segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Porque o rádio ainda é o rei da comunicação no Brasil? Entenda. Por Luiz André Ferreira - jornalista, professor, Diretor da Kroton, Estácio/FACHA


Apesar dos avanços tecnológicos, o velho rádio mostra que ainda é o maior veículo de comunicação, o menos vulnerável a crise econômica e o que menos vem sofrendo a concorrência com as mídias sociais. Pelo contrário, vem rejuvenescendo seu público através de seu consumo através de outros meios como: celulares e online ou mesmo podcast. Pesquisas apontam essa vitalidade do meio inventado pelo brasileiro Padre Landell de Moura e implantado por Eddard Roquette-Pinto.

Atlas da Notícia: maior em quantidade

Foram mapeadas 4.007 estações de rádio (entre AM e FM) operantes no país enquanto existem 3.368 jornais impressos, 2.773 emissoras de televisão e somente 2.263 veículos online, que só não perde no ranking para a queda vertiginosa da quantidade de títulos de revistas circulando no país, apenas 56 edições nacionais.

O curioso é que somente nos grandes centros os digitais se mostram de uma forma significativa. Em São Paulo, os sites de jornalismo correspondem a 67% do total dos veículos. Já no Rio de Janeiro 62% e em Brasília 45%.

Morte de Jornais

Ao mesmo tempo em que são poucas as rádios que encerraram atividade ( já que ninguém entregou a concessão ao Governo) recente pesquisa "Atlas da Notícia", feita pelo Projor - Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, registra que foram fechadas o total de 81 empresas. Entre elas os jornais: “Brasil Econômico”, “Diário Mercantil”, “Jornal do Commercio”, “Diário de São Paulo”, “Diário do Comércio” e “Jornal da Tarde”.

Crise das Revistas

As dificuldades econômicas na Editora Abril ( em processo de recuperação judicial) contribuíram para a descontinuidade de, pelo menos, 16 títulos este ano, entre eles: “Cosmopolitan”, “Elle”, “Boa Forma”, “VIP”, “Viagem e Turismo”, “Mundo Estranho”, “Arquitetura”, “Casa Claudia”, “Minha Casa”, “Bebe.com.”, “Veja Rio”, “Capricho”, “Guia do Estudante”, “Placar”, “Saúde”, “Você RH”. Também afetada financeiramente, a Editora Escala extinguiu mais 5 produtos: “Tititi”, “Minha Novela”, “Conta Mais”, “TV Brasil” e “7 Dias”.

Ibope aponta que mais da metade da população ouve rádio

Já outra pesquisa, a “Book de Rádio” elaborada pelo Kantar Ibope mostra que 53% da população escutam regularmente. A média de tempo é de 4 horas e 40 minutos por dia. Mas o que chama também a atenção é um dado qualitativo: em plena descrença da onda do Fake News, 78% dos ouvintes consideram esse veículo como confiável, um dos maiores índices entre os meios de comunicação. 
Sendo assim, o rádio é visto como uma fonte ágil e precisa em informação.
35% dos ouvintes declararam procurar o rádio para se informarem quando ocorre um fato inusitado.   83% acreditam que os programas e boletins são mais fáceis de entender e 74% que a cobertura oferece comentários e análises com profundidade

Aumento das Webrádios

O estudo também identificou o crescimento da rádio na web: o tempo médio diário dedicado às rádios online é de 2h21min. Isso representa um acréscimo de 14 minutos na audição diária do que apresentado na análise passada.

Mineiro é o que mais ouve

A população de Belo Horizonte (MG) é a mais fiel ao veículo: 95% ouviram nos últimos 30 dias. Porém os moradores da capital cearense são os que passam mais tempo consumindo rádio por dia: um total de 5 horas e 4 minutos. Quase empatado está o carioca com 5 horas e 3 minutos. Os dados apontam ainda que 32% prestam atenção sempre ou quase sempre à publicidade veiculada. Do público ouvinte 52% são mulheres e 48% homens.

O pico de consumo é entre 10h e 11h da manhã, quando alcança um total de 37 milhões de pessoas diferentes em um intervalo de 30 dias.

Fim do Mito: rádio não é mídia de velho

Outra máxima que cai por terra é a de que o rádio é um veículo consumido por pessoas mais idosas. Os dados revelam que 91% dos entrevistados na faixa etária entre 15 e 19 anos declararam ter ouvido nos últimos 30 dias. Este alcance é de 90% entre as pessoas de 20 a 49 anos.


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