domingo, 8 de julho de 2018

Internet e a nova era do rádio


O carioca Ruy Jobim é um brilhante radialista, profundo estudioso do rádio e diretor geral da Escola de Rádio, referências na formação de novos profissionais. Para conhecer é só acessar https://www.escoladeradio.com.br/ .

Ruy e eu conversamos sobre o poder do novo rádio, chamado de webradio, que poderia estar substituindo as transmissões convencionais, especialmente em FM. Afinal, o rádio em AM reinou absoluto até os anos 1970, quando foi ceifado pelas FMs, com qualidade de som infinitamente melhor, novas gerações de programadores locutores e jornalistas.

No entanto, no Brasil as FMs pararam no tempo, por um lado tocam sucessos banais repetidamente de outro seguem o modelo “vitrolão”, descoberto pela Tamoio AM nos anos 1950. As FMs buscaram o comodismo, não investem no novo, optando pelo produto pronto, pasteurizado e muitas vezes de péssimo gosto.

Vamos ao papo com o Ruy Jobim.

- O avanço das rádios na internet no Brasil é um fato? Há dados objetivos a respeito desse crescimento?

R: Sim, é realidade. Precisamos de mais informações a respeito e alguma política para regulamentar. Ainda é uma área sem lei e as poucas rádios existentes esbarram no fato de curiosos e apaixonados estarem transmitindo apenas músicas de dentro de casa sem estrutura necessária para uma rádio ao vivo.

- Você acha que as webradios já ameaçam as FMs?

R: Tenho certeza que não. Ainda não chegamos a tanto. Sou consumidor assíduo de pesquisas a respeito de internet e fica claro que o melhor da web ainda esta por vir. Quanto às rádios web eu torço pelo crescimento e até por esta ameaça, porém ainda temos amadores e um streaming caro e nada confiável no país. Quando a coisa for mais profissional vamos passar a depender do artístico que precisa segmentar para sobreviver. Nada supera o conteúdo. Nada. Sempre será assim. No inicio da década de 80 a Fluminense FM conquistou incrível audiência por conta do conteúdo. A potência da emissora era fraca, mas era a única a transmitir uma programação diferenciada para a época.

- É possível saber, por alto, quantas webradios existem no Brasil?
R: Se alguém tiver esta resposta me diga. São números exponenciais. Na minha modesta opinião é isso que faz este estudo interessante. Quantas radiosweb são criadas por dia? Impossível saber. A pergunta seria "quantas realmente querem sobreviver?". Para vencer a barreira do amadorismo é preciso investimento em conteúdo e pessoal. As melhores ficarão.

- Existe uma estimativa de audiência de webradios no Brasil?  Os smartphones são os dispositivos mais usados?

R: Não temos essa informação do Ibope. A Crowley que afere as emissoras quanto a execução de músicas e comerciais também não. Marcelo Cabral que trabalha na instituição diz que é quase impossível saber.
Os smartphones fazem tudo, mas na minha percepção a audiência se volta para aqueles que estão trabalhando na web e ouvindo sua trilha sonora preferida em desktops ou notebooks. Os tempos mudaram e isso não é ruim. Apenas mudaram. Não há como comparar.

-  Quais as webradios do Estado do Rio que você destaca? Qual o perfil das programações?

R: Sou incapaz de citar uma ou outra. São muitas as opções. Comparo a um restaurante self service. Muita opção deixa você sem saber o que consumir. Ouço muito a Radiovitrola.net. Percebe-se que existe alma na produção e não algoritmos alienados colocando as músicas em sequência. Já recebeu alguns prêmios e foi indicada para outros. O perfil é para ouvintes com mais de 30 anos. Aquela música que não toca há anos no meio da programação está sempre me pegando de surpresa.

- Qual o perfil dos ouvintes? São os mais jovens, não há idade definida? Classe média ou as classes C e D também estão online?

R: Hoje são principalmente ouvintes das classes A e B que tem acesso as conexões mais potentes e que buscam outro tipo de conteúdo. Importante lembrar que diferente do rádio convencional as webradios falam com todo o Brasil e o mundo, o que as torna potencialmente fortes quando se pensa em abrangência de ouvintes.

- Por que a maioria das webradios não tem anúncios? Por isso muitas acabam deixando de existir.

R: Porque elas ainda não tem um modelo de negócio bem definido e tem dificuldades de apresentar números concretos para ajudar um anunciante a investir em  webradio, mas isso começará a mudar a medida que esse mesmo mercado perceba que as webradios são extremamente segmentadas e falam para todo o país.

- Os automóveis "consomem" muito a mídia rádio. Por que raramente vemos um motorista ouvindo webradio? É complicado?

R: Sim, é complicado por conta da questão do custo do serviço de internet cobrado pelas operadoras. Espero que os pacotes de dados fiquem mas baratos, assim poderá haver mudança nesse quadro.  Uma web rádio não "sai do ar" dentro de um túnel
como na rádio convencional. Isso pode fazer a diferença em uma cidade como o Rio de Janeiro.

- Ruy, o espaço é livre para fazer as chamadas "considerações finais", aspectos que não abordei.

R: Vejo as webradios como mais uma oportunidade de mercado para o rádio, possibilitando a criação de novas opções, mais segmentação, atendendo a públicos variados em potencial. O rádio convencional não acaba e sim ganha uma nova vertente que possibilita o infinito, criando uma nova linguagem ao falar com o Brasil e o mundo.

Escola de Rádio

A ER nasceu em 1994.

Muitos profissionais entraram no mercado de comunicação com nossa genética.
Antes era o rádio e o som. Hoje são as novas mídias em multitelas. Da paixão pelo rádio e pela comunicação surge a paixão por esse mundo plural e conectado. Surge a ER +
Por que agora o + em nossa marca?
O mais é plural, adiciona o vídeo, as lentes, a tecnologia que adiciona possibilidades na formação do comunicador.
Soma a edição de imagens, o cuidado com o texto, a opinião do comunicador, as redes sociais, somam também o marketing e o smartphone. Pense mais.

Nosso slogan: “o mercado de trabalho começa aqui”, se traduz através da prática com profissionais competentes que estão nas salas de aula, na sala virtual, na hora do café, nos corredores da ER+, em nossos estúdios de TV e nas ideias que somam. Somos também um produtora audiovisual.

Em 2013 nos tornamos Curso Técnico de Nível Médio que garante o registro profissional na antiga DRT (Delegacia Regional do Trabalho) atual SRTR (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego).

RUY JOBIM

“Nasci em maio de 1964 durante a revolução e desde muito cedo descobri o rádio como companheiro. Aos 7 anos imitava os comunicadores da Rádio Globo do Rio de Janeiro. Enquanto me preparava para a carreira militar, desejo de família, escondia o fone de ouvido nas aulas de física e matemática no Curso Tamandaré pré militar. Nessa época o sucesso eram as rádios Mundial e Tamoio. Todas em AM.
Em 1977 entrei em um estúdio de rádio pela primeira vez. Era a Rádio Cidade com Eládio Sandoval no estúdio em uma tarde quente no Rio. A turma da Cidade mudou o FM para sempre e mudaria também a vida do menino tímido de Copacabana. Em casa treinava leitura, operação e analisava o desempenho gravando minha voz. Tive como professora e fonoaudióloga a Dra Carolina Freitas, recomendada por meu amigo Fernando Mansur, na época locutor da Rádio Cidade FM.

Em 1983 quando recebi o certificado de conclusão do curso de locução ministrado por Hélio Tys e Guilherme de Souza, ambos da Rádio Globo, fui aprovado no teste da Rádio Roquette Pinto AM. Convidado para a Rádio Estácio, permaneci por poucos seis meses até aceitar o convite da Rádio Imprensa para ser o folguista da emissora. Era o locutor das madrugadas. Já estávamos em 1984 quando fui chamado para ser titular da Rádio Transamérica. Fui locutor, produtor, redator e coordenador da emissora até sair em 1990 quando me juntei à equipe de Eduardo Andrews no projeto da Rádio RPC FM. Era o locutor das manhãs.

Em 1992 fui para a Rádio Universidade FM (antiga Estácio FM) onde além de locutor, era também diretor da emissora e professor do curso de locução da Faculdade Estácio de Sá. Com a ideia de continuar o curso nasceu a Escola de Rádio em Botafogo com objetivo de formar profissionais para Rádio e TV.

Em 2004 inauguramos a Escola de Rádio no Largo do Machado. Com a facilidade da internet colocamos no ar a rádio web para ser campo de treinamento dos alunos que dirige. Em janeiro de 2012 realizei o sonho de ter mais espaço para os alunos mudando para um amplo espaço na rua Pedro Américo 147, no Catete.

Em 2004 fui convidado para a Rádio Paradiso FM inaugurando o projeto pioneiro de estúdios em shopping (FM Hall Rio Sul). Antes, em 1997 entrei no Sistema Globo de Rádio onde foi locutor da Globo FM e das edições da tarde do noticiário em rede nacional “O Globo no Ar” da Globo AM, saindo em julho de 2007.

Em 2009 realizamos a primeira edição do Prêmio Escola de Rádio com o produtor Paulo Lopez. O sucesso da votação levou 260 mil internautas ao site e mais de 600 radialistas ao Teatro Carlos Gomes.

Em Outubro de 2014 lancei meu primeiro livro “O Rádio era tão Romântico – As mudanças que o tempo trouxe”. Hoje me dedico ao mercado publicitário, palestras sobre o comportamento do rádio moderno e a direção da Escola de Rádio.

Em 2013 a Escola de Rádio recebeu o certificado do MEC - Secretaria de Educação (SEE) para tornar nossos cursos profissionalizantes (técnico de nível médio). Os alunos agora recebem o registro profissional no Ministério do Trabalho

Em 2017 com a explosão dos aplicativos e o novo marketing digital colocamos as ferramentas em uso. Esse trabalho nos ampliou nossa visão de mercado ao ponto de fazer uma mudança significativa na escola de Rádio. Nos tornamos ER+.

Por que agora o + em nossa marca?
O mais é plural, adiciona o vídeo, as lentes, a tecnologia que adiciona possibilidades na formação do comunicador. Soma a edição de imagens, o cuidado com o texto, a opinião do comunicador, as redes sociais, somam também o marketing e o smartphone.