quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Querem jogar uma burca na essência da mulher

Os nazistas se consideravam os politicamente corretos da Alemanha” - Leandro Narloch no livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”

Acho que foi ano passado. Um programa de TV de grande audiência, metido a politicamente correto, mostrou várias mulheres (algumas muito interessantes) e uns caras se dizendo horrorizados com as cantadas, piadas e “olhares mal intencionados” que “oportunistas” disparam contra as “mulheres de bem” que perambulam pelas ruas. O que está entre aspas foi dito pelos participantes do tal debate.

Para provarem o tal “crime”, copiaram o que eu já tinha assistido num canal de TV norte-americano. Instalaram uma câmera nas costas de uma mulher de shortinho jeans gostosíssima e as imagens “flagravam” os “meliantes”, “tarados”, “pervertidos” e afins olhando, contemplando, curtindo. Na sequência, cortaram para o estúdio onde os debatedores só faltaram pedir pena de morte a pedradas para os supostos pervertidos e suas “ofensas” contra as mulheres.

A mulher procura uma alimentação equilibrada, faz ginástica, vai ao cabeleireiro, se maquia, se depila, adora roupas sensuais, na medida do possível lê bons livros eróticos, quem sabe um filme mais ousado de vez em quando, em muitos casos busca terapias para se relacionar melhor com a sua liberdade interior, está cada vez mais culta e bem informada, enfim, tudo bem? Não. Não está tudo bem

Depois da revolução social do pós II Guerra que culminou com o início da libertação da mulher nos anos 1960, que acabou se consagrando nos anos 1980, mergulhamos no século 21 sob o signo do atraso. E mais uma vez a mulher paga a conta.

Esse papo na TV que mostrei lá em cima é uma amostra de que realmente vivemos tempos que clamam mulheres vestindo pijamas de flanela, calções brochantes, sutiãs coador de café e a criminalização radical dos prazeres “ocultos”, logo nefastos, bem como fantasias “imersas em devassidão” da mulher, eterna condenada a ser “profissional do lar”, mãe, esposa, rainha do papai-mamãe e das novelas.

Estou convencido desde a adolescência de que essa mulher carola, submissa, espetada nas cruzadas dos regulamentos moralóides não existe porque, queiram ou não os machistas mais primitivos, as fantasias da mulher estarão sempre a dois milhões de anos luz a frente das dos homens.

Não são poucas as mulheres que concederam o privilégio de falar sobre repressão, ação, reação, liberdade, libertinagem, etc.. E muitas dizem que gostam de ser admiradas na rua, na livraria, no mercado, na praia, na padaria, no avião, na vida. Logo, esse moralismo do terceiro milênio, com um jeitão de Idade Média (ou seria Idade Mídia?) não encontra espaço na mulher que conseguiu romper com o machismo, com o atraso, com conceitos que fedem a naftalina enquanto apodrecem nos armários de vime dos conceitos e preconceitos.

Sei que é incorreto, mas quando cruzo com uma mulher gostosa na rua, olho. Meu inconsciente deve tramar algum macete pois nunca fui flagrado por uma delas. Nunca. Lembrando que mulher gostosa não tem cor, altura, idade, peso, nada. Mulher gostosa é como música boa. Bate e fica. Não tem explicação. Em respeito jamais emiti qualquer som. Ainda assim, para evitar um desatino perante uma cavala bem assombrada, boto a mão na boca.

Ah, Drummond. Ah, grande Carlos Drummond de Andrade que em vez de assobiar “fiu fiu” escreveu o belo poema “A bunda, que engraçada” que lá pelas tantas se desmancha: “(...) A bunda basta-se/ Existe algo mais?/ Talvez os seios/ Ora - murmura a bunda - esses garotos/ ainda lhes falta muito que estudar/ A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio/ Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente(...)”

Jamais molestei, cantei, encoxei em ônibus/barca/metrô/avião/trem, enfim, só contemplei o que (não nego) é o maior patrimônio da Natureza, razão de viver, centro do Universo: a mulher. Olhar, sorver, contemplar sem atacar é um direito. Por isso, olho. Dos 18 aos 100 anos, mulher gostosa é mulher gostosa. Luis Buñuel não acreditava em “mulher sem bunda”. Muito menos eu, mestre. Existem belas bundas retas, retinhas. A de Catherine Deneuve, por exemplo, que mesmo arfando, suando, passando mal mesmo, consegui entrevistar nos anos 1990, é proprietária de uma. Belíssima.

Meu único acidente de trânsito foi uma varada na traseira de um caminhão que freou numa rua aqui da cidade. Uma diva saía de uma galeria como as lavas do Vesúvio inundando Pompéia. Zonzo, bati. Zonzo, confessei minha culpa. Zonzo, parti sem telefonar para o seguro, porque as companhias de seguro não toleram a luxúria.

Certa vez escrevi que o brasileiro, elegantemente, cede a frente as damas em entradas de elevador, escadas de ônibus, portas de restaurantes não por educação, mas pela oportunidade de contemplar o dorso por três segundos. Já filosofava a extinta Rádio Relógio que o segundo é um milagre que não se repete e esses três segundos podem gerar euforia por horas.

Dias. Anos.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Obesidade Existencial

Baiacu é um peixe com dentes parecidos com os da piranha e quando você pesca e coça o barrigão branco dele, incha até explodir. Baiacu tem dente, morde o pé da gente. Dizem tudo desse estranho peixe, feio, porco, mau caráter, carreirista, fedorento.

Baiacu é também o apelido que muitos obesos arrastam pela vida, também chamados de bolas de sebo, colhões de boi, cloaca de Vênus e outros clássicos da baixa literatura da nossa rica, caliente e triangular língua.

O homem-baiacu inventou o regime alimentar para combater a obesidade que começa com um pequeno aumento da barriga, da cintura, das coxas e uma quase ilusória diminuição do pênis (que depois vira um sininho no meio da selva de banha) até transformar pessoas em massas disformes de gordura rolando pelas ruas suando como zebras cansadas no Parque Nacional do Quênia, onde flamingo vermelho voa de costas para não levar um tiro na cara.

A pressão arterial desse adiposo mamífero, em geral, está na faixa de 17 por 10. Ele tem pouca resistência até para copular, uma operação delicada, diga-se de passagem, pois tem que recorrer a técnicas adotadas por mulheres grávidas de sete meses em diante.

O regime alimentar é a única maneira do homem-baiacu virar peixe-agulha. Fechar a boca. Não existe outra saída. Mas o regime é uma das piores invenções pois faz o homem-baiacu mentir para si mesmo, se auto cornear ao abrir a geladeira de madrugada e atacar dois litros de sorvete, cair de boca no famigerado Häagen - Dazs e seus venenos.

Quando o regime, bola de sebo fica ansioso e, em geral, começa a tratar grosseiramente a sua mulher e (ou) companheira. Torna-se um insuportável covarde. Usa a vida alheia como saco de pancadas alegando que precisa fazer exercícios físicos. A crendice popular registra dramáticas crises de abstinência de homens-baiacu em dieta, aquele terrível desejo de devorar chocolates Nestlé de 800 gramas, com recheio de castanha do caju.

Hoje em dia é praticamente impossível encontrarmos um obeso que não esteja fazendo regime. Fazer regime alivia a culpa e furá-lo, comendo, distraidamente, uma ou outra torta alemã inteira, um quindão, ou 57 brigadeiros é considerado “acidente de percurso”.

Não tem jeito. Homem (mulher segue outra tabela) que tem 1.70m de altura tem que pesar 70 quilos no máximo. 1.80m, 80 quilos e por aí vai. Essa é a dura realidade da quase incorruptível balança. Mais: não conheço obeso que goste de ser obeso. Conheço gordo. Obeso não. E entre gordo e obeso existe um elefante diferenciador.

Obesidade é como um romance que vai mal das pernas. Vai se arrastando, acumulando gorduras, astral baixo, pressão alta, vagalhões de culpa, desculpas, até que um dia você ouve algo do tipo “vê se não aparece mais aqui desse jeito” e, big bang! Explode tudo. Você pensa, constata que aquela história não foi de toda má, mas em matéria de sargento já basta o guarda da esquina.

E como a gordura que asfixia o coração, é preciso dar um fim as pelancas acumuladas pela repressão, pela depressão, pela desconfiança, por toda a embalagem que embrulha as histórias mal resolvidas. Aí, meu amigo, é só fechar a boca e empinar o peito para perder peso e culpa.

Saúde.

Texto de meu livro “Torpedos de Itaipu”, editora Artware - 1995


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Amores e neblinas

Ódio, não te conheço. Não sou santo, mas não te conheço. Conheço euforia, tristeza, raiva, conheço “out estima”, baixa estima, mas você, ódio? Não, não te conheço.

O ódio está no ar no planeta. A História sibila que todas as revoluções vitoriosas, batalhas e conquistas foram movidas pela fúria, ira, determinação. As que beberam a gosma verde do ódio fracassaram. Todas.

O ódio sempre perdeu. Hitler perdeu. Mussolini perdeu. Getúlio perdeu. E agora, o ódio que sustenta a mentira no Brasil também vai perder. Que mentira? A História dirá. Em breve porque tudo no Brasil é muito breve.
Nos últimos dias tenho me sentido odiado. O que fazer? Nada. Foi assim a noite.

O que o Amon Düül*  tem que eu não tenho?

3h11m- Por motivos não alheios a minha vontade meu fuso horário deu uma virada. Longa madrugada pela frente. Não gosto de escrever e publicar quando estou emocionado e ontem passei o dia tomado por espessa neblina afetiva. Escrevo agora mas só vou publicar quando retornar do caos. Breve.

O que o Neu!* tem que eu não tenho?

3h14m- O amor é tão abissal que espanta até os nevoeiros. Só o amor consegue assolar os nevoeiros. Dizem. Nenhum intelectual explicou. Nenhum filósofo, sociólogo, antropólogo conseguiu encarar a distonia neuro não vegetativa do amor. Machado, o de Assis? Quase.

O que mais nos difere dos chamados irracionais é a consciência do afeto. Escrevi num trabalho de faculdade. O professor não gostou por achar...por achar...por achar...esqueci. Conversamos, ele disse que viveu uma experiência num lugar bem perto de uma família de gorilas, o que virou a sua cabeça. Passou a achar que, de alguma maneira, os animais irracionais também tem essa percepção e me deu nota 7. No final do mês a nota tinha subido para 9. Perguntei por que e a resposta veio vaga: “Realocação de novos conceitos”, ele disse.

O que o Van Der Graff Generator* tem que eu não tenho?

3h 34m - Não quis reclamar porque estava apaixonado por uma garota (tínhamos 20 anos, ela e eu) e ingressava mais uma vez na ante-sala do amor comocional, aquele que ignora os raios e vendavais e nos faz rolar por virtuais calçadas encharcadas as nove horas da noite. Era o que fazíamos. Vivi a ausência de explicações e, sobretudo, complicações. O amor jamais foi incondicional, papo de existencialista amador. O ser humano é condicional em sua essência.

Ela me elegeu o primeiro homem, a primeira cama. Um dia o destino nos chamou e no centro de uma praça e sussurrou que não ia rolar, não. E não rolou. Saímos da praça, eu a levei até a porta de casa em meu Karmann Guia TC 1975, bege, que toda a faculdade conhecia e venerava.

O que o Faust* tem que eu não tenho?

Ela desceu do carro, eu também, fomos até a portaria do prédio, nos olhamos sem nada dizer apenas ouvindo ao longe, baixinho, o rádio do Karmann Guia TC na Eldo Pop FM tocando o Renaissance. “At The Harbour”, a que ela mais gostava. Sincronicidade. E como a música é a minha linha de tempo e afeto, jamais desvinculei “At The Harbour” dela.

Ela entrou no prédio. Peguei o Karmann Guia TC e dei uma volta pela orla do Rio. Fui até o final do Leblon e voltei. Em Copacabana parei numa carrocinha da Geneal, comi duas mini pizzas olhando para o mar escuro e mexido (como eu), pensando naquela história de amor que havia acabado.

O que o Nektar* tem que eu não tenho?

O amor sozinho não sustenta, Machado de Assis especulou no século 19. Nem quando ela me pediu desculpas em prantos por ter comido outro, consegui reverter aquela sensação estranha, um vácuo chamado “perdeu”. De mim para ela. Mão única. Amor condicional.

Ódio? Nenhum. Não conheço. Não conhecia. Não irei conhecer.

* - Grupos de música experimental alemã dos anos 1970.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Perdeu, baby

Esquecem que a verdade está longe, muito longe de ser absoluta. Atribuição divina, o absolutismo é incorporado pela patética e patológica onipotência dos lunáticos sociais e sua logorreia torpe, vulgo brain damage

Perdeu, baby.

Lunáticos sociais não acreditam que aqui se faz, aqui se paga. Acham que é verborragia de adesivos de nona categoria. Mas o pior, o fatal, é o desprezo a máxima que sentencia: aqui não se faz, mas aqui se paga, sim.

Perdeu, baby.

Esquecem que o limite do egocentrismo é uma muralha de chumbo, conhecida na vala incomum como perda total. Essa malta, a dos lunáticos sociais, vulgo brain damage, cruza a existência jogando gente no esgoto, arrotando as tais verdades absolutas inexistentes, como se o E.T. de Varginha fosse a incorporação do Juízo Final.


Perdeu, baby.

Ignoram que o Juízo Final é quem anota, aponta, processa cada coração, cada grito, cada lágrima desprezada pelos lunáticos sociais, vulgo brain damage, à bordo de sua mixaria existencial que chuta a compaixão, cospe na condolência, ri da piedade.

Perdeu, baby.

É quando o Juízo Final age. A seu modo. E derrama de seu seio iniludível as chamas do justiçamento, grava a ferro e fogo que aqui não se faz, mas aqui se paga sim.

Perdeu, baby.

A verdade segue relativa, a vida segue relativa, o vento sopra relativo, mas o Juízo Final, impávido colosso, anota, anota, anota anota, anota, anota.....

Perdeu, baby.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Mark Knopfler: o cinema deve muito a ele

                                                                               
Cena de "Local Hero"
Estou ouvindo “Altamira”, vigèsimo álbum de Mark Knopfler, escocês 67 anos, criador do Dire Straits, que tem como diferencial um traço raro. Nunca fez um trabalho razoável. São todos, absolutamente todos, bons ou excelentes. Com ou sem o Dire Straits.

Apaixonado pelo Cinema, é dele trilha sonora de um filme magistral e muito simples chamado “Local Hero”, com Burt Lancaster, que lamentavelmente passou batido pelos cinemas brasileiros. Motivo: o filme foi (des) qualificado como anticomercial.

Mas se você é assinante de um bom canal de streaming (Netflix, Now, Apple TV, etc) ou de uma ótima (e rara) com certeza vai achar “Local Hero”, que no Brasil chamou-se “Momento Inesquecível”. Significa que se você pedir “Local Hero”, provavelmente vão responder “não tem”. Ou seja, você vai ter que pedir “Momento Inesquecível”, da mesma forma que Blow Up de Michelangelo Antonioni foi lançado no Brasil como “Depois Daquele Beijo”. Só rindo.

“Local Hero” foi a primeira trilha sonora de Knopfler, lançada no Brasil em 1983 pela Rádio Fluminense FM, graças ao saudoso Carlos Celles que me deu uma fita em primeiríssima mão. Ele era diretor internacional da gravadora Polygram.
A gravadora me convidou com um pequeno grupo de jornalistas para assistir “Local Hero” numa sessão privada. Fui porque queria ver onde aquela trilha sonora mágica, lírica, um pouco lúdica de Knopfler foi inserida. Comoção no meio do filme tamanha a simplicidade, pureza, poesia que o diretor Bill Forsyth conseguiu passar para a tela.

A música, grandiosa música de Knopfler em seus momentos mais astrais (ele consegue fazer um clima totalmente astral em vários momentos da trilha) me deslocou para dentro da tela, para lugares na Escócia absolutamente mágicos como Pennan, Aberdeenshire, praia de Camusdarach e eu fui mergulhando, mergulhando, mergulhando, desejando estar lá, viver lá, contemplar aquelas aldeias remotas com suas auroras boreais que o bilionário Felix Happer, magistralmente interpretado por Burt Lancaster, venera, ama.

Lembro que, conversando com Celles, disse que já sentia nas canções de Mark a bordo do Straits um forte componente visual. “Skateway”, por exemplo, é uma amostra disso e não foi à toa que está no álbum “Making Movies” (“Fazendo Filmes”), sensacional, absolutamente sensacional como tudo que o Dire Straits gravou.

Em 2001 assisti com meu amigo Siri Mark Knopfler ao vivo no antigo Metropolitan, na Barra. Ele estava lançando o álbum “Sailing to Philadelphia” e o local estava super lotado. Fiquei exatamente na primeira fila, a poucos metros do palco, bem na frente dele e, com certeza, não vou esquecer de cada segundo daquele show, que foi, sim, frio, distante. Em determinado momento fui lá na house mix (mesa de som) e pedi ao cara para subir o som da guitarra, que estava baixo demais. O cara, provavelmente inglês, olhou para mim com aquela cara de fastio e permaneceu de braços cruzados.

Antes do show acabar, um colega meu, jornalista, chegou e me disse que M.K. estava querendo saber “quem é o jornalista que fez vários especiais sobre o Straits na TV e no rádio e, ainda por cima, escreveu uma matéria de capa sobre mim num importante jornal (era o Jornal do Brasil)”. Perguntei ao colega, “o que isso significa?” e ele “meu chapa, significa que, depois do show, se você quiser ir conhecer o cara no camarim não haverá problema”. Não fui. Temor reverencial.

O álbum Tracker me pegou pelo pescoço. Banhado de blues, folk e slides guitars (universo tipicamente knopflerniano) o disco não economiza. É leve, eventualmente dá uma pesada (sempre pelo flanco folk), depois volta. Enfim, em se tratando de música, Mark Knopfler consegue fazer o que quer, o que é muito difícil num planeta afogado em tecnologia de ponta e mediocridade de quinta.

O Cinema deve um Oscar de melhor trilha a Mark Knopfler. Se não for Oscar, que seja algo similar. Afinal já foram trilhas sonoras magistrais, compostas para os mais variados filmes; ingleses, irlandeses, escoceses.

O Cinema deve um prêmio a ele e sabe disso. 


sábado, 14 de janeiro de 2017

Honestos e canalhas

Um novo secretário do presidente, nomeado ontem, está respondendo a um processo de enriquecimento ilícito (corrupção). Indicado por José Sarney, era superintendente de uma estatal no Nordeste e teria desviado quase três milhões de reais.

Não dá para entender. Por que antes de convidar alguém, o presidente não procura saber se esse alguém é honesto ou canalha? Não é difícil. Não faltam órgãos do governo que podem, em questão de poucas horas, atestar a lisura de alguém. Ontem mesmo, dia da nomeação do tal secretário todo cagado, começaram a boiar os coliformes fecais que ilustram a biografia de um outro safado, amigo do presidente, recentemente degolado do primeiro escalão pela opinião pública.

Vejo muita gente (eu, inclusive), enaltecendo o fato dos dois governos de Barack Obama não terem registrado um mísero caso de suspeita de corrupção. Não foi por acaso. Antes de cada funcionário de confiança ser nomeado passou por uma “constrangedora” (vários dizem isso) devassa na vida pessoal que envolve FBI, Receita Federal, policiais estaduais, escolas onde estudou, etc. Além disso, um questionário que é um tapa na cara e que fez muitos recusarem o convite que pergunta (estou exagerando, é claro) “quando você nasceu, teve vontade de roubar a chupeta do bebê que estava a seu lado no berçário?”.

Esse questionário não busca só a confissão quando indaga “você já roubou?”, mas sobretudo o desejo, o impulso, a intenção, a vocação para canalha do candidato. “Você já sentiu vontade de subornar um policial?”, “você já pensou em sair de uma lanchonete sem pagar a conta?” e por aí vai. Claro que quem não quiser responder não responde, mas aí adeus ao cargo.

Que mal há envolver a polícia, Ministério Público, Receita Federal, Serasa, etc, na filtragem de indicados para cargos públicos federais no Brasil? Por que esse procedimento simples, vulgo “bons antecedentes”, não é aplicado? Mais: por que nenhum parlamentar, da Câmara ou do Senado, sequer apresentou um projeto nesse sentido?


Finalizando, por que o presidente abre alas para a escória?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Livros da Semana - edição 31

Livrarias pesquisadas:

Travessa – www.travessa.com.br
Estante Virtual - www.estantevirtual.com.br
Amazon – www.amazon.com.br

Poema Sujo


120 páginas

Publicado originalmente em 1976, Poema sujo transformou a paisagem da poesia brasileira com sua torrente arrebatadora de versos, expressão máxima de uma subjetividade convulsa pela atmosfera sufocante da ditadura. O poema foi escrito na Argentina, onde o autor se encontrava exilado.

Sentia-me dentro de um cerco que se fechava. Decidi, então, escrever um poema que fosse o meu testemunho final, antes que me calassem para sempre”, escreveu Gullar. “Imaginei que poderia vomitar, em escrita automática, sem ordem discursiva, a massa da experiência vivida — lançar o passado em golfadas sobre o papel e, a partir desse magma, construir o poema que encerraria a minha aventura biográfica e literária.” Quarenta anos depois, o poema continua atual como nunca.

Pic - Pocket


128 páginas

Vô, a vida às vez não é feliz, às vez é feliz, e é sempre assim até o dia que você morre”. É assim que Pictorial Review Jackson (Pic), um menino negro do Sul dos Estados Unidos, vê o mundo – com a sutil inocência de uma criança.

Depois da morte do avô, ele se vê sozinho e sem perspectivas até Slim, seu irmão mais velho, resgatá-lo. Juntos, começam uma aventura da Carolina do Norte até a Califórnia, passando por Nova York, onde tudo é novidade aos olhos do garoto.

Com este último romance, Kerouac mostra sua capacidade de reinventar o próprio estilo e se declara herdeiro de Mark Twain, nessa que é sua mais doce história, narrada do ponto de vista do menino do interior. Inédito no Brasil, o livro, publicado em 1971, dois anos depois da morte do autor, começou a ser escrito bem antes, ainda na década de 50.

Se On the Road é o espelho da ferocidade da juventude, Pic traduz a ternura e a inocência do final da infância.

Born to run: autobiografia de Bruce Springsteen


496 páginas

Bruce Springsteen passou os últimos sete anos escrevendo a história de sua vida. O resultado é Born to run, livro, que se tornou um best seller instantâneo e carrega a mesma honestidade, humor e originalidade que Bruce imprime a suas canções. Nele, o músico descreve seu caótico processo de criação a obsessão pela carreira musical, o início em bares ao apogeu da E. Street Band e, com muita sinceridade, fala pela primeira vez das batalhas pessoais que inspiraram seus melhores trabalhos. 

Um livro para trabalhadores e sonhadores, pais e filhos, apaixonados e solitários, artistas, loucos, e qualquer um que já tenha desejado ser batizado nas águas do rio sagrado do rock and roll. E se torna indispensável por trazer a reflexão sobre o posicionamento do artista e o papel da cultura em um contexto de crise e perda de valores humanos.

Raramente uma lenda como Bruce contou sua própria história com tanta força e vigor. Como nas canções (“Thunder Road,” “Badlands,” “Darkness on the Edge of Town,” “The River,” “Born in the U.S.A,” “The Rising,” e “The Ghost of Tom Joad,” para ficar somente com algumas), sua autobiografia foi escrita com o lirismo de um poeta singular e a sabedoria de um homem que refletiu profundamente sobre suas experiências.

O Silêncio das Montanhas



352 páginas

O Silêncio das Montanhas traz como protagonista os irmãos Pari e Abdullah, que moram em uma aldeia distante de Cabul, são órfãos de mãe e têm uma forte ligação desde pequenos. Assim como a fábula que abre o livro, as crianças são separadas, marcando o destino de vários personagens.

Paralelamente à trama principal, Hosseini narra a história de diversas pessoas que, de alguma forma, se relacionam com os irmãos e sua família, sobre como cuidam uns dos outros e a forma como as escolhas que fazem ressoam através de gerações. Assim como em O Caçador de Pipas, o autor explora as maneiras como os membros sacrificam-se uns pelos outros, e muitas vezes são surpreendidos pelas ações de pessoas próximas nos momentos mais importantes.

Segundo o próprio Hosseini, o novo título "fala não somente sobre a minha própria experiência como alguém que viveu no exílio, mas, também sobre a experiência de pessoas que eu conheci, especial os refugiados que voltaram ao Afeganistão e sobre cujas vidas tentei falar tanto como escritor quanto como representante da Organização das Nações Unidas. Espero que os leitores consigam amar os personagens de O Silêncio das Montanhas tanto quanto eu amo".

Seguindo os personagens, mediante suas escolhas e amores pelo mundo - de Cabul a Paris, de São Francisco à Grécia -, a história se expanda, tornando-se emocionante, complexa e poderosa. É um livro sobre vidas partidas, inocências perdidas e sobre o amor em uma família que tenta se reencontrar.

Mentes Depressivas

As Três Dimensões da Doença do Século


Ana Beatriz Barbosa Silva

288 páginas

Em Mentes depressivas, a psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva ajuda a compreender e identificar um quadro depressivo, explica os diferentes tratamentos e suas associações. Além disso, fala sobre suas causas e trata separadamente sobre a depressão na infância, na adolescência, na terceira idade, além da depressão feminina.

Com uma linguagem simples e acessível, a autora disseca a depressão de forma inovadora ao abordar a doença do século por meio de suas três dimensões: física, mental e espiritual.