quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O meu sedã japonês


                                Saudade desse cara.
O sedã japonês é verde escuro e estava num canto da vitrine da concessionária. Zero quilômetro. Tinha chegado do Japão há três meses, temporada no porto, depósito, pátio, documentação, lavagem, revisão, transporte, vitrine.

Entrei disposto a comprar um SUV preto, tração 4X4, para viajar pelo Pantanal e fazer uma perna para o deserto de Atacama, Chile. O problema seria vencer a preguiça. Eu sabia que carros japoneses e alemães não dão problema, são resistentes, honestos, apreciam a longevidade. Ia fechar negócio com o SUV. O vendedor foi lá atrás pegar o manual e outros detalhes quando meu olhar bateu no sedã japonês.

Levantei, olhei a frente, traseira, laterais. Abri o capô, motor, 16 válvulas, bloco em alumínio, muitos cavalos de potência, câmbio automático e, o mais importante, carro japonês, que não dá trabalho e, ainda por cima, da mesma marca do SUV. 

Mudei de ideia. Em vez do SUV comprei o sedã japonês. No dia seguinte sai da loja, pus um CD no Kenwood de fábrica e zarpei. Fui até Barra do Sana e desci pela Serramar (na época lama pura) e retornei como se tivesse ido a esquina beber uma água mineral. Na altura de São Gonçalo, violento temporal. Deixei a BR e decidi ir por dentro da cidade. Mau negócio. Ruas transformadas em rios de esgoto, carros boiando enguiçados. E o sedã japonês passou. Com água na porta, muitas vezes boiando, sequer falhou. Dias depois, outro toró no Ingá, bairro de Niterói. Água na porta, o sedã boiou de novo e chegou a virar ao contrário. Mas não pifou.

De dois em dois anos pensava em trocar o sedã japonês por um mais novo, mas me perguntava para que, se o carro até alma de jipe tinha. Num lugar chamado Engenho do Mato as vezes eu matava saudade dos ralis fazendo trilha com o sedã no lamaçal, alta velocidade. Impressionante. O motor do sedã japonês era o mesmo do SUV que eu iria comprar. Enfrentou alagamentos na chuva, lama, neve, areia, como um autêntico SUV, sem dar um espirro. Um único espirro.

E foi assim durante 17 anos. Eu e o sedã japonês já não sabíamos mais quem era quem. Ele é quase único porque só foi importado durante um ano. Era raro. Naquele carro aconteceu de tudo, absolutamente tudo. Histórias que se fossem transformadas em livros lotariam a biblioteca nacional. Fiel, o sedã jamais enguiçou, jamais furou um pneu, jamais...jamais traiu o seu DNA japonês.

Mas um dia...bem um dia surgiu um outro japonês. Novo. Também resistente, também bem falado, também fiel, também...foi quando vendi o sedã japonês. Quase fiquei arrasado mas graças ao novo dono, cujos olhos saltaram de paixão logo no primeiro contato, tive certeza que seu grande amigo continuaria em boas mãos.

O novo japonês parece ter gostado de mim. Começamos a construir uma história bacana, leve, rápida, precisa, estável. Sem problemas. Como os carros japoneses e alemães. Mas, a saudade do sedã eventualmente me pega. E como ontem o vi com o novo dono, parado num sinal, a saudade rasgou. Decidi que, ano que vem, vou tentar recomprá-lo só para tê-lo por perto.

Entenderam?

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Os Velosez e Furiosos da Niterói-Manilha, ou quando “Easy Rider” virou motoboy de nona categoria

                                                                             Ontem
Hoje
Duas motocicletas de no máximo 150 cilindradas faziam zigue e zague entre os carros na mau caráter estrada Niterói-Manilha. Na moto de trás, preta, um adesivo branco, bem grande, colado no tanque de gasolina: “Velosez e Furiozos”. Assim mesmo, com o S no lugar do Z, Z no lugar do S e muito cocô de pomba na cabeça do famigerado condutor.

Um deles quase arrancou meu espelho retrovisor e o sujeito do carro da frente xingou os dois motoboys (ambas as motos carregavam aqueles baús para entregas na garupa), que faziam a tradicional “saudação” empinando o dedo médio da mão. Se estivesse armado, tenho certeza que o tal sujeito do carro da frente ia metralhar.

Depois vieram outros, e outros. Lá na frente uma moto estava caída no acostamento e uma ambulância do Samu atendia o sujeito que parecia bem. Enfim, as motocicletas de hoje que arrotam pelas ruas conduzidas por bípedes que ostentam Q.I. de protozoários nada tem a ver com aquelas do passado. Românticas, pinta de cafajestes de baixos teores, imortalizadas por Marlon Brando, James Dean, Evel Knievel, Dennis Hopper, Peter Fonda.

Assisti ao filme “Easy Rider”, de 1969 (no Brasil chamou-se “Sem Destino”) no final de 1970 num cinema chamado Alvorada, em Teresópolis. O filme acabou se tornando um clássico do chamado “road movie” e todos nós, adolescentes, vibramos no cinema com aquela viagem de Wyatt e Billy (Dennis Hopper e Peter Fonda) ao som de Jimi Hendrix, Steppenwolf e muitos outros.

A fumaça de maconha, cigarro com Melhoral, cheirinho da Loló e similares era tal que disseram que o lanterninha do cinema começou a recitar Alziro Zarur, botou o piru pra fora e começou a escrever seu nome com urina na parede lateral da sala.

O tempo cavalgou e mais recentemente, num delicioso voo entre o Rio e Porto Alegre, vi o anúncio de uma moto Harley Davidson numa revista. Lembrei de “Easy Rider” e constatei que o filme nada mais é do que a saga de dois vagabundos, dois à toas, traficantezinhos de nona categoria, que passavam a vida levando cocaína, heroína e similares do México para Los Angeles e sonhavam passar o carnaval em Nova Orleans.

Suas motos eram aqueles modelos “chifrudos”, Harley Davidson com o garfo longo que bota a roda da frente bem longe. Uma marca que acabou se tornando sonho de consumo de todos nós, apesar de sabermos que aquela moto é uma bosta, derruba qualquer um, trucida a coluna vertebral, não faz curva, não freia, bebe como uma porca, não leva garupa, enfim, moto de cinema. Aliás, a única Harley que gosto é a vermelha do amigo Hilário Alencar. No mais, prefiro as japonesas e alemães.

O chamado “charme transviado do motociclista” acabou virando essa cloaca urbana que está aí. Flanelinhas trepados em estrumes sobre rodas arriscam não só as suas vidas mas as nossas, sobem e descem de calçadas, em geral andam de chinelo (tipo Ryder), bermudão de surfista do Planalto, boné com a aba virada para trás no lugar do capacete, sem camisa, óculos escuros espelhados modelo 4 por 30 reais, cabelo a la Neymar e “tocando o terror” como dizem para os amiguinhos no final do dia.

Esses são motoqueiros. Eu fui motociclista. Até mais ou menos 2005 e minha última moto foi uma Suzuki DR 800 que adorava. Vendi porque perdi o medo dela. E quando o sujeito perde o medo de moto é melhor vender senão vai se acabar. Isso é regra e não exceção. Gostava de rodar sozinho por aí já que como não sei montar barraca e arrumar mochila nunca pertenci aos grupos de duas rodas que viajam pelo país. E pegaria mal todo mundo acampado e eu em pousada.

Depois de muitos e muitos anos condenando aquele clone de George Bush que matou os personagens de Hopper e Fonda no final de “Easy Rider”, hoje eu entendo. Quando esses animais quase matam velhos e crianças nas calçadas, se metem entre os carros (o problema não é só um desses morrer, mas o problema eterno que causa ao motorista), enfim, são representantes (mal) motorizados da molambalização que a cada ano engole mais o Brasil, dá vontade de dar umas bofetadas.

Bofetadas que a tecla SAP dos reacionários dos EUA traduz para “tiro de escopeta 12 nos cornos”. Aquele que matou Wyatt e Billy.


domingo, 25 de setembro de 2016

Sobra tecnologia, falta consideração

O melhor dos clássicos do rock. Clique e ouça: http://luizantoniomello.podomatic.com/entry/2016-09-21T08_33_36-07_00
Jamais a civilização teve tantos meios de comunicação disponíveis. Até “ontem” (1990) quem quisesse enviar uma mensagem confidencial escrita tinha que pegar papel, caneta, escrever, por no envelope, ir até a agência do correio, postar e esperar dias até que o destinatário recebesse. Uma carta do Rio para a Europa demorava 10 dias para chegar. Em 1990 já havia fax, mas todo mundo podia ler o que estava escrito. Havia também o pager que, em sua época, foi importante. Em 1983, nos Estados Unidos, quem pagasse 20 mil dólares conseguia um telefone celular.

Hoje reina a fartura tecnológica. No mundo há 6 bilhões de linhas de celular, outros bilhões de usuários da internet. Os preços desabaram, o acesso continua cada vez mais fácil e a quantidade de aplicativos e programas impressiona. E-mail, SMS, Whatsapp, Facebook com voz, etc. etc. etc. muitos de graça.

Ótimo. E a contrapartida? Se a civilização nunca viu tanta fatura tecnológica em prol da sua comunicação, por outro lado a falta de consideração/educação parece imperar. Muita gente não responde e-mails, nem whatsapp, muito menos celular. Tenho um amigo que mandou uma mensagem profissional por e-mail e SMS para um sujeito (mensagem de interesse do sujeito, diga-se de passagem) há 20 dias e até agora está sem resposta.

Se no âmbito profissional a coisa está a bangu, no pessoal não fica muito longe. Mensagens do tipo “quando chegar em casa me avisa, estou preocupado” podem ser respondidas no dia seguinte ou simplesmente ser ignoradas. A falta de consideração está comprovada até pela própria tecnologia. Uso um programa de envio de e-mails que depois da remessa diz quem abriu, quando, quem leu, quem abriu e não leu, etc. Não recomento para quem sobre de rejeição crônica. 

Eventualmente envio e-mails para um grupo informando sobre a atualização de meu podcast Uivo e sabem qual o percentual máximo de pessoas que abrem? Catorze por cento! Um dado que me deixaria bolado não fossem alguns colegas que usam o mesmo programa e dizem que o percentual é o mesmo.

O que não consigo entender é porque gente que não se comunica se envolve com programas de comunicação, que, lógico, não são obrigatórios. Tem quem quer. É mera falta desconsideração/educação? Ou é mera boçalidade mesmo?



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Livros da semana - 17

Livrarias pesquisadas:

Amazon – www.amazon.com.br
Travessa – www.travessa.com.br
Estante Virtual - www.estantevirtual.com.br
Saraiva - www.saraiva.com.br

Caixão Fechado
A Nova Aventura do Detetive Poirot
Sophie Hannah
272 páginas
No ano do centenário do detetive Hercule Poirot, a autora best-seller do The New York Times Sophie Hannah lança mais uma obra inspirada na genialidade de Agatha Christie, a escritora que mais vendeu livros na história da literatura.
Depois do sucesso de Os crimes do monograma, lançado em 2014 e publicado no Brasil pela HarperCollins, chega agora às livrarias Caixão fechado, a segunda publicação inspirada na Rainha do Crime e autorizada pelos herdeiros de Agatha.
Dessa vez, Poirot enfrenta um mistério diabólico, mergulhado em uma atmosfera sombria e cheia de suspense e perigo. Segundo Hilary Strong, presidente da Agatha Christie Ltd, “a publicação de Os crimes do monograma abriu um novo público para o trabalho de Christie. E Caixão fechado é mais uma peça chave da nossa estratégia para manter seu legado atual e vivo”.
Pablo Escobar: meu Pai
As Histórias que não Deveríamos Saber
Juan Pablo Escobar
480 páginas 
Até a publicação desta obra, acreditávamos que tudo já havia sido dito sobre Pablo Escobar, um dos piores criminosos da história da América Latina.Mas os muitos relatos disponíveis sobre ele foram contados por alguém de fora, nunca a partir da intimidade do lar.
Mais de vinte anos depois da morte do chefe do Cartel de Medellín, Juan Pablo Escobar viaja em direção a um passado que não escolheu a fim demostrar um lado inédito de seu pai, o homem capaz de chegar aos piores extremos de crueldade, ao mesmo tempo em que professava amor infinito por sua família.Este não é um livro de um filho que busca a redenção para seu pai, mas um relato estremecedor das consequências da violência.
                                                          
Meninos Em Fúria

Marcelo Rubens Paiva, Clemente Nascimento
248 páginas 
Março, 1983. Diante de uma plateia atônita, Clemente e sua banda, os Inocentes, começam a tocar acordes rápidos. Ariel, o vocalista, cai do palco e segue cantando com o microfone desligado. Clemente, no baixo, toma os vocais. Caos e confusão, um show que se tornaria um marco do rock brasileiro. 
Em 1982, Marcelo Rubens Paiva havia acabado de sofrer o acidente que o colocara numa cadeira de rodas. Conhece Clemente e as bandas punks e começa a escrever seu livro, Feliz ano velho. Um livro vibrante — que se lê como um romance, mas onde tudo é estritamente real — que fala não só do movimento punk e da sublevação da periferia, mas também da abertura política brasileira, da fúria e do desencanto dos anos 1980.
                                                      
O Melhor do Humor Brasileiro

456 páginas 
De relatos e poemas anônimos dos primórdios da nossa colonização aos grandes nomes do humor atual, este volume — com textos garimpados durante anos por Flávio Moreira da Costa — é um passeio delicioso e instrutivo pelo olhar brasileiro mais sardônico. 
Os textos (crônicas, contos, poemas, trechos espertos de peças teatrais e de romances) contam o acidentado percurso do riso em nossa literatura. Modalidade vista às vezes com algum preconceito pelos letrados mais circunspectos, o humor tem se mostrado uma das forças-motrizes mais vitais e revigorantes das letras brasileiras. Muito deboche e inteligência ao longo de mais de 500 anos.
                                                    
Ladrões de Bola

25 Anos de Corrupção no Futebol
Rodrigo Mattos
184 páginas
Em 2015, depois de três anos de trabalho, a Agência Federal de Investigação (FBI) e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos escancararam o jeitinho Fifa de se fazer negócios: dirigentes embolsavam dinheiro e cediam direitos de marketing e televisivos de campeonatos como a Copa América e a Copa Libertadores da América para quem lhes pagasse. O caso que abalou as estruturas da Fifa é narrado com detalhes em Ladrões de Bola.
O autor, Rodrigo Mattos, é jornalista esportivo, mantém um blog com reportagens diárias no UOL Esporte e já perfilou e entrevistou grande parte dos cartolas investigados. No livro, aborda o tema delicado de maneira quase didática, contribuindo para o entendimento da trama de corrupção.



terça-feira, 20 de setembro de 2016

O espelho nada diz. O espelho não diz se desculpa ou não. Porque o espelho é o espelho

Olhar para o espelho, mesmo invertido, e perguntar “e então, meu chapa, como fui, como está sendo, como será?”. Que mal há nisso? Pensei em fazer umas experiências com poesia aqui nesta Coluna mas não gostei do que andei escrevendo. Por que? Não sou poeta. Um dos rascunhos falava do presente, passado e futuro como uma bola uniforme de energia rumo...rumo... rumo ao desconhecido que é a proposta de vida básica de quem cisma em pensar demais.
Pensar demais dói, por isso os poemas muitas vezes fluem melhor do que um conto, uma crônica e, logicamente uma reportagem, mas eu não vejo nada que preste nos meus poemas que muitas vezes parecem conversas falsamente reservadas em lugares falsamente protegidos por paredes de papel, sem sabermos que lá fora todo mundo ouve, ri, rola de rir. Mesmo que a razão nos estapeie e grite que de papel não é só a parede mas sobretudo o interlocutor.
Peço desculpas ao espelho pelos mal entendidos que por acaso posso ter gerado nas últimas 18 horas.Sei que não aconteceu nada de grave, apenas algum “confusionismo”, digamos assim, que pode ter gerado mal estar, constrangimento, coisa de quem espera pato cacarejar na alvorada. O espelho nada diz. O espelho não diz se desculpa ou não. Porque o espelho é o espelho.
Placidamente aceito os pedidos de desculpas que, parasitas/arrivistas, que chegam, invadem a cozinha, servem café, deitam no sofá da sala, ligam a TV em programas mundo cão e ficam por ali morcegando. Ficam porque apesar do fastio, do cheiro de mofo, eventualmente eles me emocionam, sinalizam humanidade, afeto, sinceridade e generosidade. Mas, querem saber (?), eu tenho a convicção de que tudo o que faço, certo e errado, foi na intenção de acertar. Mas o espelho continua calado.
Estive com um amigo e falamos dessa história do tempo, passado, futuro, presente. Ele disse que em algumas épocas fica tudo embolado e que é melhor deixar assim mesmo; é um erro grave interferir no que é natural, espontâneo, nato. Para que? Por que? Deixa rolar. É difícil? É.
E daí?

domingo, 18 de setembro de 2016

Momentos Mágicos

Ontem estava ouvindo alguns álbuns do Jethro Tull e resolvi dar uma olhada em meus arquivos de fotos. Lá estava um momento mágico. O registro do dia em que Ian Anderson (cantor, compositor, líder do grupo) visitou a Rádio Fluminense FM, que voltei a dirigir por alguns meses, em 1990. Na foto (acima) estamos eu, Cláudio Salles, Luiz Alves e o braço de Ricardo Giesta.

Um momento mágico por várias razões. A foto registra a nossa alegria de estarmos convivendo num momento tão importante, a reformulação da programação da rádio que estava caída e que naquele momento deu prioridade aos clássicos do rock e blues. Uma amiga me disse que “essa foto está cheia de luz”. Verdade. Nós estávamos radiantes porque Ian Anderson (nunca imaginei tê-lo a meu lado) simbolizava a nossa realização, a nossa espontaneidade, a nossa amizade.

Conheci o Jethro Tull quando tinha uns 14 anos. Comprei o álbum “Aqualung” por intuição e quando pus o vinil no toca discos foi uma bela pancada. Jamais tinha ouvido algo parecido, misto de medieval, rock, blues. Claro, não ouvi sozinho porque naquela época era fundamental compartilhar o que havia de bom com os amigos. Éramos uns quatro ou cinco, numa tarde de sábado, ouvindo a bolacha inúmeras vezes. Momento mágico.

Durante o momento mágico da foto lembrei do momento mágico de “Aqualung”, dos meus amigos, dos nossos afetos, da nossa adolescência povoada de meninas, mulheres, guitarras, flautas, bolas de basquete, pranchas de surfe de peito, passarinhos, galos de briga, morros, sítios, praias, ondas, momentos mágicos dia sim, o outro também.

Posso até ter esquecido dessa foto, mas desse momento mágico. Lembro de cada segundo porque faço questão de valorizar os momentos mágicos Há quem goste de falar deles com as pessoas próximas, mas eu acho que meus momentos mágicos não merecem ser submetidos ao julgamento de ninguém, sob o risco de serem apontados como futilidades existenciais. Melhor ficar quieto.

Não lembro quem tirou a foto. Sem querer a pessoa clicou pessoas num estúdio de rádio, sim, mas acima de tudo as nossas essências. Mais tarde, a noite quando fui assistir ao Jethro Tull no Canecão (a casa de shows que mais frequentei) poderia ter levado minha câmera, mas eu já tinha visto a foto aí de cima. E os momentos mágicos são únicos.

E podemos, sim, fabricar outros.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Livros da Semana - 16

Livrarias pesquisadas:

Amazon – www.amazon.com.br
Travessa – www.travessa.com.br
Estante Virtual - www.estantevirtual.com.br
Saraiva - www.saraiva.com.br

Cinco Esquinas

Mario Vargas Llosa

216 páginas


A amizade de Marisa e Chabela se transforma quando, presas tarde da noite na casa de uma delas, as duas se veem sozinhas, deitam-se na mesma cama e, sem conseguir dormir, dão asas aos seus mais reprimidos desejos.

Quique e Luciano, seus maridos e amigos de longa data, são empresários peruanos de sucesso e não desconfiam de nada. Na verdade, Quique não tem tempo para isso. Ao receber a visita de um jornalista que possui fotos comprometedoras, ele se vê enredado num submundo de intriga e violência controlado pelas mais altas esferas do poder.

Parte romance de costumes, parte suspense, “Cinco Esquinas” é um livro envolvente, que retrata uma sociedade às voltas com a corrupção e o terrorismo, acossada pelo jornalismo sensacionalista, mas que luta até o fim pela liberdade.

Petroladrões: a História do Saque à Petrobras

Ivo Patarra

560 PÁGINAS

Depois de “O Chefe”, livro documento que escancara o escândalo do mensalão, o jornalista Ivo Patarra lança “Petroladrões -a história do saque à Petrobras”, em que relata o dia a dia das investigações que sacudiram o país:
os detalhes da trama, a Operação Lava Jato, as prisões, as delações premiadas, o trabalho do juiz federal Sérgio Moro e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot... A contribuição de setores da imprensa nacional para elucidar os meandros do caso, o desespero de políticos, empresários e agentes públicos denunciados no "petrolão"...
A reportagem documento descreve aos leitores os diversos crimes praticados por organizações incrustadas no Estado durante os governos Lula e Dilma Rousseff. Ivo Patarra devassa o maior esquema de corrupção política de todos os tempos no Brasil.

Só Garotos

Patti Smith
240 páginas

Antes de se tornar famosa, a poeta e performer Patti Smith dividiu a cama, a comida e o sonho de ser artista com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, a quem prometeu escrever este livro, pouco antes que ele morresse.
Nestas memórias afetivas, Patti alinhava fotos, bilhetes e histórias extraordinárias para narrar os anos de aprendizado do casal que atravessou os altos e baixos da efervescente Nova York dos anos 60 e 70 e se tornou ícone de muitas gerações.  

Baladas

Fabrício Corsaletti
64 páginas

À primeira vista, este livro fala da balada urbana e boêmia. Assim como em seu livro anterior, “Quadras Paulistanas”, o autor nos apresenta os chapas e as minas, toma uma média, uma cerveja, um saquê na Liberdade, sonha com uma apresentadora de “olhos de Nutella” e teme o destino solitário de Michael Corleone. Tudo isso em bem cuidadas redondilhas maiores.

A balada, mais que uma experiência boêmia, é também uma forma poética tradicional, que Corsaletti mostra, neste livro, dominar à perfeição. Ilustradas pelo sempre irreverente Caco Galhardo, essas Baladas vivem do vaivém entre a farra e a ressaca, a gíria e a métrica, o brilho do momento presente e o afã melancólico de fixá-lo antes que seja tarde. 

Poesias Reunidas

Oswald de Andrade
280 páginas

A poesia de Oswald de Andrade é de uma atualidade que chega a ser atordoante. O poema piada, o poema telegráfico, a lírica que reencena — com sátira — nossa história, o deboche, o jogo verbal e a anotação ferina. Em volumes como Pau Brasil, primeiro caderno de poesia do aluno Oswald de Andrade e Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão, Oswald se mostra o “pai” de manifestações como o Concretismo, a Tropicália e a poesia marginal.


Além das obras publicadas por Oswald, o livro traz um grupo significativo de poemas nunca reunidos em livro. A edição conta com textos em prosa com apreciações críticas do próprio Oswald e de Carlos Drummond de Andrade, Mário da Silva Brito e Haroldo de Campos.