terça-feira, 19 de setembro de 2017

O Cravo não brigou com a Rosa- Texto de Luiz Antônio Simas*

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto

Soube que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais “O Cravo brigou com a Rosa”. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o Cravo - o homem - e a Rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o Cravo encontrou a Rosa debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".
Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que “O cravo brigou com a Rosa” faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?

É Villa Lobos, cacete!
Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: “Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas.” A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: “Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.”
Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.
Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil. 
Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens. Dia desses alguém (não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda) foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.
Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.
Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil - de deficiente vertical. O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. 

O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, bola de sebo, Orca, baleia assassina e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa, cotonete e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.
Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.
O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa de 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do c..., cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.
Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".
Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. 
Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.
Abraços.

*Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio.

sábado, 16 de setembro de 2017

Poderia ter sido diferente?

Até os livrotes vagabundos tricotam freneticamente sobre o renascimento de nações que foram dizimadas por guerras. Inglaterra, Alemanha, Itália, China, Japão. A Coreia do Sul, depois de ser destruída nos anos 50/60, passou todo mundo e hoje é o país-modelo em educação.

Se o Brasil tivesse encarado guerras teria sido? Sabem a antiga teoria psicanalítica de que o ser humano só cresce com dor, sob tensa e intensa crise? Ela se aplica a nações? O Vietnã viveu em guerra de 1910 a 1975. Japão invadiu, França invadiu, Estados Unidos invadiram. Só na guerra contra os Estados Unidos morreram 1 milhão e 500 mil vietnamitas que, em nenhum momento, largaram o osso. Foram até o fim e botaram os americanos pra fora com memoráveis chutes na bunda. Hoje o Vietnã já é quase um “tigre asiático”.
                                                
Parto de um princípio de que a culpa não é de quem faz, mas de quem deixa fazer. Exemplo: se puserem um caixa eletrônico em cima da Pedra do Arpoador a culpa será do banco ou da prefeitura?  A passividade popular homologa os desvios. As eleições sacramentam. Em outras palavras, qualquer pau de enchente que esteja no poder num regime democrático, o aval (culpa) é nosso.

Não vou citar exemplos de outros países que venceram o arbítrio/corrupção/canalhice porque todos (sem exceção) usaram a truculência. Mussolini foi pendurado de cabeça para baixo num poste, americanos jogaram coquetéis molotov em postos de gasolina que aumentaram preços no crash de 1929, enfim, não encontro um exemplo de vitória popular que não passe pela luta.

Não estou defendendo ninguém e muito menos atacando. O que a História nos conta é que por não coincidência os povos regidos por fanatismos religiosos são os mais manipulados. Os povos da Índia e África, em sua maioria, são hordas de mortos-vivos dopados por crenças fanáticas que não deixam enxergar que os seus governos roubam, matam, achacam, em nome desse mesmo fanatismo. E Deus não tem nada a ver com isso.

Não tenho lastro teológico suficiente para afirmar que Deus discorda do fanatismo religioso, mas tenho o direito de supor que Ele não concorda. Fanatismo paralisa, enlouquece, dopa. Fanatismo quando decreta que orelhão é sagrado os seguidores batem palmas quando o Estado não instala orelhão nenhum.

Fanatismo quando determina que peixe é sagrado seus seguidores autorizam o Estado a não investir nada em indústria pesqueira. Mao Tse Tung radicalizou quando sentenciou que “a religião é o ópio do povo”. Em alguns casos, a religião manipulada, mais do que o ópio, é pior do que heroína.

Por que nós, brasileiros, somos tão submissos e cordatos? Faltou guerra? Faltou o olhar do invasor dentro da nossa casa citando Renato Russo : “eu sou a sua morte/ vim de fazer companhia”? De vez em quando vejo carros com adesivos “Basta isso”, “Basta aquilo”. Bastar como? Como se “basta” a lambança? Como se basta o arbítrio, a corrupção, tráfico de vidas?  

Fato é que a gemedeira e a vitimologia continuam por aí. Continuamos pagando a tal taxa de “assinatura” dos telefones, engolindo o “matematicalogismo” que aumenta planos de saúde, mais casa, comida, roupa lavada e corrupção de parlamentares. Qual é o critério? A submissão? Qual é a saída? 

Quem é o inimigo? Quem é você?



sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Focus arrasa no Teatro Municipal de Niterói

                                                          Pierre Van Der Linden - bateria                                                                          

                                                        Thijs Van Leer - flauta, órgão e voz               
                                                                               

                                                                 Menno Gootjes - guitarra
                                                                                    
                                                                Udo Pannekeet - baixo
Teatro lotado, pessoas aplaudindo de pé no meio das músicas, energia fortíssima e um dos melhores shows que assisti nos últimos tempos. Em resumo, essa foi a noite de quinta-feira quando o grupo holandês Focus proporcionou aos felizardos que compareceram a seu espetacular show no Teatro Municipal de Niterói.

Contemporâneo, com um som que mistura o progressivo, jazz, fusion e, lógico, rock, o Focus mostrou porque continua no topo da montanha das grandes bandas do mundo. Digo sem qualquer dúvida que jamais em tempo algum assisti ao vivo a um baterista tão visceral e genial quanto Pierre Van Der Linden, fundador da banda, que do início ao fim do show surpreendeu a todos com ousadia, pitadas de vanguarda, experimentalismo e uma agilidade impressionante. Adepto do clube “fora vassourinha!”, ele quase destruiu, literalmente, o instrumento de tanta emoção, a ponto da produção, no meio do show, ajustar as peças que sucumbiam a maravilhosa descarga emocional do músico.

Outro fundador da banda (em Amsterdã, 1969), flautista, cantor e organista Thijs Van Leer, carismático, em determinado momento do show pegou a sua flauta, desceu do palco e fez um solo caminhando pela plateia em êxtase. Foi demais! Coube ao guitarrista Menno Gootjes, um cara de uns 30 anos, a difícil missão de tocar os solos do ex-Focus Jan Akkerman, que há tempos deixou o grupo e continua tocando pelo mundo. Menno cumpriu a missão e foi mais além. Mostrou sua impressionante velocidade com direito a ousadia desafinar de propósito uma corda em duas no final de um solo, sem perder o timing. Com certeza ele ouve Jimi Hendrix desde criança.

A banda toca amanhã no Gillan’s Inn, em São Paulo e domingo no Bar da Montanha em Limeira, SP.


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Caros leitores, valeu mesmo! Rendição jamais!

Emocionado, agradeço aos leitores que me deram a maior força quando desabafei no artigo “Destrepa Tudo” que publiquei aqui na Coluna domingo último (leia abaixo deste). Fiquem tranquilos pois não existe hipótese de rendição da Coluna diante desse gado barulhento, mas não tão grande assim; protozoários conhecidos como “politicamente corretos”.

Vamos lá. O que vocês acham de uma pessoa ser admiradora do maior traficante do México (e do mundo), Joaquín Archivaldo Guzmán Loera, vulgo El Chapo*? Caso, por exemplo, do ator e diretor Sean Penn que em janeiro de 2016 o entrevistou (historinha mal contada pra cacete) e, acidentalmente (???), acabou entregando o sicário e está todo enrolado até hoje. Admirar El Chapo é o que? Desvio de caráter? Mau caratismo? Ou socialismo moreno? E o caso dos que defendem o assalto ao Estado brasileiro, roubalheira, endeusam Nicolás Maduro e similares? E aqueles que acham que o fornecimento pelas milícias e traficantes de “gatonet”, botijão de gás”, internet pirata, etc, tudo roubado, é “democrático porque dá acesso aos mais pobres”?

A luta é dura mas não abro mão, consciente de que ninguém é dono da verdade absoluta. Se é que ela existe. Ao mesmo tempo, sei que a ignorância é um direito universal, bem como a boçalidade e o banditismo. Respeito bandido que se assume bandido, mas não me convidem para aplaudir quem bebe sopa de cocaína tentando nos convencer que é canja de galinha.

Aí é patifaria mesmo.


*Vale a pena assistir a série e também ao longa-metragem, ambos na Netflix.

domingo, 10 de setembro de 2017

Destrepa tudo

O saudoso humorista Leon Eliachar escreveu que "o tarado é um homem normal pego em flagrante". Quem lê meus posts no Facebook (cada vez mais magros, com grave tendência a sumir) sabe que já fui severamente patrulhado por um covil de "politicamente corretos", que também frequentam esta Coluna, o que aliás não entendo. Seria preocupante.

Mas como ingressei numa nova era de reinvenção existencial moderada, ou cavalo de pau, ou “volta que deu merda”, “destrepa tudo”, etc. não acho mais nada, absolutamente nada, preocupante. O que dirá as afetações e pequenas canalhices de supostos leitores de redes sociais.

Tempos atrás, no inbox do Facebook, essas pessoas disseram que a crônica que escrevi sobre minha puberdade/pré-adolescência no Campo de São Bento, em Niterói, é um poço de perversões, atentados a moral e aos bons costumes, papo de tarado fundamentalista e tudo mais.

Pensei se tratar de galhofa de amigos ou conhecidos, mas depois percebi era mesmo reação de leitores anônimos (e anacrônicos), cujo I.P. (Internet Protocol, o CPF da internet), que aparece para quem usa o Blogger, eu nunca conferi porque tenho mais o que fazer.

A reinvenção existencial moderada me faz assassinar algumas penumbras emocionais que precisam ser assassinadas e por isso reli a crônica umas três vezes. Constatei que o suposto mar de devassidão não passam de pueris vivências e desventuras de um garoto vivendo a liberdade possível em seus 12, 13 anos de idade.

Um adorador de mulheres surfando a liberdade possível e clandestina porque a sociedade moralista, nos moldes nelsonrodriguianos, sempre foi moralista mas jamais conseguiu esconder os seus orgasmos diante de situações nefastas como assassinatos de crianças, linchamentos de mendigos, torpes tragédias em geral.

É essa sociedade moralista que dá altíssimos índices de audiência aos programas de TV e rádio do estilo mundo cão, e também jornais e outros tipos de mídia especializados em sangue, suor e lágrimas. Bom lembrar que as casas de sadomasoquismo e swing tem os “moralistas” como clientes preferenciais.

Detonei qualquer possibilidade de mudar os rumos do que escrevo aqui na Coluna, um espaço assinado, com endereço conhecido, frequentado por pessoas de todas as idades e escrito, modéstia à parte, por um jornalista com mais de 40 anos de profissão que sabe, exatamente, endereço, telefone e e-mail da Dona Ética e seus parentes próximos.

Vou continuar exercendo a liberdade de escrever sobre temas mais ousados já que estamos assistindo ao verdadeiro escárnio contra a moral representado pela corja que assaltou o Estado. Felizmente indo em cana, um por um. Isso sim é perversão, é escarrar na cara tudo o que existe de mais limpo, honesto, íntegro.

Não será a micro saga de um garoto conhecendo o sexo que deve ser defenestrada pelos politicamente corretos, em geral ladrões, safados, pervertidos e pedófilos. Agraço aos leitores que me incentivam, estimulam, levam o que escrevo aqui para o terreno do humor, da boa vida, para o jeito positivo de encarar a existência e não para as sombras dos "corretos" com aspas, que vivem no limo sob o signo das taras mal resolvidas e da malignidade suprema.

sábado, 9 de setembro de 2017

Molambeiro, o elo perdido entre o homem e o porco

                                                                             
Andando pelo bairro onde moro,num dia de verão, 41 graus à sombra, o cheiro de mijo não só incomodava como irritava. Coisa de molambeiro, bípede que não mora onde mija, não tem qualquer relação afetiva com a cidade onde está e, por isso, cospe no chão, atira lata de cerveja junto ao meio fio, enfim, essa figura conhecida como molambeiro deveria ser estudado em profundidade porque, diz a minha tosca e eventualmente mal humorada intuição, que ele pode ser o elo perdido entre o homem e o porco.

O molambeiro não tem sexo, cor, classe social, nível de instrução. É uma bola de sebo tatuada rolando pelas cidades, saltitando merda para todos os lados e atualmente tem como veículo preferido a motocicleta, em geral equipada com um tal de baú onde alguns carregam cachaça, cheirinho da loló, crack e outros aditivos muito comuns a espécie. Se a polícia fizer seis meses de asfixia (blitz permanente) nas motocicletas, a segurança pública vai melhorar 80% porque além de baderneiros, escroques sociais, paladinos da imundície, muitos são bandidolas.

Molambeiros gostam de andar em bandos e contrariando normas internacionais de segurança, andam de motocicleta sem camisa, calçando chinelos vagabundos, capacetes idem, cano de descarga cortado (barulho infernal) e em zigue zague entre os carros.

Em Niterói, o point da molambada é a praia de Itacoatiara, onde os molambeiros encontram molambeiras com quem copulam e perpetuam a espécie. Itacoatiara virou moda entre eles e entrou na rota da barbárie desses animais que, geralmente sem documentos, invadem o bairro fazendo enorme barulho (como suas motos são vagabundas, não correm muito), fazem xixi em qualquer árvore e enchem de cocô e latas de energético genérico a restinga da praia. Itaipu e Piratininga viram fim do mundo.

Na praia, fumando maconha paraguaia, jogam futebol na beira d’água (velhos e crianças que se danem), dão saltos mortais as gargalhadas no mar onde aproveitam para fazer xixi e cocô de novo, aos gritos de “hahahaha....tá dominado, rapá....hahahahaha”. Na areia, funk, pagode e sertanejo aos berros naqueles equipamentos de som chineses, com porta USB por onde a caganeira musical transita.

Os moradores locais? Se borram de medo. Itacoatiara é bairro de classe média alta e um dia já foi o must do verão em Niterói, e como toda a classe média, tem pavor dessa molambada com cabelo à Neymar, moto na mão e muita bosta na cabeça. Os locais dizem que “os estrangeiros são perigosos e acham que a praia é deles”. Claro que a praia é deles. A praia, o bairro, a cidade, o país.

Não bata o cheiro de mijo. Andando numa cidade que estupra com o IPTU, conta de luz, água, telefone, ainda vem esses molambos e, em menos de duas horas, cagam tudo.

Com certeza a porradaria ia comer se eu pegasse um molambeiro desses, elo perdido radical, defecando em frente a uma creche (para eles tanto faz). Aliás, é por isso que não tenho ido a praia sábado e domingo, onde a civilidade é minoria absoluta. 

Prefiro permanecer réu primário.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Roberto Menescal: os 80 anos de uma lenda viva

                                     Menescal e Andy Summers, amigo e guitarrista

Lenda viva, mestre da música, amigo muito querido, Roberto Menescal está comemorando seus 80 anos onde gosta: na estrada, em turnê nacional. Filei esse pedaço da ótima matéria que o Silvio Essinger publica hoje no Segundo Caderno do Globo:

Esta sexta, no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, ele abre para o público a série “Dia de luz, festa de sol! Roberto Menescal e a bossa nova” em show com Marcos Valle e Cris Delanno. Amanhã, é com Cely Curado, Marcia Tauil, Nathalia Lima e Sandra Duailibe (que em 2012 lançaram o disco “Elas cantam Menescal”), e no domingo, com Ivan Lins e Leila Pinheiro. 

Os shows vão para os CCBBs de São Paulo (incluindo Simoninha, Leo Gandelman, Lula Galvão e Sabrina Parlatore, dos dias 21 a 24) e do Rio (entre 19 e 21 de outubro, com o acréscimo de Zélia Duncan, Danilo Caymmi e Wanda Sá). Antes, no próximo dia 28, Menescal toca no Rio com sua banda e Delanno nas Quintas no BNDES.

Eu já piscava muito, estou piscando dez vezes mais! — brinca o músico, que, depois do aniversário ainda encara um Espaço Furnas Cultural nos dias 9 e 10 de dezembro com o guitarrista Andy Summers, do Police, e em 2018 planeja ir à Europa para shows do disco “MPBossa: da bossa ao frevo”, feito em 2016 com André Rio e Luciano Magno. — Não tenho gripe, nem nada. E tampouco medo de avião. O Tom Jobim morria de medo, e dizia: “o mecânico está lá embaixo”.

Conheci Roberto Menescal* em 1982. Ele esteve na Rádio Fluminense FM onde, na maior cara de pau, pedi um autógrafo. Simpático, gente muito boa, na dele, mas profundo conhecedor de música e mídia, em meia hora de conversa ele sintetizou muito bem o que estávamos fazendo na “Maldita”.

A partir daquele encontro, Menescal se tornou um amigo guru. Diante de qualquer decisão mais grave, sempre liguei para ele que, disponível para os amigos, opina com simpatia e muita precisão. Até hoje é assim. Quando estou numa encruzilhada profissional, procuro a opinião dele. Em 1985,mais ou menos, eu quis parar definitivamente de trabalhar com rock achando que estava estigmatizado. 

Menescal me convidou para almoçar no Taranlella, na Barra, e depois do meu desabafo disparou: “Meu amigo, você trabalha também com música. Música como um todo. Mas quanto a esse medo de estigma, fique tranquilo. Você já está estigmatizado (risos) e eternamente será conhecido como “roqueiro e fundador da Rádio Fluminense, a Maldita” mesmo que decida virar astronauta. Até hoje eu sou o “Menescal do Barquinho”, e tudo bem. Relaxe e tire proveito”. E foi o que fiz, faço e farei.

* Em 1985, comecei a produzir o primeiro LP de Celso Blues Boy, que batizei de “Som na Guitarra”. Menescal era o diretor nacional da gravadora Polygram e não discutiu quando falei de gravar o Celso. Acreditou no músico e em mim. Mais: tornou-se meu padrinho de estúdio. Foi ele quem me apresentou a um estúdio de 32 canais (acho) que comandei ao longo de três meses. Quando finalizei o trabalho, tirei uma cópia e fui mostrar ao Menescal. Frio na barriga, suor frio. Ao final, ele abriu um sorriso e disse “discaço”. Quase chorei de emoção.

 Parabéns, amigo! Parabéns, mestre!