domingo, 19 de novembro de 2017

Uma “re-resenha” do magistral show de Paulinho Guitarra no Teatro Municipal de Niterói, dedicada a um grande vacilo meu

                        Paulinho com a Diva Adriana Ninsk. Foto do mestre Luiz Edmundo Castro
                          Paulinho, aos 13 anos, em sua primeira banda, "Os Adolescentes".Ele é o segundo da direita para a esquerda com Oldair, Dutra e Luiz Carlos Britto.

Aqui no sertão da minha suave ignorância em informática intuí que existe um componente ilógico nesse mundo binário. Desculpa de ineptos? Pode ser. Explico:

Cheguei do show do grande Paulinho Guitarra no Teatro Municipal de Niterói (parabéns pela esplendida programação, Marilda Ormy), na última quinta a noite, com a alma lavada. Teatro lotado, música plena no ar. Nas primeiras horas de sexta, dia 17, abri esta plataforma do Blogger e digitei direto no sistema uma resenha sobre o show. Sim, isso não se faz, deve-se escrever num editor de textos e depois migrar para o Blogger, mas eu estava ansioso, queria compartilhar logo com todo mundo a alegria de ter assistido a um dos melhores shows que assisti na vida, já que Paulinho Guitarra está entre os melhores do mundo.

Como sempre, postei e compartilhei no Facebook. Beleza. Na mesma hora, dezenas de comentários de pessoas que também assistiram, todos no maior astral, na maior alegria, chamando o show de “fabuloso”, “grandioso”, “genial”. E assim foi até a tarde de sábado, ontem, quando postei no Facebnook a chamada para o meu artigo semana no site Coluna do Gilson, do amigo Gilson Monteiro.

Devo ter feito alguma lambança porque quando pus a chamada no ar derrubei uns quatro artigos do Blogger, inclusive a resenha do show do Paulinho que, o vacilão aqui, decidiu escrever direto, e não no word para caso de necessidade.

Mas, querem saber? Uma boa oportunidade para revelar mais uma vez a minha emoção diante do show maravilhoso que reuniu quase 25 músicos se revezando no palco que foram ao Teatro Municipal abraçar e tocar com o Paulinho Guitarra pelos 62 anos de vida e 50 como músico.

Afinal, ele inventou uma música nova, uma inédita maneira de tocar guitarra absolutamente a prova de rótulos. Foi um show-baile-aula de música com direito a músicas de seu novo álbum que vem aí que vai se chamar “Baile na Suméria”, que foi também o nome do show.

Demais! Desculpem o vacilo (foi mal, Paulinho, foi mal Jane Lapa!) e postem, por favor, seus comentários de novo já que, como na música, o jornalismo também tem seus remixes. Prometo não mexer (rs).

Uma boa semana!

sábado, 18 de novembro de 2017

Solidão

Saudade, velho amigo.

Não adianta fugir, correr, pular cercas. Ela é o maior desafio existencial da espécie humana. Solidão. Por mais que saibamos se tratar da condição humana básica e que em muitos casos se apresenta como um agudo sentimento passageiro, a solidão é impiedosa. Machuca, fere, marca. Musa de milhares de canções, filmes, poemas, livros.

Saudade, velho amigo.

Flagelo dos que não suportam conviver com suas ebulições interiores, ignorando a regra, provada e comprovada, de que o homem é o mais solitário dos mamíferos. Por mais solidário que às vezes demonstre parecer.

Saudade, velho amigo.

A solidão exige muita resistência, criatividade, autocompreensão. Os que se tornam reféns deste deserto que ora se apresenta como fato consumado, ora como circunstância de momento, cai nos braços da culpa, que, dizem, é bem pior. É fato que todos os seres humanos eventualmente estejam nas garras da solidão.

Saudade, velho amigo.

Transformá-la em criação é o desafio. Desafio possível.

Saudade, velho amigo.

O solitário latino, por inúmeras razões socioculturais, parece padecer mais. Ninguém sabe ao certo por que a solidão, apesar de voraz, é imprecisa. Muito imprecisa. E nos pega sem dia e hora desmarcados.


Saudade.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Ives Gandra: ‘Não sou nem negro, nem homossexual, nem índio, nem assaltante, nem guerrilheiro, nem invasor de terras. Como faço para viver no Brasil nos dias atuais?’

Artigo do jurista Ives Gandra publicado no Estadão


Meu Nome é: Ives Gandra da Silva Martins. Hoje, tenho eu a impressão de que no Brasil o “cidadão comum e branco” é agressivamente discriminado pelas autoridades governamentais constituídas e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que eles sejam índios, afrodescendentes, sem terra, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos. 

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, ou seja, um pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco hoje é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior (Carta Magna). Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que eles ocupassem em 05 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado, e ponham passado nisso.

Assim, menos de 450 mil índios brasileiros – não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também por tabela – passaram a ser donos de mais de 15% de todo o território nacional, enquanto os outros 195 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% do restante dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados. Aos ‘quilombolas’, que deveriam ser apenas aqueles descendentes dos participantes de quilombos, e não todos os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição Federal permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito. 

Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um Congresso e Seminários financiados por dinheiro público, para realçar as suas tendências – algo que um cidadão comum jamais conseguiria do Governo! Os invasores de terras, que matam, destroem e violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que este governo considera, mais que legítima, digamos justa e meritória, a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse ‘privilégio’, simplesmente porque esse cumpre a lei.. 

Desertores, terroristas, assaltantes de bancos e assassinos que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de R$ 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para ‘ressarcir’ aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos. E são tantas as discriminações, que chegou a hora de se perguntar: de que vale o inciso IV, do art. 3º, da Lei Suprema? Como modesto professor, advogado, cidadão comum e além disso branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço nesta sociedade, em terra de castas e privilégios, deste governo.


O que é que a boiada tem?

O que é que a boiada tem?

Minha única incursão na pecuária é quando me atraco com uma picanha ou mignon num bom restaurante. Desde que não seja Friboi ou qualquer bosta produzida pela JBS.

Tentei até arriscar no mercado, muitos anos atrás, quando fui um dos 20 mil babacas que comprar Certificados de Investimento Coletivo (CICs)* de uma empresa que vendeu mais boi de papel do que boi de fato, o que chamei numa reportagem em São Paulo de “Boi sem mugido”.

O presidente da Presidente da Fazendas Reunidas Boi Gordo, o empresário Paulo Roberto de Andrade jura que vai pagar a todo mundo. Todos, menos a mim cujo certificado estava naquela Kombi que fazia uma mudança minha, foi roubada no caminho e depenada. Os ladrões levaram meus discos, livros (de vinil não liguei, mas todos os meus CDs foi demais!), títulos de cidadania, diploma do jardim de infância e os cacetes.

Curiosamente os pan corruptos  irmãos sertanojos Joesley e Wesley Batista chupam grana de bois. Chupam, lavam, fraudam, etc.
O Grão Mor da corrupção no Estado do Rio, o cabeça da família Picciani, professor de roubalheira generalizada de Sérgio Cabral, comparsa de Paulo Melo e do quase membro vitalício do Tribunal de Contas do Estado, escrotóide Edson Albertassi, também é cafetão do gado.

Quer dizer, o Grão Suíno Picciani usa o seu exército de chifrudos, espalhados em várias e milionárias fazendas para todo o tipo de tramoias, inclusive presidir a Alerj, um puxadinho que mantem no centro do Rio, habitado por suínos de várias espécies que trabalham pelo mal do serviço público. Um puteiro (no mau sentido) de verbas púbicas como a mais recente descoberta da PF. Mediante algumas dezenas de milhões de reais, Picianni, Paulo Melo e o escrotóide Edson Albertassi empresas deram um rombo de R$ 280 BILHÕES no Estado do Rio. 
Conclusão: o estado faliu.

Mas e o fascínio pelo boi que os corruptos tem? O que será? O que é que a boiada tem?

* Minha última aventura no cassino chamado bolsa de valores foi quando, assistindo TV, vi Amaral Gurgel perguntando: “Se Henry Ford te chamasse para ser sócio, você seria?”. E convidou para a compra de ações para financiar o carro BR 800.
Eu e meu saudoso amigo Alex Mariano, fera também em mercado financeiro, compramos. 
O BR 800 foi lançado. Dias depois a Fiat acabou com ele lançando o Uno Mille. A Gurgel faliu e minhas ações foram para Bicas, MG. Nunca mais olhei nem para o site da bolsa de valores.



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Seu Ladrão

Seu Ladrão militava na camelotagem do Centro do Rio. Cabelos e barbas brancas, caloteiro profissional, era cumprimentado com nojo pela freguesia que ao abordá-lo soltava o dobrão: “Fala seu Ladrão, escroto filho da puta!”.

Em sua banca, Seu Ladrão vendia óculos falsificados, carregadores de celulares (também produzidos por aí), relógios. Faturava mais no conserto de objetos. Por exemplo se alguém levava óculos comuns com um pequeno problema, Seu Ladrão com mãos de mágico safado dava um jeito de dar uma “perda total”. Vendia novos para o incauto e depois consertava os óculos que foram falsamente condenados para revender.

Mentiroso, inventou que foi parido no Nordeste e atirado num Pau de Arara aos 11 anos de idade. O pau de arara teria capotado em Campos dos Goytacazes e de lá, recolhido por uma família, ele veio para o Rio onde começou a trabalhar como michê nas imediações do Passeio Público. Mentira. Seu Ladrão foi parido no Rio Comprido e foi vendido para uma família da Tijuca. Desde criança roubava compulsivamente até ser flagrado mexendo numa caixa de abotoaduras douradas do padrasto. Esbofeteado, foi chutado para a rua e se juntou a um bando de pivetes no Catete.

Um aliciador o levou para a camelotagem. Começou vendendo pilhas descarregadas, pólvora granulada para fazer cabeça de nego, cheirinho da loló e outras iguarias ilegais. Ganancioso, deu um telefonema anônimo de um orelhão para a polícia informando que seu superior (o aliciador) tinha estoque de drogas ilegais numa garagem no Catumbi. A polícia estourou a boca e, para alegria de Seu Ladrão, seu aliciador foi morto na troca de tiros.

Não gostava de ficar parado na banca, temendo levar uma surra de surpresa. Por isso percorria suas cinco filiais, que roubou de outros camelôs. Enquanto caminhava (sempre de camisa vermelha) era cumprimentado pelo povo. “Boa tarde, larápio”, “Fala, moleque!”, “Teus ovos tão assando, escrotão” e por aí ia. 

O único que o tratava cordialmente era o gerente do banco onde Seu Ladrão acumulava uma riqueza, fruto de anos e anos de trambiques, tráfico, delações e até sequestros de cachorrinhos de raça de velhinhas de Copacabana.

Um dia, Seu Ladrão percorria o Centro da cidade maravilhosa e quando deu por si estava no buraco do Lume. Contemplou o panorama de concreto e aço e disse para si mesmo “Ladrão, tu é foda”. Um segundo depois, levou um tiro na nuca, a queima roupa. Um escoteiro que o seguia tinha vindo do Rio Grande do Sul especialmente para fazer justiça com as próprias balas.

O corpo de Seu Ladrão rolou na calçada. O escoteiro abriu a braguilha, mijou no rosto do que restou do camelô e seguiu em frente. Fogos, aplausos, assobios, a multidão ensandecida comemorava o fim de uma era. Diz a lenda que o corpo de Seu Ladrão foi recolhido muitas horas depois por um caminhão de lixo porque, cinco anos antes, ele havia roubado arcadas dentárias no IML para revender para assassinos de aluguel. Ninguém no IML quis dar entrada no corpo.

Seu Ladrão não imaginava que seu próximo passo na vida seria um tiro na nuca dado por um escoteiro. Afinal, estava quase conseguindo virar parlamentar.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

15 de novembro

Uma nova corrente de historiadores está botando os pombos nos telhados certos. Entre eles, destaca-se o jornalista e historiador Laurentino Gomes que escreveu o clássico “1889 – Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”.

É o último livro da trilogia sobre o Brasil do século XIX, iniciada com as obras "1808" e "1822", que contam o período de transição do Brasil da colônia para a república, começando com a transferência da corte portuguesa para o Brasil no ano de 1808, depois com a independência no ano de "1822" e, por fim, com a proclamação da república no ano de 1889.

Até ler “1889” eu achava o marechal Deodoro um patife. Depois de ler Laurentino e outros historiadores vi que o marechal era paranoico, ditatorial e de extrema incompetência. Tanto que, aos trancos, conseguiu se pendurar no poder por apenas dois anos, de 1889 a 1891.

Um aspecto interessante desse torpe “herói” brasileiro foi o fato de ser um monarquista radical, que se dizia amigo de Pedro II, a quem devia favores. Disse o marechal que ”quero acompanhar o caixão do velho imperador.”

Detesto a monarquia. Detesto a República, cujos 128 anos de total inutilidade e roubalheira são lembrados hoje, é lógico, por um feriado. A República, a partir de Deodoro, sempre foi vadia. A República sabe que o marechal estava doente em casa no dia anterior, 14 de novembro de 1889. Lauretino Gomes escreveu que os próprios republicanos, para forçar a barra, inventaram que Pedro II tinha dado ordem para matar o marechal. Não colou.

Os republicanos precisavam convencer Deodoro a romper de vez os laços com a monarquia. Valeram-se de outra notícia, essa verdadeira, pois chegou-se a enviar telegrama oficial nesse sentido. Quintino Bocaiuva e o Barão de Jaceguai mandaram um mensageiro a Deodoro para informar-lhe que o novo primeiro ministro, escolhido por Pedro II, seria Gaspar Silveira Martins, odiado por Deodoro por terem disputado a mesma mulher na juventude. Gaspar ganhou a mulher. Vingativo, Deodoro foi convencido a derrubar o regime.

E assim cavalga o Brasil, desde a chegada do grão-mestre da canalhice, D. João VI, escorraçado por Napoleão em 1808. Ele trouxe a Corte para o Rio de Janeiro e, num dos primeiros atos, inventou o Banco do Brasil que funcionava como um cofre pessoal, pagando suas esbórnias e as da Corte como um todo. Mas isso é outra história.

Ou melhor, estória.



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Referências

Desde 1.500 vivemos momentos de crise nos serviços no Brasil. Isso atinge tanto as pessoas jurídicas como as físicas. Há tempos, uma senhora (leitora aqui da Coluna) perguntou qual é a minha TV por assinatura. Respondi. Ela emendou com uma segunda pergunta do tipo “você acha boa, recomentaria?”. Respondi, francamente, que não recomendo serviços a ninguém porque não confio.

Ela compreendeu mas ficou meio encafifada, por isso insisti para que não pensasse que eu estava de má vontade. Mais: sugeri (como sugiro aos leitores) que ela acessasse o site www.reclameaqui.com.br que concentra boa parte das reclamações sobre empresas de todos os gêneros, de smartphones a lambanças de prefeituras, passando por supermercados, farmácias, TVs por assinatura, internet. 

No ano passado, um vizinho perguntou qual é a minha internet em banda larga. Disse, mas também não recomendei porque está cada vez mais difícil darmos referências numa terra onde a qualidade dos serviços oscila como montanha russa. 

A coisa chegou num ponto que não recomendo, sequer, colegas para emprego porque o último que indiquei, recém-formado, que trabalhou como trainee numa empresa onde eu era sênior, e que eu julgava exemplar, foi para a companhia que indiquei e começou a faltar, chegar atrasado, vacilar no texto, sei lá o que deu no cara.

Esse caos nos serviços gerou uma situação incomoda, chata. Temos vontade de ajudar, indicar, mas depois corremos o risco de estarmos atrapalhando muito mais do que ajudando. Portanto, o negócio é ser franco e bater o pé: não indico de jeito nenhum.