Não deu nomes, nem placa. O chefe o suspendeu imediatamente alegando que milhares e milhares de pessoas, naquela época, tinha Fuscas brancos e muitos deles estavam naquela região.

Em tempos de internet cascateira e terrorista, podemos, sim, pedir abrigo a imprensa formal. Mas, com muita moderação e checando (não é papel do leitor, mas fazer o que?) a notícia em pelo menos três grandes sites para sair espalhando por aí.


Não é?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Raimunda

Raimunda era feira de cara, feia de bunda, mas possuia um séquito de adolescentes que, sábia, muito sábia, culta, esperta, ninfomaníaca insaciável, manipulava eroticamente nos idos dos anos 1970. Os meninos, um bando de 28 ávidos comensais, burlavam ordem severas de pais e responsáveis para não se aproximarem de Raimunda porque, diziam, ela era terrorista. Diziam até que planejava sequestrar um avião e que tinha uma doença chamada “furor uterino”.

A meninada procurou saber o que era furor e o que era uterino, juntaram as coisas e deduziram que Raimunda era tarada. Que maravilha! Era o que bastava. Ao longo de 25 dias do mês (nos outros cinco Raimunda sumia mas emprestava sua amiga Alzirinha) os 28 comensais entravam e saiam da casa amarela, fincada numa rua não muito calma de um bairro de classe média. Entravam, saiam, entravam, saiam. Presenteavam Raimunda com relógios falsificados, colares e pulseiras de camelô, perfumes baratos, batom, calcinhas.

Chegou o verão. O bando estava pálido, magro, arfando de cansaço. Pelo menos 12 perderam o ano no colégio, outros ficaram em recuperação e quatro foram expulsos por atentado violento ao pudor em sala de aula. Conversando sentados numa esquina chegaram a conclusão que Raimunda não dormia porque...eles praticamente viravam a noite na casa dela e, além disso, souberam enciumados, possessos, rubros de fúria, que ela estava tendo casos com guardas noturnos, operários de uma obra e até com um padre durante a madrugada e "ainda inventada que fazia reunião", comentaram indignados. Como um ser humano consegue viver sem dormir? Como um mamífero sobrevive apenas copulando, bebendo água, comendo amendoim, manga e salsicha? É a força do amor.

Os 28 não confessavam, mas Raimunda os iniciara não só no sexo mas também no afeto. Negavam, rugiam, berravam, mas estavam sim apaixonados pela mais feia e gostosa mulher de suas vidas, para quem dedicavam músicas, poesias baratas e até xixi que faziam no muro em frente a casa dela, escrevendo com urina frases de amor, desejo, sofreguidão, povoadas de erros de português.

Um dia todos precisaram ir ao médico. Ardências, ardências, ardências. Diagnosticados com “doença de homem” nomearam um porta-voz para avisar a Raimunda que ela...ela...ela não estava bem. O porta-voz foi lá na casa amarela, entrou, foi até a cama de Raimunda e disse que...que...que...ela não estava bem. Raimunda chorou. Muito. Pediu perdão e, delicadamente, mandou o porta-voz sair.

Diante da reação, a confraria de amantes de Raimunda decidiu fazer uma vaquinha e comprar 28 de rosas vermelhas para ela, devidamente envolvidas num buquê romântico com direito a cartão apaixonado com iniciais dos nomes. Nomearam outro pombo-correio para enviar o buquê, lindíssimo. Chico Pardo, que era albino, foi lá, entrou...não, Chico Pardo não entrou. Portão fechado. Pulou o muro. Porta fechada. Tudo fechado. Ninguém. Voltou para o bando. Onde foi parar Raimunda? O que houve?

Vários choraram e saíram caminhando pelas ruas desolados, em luto. Os 28 mataram aula, não conseguiram almoçar e se trancaram cada um em sua casa, em seu quarto pensando no amor perdido. Teria sido a ardência? Teria sido o padre? Teria sido um operário, um guarda noturno?

A noite souberam pela TV que Raimunda tentara sequestrar um avião as três horas da tarde, mas não resistiu aos ferimentos durante a troca de tiros com soldados do Exército.

Amor eterno”, os 28 escreveram no muro da casa amarelo e...seguiram a vida, digamos assim.

sábado, 13 de maio de 2017

Bege, não!


Me disseram que o Brasil está bege. Nem lá, nem cá. Nem marrom, nem amarelo. Nem preto, nem branco. Quem me disse acha que bege é o nada, o vazio, o "destesão", eu até concordo, mas dizer que o Brasil está bege já é demais.

O Karman Guia TC 1974 foi um de meus melhores carros. Maravilhoso, perfeito e eu era apaixonado por ele. O único problema é que era bege, igual ao que está lá em cima, na foto. Uma vez quase pintei de vermelho, como o da foto de baixo, mas seria muito complicado e não ficaria bom. Uns dois anos depois tive que vender porque o fundo do carro começou a apodrecer.


Os fulminantes ventos da paixão são vermelhos vivos, ou amarelos, ou verdes. Bege, não. Biquínis, calcinhas e similares na cor bege também são tiro no pé. E a crise brasileira é muito grave e aguda para ser chamada de bege, fraca, anêmica.


Ou não?

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Sozinho não dá

Já falei do Jajá por aqui. Foi um mestre acidental que ganhei em meados dos anos 70, quando já estava submerso no jornalismo. Jajá era 30 anos mais velho do que todos nós (ele morreu em Minas Gerais), com certeza tinha o melhor texto que conheci e foi correspondente no Vietnã, no auge da guerra, entre 1969 e 1971, trabalhou em Londres também como correspondente.

Em 1975 passou dois anos em Niterói. Foi aposentado por problemas emocionais, não pelo período que passou no Vietnã mas pela cobertura jornalística que fez do incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, em fevereiro de 1974 matando 191 pessoas. Ele dizia, sempre emocionado, que “aquelas cenas...eu jamais esquecerei o que vi...jamais entenderei, jamais entenderei”.
Ele contava que para aliviar a dor começou a beber, “até ser resgatado por colegas em lixeiras de Londres. Mesmo assim não parei. Eu precisava afogar minhas lembranças nos copos, muitos copos, que me fizeram perder mulheres e me levaram a aposentadoria precoce”. Ele morreu alcoólatra.

Sua narrativa era irônica e debochada e certa vez, sentado na sua mesa predileta na extinta Leiteria Brasil, que ficava na rua da Conceição, Centro de Niterói, após quase três garrafas de vinho Chateau Duvalier, revelou que iria escrever um livro chamado “Sozinho não dá”.

Como assim, Jajá? “Olha, por mais que o homem pise na lua, e marte, a solidão continuará sendo a nossa maior predadora. O ser humano é bicho de bando, quem negará isso? Se você pensa em levar a vida sozinho ou, pior, acabar a vida sozinho em nome de qualquer razão está ferrado. Tudo o que fazemos, pensamos e sentimos não é para que. É para quem. Todo mundo sabe que compartilhar a vida com uma mulher não é só sexo e rock and roll porque em vários momentos o jogo fica pesado. Por isso sempre digo que sozinho não dá.”

Rebati dizendo, do alto de meus 21 anos na época, que jamais havia projetado uma vida solitária, mas ele me cortou. “Tudo bem, você pega uma ali, meia dúzia acolá, mas e quando chegar a tal da meia idade quem vai comemorar com você 20 anos de relação? Quem vai te acordar no meio da noite notando que você está passando mal? Em suma L.A. (ele me chamava de L.A.) quem vai cuidar de você com o maior prazer, porra? Mais: de quem você vai cuidar? Quem você vai levar a Búzios para se divertir? Para quem você vai acordar no meio da noite para ir uma farmácia comprar remédio contra cólica? Sozinho não dá”.

Não sei se ele escreveu “Sozinho não dá” e um outro romance “Nunca mais 50”, sobre a péssima experiência que sentiu ao virar um cinquentão. Não sei se escreveu, mas publicar não publicou pois nós teríamos sabido. Ele disse, inclusive, que iria dedicar o livro a um amigo inglês que quando fez 85 anos optou pela auto eliminação. Bebeu veneno. “Ele dizia que a sua validade existencial já havia vencido”, contava o Jajá. Aliás, pensando bem, faz sentido.
Fato é que “sozinho não dá” virou um mantra para mim, o que acho ser extremamente saudável. Não tenho vocação para cachorro louco e nem para egolatria, seja leve, média ou grave. Sempre apreciei o trânsito intenso de afeto, companheirismo e solidariedade porque, afinal, a minha senha também é “para quem” e não “para que”.

De fato, sozinho não dá.


terça-feira, 9 de maio de 2017

Realejo

Durante um ano trabalhei no horário de 5 e meia da manhã na Rádio Jornal do Brasil, departamento de radiojornalismo. Acordava a noite e via o Rio de Janeiro despertar com suas primeiras luzes naturais avançando sobre as artificiais que iam se apagando em ritmo descompassado. A Rádio JB funcionava no antigo prédio do JB, hoje Into, na avenida Brasil, 500.

Algumas vezes sai do trabalho (uma da tarde), comi no bandejão do JB e trôpego de sono ia até a Quinta da Boa Vista, onde me esticava embaixo de uma boa árvore e dormia pra cacete. Lá conheci um sujeito, um homem do realejo e decidi verificar a minha sorte. Ele abriu a gaiola, a musiquinha característica começou a tocar, o periquito saiu, tirou o papelzinho, paguei e saí. Li a minha sorte embaixo de um jambeiro (acho) e estava tudo bem.  

Ao longo do tempo, retirei a sorte outras vezes. Afinal, tudo ali é feito para nos fazer bem (senão o homem, o realejo e até o periquito iriam a falência) e as mensagens eram sempre ultra positivas e algumas até me banhavam de reconhecimento. Pelo que sei, ninguém vive sem reconhecimento. Nem cachorro suporta ser esculachado 24 horas por dia.  De vez em quando um "valeu, Rex!" e um biscoito fazem bem até aos chamados irracionais.


Meu pai trabalhava perto do JB porque sempre trabalhou perto do mar, e um dia e convidou para almoçar, o que era comum. Como ele não me deixava pagar a conta (o que me deixava
chateado...bobagem minha, aliás), fomos no Adegão Português onde ele traçou um bacalhau e eu um filé de peixe. Sempre conversávamos compulsivamente e acabei falando do homem do realejo. Meu pai quis conhecer.


Saímos do Adegão e fomos para a Quinta da Boa Vista no super Fuscão do meu pai. O periquito tirou a minha sorte e depois a dele. Meu pai nunca me mostrou a sorte dele e a minha acabei esquecendo no carro. Como era um cara fechadão, muito na dele, não me surpreendi e dei um assunto "homem do realejo" como encerrado.

Anos depois, fui a casa dele. Organizado, ele mantinha tudo bem guardado e identificado e sua escrivaninha era um primor. O telefone tocou ele ficou falando e vi, num cantinho, uma pequena caixa de plástico cinza com a etiqueta "realejo". Ele não viu que eu vi e mais curioso do que um fofoqueiro voltei na casa dele no dia seguinte, horário em que ele não estava, para abrir a caixa.


Cheguei lá, abri a escrivaninha, pus a mão na caixa mas não tive coragem e indecência de abrir. Imediatamente deixei a casa dele envergonhado e injuriado comigo mesmo já que tinha intimidade suficiente com meu pai para perguntar "que caixa é essa, deixa eu ver?" e no máximo que ele ia responder seria "deixa pra lá, assunto meu".


Hoje tive uma insônia "coast to coast". Só consegui cochilar as 7 da manhã e como estou lendo um livro que fala de um homem do realejo, escrevi esse flash da memória. Homenagem a meu pai, a quem dedico.


A caixinha cinza dele? Nunca mais vi.